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November 22nd, 2009, 01:00 AM
Rampa da Falperra volta a ouvir o rugir dos motoresProva mítica dos campeonatos de montanha regressa a 1 e 2 de Maio
Ontem
PEDRO VILA-CHÃ
A prova-rainha da velocidade nacional regressa à rampa da Falperra a 1 e 2 de Maio, oito anos após a interrupção. O Clube Automóvel do Minho espera reeditar os sucessos automobilísticos e ajudar o turismo local.
A prova que chegou a merecer o epíteto de "rainha" entre as corridas que se realizavam em Portugal volta a "rasgar", com os seus sons motorizados, a pacata mata da encosta virada à cidade de Braga. A prova ganhou contornos de algum misticismo, quiçá pelo enquadramento no chamada triângulo do turismo religioso, mas muito pelos milhares de seguidores que arrastava para a encosta do Bom Jesus, Falperra e Sameiro. Anos houve que chegaram a contabilizar-se 120 mil pessoas.
A mudança de paradigma nas opções televisivas está à cabeça das razões que se escalonam, quando se procura uma justificação para a abrupta interrupção da prova. Até então, os direitos televisivos eram um importante suporte económico, no financiamento da prova, a par da publicidade fixa e das inscrições de pilotos. Associa-se a tal facto o aparecimento de uma unidade hoteleira, exactamente a meio do percurso que fica sem acessos durante os dias de prova.
O certo é que a cidade ganhava uma auréola mágica, nas semanas em que se realizava a prova. Os cafés acolhiam grupos de seguidores das provas de velocidade, principalmente de espanhóis.
"Não cabia uma pessoa. Não havia mãos a medir, porque os espanhóis são bastante consumistas e mesmo os portugueses abriam mãos", diz José Moreira, proprietário de um estabelecimento nas imediações da rampa.
Pedro Nogueira realizou o seu sonho, ao participar na prova, nos anos de 2000 e 2001. Até então, tinha acompanhado sempre as corridas, como espectador. "Era um ambiente fabuloso que se vivia na cidade. As verificações técnicas realizavam-se na praça do Município. As pessoas gostam de ver coisas diferentes do habitual. Era comparável ao que acontece no rali da Madeira", diz Pedro que fez carreira nos ralis (de 1997 a 2007), e passou pela velocidade, precisamente para materializar o sonho de criança, tendo mesmo vencido na classe de 1400.
"Participar na rampa era um prestígio, porque era dos acontecimentos mais importantes do desporto nacional. Gostava de assistir como espectador e o regresso da prova é uma excelente notícia para o desporto e para a cidade", diz o antigo piloto.
A estas provas surge associado um aspecto "marginal", mas que era, também, motivo de grande mobilização. As noites de quinta e sexta-feira eram marcadas pelas corridas dos "aceleras". Espécie de "street-racing" que mobilizava os curiosos mas que não raras vezes terminava com a intervenção das forças de autoridade.
Ontem
PEDRO VILA-CHÃ
A prova-rainha da velocidade nacional regressa à rampa da Falperra a 1 e 2 de Maio, oito anos após a interrupção. O Clube Automóvel do Minho espera reeditar os sucessos automobilísticos e ajudar o turismo local.
A prova que chegou a merecer o epíteto de "rainha" entre as corridas que se realizavam em Portugal volta a "rasgar", com os seus sons motorizados, a pacata mata da encosta virada à cidade de Braga. A prova ganhou contornos de algum misticismo, quiçá pelo enquadramento no chamada triângulo do turismo religioso, mas muito pelos milhares de seguidores que arrastava para a encosta do Bom Jesus, Falperra e Sameiro. Anos houve que chegaram a contabilizar-se 120 mil pessoas.
A mudança de paradigma nas opções televisivas está à cabeça das razões que se escalonam, quando se procura uma justificação para a abrupta interrupção da prova. Até então, os direitos televisivos eram um importante suporte económico, no financiamento da prova, a par da publicidade fixa e das inscrições de pilotos. Associa-se a tal facto o aparecimento de uma unidade hoteleira, exactamente a meio do percurso que fica sem acessos durante os dias de prova.
O certo é que a cidade ganhava uma auréola mágica, nas semanas em que se realizava a prova. Os cafés acolhiam grupos de seguidores das provas de velocidade, principalmente de espanhóis.
"Não cabia uma pessoa. Não havia mãos a medir, porque os espanhóis são bastante consumistas e mesmo os portugueses abriam mãos", diz José Moreira, proprietário de um estabelecimento nas imediações da rampa.
Pedro Nogueira realizou o seu sonho, ao participar na prova, nos anos de 2000 e 2001. Até então, tinha acompanhado sempre as corridas, como espectador. "Era um ambiente fabuloso que se vivia na cidade. As verificações técnicas realizavam-se na praça do Município. As pessoas gostam de ver coisas diferentes do habitual. Era comparável ao que acontece no rali da Madeira", diz Pedro que fez carreira nos ralis (de 1997 a 2007), e passou pela velocidade, precisamente para materializar o sonho de criança, tendo mesmo vencido na classe de 1400.
"Participar na rampa era um prestígio, porque era dos acontecimentos mais importantes do desporto nacional. Gostava de assistir como espectador e o regresso da prova é uma excelente notícia para o desporto e para a cidade", diz o antigo piloto.
A estas provas surge associado um aspecto "marginal", mas que era, também, motivo de grande mobilização. As noites de quinta e sexta-feira eram marcadas pelas corridas dos "aceleras". Espécie de "street-racing" que mobilizava os curiosos mas que não raras vezes terminava com a intervenção das forças de autoridade.