Lukinhaaaz
November 27th, 2009, 12:23 AM
Com dificuldades para cruzar as grandes cidades, morar perto do trabalho chega a ser necessidade. Muitos brasileiros abrem mão de boa habitação para não depender de transporte público ineficiente.
O trânsito de casa pro trabalho tem uma influência que muita gente desconhece na maneira como as nossas cidades crescem. O repórter Paulo Renato Soares mostra como isso acontece.
Quinze minutos de bicicleta todo dia. O exercício de Daniel é pra chegar à estação de trem mais próxima. Isso às seis da manhã. Perto da casa dele não passa ônibus que vai ao Centro da cidade.
“Estou cansado”, diz o atendente de telemarketing, Daniel dos Santos. E ele não é o único. O bicicletário perto da estação tem 300 vagas e vive lotado. Gente que começa o dia pedalando e paga R$ 1 pra deixar a bicicleta guardada até a volta do trabalho.
“Eu não ganho passagem, então eu tenho que vir de bicicleta”, disse Shirlei da Silva. A diarista Janete da Cruz conta que só recebe o dinheiro referente a uma passagem. “Aí eu tenho que usar a bicicleta e pegar o trem”, contou um usuário.
Nos vagões, conforto só pra quem entra nas primeiras estações. Logo, logo está um aperto só. Todo dia assim cheio, é uma baderna, uma bagunça, com trem atrasado, um sufoco. “É muito cheio, eles não respeitam o horário, cada dia é um horário diferente. Atrasa todo dia também, tem isso. Eu volto uma estação pra poder sentar”, contou a cabelereira Eleni Paixão.
E muitos estão aqui por falta de opção. “Eu acordo às 4h40 pra pegar o trem, pra chegar às 7h30 na faculdade. Se eu fosse de ônibus teria que acordar às 3h, 3h30”, disse Eleni.
“Às vezes você pega um trem superlotado, que às vezes quebra, chega atrasado no trabalho, e o patrão não quer saber. Transporte de ônibus é pior ainda, né?”, disse o tesoureiro Gustavo de Paula .
Daniel ainda vai ter que fazer baldeação. Para não chegar depois da hora no trabalho, só correndo muito. “Vou ter que andar o mais rápido possível, se o parador demorar muito a vir eu vou chegar atrasado”.
Com tantas dificuldades para cruzar as grandes cidades, morar perto do trabalho chega a ser uma necessidade. E muitos brasileiros abrem mão até de boas condições de habitação para não depender de um transporte público ineficiente e sem qualidade.
Uma educadora fez uma pesquisa com mais de 500 moradores de 16 favelas no Rio de Janeiro para saber quais eram os pontos positivos e negativos de se viver nas comunidades. A principal reclamação é a violência.
E para a maioria, o mais importante são a proximidade do trabalho e a facilidade de locomoção. “Se eu quiser ir para o trabalho, eu atravesso a passarela e estou no trabalho, muito prático. Não tem esse negócio de ficar esperando uma hora por um ônibus, primeiro porque é muita opção de ônibus, muitas opções de ônibus. Não saio daqui, não”, disse Nateci Rodrigues.
“Ganha mais qualidade de vida, ganha mais tempo para você dormir, para você acordar, para lazer, tudo isso. Interfere toda a sua vida de um modo geral”, disse Jackson Cruz da Fonseca.
“As pessoas vão escolher um lugar, porque dá pra sair dali, porque está próximo de locais onde elas poderão ter acesso a trabalho, está próximo de locais onde elas poderão ter serviços, escola para os filhos e etc”, disse Eliana Souza Silva, da ONG Redes da Maré.
Para o coordenador do observatório das metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pra mudar essa realidade é preciso a ação de prefeituras e governos.
“A curto prazo da pra fazer muita coisa como por exemplo regular as tarifas de transporte, o poder público regular também a distribuição das linhas no território, fazendo com que essas linhas alcancem a população que esta localizada na periferia”, disse Luiz César de Queiroz.
Cidades com mais mobilidade. Mais qualidade de vida e menos desperdício de tempo e dinheiro.
O transporte público parece carregar as soluções, mas é preciso investimentos para convencer os donos dos carros a entrarem nos ônibus, trens e metrôs e os passageiros que já usam o serviço a não sair dele.
“Se eu tivesse uma opção, essa com certeza não seria a minha opção de transporte”, disse uma usuária.
Fonte: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1394126-10406,00-TRANSPORTE+RUIM+FAVORECE+A+FAVELIZACAO.html (Jornal Nacional - 26/11/2009)
O trânsito de casa pro trabalho tem uma influência que muita gente desconhece na maneira como as nossas cidades crescem. O repórter Paulo Renato Soares mostra como isso acontece.
Quinze minutos de bicicleta todo dia. O exercício de Daniel é pra chegar à estação de trem mais próxima. Isso às seis da manhã. Perto da casa dele não passa ônibus que vai ao Centro da cidade.
“Estou cansado”, diz o atendente de telemarketing, Daniel dos Santos. E ele não é o único. O bicicletário perto da estação tem 300 vagas e vive lotado. Gente que começa o dia pedalando e paga R$ 1 pra deixar a bicicleta guardada até a volta do trabalho.
“Eu não ganho passagem, então eu tenho que vir de bicicleta”, disse Shirlei da Silva. A diarista Janete da Cruz conta que só recebe o dinheiro referente a uma passagem. “Aí eu tenho que usar a bicicleta e pegar o trem”, contou um usuário.
Nos vagões, conforto só pra quem entra nas primeiras estações. Logo, logo está um aperto só. Todo dia assim cheio, é uma baderna, uma bagunça, com trem atrasado, um sufoco. “É muito cheio, eles não respeitam o horário, cada dia é um horário diferente. Atrasa todo dia também, tem isso. Eu volto uma estação pra poder sentar”, contou a cabelereira Eleni Paixão.
E muitos estão aqui por falta de opção. “Eu acordo às 4h40 pra pegar o trem, pra chegar às 7h30 na faculdade. Se eu fosse de ônibus teria que acordar às 3h, 3h30”, disse Eleni.
“Às vezes você pega um trem superlotado, que às vezes quebra, chega atrasado no trabalho, e o patrão não quer saber. Transporte de ônibus é pior ainda, né?”, disse o tesoureiro Gustavo de Paula .
Daniel ainda vai ter que fazer baldeação. Para não chegar depois da hora no trabalho, só correndo muito. “Vou ter que andar o mais rápido possível, se o parador demorar muito a vir eu vou chegar atrasado”.
Com tantas dificuldades para cruzar as grandes cidades, morar perto do trabalho chega a ser uma necessidade. E muitos brasileiros abrem mão até de boas condições de habitação para não depender de um transporte público ineficiente e sem qualidade.
Uma educadora fez uma pesquisa com mais de 500 moradores de 16 favelas no Rio de Janeiro para saber quais eram os pontos positivos e negativos de se viver nas comunidades. A principal reclamação é a violência.
E para a maioria, o mais importante são a proximidade do trabalho e a facilidade de locomoção. “Se eu quiser ir para o trabalho, eu atravesso a passarela e estou no trabalho, muito prático. Não tem esse negócio de ficar esperando uma hora por um ônibus, primeiro porque é muita opção de ônibus, muitas opções de ônibus. Não saio daqui, não”, disse Nateci Rodrigues.
“Ganha mais qualidade de vida, ganha mais tempo para você dormir, para você acordar, para lazer, tudo isso. Interfere toda a sua vida de um modo geral”, disse Jackson Cruz da Fonseca.
“As pessoas vão escolher um lugar, porque dá pra sair dali, porque está próximo de locais onde elas poderão ter acesso a trabalho, está próximo de locais onde elas poderão ter serviços, escola para os filhos e etc”, disse Eliana Souza Silva, da ONG Redes da Maré.
Para o coordenador do observatório das metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pra mudar essa realidade é preciso a ação de prefeituras e governos.
“A curto prazo da pra fazer muita coisa como por exemplo regular as tarifas de transporte, o poder público regular também a distribuição das linhas no território, fazendo com que essas linhas alcancem a população que esta localizada na periferia”, disse Luiz César de Queiroz.
Cidades com mais mobilidade. Mais qualidade de vida e menos desperdício de tempo e dinheiro.
O transporte público parece carregar as soluções, mas é preciso investimentos para convencer os donos dos carros a entrarem nos ônibus, trens e metrôs e os passageiros que já usam o serviço a não sair dele.
“Se eu tivesse uma opção, essa com certeza não seria a minha opção de transporte”, disse uma usuária.
Fonte: http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1394126-10406,00-TRANSPORTE+RUIM+FAVORECE+A+FAVELIZACAO.html (Jornal Nacional - 26/11/2009)