View Full Version : Uberlândia na Revolução de 1930


Valter
January 3rd, 2010, 06:42 AM
"Primeira reportagem da série “Uberlândia na Revolução de 1930”, que o CORREIO publicará nas edições de domingo."


Um canhão, dois tiros e muita história

Armamento usado na guerrilha na divisa de Minas com Goiás foi fabricado em Uberlândia por Cesário Crosara


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Estrutura da antiga ponte Afonso Pena, atingida por um dos tiros do canhão “Emílio”


Única peça exposta no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro que foi produzida em Uberlândia, o canhão “Emílio” foi decisivo em uma das últimas batalhas da Revolução de 1930, na divisa entre Minas Gerais e Goiás, na antiga ponte Afonso Pena.

Na primeira reportagem da série “Uberlândia na Revolução de 1930”, que o CORREIO publicará nas edições de domingo, o personagem principal é um canhão fabricado em Uberlândia e que já rodou várias cidades antes de ser adicionado ao acervo do Pátio dos Canhões do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

Fabricado na fundição da família Crosara, do patriarca e imigrante italiano radicado em Uberlândia, Cesário Crosara, na antiga rua da Estação, hoje avenida João Pessoa, o único canhão da tropa mineira na frente de batalha goiana foi um dos principais responsáveis pela rendição dos goianos em novembro de 1930.

Às margens do rio Paranaíba, mineiros e goianos se confrontaram na Revolução de 1930. Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul apoiavam Getúlio Vargas na tentativa bem-sucedida de depor o presidente Washington Luís. O Triângulo Mineiro ficava entre dois estados inimigos, São Paulo e Goiás. As tropas voluntárias mineiras, em menor número, enfrentavam com espingardas winchester os soldados goianos, famosos pela excelente pontaria, e armados com fuzis.

Mas dois tiros do canhão “Emílio” ajudaram a alterar essa desigualdade numérica e de arsenal no fronte de batalha no rio Paranaíba. “O primeiro tiro para acertar a mira atingiu a igreja de Itumbiara. Itumbiara chamava Santa Rita do Paranaíba e a igreja era de Santa Rita dos Impossíveis ou dos Milagres. O tiro derrubou uma das duas torres da igreja. E o segundo tiro acertou o cabo de aço da ponte pênsil. A ponte arriou e o pessoal de Goiás levantou bandeira branca”, disse o engenheiro Rugles Crosara, 77 anos, um dos sete filhos ainda vivos de Cesário Crosara.

Engenhosidade italiana

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Rugles Crosara é um dos sete filhos ainda
vivos de Cesário Crosara

O canhão “Emílio”, na verdade, era uma espécie de morteiro, fabricado com materiais improvisados e com a engenhosidade do italiano Cesário Crosara. Os Crosaras possuíam uma fundição e fábrica de máquinas e equipamentos para lavouras, montada em 1927, onde hoje é a avenida João Pessoa, em frente ao Terminal Central.

“Meu pai morou comigo até morrer, eu tinha a curiosidade de sempre ficar perguntando sobre a fabricação do canhão. Nas avenidas de Uberlândia havia postes de aço. Eram mais grossos e depois afinavam. O poste para fabricar o morteiro foi retirado de um local em frente ao Colégio Estadual Ginásio Mineiro, onde hoje é o Museu,”, disse Rugles Crosara, que nasceria cerca de dois anos após o encerramento do conflito na divisa com Goiás.

O poste seria só o primeiro elemento improvisado para a construção do armamento. “O papai pegou um tubo de oxigênio, ele era agente da White Martins, serrou e colocou o tubo de aço dentro do outro e encheu de chumbo para fazer um lastro, porque senão, quando a bala saísse, o canhão poderia ser jogado para trás”, disse o filho do inventor. Como não havia chumbo ou estanho suficiente para ser inserido na culatra do canhão, o capitão José Percival, que comandava militarmente as tropas revolucionárias no Triângulo Mineiro, requisitou os metais das tipografias uberlandenses.

Projéteis precisavam atravessar o rio

Antes de seguir de caminhão até a frente de batalha na ponte Afonso Pena, divisa de Minas Gerais com Goiás, na localidade ainda denominada de Alvorada, atualmente Araporã, o canhão “Emílio” foi testado em Uberlândia, na região onde hoje fica o bairro Roosevelt.

Os testes serviam para verificar a pontaria e a capacidade de lançar as balas. O rio tinha cerca de 400 metros de largura e a distância entre os acampamentos goiano e mineiro era de aproximadamente 600 metros.

Antes de Cesário Crosara construir o canhão, os militares pensaram em utilizar uma espécie de catapulta para atingir as tropas inimigas do outro lado do rio. “Eles queriam fazer uma atiradeira com pneu de trator, mas não alcançava esta distância (600 metros)”, disse Rugles Crosara.

Um projétil disparado e 2 tiros ouvidos

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Mariana Crosara, filha de Rugles Crosara,
em visita o acervo onde está o canhão do
avô

Uma das curiosidades do canhão “Emílio” contada pelo engenheiro Rugles Crosara, um dos filhos de Cesário Crosara, inventor do armamento, é que o canhão disparava um projétil, mas se escutavam dois tiros. “Os goianos ficavam impressionados. Porque todo canhão dá só um tiro, mas esse dava dois tiros, porque o primeiro era da pólvora que estava dentro para empurrar a dinamite”, disse Crosara. ”As balas foram feitas usando lata de soda, igual lata de leite em pó. Furava a tampa e colocava dinamite, em volta da latinha colocava grampo de cerca, prego, parafuso ou pedaço de chapa cortado para estilhaçar.”

Rugles Crosara não sabe ao certo a razão de o canhão ter sido batizado como “Emílio”, mas tem um palpite. “O segundo filho do papai chamava-se Emílio Valentim.”

Peça passou por vários museus

Encerrada a Revolução de 1930, o canhão “Emílio” foi levado para Juiz Fora, na Zona da Mata, sede das forças revolucionárias em Minas Gerais. A história do armamento é cheia de idas e vindas. Segundo o livro “Araporã, Terra da Esperança”, da escritora Maria Honório de Castro, o canhão foi incorporado ao Museu de Belo Horizonte, depois ficou exposto por um período na entrada do Museu do Ipiranga, em São Paulo (SP), antes de ser anexado ao acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. No museu carioca, a peça foi registrada, inicialmente, como sendo oriunda de Juiz de Fora.

Em 1997, com a ajuda de colaboradores, a origem do canhão foi revisada no registro do museu. No entanto, por um lapso na documentação apresentada, a autoria da peça foi atribuída ao filho de Cesário Crosara, Pacífico Crosara, que, na época da fabricação, tinha 20 e poucos anos. “Meu irmão deu a ideia de colocar uma espécie de gatilho para não precisar usar o rastilho com pólvora. Mas não houve tempo para isso”, disse Rugles Crosara.

De acordo com o chefe da Reserva Técnica do Museu Histórico Nacional, Jorge Cordeiro, a retificação no registro pode ser realizada com a comprovação documental da autoria da peça. “O museu está sempre aberto para estas retificações, porque as nossas pesquisas não são fechadas. Hoje no registro consta na fabricação somente Minas Gerais. O acervo passou por um novo inventário há cerca de quatro anos”, afirmou Cordeiro.

Produtor do canhão “Emílio” nasceu na região de Veneza

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Cesário Crosara mudou-se para Uberlândia
em 1925 e faleceu em 1969

Nome de avenida no bairro Roosevelt, região norte de Uberlândia, Cesário Crosara chegou à região do Triângulo Mineiro em 1894, quando a família adquiriu uma propriedade em Sacramento. Mas antes de chegar ao Brasil e, posteriormente a Uberlândia, Crosara passou a infância e juventude na Itália. Batizado na “Velha Bota”, como Crosara Cesare Giovanni Giacomo, nasceu em 9/12/1869, na cidade de Gambarare, hoje Mira, na província de Veneza.

A tradição militar também teve início na Itália. O pai de Cesário, Virgilio Giovanni Crosara, resolveu partir para o Brasil com a família diante das dificuldades vividas na Itália no fim do século 19, mas Cesário foi sorteado para o serviço militar obrigatório italiano. O pai retornaria para buscá-lo no fim de 1889.

No ano seguinte, Cesário Crosara já trabalhava numa fazenda cafeeira perto de Ribeirão Preto (SP), onde rapidamente passou a administrador, por dominar a língua italiana, além de sete dialetos de Veneto, e ter bom conhecimento de francês. Era o perfil ideal para lidar com a leva de imigrantes italianos que chegava aos cafezais paulistas.

Em meados de 1925, mudou-se para Uberlândia para montar uma oficina mecânica instalada ao lado da E. E. de Uberlândia. Com uma vida marcada por intensa atividade produtiva na fundição de onde saiu o canhão “Emílio”, Cesário Crosara também produzia equipamentos agrícolas, premiados em feiras brasileiras.

Prestes a completar 100 anos, Cesário Crosara faleceu em Uberlândia no dia 15/9/1969. Todos os registros da família fazem parte do acervo do engenheiro Rugles Crosara. “O papai teve 26 filhos, sendo 14 do primeiro casamento. E 12 do segundo. Hoje somos sete. Ainda tenho uma irmã viva do primeiro casamento dele”, disse Rugles Crosara.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2010/01/03/42640/um_canhao,_dois_tiros_e_muita_histo.html

Voni68
January 4th, 2010, 11:39 PM
parabéns pela postagem... nunca imaginava que aqui se passou uma história assim!
com certeza vou aguardar o restante da matéria!

Vargas
January 7th, 2010, 03:47 PM
Um canhão feito de um poste....e funcionava mto bem.

Mto legal a história, eu não tinha idéia que tudo isso tinha se passado na região.

Driano MG
January 7th, 2010, 04:36 PM
Mto interessante essas curiosidadees da nossa história, bem que esse canhão poderia ter ficado em Juiz de Fora.

Inconfidente
January 9th, 2010, 12:29 AM
Nossa, que legal! Não sabia dessa batalha. Regiões de fronteira geralmente são a linha de frente. Em Minas foi o Triângulo e no Brasil foi o Rio Grande do Sul.

Valter
January 9th, 2010, 05:07 PM
Fiquei feliz com a repercussão dessa matéria, particularmente achei a história interessantíssima. Amanhã deve sair mais uma parte da reportagem.

Valter
January 10th, 2010, 04:58 PM
Wilson Ribeiro da Silva é filho de Tenente Virmondes, único militar uberlandense morto em uma frente de batalha

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Wilson Ribeiro na esquina que leva o nome do pai



Esquina da rua Tenente Virmondes com a avenida Afonso Pena, centro de Uberlândia. Para milhares de pessoas que transitam diariamente pelo local, este pode ser apenas mais um cruzamento movimentado no coração da cidade. Já para o advogado Wilson Ribeiro da Silva, 82 anos, passar pela esquina é motivo de frequente comoção. Coincidentemente, a rua é uma homenagem ao pai do advogado, Tenente Virmondes Ribeiro da Silva. E a avenida tem o mesmo nome do local onde o jovem militar Tenente Virmondes morreu: ponte Afonso Pena, divisa de Minas Gerais com Goiás.

Na segunda reportagem da série “Uberlândia na Revolução de 1930”, o CORREIO conta, por meio dos relatos do seu filho único, a história do único militar uberlandense morto em uma frente de batalha. No dia 19 de outubro de 1930, Tenente Virmondes, aos 28 anos, pôs a cabeça para fora da trincheira e levou um tiro certeiro na testa. Ele foi a única baixa mineira durante a Revolução de 1930 na frente de batalha goiana.

“Eu sou o único elo vivo que existe em Uberlândia da Revolução de 1930. Das pessoas que estavam lá, todas já morreram. Sou um elo vivo, porque meu pai estava lá e foi o único mineiro a morrer. Eu tinha três anos e senti na carne o problema”, disse Wilson Ribeiro da Silva.

No escritório do advogado, na rua Machado Assis, a uma quadra de distância da rua em homenagem ao pai, Wilson Ribeiro da Silva guarda fotografias, recortes de jornais e livros sobre a Revolução de 1930. Um dos livros que relatam a história sobre o conflito, “Bandeirantes e Pioneiros do Brasil Central”, escrito pelo uberlandense Tito Teixeira, que também esteve na frente de batalha como capitão e foi assistente do comandante Major José Persilva, o autor descreveu a morte de Tenente Virmondes: “deixa viúva e na orfandade o filho pequeno, que mais tarde só poderá se orgulhar de tal pai”. “Procuro honrar o nome do meu pai, que foi um herói. Tenho um exemplar do Diário da Revolução, do dia 20 de outubro de 1930, falando sobre o sepultamento do meu pai e sobre o ato do comandante do senador Camilo Chaves, que o promoveu a tenente.”

Lembranças advindas de relatos

Como só tinha 3 anos quando o pai morreu na frente de batalha na Revolução de 1930, Wilson Ribeiro da Silva afirma que não tem lembranças do convívio com o pai. Mas as reminiscências foram sendo construídas por meio de depoimentos da mãe, Genuina Ribeiro (Dona Filhinha), e de relatos de companheiros de batalha do pai no fronte goiano. “Uma pessoa com quem conversava muito na época era o Dr. Mário Guimarães Faria, que era médico e fez parte da comissão de saúde que foi para a ponte Afonso Pena. Tinha também o professor Nelson Cupertino, que também esteve no grupo revolucionário. Eu fui aluno dele. Ele tinha uma cultura extraordinária. Era um sábio.”

Período “café com leite” chega ao fim

Às margens do rio Paranaíba, as tropas mineiras enfrentaram as goianas na Revolução de 1930, tentando defender e dominar a ponte pênsil Afonso Pena em um dos derradeiros focos de batalha do conflito de âmbito nacional. Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul lutavam a favor de Getúlio Vargas na tentativa bem-sucedida de depor o presidente Washington Luís, natural de Macaé (RJ) e radicado em São Paulo. Para o advogado Wilson Ribeiro da Silva, a intenção bem-sucedida de depor Washington Luís era legítima. “Foi absolutamente legítimo, porque mudou para melhor a história do Brasil. Saímos de uma oligarquia para um regime representativo.”

Ele fundamenta a análise fazendo uma crítica ao último presidente da fase da República do “Café com Leite” – período em que presidentes civis eram oriundos de setores agropecuários dos estados de São Paulo (café) e Minas Gerais (leite). “Isso é um pouco da história de Uberlândia e do país, porque a Revolução de 1930 teve uma repercussão que mudou a face do Brasil. O presidente era o Washington Luis, uma espécie de ditador, um déspota, e havia uma oligarquia que mandava no país e com a revolução de 1930 deflagrada no Rio Grande do Sul saímos vitoriosos.”

Tenente Virmondes nasceu em Goiás

Muito provavelmente, o tiro que matou Tenente Virmondes foi disparado por um conterrâneo goiano. O militar morto na divisa entre Minas Gerais e Goiás durante a Revolução de 1930 era natural de Ipameri (GO). “Ele serviu no 6º Batalhão de Caçadores em Ipameri. Como militar, ele tinha sido promovido a sargento por ato de bravura na Revolução de 1924 (movimento que defendeu o mandato do presidente mineiro Arthur Bernardes contra a insurreição de militares paulistas). Ele já tinha experiência nisso. Quando ele se casou com a minha mãe, em 1926, em Ipameri, eles se mudaram para Uberlândia no mesmo ano”, disse o filho de Tenente Virmondes, Wilson Ribeiro da Silva.

Nome de rua

Wilson Ribeiro da Silva afirma que é comum sentir orgulho quando passa pela rua que homenageia o pai, Tenente Virmondes. “Eu tenho vontade de morar na rua Tenente Virmondes. Eu quase comprei um apartamento ali, mas não deu certo o negócio. Estou a uma quadra. Eu brinco com o pessoal: ‘essa rua é minha’. Sinto orgulho disso, porque tenho uma rua com o nome do meu pai. No dia 19 de outubro de 1980, mandei celebrar uma missa comemorativa aos 50 anos da Revolução e da morte do meu pai.”

Advogado queria ter servido o Exército

A tradição militar de Tenente Virmondes quase passou de pai para filho. “Toda vida fui verde-oliva. Quando era menino, perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, eu respondia que ia ser ministro da Guerra. Isso com 5 anos”, disse Wilson Ribeiro da Silva, 82 anos.

O advogado disse que o instinto filial falou mais alto quando terminou o curso ginasial (atual ensino médio) no Ginásio Mineiro (hoje Escola Estadual de Uberlândia, o Museu). “A minha mãe ficou viúva nova. Meu pai tinha 28 anos quando morreu e a minha mãe tinha 27 anos. Ela ficou viúva e não quis casar de novo. Lutou para me criar. Não recebemos um tostão do governo. Ela lutou, trabalhou, era uma artista, bordava maravilhosamente bem. Eu vivi intensamente este amor da minha mãe”, afirmou.

Wilson Ribeiro acabou trocando a farda pela toga. “Fui contador durante 25 anos, formei em direito em 1971, exerço até hoje a profissão de advogado, fui professor da Universidade Federal de Uberlândia e diretor da Faculdade de Artes. Ajudei a criar a faculdade de Odontologia, a faculdade de Medicina Veterinária e a Escola Superior de Educação Física.”

Wilson Ribeiro da Silva teve três filhos, dois ainda vivos, e três netos. “Sempre dei muito da minha vida em função da minha cidade. Fui diretor do Uberlândia Clube, do Praia Clube - várias vezes, diretor da Associação Comercial (Aciub), fui presidente do Sindicato dos Contabilistas de Uberlândia. Escrevi um livro chamado: ‘A História de uma vida dedicada ao trabalho, à família e à comunidade”.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2010/01/10/42779/elo_vivo_da_revolucao_de_1930.html


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Só faltou ao Dr. Wilson Ribeiro dizer também que é muito humilde :D

Valter
January 10th, 2010, 05:14 PM
Complementando os posts anteriores, fotos da ponte Afonso Pena, local da frente de batalha.

http://www.itumbiara.go.gov.br/fotosantigas/album/iwebalbumfiles/61f01871765a4f878ebdaa0d72ad291d.jpg

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História

A antiga Ponte Affonso Penna começou a ser construída em 1908, no então povoado de Santa Rita do Paranaíba, atraindo pessoas de várias pontos da região para acompanhar sua instalação, e foi inaugurada no dia 15 de novembro de 1909, recebeu o nome em homenagem ao Presidente Afonso Augusto Moreira Pena. Após a construção da Rodovia BR 153, no decorrer da década de 1960, o movimento passou para a ponte construida para atender a rodovia. E no início da década de 1970, com a construção da Usina hidrelétrica de Itumbiara (Furnas), engenheiros da estatal mudaram o lugar de origem da Ponte Affonso Penna para atender a Vila Operaria na cidade de Itumbiara (GO) com o canteiro da obra na localidade denominada Araporã (MG).


Estrutura

A estrutura de ferro da Ponte Affonso Penna veio da Alemanha até o Rio de Janeiro de navio, depois seguiu até Uberlândia de trem e, de lá para Itumbiara, em carro de boi. A construção da Ponte Affonso Penna significou a ligação do Centro-Oeste brasileiro com as outras regiões do País, já que unia as regiões Sul e Sudeste ao Sul goiano e ao Mato Grosso. O Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan), visitou a Ponte Affonso Penna e, anunciou que iria solicitar seu tombamento como patrimônio histórico nacional mas, até hoje o laudo não foi divulgado e, segundo informações, o processo de tombamento da ponte ainda está sendo analisado.

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Voni68
January 12th, 2010, 12:25 AM
mais uma vez, obrigado por postar!
acho muito boas essas informações do passado de nossa história.

Wey
January 12th, 2010, 02:42 AM
Poxa, essa ponte ainda existe valter?? É LINDA! :master:

Aonde fica, exatamente? :D

sbarbosa
January 12th, 2010, 12:50 PM
^^
existe, mas nao fica no mesmo lugar que antes. Foi relocada para acesso á Vila de Furnas, em Itumbiara (divisa MG/GO)

http://www.wikimapia.org/#lat=-18.4268302&lon=-49.2067766&z=16&l=9&m=b

sbarbosa
January 12th, 2010, 12:53 PM
Este parece ser o local original da ponte:

http://www.wikimapia.org/#lat=-18.4160404&lon=-49.1984832&z=18&l=9&m=b

Valter
January 19th, 2010, 01:01 AM
Subcomandante Tito Teixeira relatou minuciosamente o conflito em livro

Dia 3 de outubro de 1930, 18h em Buriti Alegre (GO). Em uma roda de conversa, demonstrações de incredulidade em relação aos boatos sobre uma revolução no Brasil. O uberabense radicado em Uberlândia Tito Teixeira, que chegara a cidade goiana para reconstituir a rede telefônica sabotada, é o único a discordar.

“Pois olhe amigo, ela nunca esteve tão perto como neste momento”. Após pronunciar estas palavras, toca o telefone da casa do compadre José Marra de Castro, conhecido como Zeca Totó. A ligação era para Tito Teixeira, dono da companhia telefônica Teixeirinha, que operava nas regiões do Triângulo Mineiro e sul goiano.

Ele recebe o comunicado da telefonista: “Dona Candinha manda lhe dizer que a tia do senhor, doente em Belo Horizonte, faleceu hoje, às 5h”. Tito Teixeira não contém a excitação e exclama: “Graças a Deus!”.

Era o código para ser informado de que a Revolução de 1930 havia sido deflagrada e que havia a necessidade de retornar o mais rápido possível para Uberlândia, a tempo de atravessar a ponte Afonso Pena, na divisa de Minas Gerais e Goiás, pois estava dentro de um estado inimigo e era um dos elementos ligados diretamente ao comando geral revolucionário de Uberlândia.

Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul entrariam no dia seguinte em luta armada em favor de Getúlio Vargas na tentativa, bem-sucedida, de depor o presidente Washington Luís, natural de Macaé (RJ) e radicado em São Paulo. O Triângulo Mineiro situava-se entre dois estados inimigos, São Paulo e Goiás, e havia grande possibilidade de invasão da mesopotâmia triângulina, formada pelos rios Paranaíba e Grande.

A fuga do assistente do comando revolucionário uberlandense Tito Teixeira está relatada no livro “Bandeirantes e Pioneiros do Brasil”, escrito por ele próprio.

O resgate da participação desse personagem é o tema da penúltima reportagem da série “Uberlândia na Revolução de 1930”, feita pelo CORREIO.

A aventura arriscada para restabelecer a ligação telefônica que atenderia às necessidades das operações que estavam prestes a desencadear-se em outubro de 1930 estão descritas minuciosamente no segundo capítulo do livro dividido em quatro partes: “Ocupação das Fronteiras de Minas Gerais”, “Combate e Vitórias”, “Tomada de Santa Rita do Paranaíba” e “Regozijo Popular”.

Já as páginas originais do livro estão em uma casa no bairro Conjunto Bandeirantes, região central de Uberlândia, onde mora um dos filhos de Tito Teixeira, o advogado Durval Teixeira, 81 anos. “Ele teve a honra de ser nomeado capitão, por causa da telefônica. Eles sabotaram a linha telefônica daqui para Santa Rita, hoje Itumbiara. Ele passou três dias e três noites para restabelecer o contato telefônico em Alvorada, hoje Araporã, que era essencial para o movimento revolucionário”, afirmou Durval Teixeira.

Morte da tia era senha sobre revolução

O advogado Durval Teixeira lê um trecho do livro do pai sobre a fuga de Goiás e destaca uma passagem pitoresca. A exclamação de Tito Teixeira após ser informado da morte de uma tia em Belo Horizonte causou estranheza no compadre que o recebia para jantar em Buriti Alegre. “Zeca Totó chamou o autor (Tito Teixeira assim referia-se a si próprio no livro) em particular e obrigou-o a tirar-lhe daquela confusão ao ouvir tamanho disparate”, menciona sobre o fato de ter dito “graças a Deus” quando recebeu o comunicado da morte da tia. Teixeira confidenciou ao compadre que esta era senha que correspondia à notícia de que a revolução havia estourado às 17h.

Ele só pediu que guardasse segredo até que pudesse atravessar a ponte Afonso Pena em segurança. Todos os relatos estão no livro “Bandeirantes e Pioneiros do Brasil Central”. “Ele vivenciou tudo, estava lá junto. Papai tinha uma coisa extraordinária, ele tinha uma memória fantástica. Ele se lembrava de tudo e manteve essa memória até os últimos dias”, afirmou o filho. Tito Teixeira morreu no fim de outubro de 1983, prestes a completar 100 anos.

Subcomandante da tropa era civil

A escolha de um civil para o subcomando das tropas revolucionárias no Triângulo Mineiro foi o resultado de várias razões combinadas. Tito Teixeira era assistente do capitão José Persilva, este sim um militar, que chefiara a 2ª Companhia do 5º Batalhão de Infantaria da Força Pública, comandante da praça e governador militar de Uberlândia e municípios da região.
Uma das razões para a escolha de um civil era familiar. “O papai era casado com a filha do Camilo Chaves, dona Cândida Chaves. Uma mulher fantástica. Por causa dessa relação e da falta de gente naquela época para ir para a batalha, eles tiveram que nomear muitas pessoas”. Cândida Chaves foi a primeira esposa de Tito Teixeira e o casal teve uma filha ainda viva, que também reside em Uberlândia.

Liderança em Ituiutaba, Camilo Chaves era político de renome estadual e foi nomeado chefe do Comando Geral do Triângulo Mineiro pelo então governador de Minas (na época falava-se presidente do estado) Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Além da falta de gente apta a pegar em armas - cerca de 400 homens foram voluntários na frente de batalha goiana na ponte Afonso Pena -, o conhecimento sobre telecomunicações também foi fundamental para a escolha de um civil para uma posição de destaque no comando regional da revolução. “Ele foi o fundador da empresa telefônica Teixeirinha, que deu origem à CTBC”, disse Durval Teixeira.

Paixão pela aviação

Do pai Tito Teixeira, Durval Teixeira herdou interesses e uma paixão: a aviação. “Tínhamos uma relação muito estreita, para mim era um ídolo. Singularidade de interesses, aviação, telefonia. Voava muito com ele, ia para Ituiutaba, Uberaba, Araguari. Ele gostava de fazer sempre esses passeios”.

Tito Teixeira foi o fundador do Aeroclube uberlandense e a habilidade lhe rendeu como homenagem o nome do aeroporto de Ituiutaba. “Em 1943, a mulher do prefeito, parente do Camilo Chaves, adoeceu com uma infecção grande e foi na época que saiu a penicilina. O prefeito de Ituiutaba ligou para o papai. Ele foi ao hospital, conseguiu a penicilina que precisava, pegou o avião e foi para Ituiutaba. Pousou sobre luz de farol de carro, porque não tinha condição de iluminação. A mulher do prefeito foi salva em função disso”, disse Durval Teixeira.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2010/01/17/42898/diario_da_revolucao.html