gigilamoroso
June 11th, 2010, 01:00 PM
Seis meses depois da lei em vigor, continuam por conhecer óbitos a 30 dias.
O Ministério da Administração Interna (MAI) continua a esconder o número real de mortes em acidentes de viação. Até ao final do ano passado apenas eram contados os óbitos no local do acidente, mas desde o início do ano que o Governo está obrigado por lei a contar também todos os feridos graves que morrem nos 30 dias subsequentes. A contagem está a ser feita pelas polícias, mas a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) não a divulga.
Em 2009 houve uma diferença de 418 mortes entre o número de vítimas de acidentes de viação assumido pelo Ministério da Administração Interna e o número de autópsias efectuadas nesse ano pelo Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) a cadáveres cuja morte resultou, também, de sinistralidade rodoviária. Enquanto o MAI diz que morreram 737, o INML contou 1155. Mais 56%.
A diferença deve-se ao facto de, enquanto no primeiro apenas foram contabilizados os óbitos no local do acidente, o segundo regista todos os que perdem a vida nos dias posteriores.
Mas os números que o MAI envia para as estatísticas europeias são os primeiros. O conceito internacional de "vítima mortal de acidente de viação", seguido por todos os países europeus, menos Portugal, conta os óbitos que acontecem até 30 dias depois do desastre.
A discrepância não é novidade e foi por isso que o Governo, depois de muito alertado para o facto, estabeleceu como uma das medidas da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, em 2008, a alteração na metodologia. Depois de ter assumido essa diferença, demorou ainda mais um ano a definir, em despacho, a contagem pelo método internacional.
O despacho estipulava o início do ano para a adopção da nova metodologia, mas, seis meses depois, o Governo continua sem divulgar o número real de mortes na estradas. O DN pediu há quatro dias ao MAI que esclarecesse a situação, mas o ministério nada respondeu.
Por outro lado, o DN confirmou, oficiosamente, que a PSP e a GNR, que já fazem essa contagem, em articulação como os hospitais e o Ministério Público, têm enviado os valores para a ANSR, mas estão proibidas de a revelar.
Uma fonte da GNR garante que esta força de segurança já faz até essa contabilização desde 2004, ano em que foram criados os núcleos de investigação de acidentes de viação, mas mantém os dados para análise interna.
Na PSP só desde início do ano começaram a usar a nova metodologia, embora em Lisboa já o fizessem há mais anos. Foi desta polícia, aliás, que surgiram os primeiros alertas para a falta de fiabilidade das estatísticas oficiais. Num estudo académico divulgado em 2008, relativo ao distrito de Lisboa, era demonstrado que as mortes rodoviárias, quando contadas a 30 dias, tinham sido, em média, para os três anos analisados mais 50% do que as oficialmente divulgadas pela ANSR.
O estudo mostrava que as mortes nas unidades hospitalares, que ficavam fora das estatísticas, tinham sido em 2005, 2006 e 2007 superiores em 38%, 48% e 62%, respectivamente, ao número de mortes assumido oficialmente.
Manuel João Ramos, dirigente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados, acha que, "como é habitual, o Governo deve estar à espera do momento político oportuno para divulgar os novos dados" e lamenta que a "estratégia seja só de propaganda".
fonte : DN, edição online de hoje
O Ministério da Administração Interna (MAI) continua a esconder o número real de mortes em acidentes de viação. Até ao final do ano passado apenas eram contados os óbitos no local do acidente, mas desde o início do ano que o Governo está obrigado por lei a contar também todos os feridos graves que morrem nos 30 dias subsequentes. A contagem está a ser feita pelas polícias, mas a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) não a divulga.
Em 2009 houve uma diferença de 418 mortes entre o número de vítimas de acidentes de viação assumido pelo Ministério da Administração Interna e o número de autópsias efectuadas nesse ano pelo Instituto Nacional de Medicina Legal (INML) a cadáveres cuja morte resultou, também, de sinistralidade rodoviária. Enquanto o MAI diz que morreram 737, o INML contou 1155. Mais 56%.
A diferença deve-se ao facto de, enquanto no primeiro apenas foram contabilizados os óbitos no local do acidente, o segundo regista todos os que perdem a vida nos dias posteriores.
Mas os números que o MAI envia para as estatísticas europeias são os primeiros. O conceito internacional de "vítima mortal de acidente de viação", seguido por todos os países europeus, menos Portugal, conta os óbitos que acontecem até 30 dias depois do desastre.
A discrepância não é novidade e foi por isso que o Governo, depois de muito alertado para o facto, estabeleceu como uma das medidas da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, em 2008, a alteração na metodologia. Depois de ter assumido essa diferença, demorou ainda mais um ano a definir, em despacho, a contagem pelo método internacional.
O despacho estipulava o início do ano para a adopção da nova metodologia, mas, seis meses depois, o Governo continua sem divulgar o número real de mortes na estradas. O DN pediu há quatro dias ao MAI que esclarecesse a situação, mas o ministério nada respondeu.
Por outro lado, o DN confirmou, oficiosamente, que a PSP e a GNR, que já fazem essa contagem, em articulação como os hospitais e o Ministério Público, têm enviado os valores para a ANSR, mas estão proibidas de a revelar.
Uma fonte da GNR garante que esta força de segurança já faz até essa contabilização desde 2004, ano em que foram criados os núcleos de investigação de acidentes de viação, mas mantém os dados para análise interna.
Na PSP só desde início do ano começaram a usar a nova metodologia, embora em Lisboa já o fizessem há mais anos. Foi desta polícia, aliás, que surgiram os primeiros alertas para a falta de fiabilidade das estatísticas oficiais. Num estudo académico divulgado em 2008, relativo ao distrito de Lisboa, era demonstrado que as mortes rodoviárias, quando contadas a 30 dias, tinham sido, em média, para os três anos analisados mais 50% do que as oficialmente divulgadas pela ANSR.
O estudo mostrava que as mortes nas unidades hospitalares, que ficavam fora das estatísticas, tinham sido em 2005, 2006 e 2007 superiores em 38%, 48% e 62%, respectivamente, ao número de mortes assumido oficialmente.
Manuel João Ramos, dirigente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados, acha que, "como é habitual, o Governo deve estar à espera do momento político oportuno para divulgar os novos dados" e lamenta que a "estratégia seja só de propaganda".
fonte : DN, edição online de hoje