View Full Version : Fotos e Fatos da história do Paraná
Squibb October 5th, 2010, 02:10 AM Este thread será dedicado a compartilhar material histórico sobre o Paraná.
Reportagens, fotografias, estudos, enfim, tudo que possa contribuir para o entendimento da história e formação do nosso estado é bem vindo.
Squibb October 5th, 2010, 02:26 AM E para começar, em homenagem ao povo de Londrina, posto aqui excertos da Enciclopédia Brasileira de Municípios, de 1955, com o artigo da cidade de Londrina. Em breve posto de outras cidades também.
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina1.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina2.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina3.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina4.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina5.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina6.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina7.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina8.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina9.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina10.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina11.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina12.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina13.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina14.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina15.jpg
BONUS - Duas fotos da década de 50, achadas em outro volume da enciclopédia:
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina16.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina17.jpg
Rofel October 5th, 2010, 03:27 AM squibb, que ideia genial cara, faltava um thread de volta ao passado, curto mto fotos antigas, especialmente dos anos 80, que certamente terá mais p/ frente aqui, parabéns pela iniciativa, mandou mto bem!!
quero compartilhar daqui uns dias por meio de uma postagem de uma pagina de um livro antigão de geografia do parana q tem aqui na UTFPR de Pato bco q trata de dados populacionais de 1975, pra ter idéia as páginas do livro tem a fonte em formato de datilografia hahaha
Valter October 5th, 2010, 04:27 AM LIFE - November 13, 1950
http://books.google.com/bkshp?hl=pt-BR&tab=wp
http://i1014.photobucket.com/albums/af270/valterconselt/outros/time/londrina1.jpg
http://i1014.photobucket.com/albums/af270/valterconselt/outros/time/londrina2.jpg
..
cidobarossi October 5th, 2010, 02:38 PM Muito legais as fotos e notícias, parabéns pela idéia Squibb.
damiao October 5th, 2010, 04:32 PM Topico riquissimo!! Tomara que o Cris nao jogue la pra discussoes urbanas e pulverize os comentarios...
pra curiosidade, o predio do antigo hotel moncoes esta a venda atualmente, todinho!!
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/londrina8.jpg
damiao October 5th, 2010, 04:35 PM post duplo
damiao October 5th, 2010, 04:37 PM http://imgs.lugarcerto.com/imoveis_folhadelondrina/noticias/12789513127444410324.JPEG
Notícias
Prédio histórico à venda em Londrina
Redação - Folha de Londrina
Edifício Monções, localizado no calçadão, foi construído na década de 50 e tem 3,2 mil m2 de área construída
Edinho Irizawa
Fachada do Edifício Monções: 60 salas de tamanhos diferentes espalhadas em 8 andares
Um prédio de 57 anos, inteiro à venda. Quem passa atualmente pelo calçadão, perto do Teatro Ouro Verde, vê essa cena. Trata-se do Edifício Monções, no centro da cidade, que foi posto recentemente à venda pela loteadora proprietária de mesmo nome. O prédio, construído em 1953 por Immo Vicentini, abrigou, na época, o Hotel Monções e o Banco Brasileiro para a América do Sul, e era gerenciado pelo filho do proprietário, Antônio Vicentini. O bar daquele hotel presenciou várias negociações em um período em que Londrina foi alçada ao posto de ‘‘Capital Mundial do Café’’.
O prédio pertence a uma loteadora que, com a venda, pretende diversificar os investimentos dentro da sua atividade. Segundo informações do proprietário que preferiu não se identificar, nos últimos anos as salas do edifício foram sendo desocupadas, mas não alugadas novamente já com a intenção da venda. O valor de venda do empreendimento não foi divulgado.
Luiz Moreira, gerente de vendas da imobiliária Santamérica, responsável pelas negociações, acredita que as possibilidades de venda do antigo edifício são grandes. ‘‘Até porque não existe outro prédio vazio no calçadão ou em qualquer outro lugar à venda’’, justifica. O empreendimento, localizado na Rua Maranhão, 65, tem 60 salas de tamanhos diferentes (com uma média de 10,62 metros quadrados cada uma) espalhadas pelos oito andares. São dois elevadores e um auditório, que vem da época do hotel, de 70 metros quadrados. A área total construída é de 3.238 metros quadrados, em 703.13 metros quadrados de terreno.
Na sua avaliação, o atual empreendimento poderá ser utilizado para fins comerciais, com o aluguel das salas ou pela rede hoteleira. ‘‘Já vimos hotéis instalados em prédios antigos depois de feita a revitalização’’, observa. Outra possibilidade é a venda para empresas que necessitam de espaços diferentes para seus departamentos reunidos em um mesmo edifício.
‘‘A vantagem (do prédio) é que a estrutura é fantástica. Antigamente, as construções eram feitas sem economia na estrutura. Com o tempo isso foi mudando e hoje gasta-se muito menos com a fundação, por exemplo. Os tijolos são maciços e se adaptam bem a reformas’’, garante Moreira. Segundo ele, o edifício está livre de fissuras ou rachaduras.
A última reforma foi feita em meados de 1986, quando foram feitas modificações estruturais para que o edifício fosse convertido de hotel para condomínio de salas comerciais. Ao possível comprador, de acordo com o imobiliarista, caberia apenas readequar os espaços e os sistemas elétricos e hidráulicos de acordo com as necessidades do segmento de atividade.
http://admin.folhadelondrina.vrum.com.br/imoveis/templates/template_interna_noticias?id_noticias=39343&id_sessoes=203
o preco é 7.000.000,00
M.S. October 5th, 2010, 07:09 PM Idéia genial para um tópico!
Squibb October 6th, 2010, 01:01 AM Embora eu seja assinante da veja apenas há uns oito anos, esta é uma das poucas revistas antigas, antes de ser assinate, que eu ainda tenho. Não li ela quando saiu, em 93. Alias quando foi publicado eu mal sabia ler.
Fui descobrir uns seis ou sete anos depois jogado no meio dos livros na estante.
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb1.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb2.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb3.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb4.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb5.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb6.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb7.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/vejacwb8.jpg
Comentário meu: Olha quanta coisa mudou em Curitiba.... ahaha ou na verdade, as coisas nunca foram tão cor de rosa como a revista pinta.. sei lá!
BONUS: Av Candido Abreu, uns 60 anos atrás, (na verdade ganha um doce quem precisar a data desta foto)
é depois de erguerem o palácio iguaçu (1953) e antes do mueller ser shopping (1982) e da prefeitura atual de curitiba (nao sei a data!)
tb as arvores da praça ainda nao haviam sido plantadas, e aqueles predios do lado da pracinha, hahaha até hj tao ali, servindo de putero, e almoço ruim, além de ter uma loja mó hardcore vendendo coisas de roqueiros heavymetal adoradores do capeta.
Título: Avenida Cândido de Abreu e palácio do governo : Município de Curitiba (PR)
Fotógrafo: Tibor Jablonsky
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/ctba.jpg
ah, e é antes de construirem o predio da fiep (1960). entao é entre 1953 e 1960. Definitivamente!
ABNeto October 6th, 2010, 01:35 AM ^^ Ótima reportagem! :D
Curitiba boa de boca desde aquela época! ahhaa, isso que é publicidade! :lol:
Mas que bom saber que mesmo naquela época a cidade já era um "paraíso da classe média", "cidade inovadora" e etcs...
Mas sabemos que hoje nem tudo são flores. Apesar de eu dizer aqui que Curitiba propriamente tem pouca pobreza - miséria eu creio estar quase erradicada -, a baixa condição de vida ainda é uma constante para a maior parte dos habitantes de vários municípios da RM, com destaque para Piraquara, Almirante e Colombo. Curitiba hoje tem na CIC uma classe média-baixa muito promissora, afinal são quase 200 mil habitantes que certamente vivem melhor que nas favelas cariocas, por exemplo. O problema é mais pontual como favelas conhecidas (Parolin, Pinto, Pantanal...), bem como bairros problemáticos, entre os quais o Tatuquara e partes do Boqueirão. Já na RM a coisa muda... A pobreza fica mais generalizada, e concentrada em certos municípios também.
No mais, Curitiba mudou de 17 anos para cá. A cidade cresceu, tornou-se uma das economias municipais mais poderosas do país (a ponto de rivalizar com BH, 3° centro econômico brasileiro), e os problemas fatalmente se multiplicaram... Hoje eu diria que violência é o principal deles, a droga em especial. Mas há gargalos na saúde, educação e outras áreas - apesar de serem significativamente melhores que Brasil afora né.
Mas eu gosto de Curitiba. Só acho que tem que dar um jeito nessas populações mais pobres, são muito numerosas na RM. Tirando 3 ou 4 municípios, o resto da RMC é formada por cidades com predominância elevada de classe média-baixa.
Minha contribuição (vejam só como éramos avançados nos anos 50, primeiro mundo total):
tyonm84UcMw&feature=related
Squibb October 6th, 2010, 03:32 AM hahaha olha esse video, parece anuncio daqueles programa de imobiliaria na tv. "tudo muito arejado" "piscina de 50 por 25", "com iluminação subaquatica" haha.
E aquele capitólio no teto da UFPR, alguém sabe pq nao tem mais?
me lembrou na hr o reichstag, (ou bundestag), que tinha uma de ouro 100 anos atrás, e hj eh uma de vidro.
david23.7 October 6th, 2010, 03:39 AM TUNgLFs1EcI
Gostei do tópico!
Yuri S Andrade October 6th, 2010, 03:58 AM Primeiramente, gostaria de parabenizar os colegas pela iniciativa. Para começar, vou transcrever um texto do que eu achei na comunidade do clube de futebol Cascavel CR no Orkut:
INTRODUÇÃO
Para entender muitas coisas e inclusive um pouco do comportamento de cada povo, de cada lugar, sempre procurem conhecer a história da formação destes lugares.
Aqui irei começar com a história da formação da Região Oeste e de Cascavel para que todos entendam coisas dos tradicionais torcedores do Cascavel como:
- A rejeição a capital do Paraná, Curitiba (e conseqüentemente seus times de futebol)
- A rivalidade enorme contra Toledo (e os times de qualquer esporte).
- O bairrismo da cidade (e assim, o fervor dos torcedores tradicionais).
- O individualismo da sociedade (e assim porque existem muitos cornetas aqui).
- A desconfiança entre conterrâneos (e porque é difícil unir a cidade em torno de um time)
Na verdade, quem ler a história de Cascavel inteira entenderá porque nossos motoristas pensam que são pilotos, porque a cidade é vidrada em fofócas, mentiras e rótulos sobre os outros, porque o racismo e o separatismo sulista não colou aqui em Cascavel, porque o povo daqui adora ser diferente e do contra, e outras coisas mais. Está tudo na história da formação da cidade e na cultura que se formou e foi passando pelas gerações.
Mas nosso foco aqui é o futebol apenas, então vou contar o que sei apenas ao que esteja ligado ao futebol, o resto sugiro que procurem o livro do Alceu Sperança e a tese do Professor Doutor Vander Paia para lerem. Será muito esclarecedor a todos.
FORMAÇÃO DA REGIÃO OESTE
A região oeste do Paraná foi um dos primeiros lugares a ser conhecido e explorado no Brasil. Pra se ter uma idéia, os espanhóis estiveram aqui na região antes mesmo dos portugueses aportarem na Bahia em 1500. Por exemplo, a Ciudad del Guayra (hoje Entre Rios do Oeste) é datada de antes de 1498.
A comitiva espanhola de Álvaro Nunes Cabeça de Vaca, no intuito de atingir Assunção, às margens do Rio Paraguai, evoluiu em sua trajetória através do que seria um ponto eqüidistante entre o Rio Paraná e os campos de Guarapuava, regiões estas habitadas por diferentes tribos Guaranis, justamente em algum lugar onde hoje é Cascavel.
Portanto, se eu focar apenas na história da formação de Cascavel como povoado e depois cidade, iria longe demais. Então, para deleite dos mais bairristas (como eu), vou transcrever um trecho com as palavras do registro da comitiva espanhola transcrita há mais de 510 anos atrás, sobre o lugar onde hoje é nossa cidade:
"Toda esta região percorrida por Álvaro Nunes e sua campanha n'esta viagem de exploração, compõe-se de grandes campos cultivados, banhados por águas boníssimas, rios, ribeiros e fontes, e é coberta de arvoredo e bem sombreada. Este solo, o mais fértil do mundo, é mui idôneo para cultura e colonização."
(Araripe, 1893, p. 217) retirado da tese do Prof. Dr. Vander Piaia.
A região, mais precisamente no ponto que vivemos, sempre foi considerada extremamente estratégica para vivência, para política, para cultivos, para exploração e colonização e muito estratégica militarmente. Por isso, sempre foi muito disputada. Sempre houve brigas e sangue para proteger ou se apropriar destas terras.
Comecem aqui a entender o bairrismo às vezes infundado das cidades da região, principalmente Cascavel, conseqüentemente a devoção dos torcedores, ainda que leve para se ligar ao futebol, mas posteriormente verão a forte ligação do que sentimos pelo esporte, com a formação e colonização e emancipação da cidade.
PULANDO 400 ANOS DE HISTÓRIA
Pulando toda história de 400 anos, que passou por guerras, tratados divisórios, lutas sangrentas, ações jesuíticas, massacres promovidos pelos índios e deles próprios por exploradores e demais trechos interessantes, porém pouco relativos ao futebol da cidade, chegamos ao início do século XX, onde Guaíra já era algo que se podia chamar de cidade, Foz do Iguaçu engatinhava para isso e a importância de colonização da região Oeste não era tão valorizada pelo governo Brasileiro.
Com o nascimento de Foz do Iguaçu que se iniciou com uma base militar após a Guerra do Paraguai depois de 1870, veio a necessidade de ligação da cidade com o Leste do Estado do Paraná e a capital. Esta estrada cruzando várias outras estradas históricas de ligações levou a conhecimento do Brasil a existência da Região Oeste do Paraná e pessoas vieram de todos os lugares atrás da exploração da erva-mate e da madeira através de empreiteiros e empresas extrativistas no começo do século (por volta de 1900). A maioria delas estrangeira.
Nesta época, em 1895, Charles Miller estava recém chegando em São Paulo, trazendo nas suas coisas do navio, duas bolas de futebol e o primeiro jogo de futebol foi realizado em 15 de Abril de 1895.
BERÇO DE CASCAVEL
Nos primeiros anos do século já se havia registros de pequeníssimos povoados de meia dúzia de casas ao que no futuro seria Cascavel.
A Central Barthe (hoje o bairro Guarujá), a Encruzilhada dos Gomes (hoje zona rural próxima ao leste de Cascavel), a Central Santa Cruz (hoje bairro Santa Cruz), entre outras, tinham esses nomes e formações de pequenas vizinhanças de 5 ou 6 pequenas casas de madeira ou barracões, onde serviam de parada para os trabalhadores que vinham para a região atrás do extrativismo da madeira e da erva-mate.
Neste período, em 1909, outro britânico chamado Charles Wrigth, chegou em Ponta Grossa como engenheiro de ferrovias e trouxe com ele uma bola de futebol, onde fazia coletivos entre os operários da ferrovia. Nasceu então o time Operário Ferroviário, o mais antigo do Paraná.
Em 1910, o futebol chegou a Curitiba com a fundação do Coritibano Foot-Ball Club, o atual Coritiba Futebol Clube. O primeiro clássico paranaense foi Coritiba 5 x 3 Operário Ferroviário de Ponta Grossa, em Curitiba.
ORIGEM DO NOME CASCAVEL
Ao que tudo indica o nome Cascavel surgiu próximo a nascente de um riacho onde havia um pé de Timbauva. Militares que faziam uma incursão de reconhecimento da região fizeram uma parada para descanso e um dos soldados foi picado por uma cobra Cascavel e logo após capturarem a cobra, identificaram que o local era um ninho com várias serpentes. Então mataram a cobra que picou o soldado e a pregaram num galho da Timbauva como aviso aos próximos que por ali passassem.
O local da nascente ficou conhecido como "nascente do rio da Cascavel" e os tropeiros e caboclos da região se referiam ao lugar como "lá, na Cascavel".
Impreciso determinar a data disso, mas em 1924, quando a Coluna Prestes (Revolução Política-Militar da década de 20 iniciada em São Paulo, pesquisem) passou pela região, houveram os primeiros registros escritos da existência de Cascavel com este nome, pois consta em mapas históricos dos revolucionários o nome Cascavel como ponto estratégico.
Já no fim da década de 20, o famoso Nhô Jeca chegou a uma encruzilhada próxima a nascente do Rio Cascavel (que já tinha esse nome) e abriu uma bodega e o ponto de parada ficou conhecido como encruzilhada da Cascavel (hoje o bairro Cascavel Velho). Ao contrário do que todo mundo pensa, Nhô Jeca não foi o pioneiro dos pioneiros, teve muita gente que chegou antes dele, mas ele foi um herói e o primeiro a se movimentar com a intenção de dar ares de cidade para Cascavel.
Tentem imaginar que na época, aqui havia muito mata fechada, com árvores altas, tipo floresta mesmo, e pequenas clareiras com 3, 4 no máximo 6 casebres de madeira espalhadas e distantes (uma clareira onde é o Guarujá, outra onde é o Cascavel Velho, outra onde é o Santa Cruz, outra perto do Brasmadeira, como foi citado antes).
Não era nada dessa facilidade de asfalto e concreto como é hoje.
Difícil para os mais novos imaginarem.
(procurem no Museu da Imagem e do Som de Cascavel, fotos e filmes da época, para ter uma noção de como tudo era por aqui).
ORIGEM DOS NOMES DAS CIDADES NA REGIÃO
Como é óbvio, os nomes de cidades sempre tem o nome de algo que vêem ao chegarem no lugar. Aqui na região Oeste os nomes normalmente eram ligados ao nome ou sobrenome de caboclos que eram donos das terras locais, ou moravam por perto.
Por exemplo: Encruzilhada dos Gomes.
Era a encruzilhada de estradas onde havia a venda da família Gomes. Assim como foi o nome de Cascavel.
É importante para nós amantes do futebol de Cascavel, é claro, saber de onde surgiu o nome de Toledo. Hehehehehehe.
Antes de tudo, saibam que Toledo é um sobrenome muito comum para pessoas de origem espanhola. Na Espanha existe até uma cidade com o nome.
Já a origem do nome Toledo aqui da região é proveniente do sobrenome de um paraguaio que morava na região de um riacho ali. A localidade ficou conhecida como Pousada Toledo, pois era um lugar onde os trabalhadores das obrages, principalmente os paraguaios, posavam, se alimentavam e por ai vai. Depois o riacho recebeu o nome de Arroio do Toledo ou Arroio Toledo, justamente por causa do nome da localidade.
Só depois da chegada de uma colonizadora (veja mais pra frente) é que a Pousada Toledo passou a se chamar apenas Toledo (com uma breve temporada em que se chamou Arroio Toledo por causa do rio).
Alguns "historiadores" ou devo dizer estoriadores da região, contam uma versão mais romântica para os nomes das cidades de Cascavel e Toledo, omitindo suas verdadeiras origens e contando as histórias de parte bonita pra frente. Mas o negócio é esse aí mesmo, bem jacú pra nós e bem paraguaio pra eles. Só a história do nome de Cascavel pra se ter uma idéia tem umas 4 versões diferentes. Esta que contei além de ser a mais comentada entre os pioneiros e parecer mais plausível, também é a que mais se repete entre as outras versões.
Fazer o que? É a história.
Ainda na década de 20 veio a intenção da construção da estrada de ferro até a fronteira, assim como o início da revolução em Julho de 1924 em São Paulo que se estendeu pela região através do que conhecemos por Coluna Prestes. Os relatos e mapas dos revoltosos já incluíam o nome Cascavel e Pousada Toledo em seus mapas como sendo pontos povoados e estratégicos.
Também foram os revolucionários da Coluna Prestes que revelaram ao Brasil a extrema necessidade de colonização e ocupação da nossa região de fronteira. No final da década de 20, Toledo (1928) e Cascavel (1929) já tinha sinais de povoamento.
O NACIONALISMO DE GETÚLIO AJUDOU CASCAVEL
IMPORTANTE: Na década de 30, junto com a revolução e o governo Getúlio Vargas vieram os interesses nacionalistas, trazendo consigo a nacionalização das fronteiras.
Este pensamento bateu de frente com as obrages que aqui existiam apenas com a intenção extrativista e não colonizadora para Oeste do Paraná. Essas obrages eram de empresas estrangeiras, que exploravam as riquezas das terras locais com mão-de-obra barata estrangeira. Aqui na região dominada por paraguaios, argentinos, imigrantes poloneses e caboclos matutos não-registrados, a intenção de Getúlio em nacionalizar a mão-de-obra de desbravamento foi recebida com revolta. (similar ao que acontece hoje com as imigrações nos EUA e na Europa).
Uma das leis nacionalistas e trabalhistas de Getúlio Vargas, foi que as empresas estrangeiras deveriam ter pelo menos 2/3 de seus funcionários Brasileiros natos e documentados. Nas obrages da Fazenda Britânia (área de terras de uma companhia inglesa, onde hoje é Toledo) a maioria dos operários eram paraguaios e estrangeiros. Nas áreas irregulares fora da fazenda (entre elas Cascavel) eram quase todos brasileiros.
Uma rixa por trabalho se criou entre os gringos da Britânia e os brasileiros das outras terras. O povoado de Pousada Toledo (que ficava dentro da Britânia) servia a maioria de funcionários estrangeiros das obrages dali. As primeiras divergências entre Cascavel x Toledo começaram por causa de problemas de "vagas de trabalho" pode se dizer assim. Mas ainda não era tão forte quanto ao que estaria por vir. A visão "Tomar empregos dos brasileiros" foi só um estopim dessa rivalidade.
A meu ver, os primeiros passos de desenvolvimento da região e das riquezas de Cascavel se devem ao nacionalismo da década de 30.
LUTAS SANGRENTAS PELAS TERRAS SEM DONOS
Nesta época a luta pelas terras já era intensa. Era a lei do cão.
Se você possuía uma área de terra e saia para trabalhar nela, em casa deveria deixar pelo menos um capataz com a família, e levar mais um ou dois com você. Pois as tocaias para matar donos de terras eram freqüentes, assim como seus familiares.
MOTIVO SIMPLES: Se te matassem, quem matou poderia ficar com suas terras até que o governo chegasse para regularizar quem estivesse de posse delas e documentá-las.
A demora do Governo Estadual em regulamentar as terras de onde hoje é Cascavel, ajudou a fertilizar a terra da cidade com muito sangue dessas disputas. Famílias inteiras foram dizimadas. O que aconteceu, foi que muitas mulheres, crianças e idosos que não iam para as matas trabalhar, aprendiam a se defender e a defender a sede de suas terras, seu lar. Houve até um relato de uma filha de um pioneiro que ficou em casa enquanto o pai saiu com todos os homens da família para trabalhar o campo, e jagunços vieram até a casa para matar a família, assustar o dono da terra e fazê-lo ir embora. Esta menina com 16 anos de idade, armada de uma espingarda matou todos os jagunços e protegeu as terras do pai. Parece que ela ainda é viva e está bem velhinha. Assim que eu achar o nome dela pelas páginas dos livros novamente, eu digo aqui.
Bom, esta parte está bem resumida, mas agora entendem porque o Cascavelense é tão apegado a esta terra. Foi forçado a isso. Hoje essa gana de defesa da terra se transformou no orgulho da terra em que vivemos, mesmo que incoerente às vezes.
A desconfiança dos outros e a defesa da terra a qualquer custo foi passada por gerações, por isso hoje, quem é Cascavelense mesmo, não gosta muito dessa idéia de vir gente de fora e ficar falando mal daqui, por mais que saibamos dos defeitos da cidade. Está na nossa cultura defende-la a qualquer custo.
Quem quiser saber mais, procurem o livro do Alceu Sperança e a tese de Doutorado do Professor Vander Paia.
;)
OESTINOS REVOLTADOS CONTRA CURITIBA.
Durante a década de 30, muitas ações do Governo Federal foram intencionadas para desenvolver a região, fortalecer a região de fronteira e acabar com as matanças de disputas de terra aqui, porém era atrapalhada pelo Governo Estadual direto da capital Curitiba, que tinha mais vantagens com a permanência das companhias estrangeiras por aqui, assim como os desvios de dinheiro, que chegava à capital e não chegava inteiro para o desenvolvimento da região Oeste.
Assim a prometida estrada de ferro não vinha nunca, a rodovia não era ampliada, não tínhamos pista de pouso; um descaso total dos políticos curitibanos com a região Oeste. O Estado do Paraná fez concessões de terras enormes para a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul, que arrematou terras e não construiu a estrada de ferro. Depois houve um contrato com a sucessora dos "gauchos-paulistas" e entrou a empresa Braviaco para trazer a estrada de ferro.
Este descaso e atrapalho da capital do Estado do Paraná com a região Oeste criou mágoas profundas dos moradores da região Oeste (já habituados a lutas sangrentas) contra a política da capital.
Este tipo de descaso não acontecia somente no Paraná em relação ao Oeste, ocorria em vários lugares do país. Então Getúlio Vargas nomeou interventores em vários estados do Brasil. O do Paraná foi o General Mario Tourinho, que passou a acatar todas as ordens do Governo Federal. Então Mario Tourinho anulou os contratos da antiga e arrastada empresa que estava comendo dinheiro público e não trazia nunca a estrada de ferro para a região Oeste. Essa anulação não foi absorvida pacificamente. Ações jurídicas e até a promulgação da Constituição de 1937 só atrapalharam mais ainda, deixando as terras em litígio. No fim, se transformaram em mais terras do tipo "quem conseguir ficar em cima sem morrer, é dono".
Resultado, mais mortes por terras em Cascavel e região.
Em 1937, foi feita uma clareira para se pousarem os aviões do Correio Aéreo Nacional em Cascavel. Isso causou além de um impulso pequeno na atração de pessoas para o vilarejo de Cascavel, também trouxe um tempero a mais na rivalidade entre Cascavel (ainda povoado) e Pousada Toledo (ainda povoado dentro das terras de obrages da Fazenda Britânia).
O ESTADO DO IGUAÇU
Até esta época a nossa região era conhecida por "Fronteira Guarani". Então, como a política de Curitiba estava ainda muito resistente ao nacionalismo do Governo Federal e procurava atrapalhar todas as ações de nos desenvolver por aqui, a última tentativa de desenvolver a região de fronteiras, foi a criação do Estado do Iguaçu em 1943. O novo estado abrangia todo o Oeste e Sudoeste Paranaense e Oeste Catarinense, justamente as regiões com maior necessidade de desenvolvimento.
O interesse era colonizar, ocupar e tornar mais produtiva essas regiões, até então praticamente restritas a maioria dos Brasileiros, e dominada por estrangeiros. As lutas sangrentas por terras e a cultura de jagunços ainda continuava. Difícil nesta época era não ver um cascavelense, homem ou mulher, sem uma arma na cintura ou junto nas coisas que transportava. Seja para atacar, seja para se defender.
Durante a formação do novo estado, se decidiu que Laranjeiras do Sul seria a capital, já que Foz do Iguaçu era uma cidade fronteiriça. O General Luiz Carlos Tourinho foi incumbido de relatar sua impressão sobre a candidata a capital, Laranjeiras do Sul. Eis suas palavras:
"... uma cidade miserável. Pior que Bocaiúva. Construções de madeira em péssimas condições de conservação. Delas destoavam a casa do governo, secretaria, residências dos principais funcionários, também de madeira, mas de belo aspecto, recém-construídas." (Luiz Carlos Tourinho)
CASCAVEL SERIA CAPITAL DO IGUAÇU
E depois de conhecer Cascavel em 1943, Tourinho já de volta ao Palácio do Catete em Curitiba, passou também suas impressões ao interventor paranaense João Garcez do Nascimento, quando alegou que, diante da mudança da capital de Foz do Iguaçu para Laranjeiras do Sul, por que não Cascavel? Eis suas palavras em suas memórias escritas:
"Expuz-lhe a magnífica situação de Cascavel como capital, chapadão apropriado para ali assentar uma grande e plana cidade, com possibilidade de obter água potável por gravidade. Bastaria, então, para povoar o Oeste com mais rapidez, construir estradas Cascavel-Guaíra e Cascavel-Foz do Iguaçu. Manteve [o interventor] o mesmo ponto de vista. Não se arredeou um centímetro da decisão já tomada. Pior. Em 40 mil quilômetros quadrados de floresta virgem, não encontrou outro lugar para construir a capital. Desapropriou Laranjeiras!"
A escolha errônea da capital foi um dos pequenos motivos do fracasso do Estado do Iguaçu, somados é claro, ao grande motivo: O bombardeio dos políticos paranaenses (de Curitiba), inconformados que estavam com a perda de uma área considerável, cujas perspectivas de pujança se vislumbrava com as primeiras caravanas regulares de colonos e com os reflexos do aumento do preço da madeira durante a Segunda Guerra Mundial. Queriam enriquecer extraindo toda a madeira do Oeste e vendendo-a.
Devido as pressões de políticos de Curitiba, alguns sob apoio financeiro de companhias que pretendiam terras no Oeste do Paraná (naquela época já existiam os lobbies), o Estado do Iguaçu foi extinto em 1946 em disposição TRANSITÓRIA, no artigo 8° do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal. Esse ato acirrou mais ainda os ânimos da população da região Oeste contra a política da capital. Cascavel que perdeu sua grande oportunidade, ficou mais magoada ainda. Mais tarde, descobriu-se que algumas companhias ganhariam muito dinheiro com o fim do Estado do Iguaçu pelos políticos curitibanos.
Cascavel seria capital do Iguaçu, se não fosse a capital do Paraná.
O FIM DO ESTADO DO IGUAÇU
O Estado do Iguaçu teve seu fim com o fim do governo de Getúlio Vargas e a constituição de 1946 e suas regiões voltaram para o Paraná e Santa Catarina.
Graças a isto, muitas terras que pertenciam a gringos, foram vendidas a preços baixíssimos, a maioria delas compradas pelas companhias colonizadoras a preços baixíssimos. Como o caso das terras da imensa Fazenda Britânia (onde hoje é Toledo), que pertencia aos interesses ingleses e que por fim foi vendida para a colonizadora Madeireira Rio Paraná, ou MARIPÁ. A Fazenda Britânia compreendia o que é hoje de Sede Alvorada (na época chamada Lopey), Toledo até Marechal Candido Rondon, e sua sede era a Pousada Toledo.
A MARIPÁ, empresa de um grupo de gaúchos que apostavam na colonização da área, assim que o Estado do Iguaçu foi extinto e as terras gringas colocadas a venda logo comprou as terras a preços baixos e fundou a localidade de Toledo onde já havia um pequeno povoado com o mesmo nome (devido ao paraguaio que morava nas imediações, antigo dono de pequenas terras).
Várias outras localidades foram compradas por empresas como a Maripá e deram o início de colonização, extração de madeira e erva-mate. Porém após o fim do Estado do Iguaçu, algumas terras que estavam em litígio, ficaram novamente sem donos, as chamadas terras devolutas do Estado. E o epicentro dessas terras sem donos era justamente a área onde hoje é Cascavel, até então um povoado de pousadas (como Toledo) para quem se dirigia a outras localidades como Foz e as novas terras da MARIPA.
Ou seja, companhias madeireiras e colonizadoras juntamente com os políticos curitibanos, deram fim ao Estado do Iguaçu e a oportunidade que Cascavel teria de ser capital. Pra piorar, uma companhia madeireira, não se sabe se lobista do fim do Estado do Iguaçu ou não, aparece logo em seguida na região e compra uma das áreas de terras pertencente a gringos e passa a desenvolver essa região.
Para os costumes e mentes dos caboclos da época que viviam em Cascavel, isso era uma afronta. Mas a vida continua.
CHEGA A MARIPA, E COM ELA TOLEDO
Em Março de 1946 chegou a Cascavel um grupo de colonizadores gaúchos que representavam a MARIPA. Conseqüentemente, os locais cascavelenses realizaram algumas "travessuras". Uma delas foi de autoria do próprio Nhô Jeca, muito interessado em modernizar Cascavel, que conseguiu tirar o telégrafo de Lopey (que seria futura terra da MARIPÁ) e trazê-lo pra Cascavel e oficializá-lo aqui. Pessoas de Toledo tinham que vir pra cá pra passar mensagens. A conquista da ampliação da clareira de pouso em pista de pouso oficial do Correio Aéreo Nacional, também não foi muito bem digerida pelos administradores da MARIPÁ em Toledo.
Como já se havia criado um pequeno clima de rivalidade entre os dois povoados por causa da quantidade de estrangeiros (paraguaios, argentinos, ingleses) que viviam na Pousada Toledo, a chegada da MARIPÁ para colonizar a área onde hoje é Toledo, também não foi vista com bons olhos pelos locais cascavelenses, que eram brasileiros procurando por trabalho em terras brasileiras. Era como se Cascavel perdesse seu futuro como capital do Estado do Iguaçu para os políticos curitibanos e uma das prováveis financiadoras do fim deste sonho viesse para cá e instalasse ao lado de Cascavel uma comunidade (Toledo) pra prosperar mais que a própria Cascavel.
Óbvio que isso não pode ser levantado como fato histórico, mas sabe-se em depoimentos de pioneiros, que o sentimento na época era exatamente este. Mas ainda assim, a rivalidade se mantinha sem rancor explicito, AINDA. O que estava por vir é que complicaria tudo.
RIVALIDADE CASCAVEL x TOLEDO: segundo ato
A MARIPÁ adotou alguns critérios para as pessoas adquirirem suas terras loteadas. Critérios étnicos.
Assim buscaram no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, agricultores "mais aconselháveis" descendentes de italianos e alemães (brancos) e que já possuíam terras com a família nos seus estados de origem (ricos). Antes dessas pessoas chegarem, a MARIPA teve que recorrer emergencialmente aos trabalhadores paraguaios, pois os Brasileiros da região debandaram. Assim que os compradores de terras "selecionados" foram chegando, a MARIPÁ procurou "se livrar" dos trabalhadores paraguaios da antiga Fazenda Britânia. Foram praticamente usados, pois limparam toda a região da mata fechada, produziram madeira para desenvolvimento da área, desmataram e quando pensaram que poderiam adquirir terras ali, foram agraciados com o pagamento da mão-de-obra baratíssima e liberados para irem embora.
Além disso tudo, as terras da região Oeste e sua pujança repercutiram por todo o Brasil e atraiu agricultores e trabalhadores de todos os cantos. Do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e até do Nordeste, as pessoas vinham para a região e chegando aqui o que mais lhes atraia, eram as terras organizadas da MARIPÁ em Toledo.
Porém, todo esse povo, tanto os ex-trabalhadores paraguaios, argentinos e ingleses que limparam a área, quanto os trabalhadores atraídos de todos os cantos do país que chegavam à região e tentavam se instalar em Toledo ou em qualquer área da MARIPÁ, eram refutados e barrados. A companhia tinha até serviço próprio de polícia, que ajudava a "coagir" as pessoas não selecionadas a não permanecerem em suas áreas, principalmente em Toledo e Marechal Candido Rondon.
Sem condições de retornarem de onde vieram, essas pessoas colocavam seus rancores contra a MARIPA na mala e retrocediam até Cascavel, onde podiam ficar, e por aqui se instalavam e procuravam trabalhar.
E A RIVALIDADE SE TORNOU INIMIZADE.
Dentro de suas próprias terras a MARIPÁ selecionou e segregou seus compradores de terras. Para onde hoje é Marechal Candido Rondon e redondezas mandaram os descendentes de alemães não-católicos (protestantes), para Toledo e imediações os descendentes de italianos e alemães católicos.
A coisa ficou mais séria ainda, quando gaúchos não selecionados pela MARIPÁ, de mesmas cidades de onde haviam os selecionados, também tentavam vir e adquirir terras em Toledo perto dos seus conterrâneos. Estes já não foram selecionados por terem problemas ou serem mal falados em suas cidades. As tralhas. E ao chegarem em Toledo eram barrados, porém ao recuarem pra Cascavel, incitavam os estrangeiros rejeitados, os barrados de todo canto do país e os antigos moradores já com o ego arranhado pela perda do Estado do Iguaçu, a odiarem mortalmente a sede da MARIPA, Toledo.
Os selecionados vinham porque eram induzidos pelos seus pais e familiares, tais como recém-casados, irmãos mais novos cuja a partilha das terras não foi suficiente pra eles, aventureiros rurais filhos de grandes latifundiários, entre outros. Eles chegavam na região e guardavam imensa saudade de suas terras e cidades natais. Esse apego aos lugares que deixaram era tanto, que procuravam copiar tudo que tinham em suas cidades anteriores, para as cidades da MARIPÁ.
Por exemplo, se na cidade deles havia uma igreja com uma torre de 10 metros e um sino pintado de verde, aqui na região também construíam uma réplica da igreja, com torre de 10 metros e sino verde. Traziam tudo de lá pra cá, ou reconstruíam aqui.
Por esse motivo existem as cidades na região ali com os nomes de cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, como Nova Santa Rosa (em homenagem a Santa Rosa – RS) ou Nova Sarandi (Sarandi-RS) ou ainda Nova Concórdia (Concórdia-SC). Até mesmo o nome das cidades de origens era adaptados para a nova vida aqui na região dentro das terras da MARIPA.
GRAÇAS A RIVALIDADE COM TOLEDO, CASCAVEL CRESCEU
Já os rejeitados, que se obrigavam a se alojar em Cascavel na maioria das vezes, não tinham saudades de seus lugares de origem. Normalmente vieram fugidos porque cometeram algum crime ou delito, ou porque não tiveram sucesso nas suas cidades natais, ou "roubaram" filhas de alguma família tradicional pra se casarem com elas por aqui, entre vários outros problemas. Todos seus passados deveriam ser esquecidos e vinham pra cá justamente pra recomeçar.
Claro, nem todos que vinham pra cá tinham esses problemas. Estes casos se resumiam aos gaúchos e catarinenses conterrâneos dos selecionados para habitarem as terras da MARIPA. Lógico, se não tivessem problemas em suas cidades de origem, seriam aprovados pela MARIPA a comprarem suas terras.
Diante dessa filosofia de selecionados toledenses e rejeitados cascavelenses, a rivalidade ajudou muito Cascavel na disputa pelo progresso.
Enquanto Toledo era dependente da MARIPÁ, que planejou a cidade, urbanizou-a e a deu infra-estrutura, os cascavelenses procuravam superar a companhia e sua cidade sede. Se em Toledo fizeram um plano urbano planejado, aqui também era feito, e maior ainda. Se em Toledo as ruas tinham 12 metros de largura, aqui deveriam ter 16 metros. Se em Toledo a catedral tinha torre de 10 metros, aqui tinha que ter 15 metros. E assim se caminhava a rivalidade entre Toledo e Cascavel. Uma sempre respondendo a outra em tudo que faziam. Cascavel por exemplo, já tinha pista de pouso, e Toledo, por sua vez não deixou barato. Mesmo sem necessidade abriu sua pista de pouso. Então Cascavel revidou criando o primeiro aeroporto (onde hoje é a rodoviária nova na Av. Assunção).
A rivalidade entre as duas cidades chegou a tal ponto, que a MARIPA passava somente a noite por Cascavel com seus ônibus e jipes de "selecionados", para que eles ao virem conhecer Toledo, não pudessem ver o progresso da Vila de Cascavel e desistirem da compra de terras lá e ficarem por aqui.
Há relatos de alguns "selecionados" que acabaram ficando por aqui no caminho.
IDEOLOGIAS PRECONCEITUOSAS IMPORTADAS DO SUL.
Esses descendentes de alemães e italianos que chegavam nas terras da MARIPÁ e outras colonizadoras que mantinham o filtro étnico aqui na região, traziam também consigo, o pensamento "farroupilha", de separatismo. E esse pensamento discriminatório principalmente contra pessoas não catarinenses e gaúchas não ficou nada agradável quando o assunto chegava aos ouvidos e rodas de conversas dos trabalhadores que vieram de outras regiões do país até a região da Fronteira Guarani.
Afinal, qual nordestino, carioca, paulista ou mineiro gostaria que sua família que ficou nos seus estados de origem, fossem chamados de "vagabundos", "crioulos" ou "inferiores" como naturalmente pregavam os gaúchos e catarinenses brancos e ricos que chegavam aqui na época?
Já os gaúchos e catarinenses que tiveram que ficar em Cascavel (aqueles, cujos alguns tinham problemas nas cidades de origem), não se apegavam muito a ideologias políticas e os poucos que mantinham o pensamento separatista herdado de avôs farroupilhas, até por natureza de sua vinda a região (esquecer o passado e recomeçar, lembram?) acabavam por não dar tanta importância a esta ideologia estapafúrdia. E aos poucos, com a convivência com outras pessoas de diferentes regiões, percebiam que o pensamento era infundado. Muitos passavam a defender os novos amigos de outras regiões ou estavam mais preocupados em tocar suas vidas. Inclusive, pelo fato de Cascavel ser mais cosmopolita e aceitar gente de todos os cantos, era comum a miscigenação entre raças e regiões aqui na cidade, coisa quase impossível de acontecer naquela época nas cidades fundadas pelas colonizadoras, como Toledo por exemplo, e isso ajudou em muitos casamentos e grandes paixões entre pessoas de diferentes raças e regiões do país.
Em Cascavel era um tal de branquelo casando com paraguaia, cariocada namorando as gaúchas, paulistas namorando as caboclas, paranaenses casando com nordestinas e por ai vai.
Nesta época, a maioria da população ainda era de gaúchos e catarinenses em Cascavel.
E ENTÃO, ELA CHEGOU EM CASCAVEL. A BOLA DE FUTEBOL
Foi em meio a este cenário de extrema rivalidade entre as duas cidades, de rancor contra a politicagem da capital que acabou com o sonho do Estado do Iguaçu e seu descaso contra a região e principalmente contra Cascavel, a cultura já enraizada de bairrismo e proteção da terra que os cascavelenses adquiriram devido as lutas sangrentas por suas áreas de terras, falta de confiança interna, fofócas e intrigas entre os próprios moradores (isso tem um motivo que não relatei porque não é pertinente ao futebol, mas é engraçado também) de diferentes origens e ideologias, é que pousou a primeira bola de futebol na cidade. Ela chegou num avião do Correio Aéreo Nacional e só bem mais tarde se deu a primeira partida de futebol envolvendo locais de Cascavel (antes as partidas eram restritas aos funcionários do Correio Aéreo e militares da aeronáutica).
Dois times mistos de funcionários do Correio Aéreo, militares e moradores da Vila de Cascavel, num peladão coletivo no aeroporto, fizeram a primeira partida de futebol 11 contra 11 na cidade em 1946.
Assim, se formava o time "Vila de Cascavel" ou apenas "Time da Vila" que já nasceria pondo respeito em todos os outros times da região e protagonizaria o primeiro grande clássico Cascavel x Toledo com muita, mas muita confusão.
E graças a isso, Cascavel foi emancipada.
Mas isso eu conto depois! :)
(continua...)
AGORA, SÓ FUTEBOL
Então já vimos como se formou a região e a cidade, bem resumidamente (parece enorme o texto, mas são anos de história), agora vamos ao que interessa aqui nessa comunidade. O futebol de Cascavel.
Antes de qualquer cascavelense dar o primeiro bico numa bola, funcionários de empresas madeireiras já batiam bola em campos improvisados ao lado das serrarias. Mas nada profissional, sequer 11 contra 11.
Como a Vila de Cascavel pertencia a Foz do Iguaçu e a bola profissional teve as boas-vindas, formou-se um time para jogar contra o time do Foz e de Laranjeiras.
Pioneiros (de todos lugares do Brasil), mais paraguaios (os melhores jogadores da época), mais funcionários dos Correios Aereos Nacional e militares da FAB, formaram uma espécie de selecionado que ficou a princípio conhecido como "Time da Vila de
Cascavel" para os adversários e "Time da Vila" para os cascavelenses. As camisas eram rubro-negras (acredita-se que para facilitar a disfarçar a sujeira e o encardume do poeirão que era aqui).
O primeiro "estádio" de Cascavel (um campo quase gramado, sem alambrado com uma modesta arquibancada pequena) foi onde é hoje a Praça Getúlio Vargas.
O "Time da Vila de Cascavel" nasceu e morreu invicto, os maiores adversários eram o Foz e o Laranjeiras do Sul, até 1946 quando surgiu Toledo com um time formado pela MARIPÁ.
O PRIMEIRO CASCAVEL x TOLEDO
Não há registros escritos dos jogos do Time da Vila. Mas o que se tem em depoimentos de pioneiros é que o primeiro Clássico da Soja, tão pouco era clássico, muito menos da soja.
O primeiro Cascavel x Toledo foi Time da Vila de Cascavel x Maripá Esportivo Paranaense, acredita-se que em 1947 (todos falam "acho que" ou "por volta de").
O resultado? Ninguém sabe, só se sabe que o Cascavel não perdeu, pois o Time da Vila, como citado antes, nasceu e "morreu" invicto.
O que todos os velhos pioneiros (e uma pioneira) lembram é da confusão que começou entre jogadores paraguaios e erechinenses do Time da Vila, contra os funcionários e moradores de Toledo, do time da Maripá. O jogo não terminou (pra variar) e a confusão do campo se transferiu para os torcedores (pra variar).
Não. Esse jogo não marcou o início da rivalidade Cascavel x Toledo no futebol. Até porque a rivalidade era entre as cidades. A história dos "selecionados" x "rejeitados" lembram? Mas este jogo, apesar da confusão, acabou virando piada e gerou gargalhadas nas rodas de conversas nas duas cidades. "Mas que a briga foi feia, foi" contam alguns pioneiros.
O Time da Vila de Cascavel foi vencedor, não morreu como escrevi antes, foi apenas força de expressão, pois o Time da Vila de Cascavel não morreu, evoluiu.
Fonte: http://images.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=866705&tid=5303291425150476218&kw
--------------------------------------------
No seu último post (18/03/09), ele diz: A hora que eu tiver mais uma folga eu continuo. Mas infelizmente, até agora nada.
Colegas do Oeste, o que acharam?
SH October 6th, 2010, 02:25 PM Quanta documentação histórica interessante! Vou procurar contribuir também. Existem muitos fatos desconhecidos de grande parte do povo do nosso estado, que nem mesmo na escola aprendemos.
Pé Vermelho October 6th, 2010, 03:59 PM 1984:
http://i58.photobucket.com/albums/g250/chevette_photos/WD1984.jpg
2010:
http://i58.photobucket.com/albums/g250/chevette_photos/PlazaAsturias3.jpg
:banana:
E essa? WD e o pujante e denso centro de Maringá em 1960:
http://i58.photobucket.com/albums/g250/chevette_photos/EstdioWD1960.jpg
Ainda naquela década se iniciaram as obras da parte coberta:
http://i58.photobucket.com/albums/g250/chevette_photos/Wd1960.jpg
Squibb October 20th, 2010, 03:47 AM Pato Branco, 1966
Nesta época devia ter uns 10 mil habitantes. nem sei direito.
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/PR22597.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/PR22595.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/PR22594.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/PR22593.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/PR21312.jpg
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/PR21008.jpg
Clovis Padoan Filho October 21st, 2010, 06:02 AM Legal as fotos de Pato Squibb!
Deve ser ao redor de 63/66 pelo andamento da Igreja Matriz.
Dá pra ver que mesmo pequena, pato já tinha seus predinhos no centro ein!
ahahahha
O tópico está riquíssimo gente! :D
Abraços
.Kr'st_fer. October 25th, 2010, 04:56 AM http://img683.imageshack.us/img683/5805/81190456.jpg
http://img89.imageshack.us/img89/4003/95600804.png
Squibb October 25th, 2010, 04:36 PM Eu não sei se já não postaram por aqui, mas achei esse video fenomenal. A parte de Curitiba é muito boa.
8nZO8DdZ0L4
.Kr'st_fer. October 25th, 2010, 06:04 PM http://img179.imageshack.us/img179/4750/77535761.jpg
http://img716.imageshack.us/img716/1016/74109002.jpg
http://img80.imageshack.us/img80/5351/79316224.jpg
http://img259.imageshack.us/img259/880/67999811.jpg
http://img177.imageshack.us/img177/691/622
P@ssageiro_Cwb December 1st, 2010, 12:09 AM GUARAPUAVA, 1810
Descoberta em 1770 pelos portugueses e fundada em 1810, o nome da cidade é de origem Tupi - Guara (lobo), Puava (bravo). O Município tem como data comemorativa de aniversário o dia de 9 de dezembro, devido ao início da colonização entre o Rio Coutinho e o Rio Jordão na freguesia de Nossa Senhora de Belém em 1819, com a demarcação da povoação e da igreja.
Este local foi escolhido para início da colonização porque naquela época se tinha uma predileção em aproveitar-se dos campos, com horizontes amplos, que através desta característica natural, oferecia facilidade de defesa contra os índios.
Até a segunda metade do século XIX o município de Guarapuava era a maior unidade administrativa do Paraná. Seu vasto território se estendia desde o Rio dos Patos, na divisa com o município de Imbituva, até os rios Iguaçu e Paraná, na fronteira do Brasil com as repúblicas da Argentina e do Paraguai.
Parte dessa rica história é mostrada no documentário "Guarapuava 1810", que foi lançado em 14 de junho em comemoração aos 200 anos de Guarapuava. Aqui a primeira parte do filme, o resto está disponível no youtube.
http://www.vivaguarapuava.com.br/wp-content/uploads/2010/06/cartaz_guarapuava_1810_g.jpg
Dz1BM94s6aE
marcovsk December 1st, 2010, 02:11 PM Aniversário de 14 anos de Maringá:
http://farm6.static.flickr.com/5125/5222712948_13e935582d_b.jpg
Metchenko January 8th, 2011, 11:57 PM Gente, desculpa mas não vou publicar o artigo aqui pois ele é muito extenso,
Mas mostra um pouco da colonização centro-oeste do estado por imigrantes gaúchos,catarinas e norte-pioneiroos.
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/219-4.pdf?PHPSESSID=2009050408293629
Mostra também a importância desses migrantes para a econômia local.
==Imigração Ucraniana em Campo Mourão==
-Resgate histórico
http://www.bemparana.com.br/index.php?n=106409&t=projeto-resgata-cultura-ucraniana-da-regiao-de-campo-mourao
http://www.rcub.com.br/index.php?pag=detalhe&codconteudo=553&codmenu=101
==Imigração Alemã em Campo Mourão==
Tradições dos imigrantes
http://www.via6.com/topico/188196/igreja-luterana-promove-a-festa-da-costelinha-em-campo-mourao
Espero que tenham aprendido um pouco da história de minha cidade.
Metchenko January 8th, 2011, 11:59 PM No final deste mês, farei um extenso thread de Campo Mourão, mostrando urbanismo, a cidade, mas as igrejas ucranianas,"alemãs" e católicas normais na cidade, além de disponibilizar documentos históricos dessas imigrações na cidade.
Mormul January 9th, 2011, 05:56 PM hohoho não vejo a hora de vc fazer esse thread hehehe
muito boa a iniciativa hehe vlw.
Acir Francisco January 31st, 2011, 03:37 PM Sobre a historia da colonização do Paraná o que sei foi um amontoado de equívocos, trouxeram gente que não tinha nada a ver com nosso estado, gente de toda a especie, aventureiros sem cultura que não respeitaram a flora nem a fauna muito rica, não é porque naquele tempo não havia preocupação ecológica, havia sim, pegue livros didaticos dos anos vinte. trinta e quarenta e verão até mesmo com as queimadas os livros didáticos alertavam, mas com machados serras e fogo abriram sem dó e nem piedade o nosso estado, e pior tem gente que admira este tipo de coisa, credo. no Paraná a raposa cuidou do galinheiro, uma pena a salvação é que nas regiões mais tradicionais, como no Paraná velho ainda tem muita coisa preservada graças a mentalidade preservacionista desse nosso povo mais legítimo. :ohno:
Metchenko January 31st, 2011, 04:08 PM A colonização do Norte Pioneiro(PR Velho) foi feita por paulistas em sua maioria, mas eu acho que eles não preservaram muito não, eles também desmataram para plantar por exemplo, café. Acho que o que você disse está correto, de abrir sem dó e botar fogo na araucárias...Mas concorda que se no PR houvesse apenas paranaenses puros(sem ascendencia de outros estados), o PR seria um estado com uma população bem pequena? Temos gaúchos, catarinenses e paulistas que ajudaram a formar nosso estado para ele ser do jeito que é hoje.
Acir Francisco January 31st, 2011, 08:45 PM ^^ É claro que havia uma nescessidade de abrir o Paraná para colonização, mas não da forma radical como foi feita, atraindo todo o tipo de gente se fosse feito por critérios e com limitações de contigentes humanos, poderíamos ter um mini Canadá aqui nas terras sulamericanas, mas fazer o quê.
P@ssageiro_Cwb February 1st, 2011, 11:48 AM Sobre a historia da colonização do Paraná o que sei foi um amontoado de equívocos, trouxeram gente que não tinha nada a ver com nosso estado, gente de toda a especie, aventureiros sem cultura que não respeitaram a flora nem a fauna muito rica, não é porque naquele tempo não havia preocupação ecológica, havia sim, pegue livros didaticos dos anos vinte. trinta e quarenta e verão até mesmo com as queimadas os livros didáticos alertavam, mas com machados serras e fogo abriram sem dó e nem piedade o nosso estado, e pior tem gente que admira este tipo de coisa, credo. no Paraná a raposa cuidou do galinheiro, uma pena a salvação é que nas regiões mais tradicionais, como no Paraná velho ainda tem muita coisa preservada graças a mentalidade preservacionista desse nosso povo mais legítimo. :ohno:
Olá Acir, não entendi duas coisas, que equívocos foram esses a que você se refere? Não é nenhuma acepção de raça, certo?
Outro ponto é que a Europa também passou pelo mesmo processo de exploração dos recursos naturais (principalmente a madeira) até seu esgotamento, é natural que os países em desenvolvimento tenham o mesmo direito de usar seus recursos para o desenvolvimento. É claro que não podemos ser radicais e destruir tudo, eu mesmo como bom cidadão faço a minha parte em cuidar do meio ambiente e defender a conservação e a exploração racional, mas o fato é que o PR não seria o que é hoje se a história fosse diferente...
Acir Francisco February 1st, 2011, 03:59 PM Os equívocos, foram os que citei,não houve critério, veio gente demais sem estudo ou qualificação,seria isto questão racial? Bem acho que não é o caso, Manoel Ribas foi muito irresponsável, abrindo aa fronteiras e vendendo terras a preço de banana. A europa cuida do seu meio ambiente desde o século XVI na Suécia explora a madeira derrubando arvores de 150 anos, que eles mesmo plantaram, a floresta da tijuca no Rio foi implantada por D. Pedro II, Tenho em minha casa livros didáticos dos ano 40 insentivando a cuidar do meio ambiente e a plantar arvores, o livro pertenceu ao um tio avô meu. O Paraná podia ser diferente mas não pobre. :cheers:
ABNeto February 1st, 2011, 06:06 PM Olá Acir, não entendi duas coisas, que equívocos foram esses a que você se refere? Não é nenhuma acepção de raça, certo?
Outro ponto é que a Europa também passou pelo mesmo processo de exploração dos recursos naturais (principalmente a madeira) até seu esgotamento, é natural que os países em desenvolvimento tenham o mesmo direito de usar seus recursos para o desenvolvimento. É claro que não podemos ser radicais e destruir tudo, eu mesmo como bom cidadão faço a minha parte em cuidar do meio ambiente e defender a conservação e a exploração racional, mas o fato é que o PR não seria o que é hoje se a história fosse diferente...
[2]
Os equívocos, foram os que citei,não houve critério, veio gente demais sem estudo ou qualificação,seria isto questão racial? Bem acho que não é o caso, Manoel Ribas foi muito irresponsável, abrindo aa fronteiras e vendendo terras a preço de banana. A europa cuida do seu meio ambiente desde o século XVI na Suécia explora a madeira derrubando arvores de 150 anos, que eles mesmo plantaram, a floresta da tijuca no Rio foi implantada por D. Pedro II, Tenho em minha casa livros didáticos dos ano 40 insentivando a cuidar do meio ambiente e a plantar arvores, o livro pertenceu ao um tio avô meu. O Paraná podia ser diferente mas não pobre. :cheers:
Bem...
Não concordo.
Primeiramente, só para esclarecer: não sou aquele tipo de cara que pintam como capitalista do mal e que quer cortar todas as árvores do mundo e destruir toda a natureza por simples prazer pessoal. Não, não sou esse tipo de pessoa. Tenho consciência ecológica, evito o desperdício, não jogo lixo no chão e sou contra a derrubada da Amazônia, bem como dos resquícios ainda intocados de Mata das Araucárias que ainda restam pelo Paraná.
Minha opinião: no caso do PR, dado a sua localização, seria impossível conceber desenvolvimento sem vasta exploração ambiental (leia-se: florestal). Como estamos justamente na área de transição entre os trópicos e a zona temperada, nosso clima nos permite cultivar uma variedade incontável de culturas agrícolas. Isso sem contar o nosso solo, naturalmente rico. O Norte do PR não seria nada não fosse a devastação ambiental com o objetivo de expandir as lavouras cafeeiras. O mesmo vale para as outras regiões do estado, que também sofreram fortes degradações ambientais as quais permitiram o desenvolvimento urbano, humano. Critico, aí sim, os desdobramentos da ocupação desordenada e suas interferências no meio ambiente, como é o triste caso dos rios em Curitiba. Mas são problemas bastante localizados.
E mais: Manoel Ribas vendeu as terras a preço de banana justamente porque aqui não tinha nada, era um vácuo de gente, civilização. Gente sem qualificação veio para cá, aumentar a pobreza? É claro que sim, mas nada extraordinário. O PR quase não sofreu migração de pessoal desqualificado para cá. Pelo contrário, foram paranaenses que saíram daqui e foram desbravar as atuais fronteiras agrícolas do país. E também é sempre bom destacar que há como lidar com a vinda de mão-de-obra desqualificada de fora. São Paulo está aí para nos provar isso. Com todos os seus problemas, milhões de pobres que saíram de todo o Brasil para ir para a RMSP, especialmente, o estado se mantém na ponta em termos de praticamente tudo no país: potência econômica incontrastável frente a todos os outros estados da federação, e indicadores sociais elevados.
E o Paraná não teria como ser um Canadá, mesmo que sua colonização tivesse sido organizada e blábláblá. Não teria como porque, estando no Brasil, está sujeito aos mesmos dramas de todo o país: inflação, governos corruptos, exclusividade estatal para certas regiões politicamente mais fortes, falta de investimento em educação, saúde, etc... Tudo isso são fatores determinantes para o desenvolvimento de um lugar. No entanto, há de se destacar que, sim, o Paraná está nitidamente à frente do Brasil em termos sociais. Nossa expectativa de vida atinge os 75 anos, nosso desemprego é praticamente nulo, nossa população é mais envelhecida... Há estados do Brasil que pouco sofreram com a devastação ambiental e muito menos com a chegada de milhares e milhares de desqualificados profissionalmente, e mesmo assim estão BEM piores que o Paraná em tudo.
Enfim, eu sou da seguinte opinião: prefiro muito mais morar numa poluidora Noruega do que numa intocável e paupérrima Papua Nova-Guiné.
:)
P@ssageiro_Cwb February 1st, 2011, 11:07 PM A europa cuida do seu meio ambiente desde o século XVI na Suécia explora a madeira derrubando arvores de 150 anos, que eles mesmo plantaram, a floresta da tijuca no Rio foi implantada por D. Pedro II, Tenho em minha casa livros didáticos dos ano 40 insentivando a cuidar do meio ambiente e a plantar arvores, o livro pertenceu ao um tio avô meu. O Paraná podia ser diferente mas não pobre.
Nada disso.
Desde o início, a revolução industrial européia foi devastadora para o meio ambiente, os recursos naturais foram explorados a exaustão e os europeus não tiveram absolutamente nenhuma preocupação com a ecologia. A poluição tornou-se um grande problema nas cidades industrializadas, havia falta de instalações sanitárias adequadas e as taxas de mortalidade eram altíssimas.
O avanço da agricultura em busca de aumento de produção para atender ao crescimento populacional impulsionou a devastação dos eco-sistemas e esse processo deixou como resultado apenas pequenas manchas de vegetação primitiva. Com exceção da floresta boreal ao norte da Europa e da vegetação das altas montanhas, inviáveis para a agricultura e ainda, de mais alguns pequenos trechos da floresta temperada na Alemanha, Hungria, Ucrânia e alguns outros países - poucas áreas de vegetação primitiva resistiram a expansão agrícola.
Os rios europeus eram esgotos. Só para se ter uma idéia, o rio Tâmisa demorou 150 anos para ser despoluido. Em 1950 o rio ainda estava biologicamente morto e só então começaram a trabalhar para recuperar o Tâmisa.
A Espanha de hoje tem 30% de seu território sob risco de desertificação. A ação do homem em atividades como a exploração intensiva dos recursos hídricos, o desmatamento indiscriminado, a agricultura intensiva, os incêndios e o crescimento acelerado da construção de imóveis são alguns dos responsáveis pelo processo.
Enfim, a Europa dos séculos XVIII e XIX não era exemplo. A Europa do iníco do século XX também não. Parece que os colonizadores europeus daqueles tempos, realmente não estudaram a cartilha do seu tio-avô. :cheers:
Acir Francisco February 1st, 2011, 11:08 PM Falando em Manoel Ribas, ele depois de muito pressionado pela sociedade curitibana e a imprenssa da época, conseguiu convencer Getulio Vargas a serviço dos ingleses a desistir de trazer imigrantes curdos para o norte do Paraná, imagine o nosso Paraná com um Curdistão.......
Acir Francisco February 1st, 2011, 11:21 PM Eu acho engraçado quando se fala em meio ambiente logo se fala nas atuais preocupações ecológicas, como se isto fosse produto da atualidade, Aristóteles em seu livro Política, dá a dimensão como era importante para os gregos a floresta, neste livro Aristóteles põe em seu livro a necessidade dos guardas florestais e das areas de floresta para abastecer a industria naval, e as cidades alem da lenha, as reservas legais no Brasil data do inicio do século XX. tendo o códico florestal do tempo da revolução, não ter sido respeitado pelas ganaciosas colonizadoras.
P@ssageiro_Cwb February 2nd, 2011, 01:25 AM ^^
A colonização do PR é contemporânea, para todos os efeitos a Grécia antiga (e seus filosófos) estão fora do contexto ao qual você se referia lá no início. Mas isso tudo é off-topic, o thread só fica mais rico com o acréscimo de fotos e fatos da história do nosso estado. :)
Acir Francisco February 2nd, 2011, 12:10 PM Vou contar uma história que um velho senhor me contou quando eu era garoto, disse ele, que houve uma aposta entre dois agricultores, pasmem, para ver qual das caviúnas queimavam primeiro cada um pois fogo em uma caviuna que estavam nas propriedades de ambos, a caviúnas demoraram três meses para queimar, vejam a mentalidade e o desperdício. caviúna é uma arvore de madeira de lei da melhor resistencia, :ohno:
Clovis Padoan Filho February 5th, 2011, 12:17 AM Acir, concordo contigo, mas infelizmente, o conhecimento e o senso de certo e errado daquela época era outro...
Aqui no sudoeste sobraram poucas matas nativas de araucária, muito poucas, mas, sendo a região que mais concentra pequenas propriedades, familiares (ao menos é o que me falaram, agradeço se alguém puder completar a informação), do PR, há muitos capões de mato nos morros muito dobrados, próximo de águas etc.
Não o ideal, não em todas as propriedades, mas muito diferente do que acontece da BR 277 pra cima, quando muda MUITO a geografia e também o clima, sendo mais plaino, na maioria dos lugares, parece que largaram as máquinas e não sobrou muita coisa não...
Eeeeeenfim, minha intenção era de concordar com a tristeza da devastação quase completa que aconteceu no nosso estado, mas que na época, para quem realizou, era o correto de se fazer, e que pelo menos aqui na região, em alguns locais o pessoal preservou um tanto ainda.
Abraços
Squibb February 10th, 2011, 08:52 PM Encontrei esta foto da década de 60, a construção da sede da FIEP, aquele prédio azul blocão, ali na Av. Candido de Abreu, próximo ao Shopping Müeller de Curitiba.
Hoje acho que funciona o IEL ali, não tenho certeza, pois a FIEP agora tem uma sede suntuosa ao lado da UFPR. Aliás a sede da FIEP parece Estados Unidos e não brasil kkk.
http://i185.photobucket.com/albums/x18/squibbricardo/FIEP.jpg
P@ssageiro_Cwb February 18th, 2011, 12:26 AM Squibb, eu acho massa a idéia desse thread, encontrei umas fotos que são as 2 coisas, "fotos e fatos" :). É sobre um acontecimento triste mas achei interessante porque não sabia que tinha acontecido:
Em novembro de 1959, nas esquinas da Rua Guaira e Xavier da Silva, um avião bimotor que fazia um vôo comercial entre Guarapuava e Curitiba perdeu o controle e bateu a asa num poste e caiu em seguida, chocando-se com a traseira de um ônibus que seguia de Guarapuava para Foz do Iguaçu. O acidente teve 9 óbitos e 4 feridos incluindo transeuntes que retornavam de uma missa na catedral, naquela manhã de domingo.
http://2.bp.blogspot.com/_lF2QbiZM_qc/TQuAxFzcWXI/AAAAAAAABeA/2aRgMNBKUvA/s1600/digitalizar0051.jpg
http://3.bp.blogspot.com/_lF2QbiZM_qc/TQuAcGsduKI/AAAAAAAABd4/f3RwsfQ-yHw/s1600/digitalizar0041.jpg
http://1.bp.blogspot.com/_lF2QbiZM_qc/TQuARD6P10I/AAAAAAAABdw/DmGQNxmZnVs/s1600/digitalizar0039.jpg
http://4.bp.blogspot.com/_lF2QbiZM_qc/TQt_zyx_FAI/AAAAAAAABdg/y_NohdTXbkU/s1600/digitalizar0042.jpg
P@ssageiro_Cwb February 18th, 2011, 12:32 AM Hoje acho que funciona o IEL ali, não tenho certeza, pois a FIEP agora tem uma sede suntuosa ao lado da UFPR. Aliás a sede da FIEP parece Estados Unidos e não brasil kkk.
:okay: E num é que eu acho a mesma coisa?! "Sede da FIEP parece Estados Unidos". Mas daí é só bater o olho nos painés do Poty e acordar, é Curitiba... ahahah
Squibb February 18th, 2011, 02:17 AM voo comercial em 1959! isso é incrivel!
excelente postagem.
Metchenko February 26th, 2011, 05:34 PM Algum de vocês conhece a Guerra de Porecatu?
Acir Francisco February 26th, 2011, 05:53 PM Isto só acabou graças ao LUPIÃO, como o povo o chamava e o temia.
P@ssageiro_Cwb April 21st, 2012, 05:52 PM A IMPONENTE LUCHER S/A
AS LENDAS E A HISTÓRIA...
http://4.bp.blogspot.com/-RqMUmKXlvxQ/TYzeClADm9I/AAAAAAAACLc/9Idauj9Y8IM/s400/lutche%2B004.jpg
Conta a estória, que na primeira metade do século, o antigo proprietário da Fazenda Sinval Martins de Araújo, onde ia ser construída a fábrica, possuía em suas terras uma vasta área pantanosa, que quando o gado passava por este local, suas patas ficavam moles, e com o tempo esses animais perdiam o casco. Conta-se também que o proprietário dessas terras, contraiu uma doença no ouvido, provavelmente um câncer, cujo tratamento só poderia ser feito nos Estados Unidos. Chegando lá, os médicos puderam constatar que o causador desta doença era um elemento químico: o urânio. Após alguns anos, os norte-americanos para cá vieram, e descobriram que o local cercado pelo fazendeiro era uma mina de urânio.
Posteriormente a Companhia norte-americana Lutcher S/A uma empresa organizada em 1959 para participar em operações de serração de madeira e da transformação de pasta de papel; F. Lutcher Brown é o presidente e acionista majoritário, obteve a concessão para explorar o potencial hidráulico denominado PCH Barra, para uso exclusivo, por força do decreto n- 47.226 de 13 de novembro de 59 e renovável para 30 anos, depois começou a desbravar o local para a instalação da fábrica de pasta de celulose, uma usina hidrelétrica para gerar a energia consumida na fábrica, um aeroporto, e ainda uma grande área residencial para os funcionários, tudo isso a alguns metros do Rio Jordão. A Lutcher começou a operar em agosto de 1963, sua primeira remessa de celulose embarcou em via férrea em 03/08/63, esta chegou a Guarapuava por via rodoviária seguindo para São Paulo pelo vagão de n- 9089 da R.F. F. consignada a CIA Indústria Paulista de Papel e Papelão S/A onde embarcou 30.000 quilos de celulose transformando-se em um grande marco impulsionador do desenvolvimento da região. Exportava celulose (de fibra longa e branca, que somente a Lutcher produzia em toda América Latina) para o exterior (Argentina, Uruguai e Inglaterra). A vila residencial abrigava então 1.200 operários, e a Vila de Segredo em função desta atividade, chegou a atingir o número de 3.500 pessoas.
http://4.bp.blogspot.com/-9DkbO2ybgxU/TYzdBWwcErI/AAAAAAAACKs/Bj6Slm4B7Bc/s400/lucher%2B3.jpg
http://4.bp.blogspot.com/-pfg1fLn0s4Q/TYzd7O_l_BI/AAAAAAAACLU/oGy35yABHTI/s400/lutche.jpg
Em dezembro de 1965 a empresa faliu, causando um forte impacto na economia local. Muitas pessoas que viveram na época dizem que a falência ocorreu devido ao fato de que a Lutcher S/A vinha extraindo clandestinamente "água pesada" (urânio) de suas terras, sem a devida autorização do governo brasileiro. Muitas lendas giram em torno da fábrica. Estórias que Frederic Lutcher Brown, proprietário da companhia, teria deixado um caixão com um tesouro, afundado em baixo das águas do Rio Jordão, na altura em que o rio se encontra com o Iguaçu e forma belíssimas cachoeiras, ainda são contadas por moradores mais antigos de Foz do Jordão. Estes mesmos dizem haver um elevador subterrâneo na fábrica de celulose, que leva até uma mina secreta a metros e metros abaixo da terra, e de onde saía o urânio ou a misteriosa "água pesada", explorado pelos norte-americanos. Os boatos surgiram principalmente pela grandiosa magnitude da fábrica, que praticamente do meio da mata se ergueu num enorme complexo industrial.
Na vida da minha família a Lutcher não é esquecida, chegamos em 63 na região onde montamos comercio, sendo uma pensão chamada 58 dentro da própria vila e a churrascaria Galeto. Meu pai trabalhava na Balança e meu irmão mais velho no laboratório, foram momentos de muito trabalho que acabou em pouco tempo com a desativação precoce desta grandiosa obra. Grandes dificuldades passamos com o êxodo dos trabalhadores para outros locais, não demorou e fizemos também o percurso de retirada e viemos morar em Guarapuava ,onde estamos até hoje. Lembranças ficaram na minha memória, como os barulhos ensurdecedores do ronco dos aviões não os visualizava mais com as quantidades de taquara na beira do Rio Iguaçu ecoava um som de jato, os degraus da igreja parecia sem fim lá no alto, meus irmãos caçando passarinho, minha mãe fazendo sabão no tacho e pão no forno de barro, sem falar o susto quando encontrava alguma jaguatirica no caminho ou gato selvagem. A Lucher S.A. papel e celulose foram um sonho para a época pela sua dimensão.
http://dirceupato.blogspot.com.br/2011/03/imponente-lucher-sa-lenda-e-historia.html
shiroshima April 22nd, 2012, 12:31 AM Nossa, nunca havia entrado nesse thread! Infração Grave! Parabéns pelo thread Squibb!
Estava lendo aquela reportagem da Veja sobre Curitiba e me lembro que realmente os 300 anos da cidade foi muito celebrado naquele ano.
E quanto coisa mudou hein! Para mim parece que foi ontem, mas no fim das contas já se passaram 19 anos!
O entrevistado que pegava ônibus ao invés de usar seus dois carro tinha um Voyage 86 e um Prêmio novinho, hahahaha! :lol:
A passagem de ônibus custava Cr$ 8.000 a aproximadamente 1 ano antes do lançamento do Plano Real, da URV e do próprio Real (Acho que ainda antes da URV teve o Cruzeiro Real).
A Rua 24 horas funcionava 24 horas de verdade.
Haviam expressos cinzas.
O Bamerindus ainda existia.
A Pedreira ainda recebia shows.
Jaime Lerner era presidenciável.
Enfim, muitas coisas mudaram (algumas para pior, outras para melhor), mas ainda fica a essência e a fama, frutos da construção de uma imagem e representação de uma cidade que realmente sempre foi vanguardista.
Sgt. Pepper's January 20th, 2013, 04:27 PM O prêmio do visconde de Guarapuava
Por salvar a vida de um peão, Antônio de Sá Camargo recebeu a recompensa de se salvar e virar herói
http://www2.oparana.com.br/media/webmedia/files/C7-MAQFOTO1_189x242.jpg
Antônio de Sá Camargo: o poder como herança aos descendentes
Partindo de Palmeira rumo a Pinhão, onde tomaria posse da fazenda de seu pai, em 1827, o jovem Antônio de Sá Camargo subia a Serra da Esperança em companhia do escravo José quando ouviu gritos de desespero vindos do despenhadeiro. Havia um homem caído lá embaixo. Apoiado pelo escravo, jogou o laço, componente obrigatório da indumentária tropeira, e desceu.
“Com muito esforço físico, conseguiu transportar para fora do buraco José Maria, que fora abandonado pelos companheiros, depois de um acidente que sofrera. O acidentado, depois de socorrido, não sabia como agradecer a ajuda prestada por Antônio para salvar sua vida e lhe seria grato por toda sua existência” (Zeloi Martins dos Santos, Visconde De Guarapuava: Um Personagem na História do Paraná).
Salvar a vida desse homem abandonado à morte valeu ao futuro Visconde de Guarapuava ter depois sobrevivido a um ataque rebelde no início da colonização de Guarapuava. José Maria o avisou, em 1836, que um grupo de colonos rebeldes apoiados por índios ferozes planejava invadir e saquear a vila. De posse da informação, Camargo estabeleceu linhas de defesa e conseguiu conjurar o ataque.
Nascido prematuramente, em 25 de abril de 1808, em Palmeira, era o sexto filho do coronel Antônio Joaquim de Camargo e de Mathilde Umbelina da Glória Araújo, filha da família de tropeiros que iniciou a localidade. Antônio era criança de colo quando o coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal (1750–1820), tomou posse dos Campos de Guarapuava em nome do reino lusitano. Uma ordem régia determinou em seguida a distribuição de sesmarias na região para quem se dispusesse a povoá-la, tomando-a dos índios em definitivo. Seu pai seria um dos agraciados.
Os primeiros latifúndios
Azevedo Portugal distribuiu terras a oito famílias que forneceram recursos para a Real Expedição de conquista dos campos de Guarapuava. Um dos primeiros a ganhar sua sesmaria foi o alferes Manuel Mendes de Araújo, tio de Antônio Camargo.
A propriedade de seu pai, Antônio Joaquim, porém, não constou no primeiro mapa da região, organizado pelo padre Francisco Chagas Lima (1757–1832). Após uma revisão, recebeu terras na atual Pinhão, onde organizou a Fazenda Boa Cria. Araújo, Camargo e outros tropeiros paulistas, ao obter de Portugal amplos latifúndios, vão dominar o território selvagem, enriquecer e gerar os barões e viscondes que repartiriam o poder no Paraná desde então.
A Povoação e Freguesia de Nossa Senhora do Belém – a futura Guarapuava – viria em 1819, com cerca de 300 habitantes, “200 militares e os restantes colonos e escravos” (Alcioly T. Gruber de Abreu, A posse e o uso da terra: modernização agropecuária de Guarapuava).
Para os tropeiros, a educação dos meninos se limitava a cavalgar e cuidar do gado. A escola de Antônio foi a criação de animais. “Ainda muito jovem, seu pai lhe confiou a administração do estabelecimento pastoril fundado em Guarapuava. Em 1827, com apenas 19 anos” (Luiz Romaguera Netto, Gertrudes e o padre Camargo).
http://www2.oparana.com.br/media/webmedia/files/C7-MAQFOTO2_300x272.jpg
Igreja de Nossa Senhora de Belém, em torno da qual cresceu a cidade de Guarapuava
A Boa Cria e a morte do filho
A fazenda Boa Cria, no Pinhão, enriquece Antônio Camargo em plena juventude. Passa a distribuir favores e doações para obras de caridade, instrução primária, bibliotecas e teatros. “As benfeitorias públicas, igreja, estradas, casa para a instalação da câmara e da cadeia, escolas, hospitais, ao serem financiados pelos grandes proprietários, atendiam não só aos interesses da comunidade, mas também aos seus” (Zeloi Martins dos Santos).
Com o imperador ainda menino, em 1831 o governo regencial criou a Guarda Nacional, milícia civil local organizada por latifundiários. O comando da Guarda em Nossa Senhora de Belém foi confiado a Antônio Camargo, então com 23 anos. É nesse comando que ele recebe a informação de José Maria, o rapaz socorrido quase à morte na Serra da Esperança, a tempo de organizar a resistência ao ataque rebelde que a vila sofrerá em maio de 1836.
Camargo voltaria a defender a Freguesia em julho de 1839, assaltada por 21 revolucionários farroupilhas que tentam tomar o quartel aos gritos de Viva a República! Ferem um dos 36 defensores do quartel e fogem. “Deixaram 3 cavalos encilhados, sendo um baleado e duas armas de fogo” (Benjamin Cardoso Teixeira, Efemérides Guarapuavanas).
Rico e poderoso, aos 28 anos Antônio continua solteiro, apenas entregue aos negócios. A família lhe arranja um casamento, em dezembro de 1836, com Zeferina Marcondes de Sá, de 13 anos. Ela é sua prima, filha do Barão de Tibagi, o paulista José Caetano de Oliveira (1794–1869), e sua tia, Cherubina Rosa Marcondes de Sá.
Festejado como herói e casado com a jovem prima Zeferina, Camargo chega ao auge de sua felicidade ao ganhar um herdeiro: o filho Firmino. Tudo desmorona, porém, ao impacto de um rude golpe: ela mata involuntariamente o menino, de dois anos, com um banho de água fervente. Abalado, ele devolve a esposa aos pais e não quer ter mais filhos. Mergulha então na política, envolvendo-se nas articulações da Revolução Liberal de 1842.
http://www2.oparana.com.br/media/webmedia/files/C7-MAQFOTO4_300x193.jpg
Comando militar respalda ação política
Antônio Camargo é nomeado em 1843 pelo presidente da Província de São Paulo, o baiano José Carlos Pereira de Almeida Torres (1799–1850), Visconde de Macaé, para o posto de sargento-mor e comandante do esquadrão da cavalaria de guardas nacionais de Guarapuava, então parte da Vila de Castro.
É o período em que se alternavam no poder os partidos Liberal e Conservador, ambos fiéis ao imperador, que manipula o governo de acordo com suas conveniências. Com o retorno dos conservadores ao poder, o liberal Camargo perde os cargos que exerce, mas em meio aos negócios pecuários continua sua ação política, mirando agora a emancipação do Paraná, que vem em 1853.
Primeiro vereador de Guarapuava, Camargo parte para o parlamento provincial, no biênio 1854-55. Recebe a Comenda Imperial da Ordem da Rosa em 1861 e em 1864 restabelece seus poderes, nomeado “coronel comandante superior da Guarda Nacional de Guarapuava”. Nessas funções, armou e fardou 7° Batalhão de Cavalaria. Para frear o expansionismo argentino, fundou a “Palmas de Baixo” – atual Clevelândia.
Já na Guerra do Paraguai, iniciada também em 1864, Camargo participou com “3 contos de réis para as despesas bélicas e com 1 conto de reis para auxiliar as famílias pobres dos militares que marcharam ao teatro da luta, em defesa da Pátria” (Francisco Negrão, Genealogia Paranaense).
Depois de reeleito deputado provincial, em 1865, é nomeado vice-presidente da Província, no governo de André Fleury (1830–1895). Ainda no curso da Guerra do Paraguai, em 1867 é homenageado com “a graça honorífica de Cavaleiro da Ordem de Cristo”, “a bem da integridade do Império, honra nacional”.
http://www2.oparana.com.br/media/webmedia/files/C7-MAQFOTO3_231x264.jpg
Oliveira, o Barão de Tibagi: sogro de Antônio Camargo
Para Ribas, “caboclo sem valor”
Terminado o conflito, Camargo recebe o título de Barão de Guarapuava, em 14 de julho de 1870. O baronato estava reservado aos proprietários rurais com grande fortuna e poder político. Dez anos depois, já reformado na Guarda Nacional, por indicação do ministério presidido pelo liberal João de Sinimbu, recebe o título de Visconde Guarapuava.
Assume em 1886 a presidência da Sociedade de Imigração do Paiquerê, instituída pelo presidente do Paraná, Alfredo d’Escragnolle Taunay (1843–1889) para “reconhecimento e conquista do sertão”. Estava para começar a aventura que daria na conquista de toda a mesopotâmia dos rios Paraná, Iguaçu e Piquiri.
Apesar do título de nobreza, o Visconde de Guarapuava já idoso sentiu o sopro de novos ventos políticos. Ajudou a montar a milícia republicana do juiz Francisco Peixoto de Lacerda Werneck (1861–1893), que morreria degolado na famigerada Fazenda Pinhal Ralo, na Revolução Federalista.
Com a vitória da República, que em seu primeiro momento republicaniza os antigos barões e viscondes, mantendo intacto seu poder, o Visconde de Guarapuava morre em 12 de novembro de 1896, deixando uma herança de riqueza e poder político que jamais iria se desvanecer.
Como existe no Paraná a tradição dos novos dominantes de diminuir a memória dos anteriores, Antônio de Sá Camargo, para o interventor Manoel Ribas (1873–1946), foi um “caboclo sem valor”.
(Fonte: Retratos Paranaenses, Projeto Livrai-Nos!)
Calendário
20 de janeiro de 1962
Irmãos maristas recebem do prefeito Octacílio Mion as chaves do Colégio Rio Branco.
21 de janeiro de 1925
Chefe revolucionário João Cabanas ataca Formigas.
25 de janeiro de 1961
São Miguel do Iguaçu torna-se município, desmembrando-se de Foz do Iguaçu e Medianeira, com a lei 4.338.
26 de janeiro de 1961
Juscelino Kubitschek inaugura simbolicamente a Ponte da Amizade, um de seus últimos atos como presidente.
O Paraná
http://www.oparana.com.br/
|
|