Matthias Offodile
March 26th, 2011, 03:42 PM
Expansion of casinos in Angolan cities (Luanda, Benguela, Lubango and Huambo)
Exame Angola / Angola
Edição nº 13
Publicado a 09-03-2011 16:40:00
http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_13/exame_13_2011_02_24_7.jpg
O número 13 está ligado à superstição. Desde 1800 que é considerado um dia de azar, especialmente quando ocorre a uma sexta-feira. As lendas dizem que foi num desses dias, em Outubro de 1307, que o rei Filipe IV, de França, mandou executar 13 cavaleiros, extinguindo a Ordem dos Templários. Outra lenda diz que Jesus Cristo foi morto numa sexta-feira 13. Outros dizem que a superstição se deve aos monges que tinham dificuldades em calendarizar os anos com 13 Luas em vez das habituais 12. Os católicos recordam também que as aparições de Fátima de 1917 ocorreram sempre ao 13.º dia. Por isso, em muitos países católicos, os lugares às refeições nunca têm 13 lugares (devido ao facto de Judas, um dos 12 apóstolos, ter traí- do Jesus na Última Ceia).
A lenda é comum a outras religiões. No hinduísmo é organizada uma festa ao 13.º dia do falecimento de um familiar e é considerado auspicioso dar o nome às filhas 13 dias depois do nascimento. No judaísmo os jovens atingem a maturidade aos 13 anos. Era também com essa idade que os aprendizes se iniciavam nos ritos de feitiçaria (havia sempre 13 bruxas nas reuniões sagradas). Na Grécia Antiga o poderoso Zeus foi o 13.º deus. Para os astecas, o 13 era um número sagrado. O calendário maia tinha ciclos de 13 dias. E os índios nativos americanos associavam o 13 aos ciclos de sorte e azar.
Nos Estados Unidos, a superstição à volta do número chega a ser uma fobia que até teve direito a nome (triskaidekaphobia). Os místicos recordam que o país foi formado por 13 colónias (a bandeira original tinha 13 estrelas e a actual tem 13 faixas); nas cerimónias militares são sempre disparadas 13 balas; a nota de dólar ostenta várias referências ao 13 (a começar pela pirâmide com 13 degraus); a missão espacial Apollo 13 falhou devido a uma explosão ocorrida a 13 de Abril de 1970. Por isso, muitos prédios nos Estados Unidos não têm sequer o décimo terceiro andar. No que diz respeito aos jogos de cartas (a propósito, no Tarot, a 13.ª é a da morte) os baralhos têm sempre naipes de 13.Plurijogos: a concessionária do jogo em Angola
Os exemplos poderiam multiplicar-se, mas o leitor já percebeu a ideia. Falamos nessa superstição porque a EXAME está a cumprir a edição n.º 13. Não poderíamos, por isso, escolher melhor tema de capa do que o dos negócios associados aos jogos de sorte e azar.
E em Angola, falar em jogo significa falar na Plurijogos, a (quase) monopolista do sector. E na sua marca, Casinos de Angola, nascida o ano passado, que explora os casinos Olímpia (Lubango), Tivoli e Marinha (Luanda) e as salas de jogo Imperador. O êxito parece, no entanto, ter mais que ver com a capacidade de gestão e o conhecimento do sector do que propriamente com a sorte ou azar. “A criação da nova marca coincidiu com a entrada da nova equipa de gestão. Nenhum de nós é jogador”, confidencia Tiago Vilela de Sousa, o director de marketing, que está em Angola há três anos depois de uma carreira ibérica no grande consumo.
O Casino OlÍmpia vai criar o concurso deuses ao palco. o vencedor irá gravar um disco
A história da Plurijogos remonta a 1992. Desconhece-se a estrutura de accionistas, mas é público que o sócio de referência é Kundi Paihama, actual ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e antigo governador das províncias de Luanda, Cunene, Benguela e Huíla. Foi precisamente nesta última que a Plurijogos teve origem com o bingo do Benfica e o casino da Huíla, ambos no Lubango. Mais tarde, seguiu-se a exploração do jogo no Hotel Tivoli (centro da cidade) e no antigo Hotel Panorama (na ilha).
http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_13/exame_13_2011_02_24_5.jpg
Casino olÍmpia: Inaugurado em 2009, num investimento de 5 milhões de dólares, é o primeiro casino temático de Angola, inspirado na Grécia Antiga. O Olímpia tornou-se o maior pólo cultural e de entretenimento do Lubango. O palco do Sports Bar promove a divulgação de novos talentos musicais
Olímpia: a inspiração vem dos gregos
Mas o verdadeiro ponto de viragem da Plurijogos ocorreu em 2009, mais uma vez no Lubango. O motivo foi o nascimento do casino Olímpia que representou um investimento de 5 milhões de dólares e a geração de 130 novos postos de trabalho. Trata-se do primeiro casino temático de Angola inspirado na Grécia Antiga (na linha dos lendários Caesars Palace, de Las Vegas, que segue o imaginário de Roma Antiga ou o The Venetian, uma homenagem a Veneza) . “Foi a partir do Olímpia que a Casinos de Angola se assumiu como uma empresa ligada ao lazer e entretenimento e não apenas ao jogo”, refere Tiago Vilela de Sousa.
:cheers:
A sala de jogo é composta por 70 máquinas (slot machines) e oito mesas e destaca-se pela espectacular decoração alusiva aos antigos deuses gregos. Mas a verdadeira “estrela” é o Sports Bar, um bar e restaurante onde os clientes podem assistir às grandes transmissões desportivas ou a espectáculos ao vivo. De quinta-feira a domingo, há sempre eventos musicais e culturais, ligados à música, ao teatro, à poesia ou à moda. Como esta oferta diversificada o casino tornou-se o principal pólo de encontro e de diversão nocturna do Lubango. “O espaço comporta 120 pessoas, mas a adesão foi tal que tivemos de começar a cobrar à entrada.”
Os asiáticos são os primeiros a chegar e os últimos a sair. A roleta é o seu jogo preferido
Embora as receitas do bar sejam interessantes, o que está em causa, para Tiago Vilela de Sousa, é a conquista de um outro tipo de público, aquele que sai à noite para se divertir e não necessariamente para jogar.:cheers: “Em 2010, realizámos 138 noites de actividades culturais com artistas vindos de Angola, Portugal, Brasil, Peru, Camarões e Congo. Recebemos muitos turistas da Namíbia e da África do Sul. Estamos a colocar o Lubango na rota do turismo africano”, diz com orgulho.:cheers:
Pelo palco do Sports Bar passaram nomes sonantes como Yola Semedo, Waldemar Bastos e Dionísio Rocha, mas um dos principais objectivos da Casinos de Angola é promover a produção artística local. “Em Abril, vamos dar início a um concurso de novos talentos intitulado Deuses ao Palco. Além dos prémios financeiros, o vencedor terá direito à gravação de um disco.” Esse esforço é reconhecido pelo governo provincial. “O casino é um centro cultural, com inovação criativa, que todas as casas promotoras da cultura e espectáculos da cidade deveriam ter como exemplo”, referiu Maria Marcelina Gomes, directora provincial da Cultura.
Casino Tivoli: Reinaugurado em Junho do ano passado, depois de uma profunda remodelação, orçada em 6 milhões de dólares. Cerca de 90% dos clientes são asiáticos o que explica o estilo oriental da decoração, onde pontificam os vermelhos e os dourados e a imponente imagem de um dragão
Tivoli: 2010 foi o ano do dragão
O segundo grande investimento da Casinos de Angola, orçado em 6 milhões de dólares, foi a reabilitação do casino Tivoli, reinaugurado no dia 23 de Junho de 2010. “Foi uma obra faseada. Nunca fechámos a casa durante os oito meses de obras”, recorda Tiago Vilela. No final, o casino conseguiu duplicar a sua área útil, “roubando” alguns metros quadrados à cozinha do hotel e aproveitando o “pé alto” para criar uma sala VIP no segundo andar. No primeiro piso, o casino tem 24 máquinas e 12 mesas de jogo (das quais sete são roletas). O leitor mais atento terá reparado na diferença do rácio (50% de mesas versus máquinas) face ao casino do Lubango. Não é algo acidental. “Cerca de 90% dos clientes do casino Tivoli são asiáticos. E estes preferem as mesas, em particular a roleta”, esclarece a gerente Ana Vieira, que trabalha há 11 anos na casa. “Eles são os primeiros a chegar e os últimos a sair (o casino está aberto todos os dias das 14 às 5 horas da manhã). A partir das 19 horas as mesas de jogo começam a ficar lotadas”, refere.
A própria decoração da sala foi direccionada para os clientes asiáticos. Imperam os tons vermelhos e dourados (associados à sorte), os bambus à entrada, o dragão gigante na parede e na farda dos empregados. Segundo a angolana Ana Vieira, os asiáticos são clientes tranquilos. “Adoram jogar, fumam muito, bebem pouco e consomem refeições ligeiras, em particular o caldo. Vêm geralmente em grupo, a maioria deles a pé, e nunca criam confusão. Já alguns ‘irmãos’ angolanos, às vezes excedem-se no consumo de álcool e nas apostas. Nestes casos, é preciso ter alguma psicologia para lidar com os clientes. Muitos ficam de tal forma viciados que pedem ao porteiro para não os deixar entrar mais no casino.”
Dos jogadores viciados aos afortunados
É nessas alturas que os 11 anos de experiência da angolana Ana Vilela são importantes. “Consigo perceber o tipo de cliente pela maneira como se comporta à entrada ou como fala com os empregados. Os que se dirigem rapidamente à caixa são os jogadores mais compulsivos.” No que diz respeito à segurança, Ana Vieira diz que até agora nunca tivemos problemas sérios. “O Tivoli possui câmaras de vídeo que registam os movimentos dos jogadores. A rua é bem policiada. Nunca houve assaltos à saída.”
O Casino de Viana será inspirado nos caminhos-de -ferro. abrirá em julho deste ano
Outro aspecto crucial é a gestão do pessoal. Além do gerente há um pit-boss, que coordena várias mesas. Cada uma delas tem um dealer (ou croupier) e um inspector, fardados com uma cor diferente, para que os clientes os reconheçam. “Trabalhamos por turnos e nunca deixamos um dealer ficar na mesa por mais de meia hora. É uma função muito exigente que requer muita atenção e rapidez de cálculo. Assim reduzimos o risco de cansaço.”
Tiago Vilela enfatiza a formação. “Todos os colaboradores passam pelo nosso centro que é muito exigente. Para alguns postos específicos enviámos colaboradores para estágios em casinos da África do Sul. Dos 300 colaboradores da Casinos de Angola, 98% são angolanos:cheers:. A maior parte dos gerentes começou como dealers há dez anos”, diz Tiago Vilela, que aproveita para falar da política de “jogo responsável”. “Temos normas escritas que levamos muito a sério e estão afixadas nos casinos. A regra número um é que ninguém deve ir ao casino com o intuito de ganhar ou recuperar dinheiro. O objectivo é apenas a diversão.”
A verdade é que segundo ausClique para ampliar a imagemcultámos junto de um cliente assíduo do Tivoli que preferiu, por razões óbvias, manter o anonimato “ganham-se e perdem-se grandes fortunas no casino”. No mundo restrito e luxuoso da sala VIP, onde se servem refeições completas e se oferecem bebidas, é preciso comprar fichas no valor de 5 mil dólares. É lá que se encontram os grandes apostadores que primam pela descrição. “Muitos deles são figuras públicas que entram na sala com as malas cheias de dólares. Enquanto os asiáticos reservam apenas uma parte do salário para gastar no casino e não ultrapassam esse limite, os angolanos fazem apostas muito altas. Já vi um deles perder 300 mil dólares numa noite”, diz o nosso interlocutor. Mas também há quem ganhe muito dinheiro, um privilégio que não é apenas reservado aos VIP. “Há pouco tempo tivemos um jackpot de 65 mil dólares. Ficámos todos surpreendidos. O vencedor era angolano, um cliente assíduo da casa. Em vez de festejar procurou levantar as fichas e sair da sala o mais discretamente possível”, recorda divertida Ana Vieira.
Tiago Vilela não confirma o valor de entrada na sala VIP “preservamos a privacidade dos nossos clientes”, justifica, mas reconhece que a Casinos de Angola possui um programa de fidelidade comum à maior parte das casas de jogo em todo o mundo. “As fichas valem pontos e a partir de um certo montante o cliente ganha um estatuto especial que lhe garante a entrada na sala VIP, um atendimento preferencial e a oferta de bebidas e snacks. Temos cerca de 600 clientes com esse estatuto.” Reconhece também que o casino Tivoli é o mais rentável do grupo. “É o que tem mais máquinas, está bem localizado e os asiáticos são os que jogam mais horas. Eles preferem a roleta que movimenta mais dinheiro.”
Marinha: o maior prémio de póquer de África
Falta referir a terceira “pérola” do grupo, o casino Marinha, na ilha de Luanda, que está neste momento a passar por obras de remodelação, no valor de 1,5 milhões de dólares, que estarão terminadas em Maio deste ano. O seu grande trunfo são os torneios de póquer. Durante três meses (de Janeiro a Maio) decorrem no casino as eliminatórias da World Series of Poker. São confrontos entre jogadores, em regra de três a quatro horas, que só terminam quando todos, excepto o vencedor, perdem as fichas. Os prémios pecuniários são interessantes (4 mil dólares para o terceiro lugar e 7500 para o segundo). Mas o grande atractivo é que o vencedor ganha o direito a participar na grande final que decorre em Las Vegas, em Junho, e agrupa 2 mil jogadores de todos os países do mundo. A “entrada” nesta elite mundial do póquer custa 10 mil dólares. “A Casinos de Angola paga esse valor, mais a viagem e a estada de 20 dias. Infelizmente, até agora, os representantes de Angola não chegaram à final e ficam menos tempo.”
O Casino Gika terá quatro pisos, dois restaurantes e um palco para grandes eventos
:cheers::cheers:
O facto não é surpreendente. Esta modalidade do Texas Hold’Em, mais baseada na estratégia do que na sorte, está a ter uma enorme adesão em todo o mundo (inclusivamente on-line (veja artigo nesta EXAME) e até já tem direito a transmissão televisiva. O World Series of Poker é disputado pelos melhores do mundo (a maioria são profissionais) e Angola ainda está a dar os primeiros passos nesta modalidade que, segundo reza a publicidade da Casinos Angola, “já ganhou o estatuto de desporto”. Um desporto que envolve muito dinheiro. Os prémios (que abrangem os 300 primeiros classificados) ascendem a 20 milhões de dólares (dos quais metade vão para o bolso do vencedor).
Para a empresa, no entanto, o Texas Hold’Em Poker não é um grande negócio. “Traz muitos clientes ao casino e isso é bom. Só que eles jogam uns contra os outros e não contra a mesa. Nós cobramos apenas o aluguer do espaço à hora e uma pequena comissão sobre as fichas.” Porém, isso não impediu a Casinos de Angola de organizar, em Novembro do ano passado, o torneio da Dipanda, no âmbito das comemorações dos 35 anos de independência, e que teve o prémio de 100 mil dólares.
O valor, para surpresa da Casinos de Angola, estabeleceu um novo recorde para África e foi noticiado na imprensa internacional da especialidade. “Assim como já existe um torneio Series of Poker na Europa, na Ásia e na América Latina, um dia gostaríamos de organizar um African Series of Poker.”
Enquanto isso não sucede fica a promessa de Tiago Vilela. “Quando a remodelação do casino Marinha estiver terminada vamos introduzir mais uma modalidade de jogo de cartas em Angola: o baccarat (também chamado de bakara na terminologia inglesa). Assim, a par do póquer, do texas poker, do black jack e da roleta, ficaremos com a oferta completa dos jogos mais populares em todo o mundo.”
De referir que a Casinos de Angola está presente noutro segmento, o das casas de jogo (slot machines). É dona da cadeia Imperador que tem sete unidades (uma no Lubango e sete em Luanda). No ambicioso plano de investimentos previsto para os próximos três anos constava ainda um novo casino. Trata-se do Diamante, anexo ao hotel com o mesmo nome, que está a ser construído pela Endiama, junto ao Porto de Luanda. O hotel está atrasado e, como consequência, o casino também. No entanto, o interesse no projecto, orçado em 7 milhões de dólares, mantém-se. “Será um casino de média dimensão, também temático, associado à cultura e ao entretenimento”, diz Tiago Vilela.
Casino de Viana: Será um casino de média dimensão, orçado em 2,5 milhões de dólares. A aposta forte é o restaurante com música ao vivo
Viana: comboio prestes a partir
Mais adiantado está o projecto para um novo casino em Viana, que será inaugurado em Julho. Trata-se de um investimento de 2,5 milhões de dólares que gerará 250 postos de trabalho. O casino terá como tema os comboios e a campanha de marketing terá como assinatura “uma viagem dos sentidos”. É que para além da ampla área de jogo, com 462 metros quadrados, terá um restaurante (com música ao vivo e um reputado chef de cozinha) com capacidade para cerca de 120 lugares. “É uma forma de nos dirigirmos ao público que reside naquele município e nas novas centralidades que estão a ser erguidas naquela área da cidade.”
Viana é, como sabemos, um município onde vivem muitos carenciados. E a responsabilidade social é uma das áreas em que a empresa quer apostar fortemente. “Desde Janeiro que criámos um contrato social com os nossos empregados onde comparticipamos em bolsas de estudo, aprendizagem de línguas estrangeiras, apoio escolar e à primeira infância e despesas de saúde.” No ano passado, a Casinos de Angola apoiou 45 das 100 crianças da Aldeia SOS Criança, uma ONG que visa acolher crianças órfãs. E patrocinou a festa Natal das Crianças, que reuniu mais de mil crianças do município da Samba. “Para este ano, queremos apoiar mais iniciativas ligadas à educação das crianças e ao apoio aos idosos. Também vamos patrocinar eventos, por exemplo, de moda ou desporto, que reforcem o novo posicionamento da marca. Do orçamento anual de 2 milhões de dólares que dispomos para o marketing, 25% serão aplicados em acções de responsabilidade social”, assegura o responsável pelo departamento.
Falta referir o projecto mais ambicioso, aquele que vai catapultar a Casinos de Angola para um patamar mais elevado como grande player continental. Falamos do casino Gika que será erguido em Alvalade junto a um enorme complexo constituído por um hotel de cinco estrelas (VIP Grand Luanda), um complexo habitacional (Alvalade Residence), duas torres de escritórios com 21 pisos (Garden Towers) e o centro comercial (Luanda Shopping) com 258 lojas. Diz-se que será o maior shopping center de África.
Casino Gika: É o maior investimento do grupo (35 milhões de dólares). Com um design arrojado, pretende ser uma referência do jogo em África
http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_13/exame_13_2011_02_27.jpg
Gika: um novo casino de cinco estrelas
Tiago Vilela não tem dúvidas de que o seu casino também será um dos maiores do continente. Com uma área de 7500 metros quadrados, irá exigir um investimento de 35 milhões de dólares e a gerar 500 empregos. Terá quatro pisos, dois restaurantes de luxo e um palco para espectáculos ao vivo (desde música a combates de boxe, por exemplo). Soubemos que será, mais uma vez, um casino temático (o conceito ainda está no “segredo dos deuses”) alimentado por um edifício com um design arrojado e progressista, da autoria de um reputado arquitecto sul-africano.
Somados todos estes projectos estamos a falar de um investimento total de 57 milhões de dólares. Trata-se de uma aposta elevada e de alto risco. “É importante referir que 60% desse valor serão conseguidos com recurso ao financiamento bancário e não através de capitais próprios. Até agora sempre reinvestimos os lucros em novos projectos. Mas desta vez foi necessário recorrer ao endividamento”, esclarece Tiago Vilela. O que ele não esclareceu foi o volume da facturação actual da Casinos de Angola de modo a percebermos qual é a taxa de esforço que esse investimento acima dos 50 milhões de dólares representa. “Esse número não podemos divulgar. Seria dar trunfos à concorrência. Eu sei que há muitas empresas internacionais que querem entrar no jogo em Angola.”
Casino Marinha: O seu trunfo é o jogo de cartas Texas Hold’Em e o apuramento para o World Series of Poker, em Las Vegas. As obras de remodelação, no valor de 1,5 milhões de dólares, terminam em Maio
O futuro do jogo em Angola
Stanley Ho não é com certeza uma delas. O magnata do jogo em Macau (também é dono do Casino do Estoril e do Casino de Lisboa, em Portugal, o nono maior do mundo segundo a revista Business Week) está com problemas de saúde. O próprio já terá alegadamente desmentido uma notícia que agitou a imprensa angolana no ano passado. Dizia-se que Ho seria parceiro de Isabel dos Santos para a construção do casino Imperador, localizado junto ao hotel de cinco estrelas na encosta do Miramar, que está a ser erguido pela Sonangol e a Sunninvest. A verdade é que a conclusão do hotel está atrasada e, face aos problemas actuais de Stanley Ho (uma dolorosa disputa judicial relacionada com a partilha do seu império pelos herdeiros), ainda não se sabe a quem será adjudicada a concessão do novo casino.
Logo, a única concorrência de que a empresa se pode queixar são casas de pequena dimensão como o Casino Royal (junto ao aeroporto de Luanda) e o Marco Polo (no centro junto ao governo provincial). Há ainda um casino no Lubango (Rivas) e outras unidades de pequena expressão no Huambo e em Benguela. Sendo a Casinos de Angola quase monopolista, não há razão aparente para a omissão do seu volume de negócios. Mas como dizem os profissionais: “um bom jogador nunca revela os seus trunfos.” E afinal, não esqueçamos, estamos a fazer a edição n.º 13 da EXAME. Talvez tenhamos mais sorte numa próxima entrevista.
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Exame Angola / Angola
Edição nº 13
Publicado a 09-03-2011 16:40:00
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O número 13 está ligado à superstição. Desde 1800 que é considerado um dia de azar, especialmente quando ocorre a uma sexta-feira. As lendas dizem que foi num desses dias, em Outubro de 1307, que o rei Filipe IV, de França, mandou executar 13 cavaleiros, extinguindo a Ordem dos Templários. Outra lenda diz que Jesus Cristo foi morto numa sexta-feira 13. Outros dizem que a superstição se deve aos monges que tinham dificuldades em calendarizar os anos com 13 Luas em vez das habituais 12. Os católicos recordam também que as aparições de Fátima de 1917 ocorreram sempre ao 13.º dia. Por isso, em muitos países católicos, os lugares às refeições nunca têm 13 lugares (devido ao facto de Judas, um dos 12 apóstolos, ter traí- do Jesus na Última Ceia).
A lenda é comum a outras religiões. No hinduísmo é organizada uma festa ao 13.º dia do falecimento de um familiar e é considerado auspicioso dar o nome às filhas 13 dias depois do nascimento. No judaísmo os jovens atingem a maturidade aos 13 anos. Era também com essa idade que os aprendizes se iniciavam nos ritos de feitiçaria (havia sempre 13 bruxas nas reuniões sagradas). Na Grécia Antiga o poderoso Zeus foi o 13.º deus. Para os astecas, o 13 era um número sagrado. O calendário maia tinha ciclos de 13 dias. E os índios nativos americanos associavam o 13 aos ciclos de sorte e azar.
Nos Estados Unidos, a superstição à volta do número chega a ser uma fobia que até teve direito a nome (triskaidekaphobia). Os místicos recordam que o país foi formado por 13 colónias (a bandeira original tinha 13 estrelas e a actual tem 13 faixas); nas cerimónias militares são sempre disparadas 13 balas; a nota de dólar ostenta várias referências ao 13 (a começar pela pirâmide com 13 degraus); a missão espacial Apollo 13 falhou devido a uma explosão ocorrida a 13 de Abril de 1970. Por isso, muitos prédios nos Estados Unidos não têm sequer o décimo terceiro andar. No que diz respeito aos jogos de cartas (a propósito, no Tarot, a 13.ª é a da morte) os baralhos têm sempre naipes de 13.Plurijogos: a concessionária do jogo em Angola
Os exemplos poderiam multiplicar-se, mas o leitor já percebeu a ideia. Falamos nessa superstição porque a EXAME está a cumprir a edição n.º 13. Não poderíamos, por isso, escolher melhor tema de capa do que o dos negócios associados aos jogos de sorte e azar.
E em Angola, falar em jogo significa falar na Plurijogos, a (quase) monopolista do sector. E na sua marca, Casinos de Angola, nascida o ano passado, que explora os casinos Olímpia (Lubango), Tivoli e Marinha (Luanda) e as salas de jogo Imperador. O êxito parece, no entanto, ter mais que ver com a capacidade de gestão e o conhecimento do sector do que propriamente com a sorte ou azar. “A criação da nova marca coincidiu com a entrada da nova equipa de gestão. Nenhum de nós é jogador”, confidencia Tiago Vilela de Sousa, o director de marketing, que está em Angola há três anos depois de uma carreira ibérica no grande consumo.
O Casino OlÍmpia vai criar o concurso deuses ao palco. o vencedor irá gravar um disco
A história da Plurijogos remonta a 1992. Desconhece-se a estrutura de accionistas, mas é público que o sócio de referência é Kundi Paihama, actual ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e antigo governador das províncias de Luanda, Cunene, Benguela e Huíla. Foi precisamente nesta última que a Plurijogos teve origem com o bingo do Benfica e o casino da Huíla, ambos no Lubango. Mais tarde, seguiu-se a exploração do jogo no Hotel Tivoli (centro da cidade) e no antigo Hotel Panorama (na ilha).
http://www.opais.net/resources/images/exame/edicao_13/exame_13_2011_02_24_5.jpg
Casino olÍmpia: Inaugurado em 2009, num investimento de 5 milhões de dólares, é o primeiro casino temático de Angola, inspirado na Grécia Antiga. O Olímpia tornou-se o maior pólo cultural e de entretenimento do Lubango. O palco do Sports Bar promove a divulgação de novos talentos musicais
Olímpia: a inspiração vem dos gregos
Mas o verdadeiro ponto de viragem da Plurijogos ocorreu em 2009, mais uma vez no Lubango. O motivo foi o nascimento do casino Olímpia que representou um investimento de 5 milhões de dólares e a geração de 130 novos postos de trabalho. Trata-se do primeiro casino temático de Angola inspirado na Grécia Antiga (na linha dos lendários Caesars Palace, de Las Vegas, que segue o imaginário de Roma Antiga ou o The Venetian, uma homenagem a Veneza) . “Foi a partir do Olímpia que a Casinos de Angola se assumiu como uma empresa ligada ao lazer e entretenimento e não apenas ao jogo”, refere Tiago Vilela de Sousa.
:cheers:
A sala de jogo é composta por 70 máquinas (slot machines) e oito mesas e destaca-se pela espectacular decoração alusiva aos antigos deuses gregos. Mas a verdadeira “estrela” é o Sports Bar, um bar e restaurante onde os clientes podem assistir às grandes transmissões desportivas ou a espectáculos ao vivo. De quinta-feira a domingo, há sempre eventos musicais e culturais, ligados à música, ao teatro, à poesia ou à moda. Como esta oferta diversificada o casino tornou-se o principal pólo de encontro e de diversão nocturna do Lubango. “O espaço comporta 120 pessoas, mas a adesão foi tal que tivemos de começar a cobrar à entrada.”
Os asiáticos são os primeiros a chegar e os últimos a sair. A roleta é o seu jogo preferido
Embora as receitas do bar sejam interessantes, o que está em causa, para Tiago Vilela de Sousa, é a conquista de um outro tipo de público, aquele que sai à noite para se divertir e não necessariamente para jogar.:cheers: “Em 2010, realizámos 138 noites de actividades culturais com artistas vindos de Angola, Portugal, Brasil, Peru, Camarões e Congo. Recebemos muitos turistas da Namíbia e da África do Sul. Estamos a colocar o Lubango na rota do turismo africano”, diz com orgulho.:cheers:
Pelo palco do Sports Bar passaram nomes sonantes como Yola Semedo, Waldemar Bastos e Dionísio Rocha, mas um dos principais objectivos da Casinos de Angola é promover a produção artística local. “Em Abril, vamos dar início a um concurso de novos talentos intitulado Deuses ao Palco. Além dos prémios financeiros, o vencedor terá direito à gravação de um disco.” Esse esforço é reconhecido pelo governo provincial. “O casino é um centro cultural, com inovação criativa, que todas as casas promotoras da cultura e espectáculos da cidade deveriam ter como exemplo”, referiu Maria Marcelina Gomes, directora provincial da Cultura.
Casino Tivoli: Reinaugurado em Junho do ano passado, depois de uma profunda remodelação, orçada em 6 milhões de dólares. Cerca de 90% dos clientes são asiáticos o que explica o estilo oriental da decoração, onde pontificam os vermelhos e os dourados e a imponente imagem de um dragão
Tivoli: 2010 foi o ano do dragão
O segundo grande investimento da Casinos de Angola, orçado em 6 milhões de dólares, foi a reabilitação do casino Tivoli, reinaugurado no dia 23 de Junho de 2010. “Foi uma obra faseada. Nunca fechámos a casa durante os oito meses de obras”, recorda Tiago Vilela. No final, o casino conseguiu duplicar a sua área útil, “roubando” alguns metros quadrados à cozinha do hotel e aproveitando o “pé alto” para criar uma sala VIP no segundo andar. No primeiro piso, o casino tem 24 máquinas e 12 mesas de jogo (das quais sete são roletas). O leitor mais atento terá reparado na diferença do rácio (50% de mesas versus máquinas) face ao casino do Lubango. Não é algo acidental. “Cerca de 90% dos clientes do casino Tivoli são asiáticos. E estes preferem as mesas, em particular a roleta”, esclarece a gerente Ana Vieira, que trabalha há 11 anos na casa. “Eles são os primeiros a chegar e os últimos a sair (o casino está aberto todos os dias das 14 às 5 horas da manhã). A partir das 19 horas as mesas de jogo começam a ficar lotadas”, refere.
A própria decoração da sala foi direccionada para os clientes asiáticos. Imperam os tons vermelhos e dourados (associados à sorte), os bambus à entrada, o dragão gigante na parede e na farda dos empregados. Segundo a angolana Ana Vieira, os asiáticos são clientes tranquilos. “Adoram jogar, fumam muito, bebem pouco e consomem refeições ligeiras, em particular o caldo. Vêm geralmente em grupo, a maioria deles a pé, e nunca criam confusão. Já alguns ‘irmãos’ angolanos, às vezes excedem-se no consumo de álcool e nas apostas. Nestes casos, é preciso ter alguma psicologia para lidar com os clientes. Muitos ficam de tal forma viciados que pedem ao porteiro para não os deixar entrar mais no casino.”
Dos jogadores viciados aos afortunados
É nessas alturas que os 11 anos de experiência da angolana Ana Vilela são importantes. “Consigo perceber o tipo de cliente pela maneira como se comporta à entrada ou como fala com os empregados. Os que se dirigem rapidamente à caixa são os jogadores mais compulsivos.” No que diz respeito à segurança, Ana Vieira diz que até agora nunca tivemos problemas sérios. “O Tivoli possui câmaras de vídeo que registam os movimentos dos jogadores. A rua é bem policiada. Nunca houve assaltos à saída.”
O Casino de Viana será inspirado nos caminhos-de -ferro. abrirá em julho deste ano
Outro aspecto crucial é a gestão do pessoal. Além do gerente há um pit-boss, que coordena várias mesas. Cada uma delas tem um dealer (ou croupier) e um inspector, fardados com uma cor diferente, para que os clientes os reconheçam. “Trabalhamos por turnos e nunca deixamos um dealer ficar na mesa por mais de meia hora. É uma função muito exigente que requer muita atenção e rapidez de cálculo. Assim reduzimos o risco de cansaço.”
Tiago Vilela enfatiza a formação. “Todos os colaboradores passam pelo nosso centro que é muito exigente. Para alguns postos específicos enviámos colaboradores para estágios em casinos da África do Sul. Dos 300 colaboradores da Casinos de Angola, 98% são angolanos:cheers:. A maior parte dos gerentes começou como dealers há dez anos”, diz Tiago Vilela, que aproveita para falar da política de “jogo responsável”. “Temos normas escritas que levamos muito a sério e estão afixadas nos casinos. A regra número um é que ninguém deve ir ao casino com o intuito de ganhar ou recuperar dinheiro. O objectivo é apenas a diversão.”
A verdade é que segundo ausClique para ampliar a imagemcultámos junto de um cliente assíduo do Tivoli que preferiu, por razões óbvias, manter o anonimato “ganham-se e perdem-se grandes fortunas no casino”. No mundo restrito e luxuoso da sala VIP, onde se servem refeições completas e se oferecem bebidas, é preciso comprar fichas no valor de 5 mil dólares. É lá que se encontram os grandes apostadores que primam pela descrição. “Muitos deles são figuras públicas que entram na sala com as malas cheias de dólares. Enquanto os asiáticos reservam apenas uma parte do salário para gastar no casino e não ultrapassam esse limite, os angolanos fazem apostas muito altas. Já vi um deles perder 300 mil dólares numa noite”, diz o nosso interlocutor. Mas também há quem ganhe muito dinheiro, um privilégio que não é apenas reservado aos VIP. “Há pouco tempo tivemos um jackpot de 65 mil dólares. Ficámos todos surpreendidos. O vencedor era angolano, um cliente assíduo da casa. Em vez de festejar procurou levantar as fichas e sair da sala o mais discretamente possível”, recorda divertida Ana Vieira.
Tiago Vilela não confirma o valor de entrada na sala VIP “preservamos a privacidade dos nossos clientes”, justifica, mas reconhece que a Casinos de Angola possui um programa de fidelidade comum à maior parte das casas de jogo em todo o mundo. “As fichas valem pontos e a partir de um certo montante o cliente ganha um estatuto especial que lhe garante a entrada na sala VIP, um atendimento preferencial e a oferta de bebidas e snacks. Temos cerca de 600 clientes com esse estatuto.” Reconhece também que o casino Tivoli é o mais rentável do grupo. “É o que tem mais máquinas, está bem localizado e os asiáticos são os que jogam mais horas. Eles preferem a roleta que movimenta mais dinheiro.”
Marinha: o maior prémio de póquer de África
Falta referir a terceira “pérola” do grupo, o casino Marinha, na ilha de Luanda, que está neste momento a passar por obras de remodelação, no valor de 1,5 milhões de dólares, que estarão terminadas em Maio deste ano. O seu grande trunfo são os torneios de póquer. Durante três meses (de Janeiro a Maio) decorrem no casino as eliminatórias da World Series of Poker. São confrontos entre jogadores, em regra de três a quatro horas, que só terminam quando todos, excepto o vencedor, perdem as fichas. Os prémios pecuniários são interessantes (4 mil dólares para o terceiro lugar e 7500 para o segundo). Mas o grande atractivo é que o vencedor ganha o direito a participar na grande final que decorre em Las Vegas, em Junho, e agrupa 2 mil jogadores de todos os países do mundo. A “entrada” nesta elite mundial do póquer custa 10 mil dólares. “A Casinos de Angola paga esse valor, mais a viagem e a estada de 20 dias. Infelizmente, até agora, os representantes de Angola não chegaram à final e ficam menos tempo.”
O Casino Gika terá quatro pisos, dois restaurantes e um palco para grandes eventos
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O facto não é surpreendente. Esta modalidade do Texas Hold’Em, mais baseada na estratégia do que na sorte, está a ter uma enorme adesão em todo o mundo (inclusivamente on-line (veja artigo nesta EXAME) e até já tem direito a transmissão televisiva. O World Series of Poker é disputado pelos melhores do mundo (a maioria são profissionais) e Angola ainda está a dar os primeiros passos nesta modalidade que, segundo reza a publicidade da Casinos Angola, “já ganhou o estatuto de desporto”. Um desporto que envolve muito dinheiro. Os prémios (que abrangem os 300 primeiros classificados) ascendem a 20 milhões de dólares (dos quais metade vão para o bolso do vencedor).
Para a empresa, no entanto, o Texas Hold’Em Poker não é um grande negócio. “Traz muitos clientes ao casino e isso é bom. Só que eles jogam uns contra os outros e não contra a mesa. Nós cobramos apenas o aluguer do espaço à hora e uma pequena comissão sobre as fichas.” Porém, isso não impediu a Casinos de Angola de organizar, em Novembro do ano passado, o torneio da Dipanda, no âmbito das comemorações dos 35 anos de independência, e que teve o prémio de 100 mil dólares.
O valor, para surpresa da Casinos de Angola, estabeleceu um novo recorde para África e foi noticiado na imprensa internacional da especialidade. “Assim como já existe um torneio Series of Poker na Europa, na Ásia e na América Latina, um dia gostaríamos de organizar um African Series of Poker.”
Enquanto isso não sucede fica a promessa de Tiago Vilela. “Quando a remodelação do casino Marinha estiver terminada vamos introduzir mais uma modalidade de jogo de cartas em Angola: o baccarat (também chamado de bakara na terminologia inglesa). Assim, a par do póquer, do texas poker, do black jack e da roleta, ficaremos com a oferta completa dos jogos mais populares em todo o mundo.”
De referir que a Casinos de Angola está presente noutro segmento, o das casas de jogo (slot machines). É dona da cadeia Imperador que tem sete unidades (uma no Lubango e sete em Luanda). No ambicioso plano de investimentos previsto para os próximos três anos constava ainda um novo casino. Trata-se do Diamante, anexo ao hotel com o mesmo nome, que está a ser construído pela Endiama, junto ao Porto de Luanda. O hotel está atrasado e, como consequência, o casino também. No entanto, o interesse no projecto, orçado em 7 milhões de dólares, mantém-se. “Será um casino de média dimensão, também temático, associado à cultura e ao entretenimento”, diz Tiago Vilela.
Casino de Viana: Será um casino de média dimensão, orçado em 2,5 milhões de dólares. A aposta forte é o restaurante com música ao vivo
Viana: comboio prestes a partir
Mais adiantado está o projecto para um novo casino em Viana, que será inaugurado em Julho. Trata-se de um investimento de 2,5 milhões de dólares que gerará 250 postos de trabalho. O casino terá como tema os comboios e a campanha de marketing terá como assinatura “uma viagem dos sentidos”. É que para além da ampla área de jogo, com 462 metros quadrados, terá um restaurante (com música ao vivo e um reputado chef de cozinha) com capacidade para cerca de 120 lugares. “É uma forma de nos dirigirmos ao público que reside naquele município e nas novas centralidades que estão a ser erguidas naquela área da cidade.”
Viana é, como sabemos, um município onde vivem muitos carenciados. E a responsabilidade social é uma das áreas em que a empresa quer apostar fortemente. “Desde Janeiro que criámos um contrato social com os nossos empregados onde comparticipamos em bolsas de estudo, aprendizagem de línguas estrangeiras, apoio escolar e à primeira infância e despesas de saúde.” No ano passado, a Casinos de Angola apoiou 45 das 100 crianças da Aldeia SOS Criança, uma ONG que visa acolher crianças órfãs. E patrocinou a festa Natal das Crianças, que reuniu mais de mil crianças do município da Samba. “Para este ano, queremos apoiar mais iniciativas ligadas à educação das crianças e ao apoio aos idosos. Também vamos patrocinar eventos, por exemplo, de moda ou desporto, que reforcem o novo posicionamento da marca. Do orçamento anual de 2 milhões de dólares que dispomos para o marketing, 25% serão aplicados em acções de responsabilidade social”, assegura o responsável pelo departamento.
Falta referir o projecto mais ambicioso, aquele que vai catapultar a Casinos de Angola para um patamar mais elevado como grande player continental. Falamos do casino Gika que será erguido em Alvalade junto a um enorme complexo constituído por um hotel de cinco estrelas (VIP Grand Luanda), um complexo habitacional (Alvalade Residence), duas torres de escritórios com 21 pisos (Garden Towers) e o centro comercial (Luanda Shopping) com 258 lojas. Diz-se que será o maior shopping center de África.
Casino Gika: É o maior investimento do grupo (35 milhões de dólares). Com um design arrojado, pretende ser uma referência do jogo em África
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Gika: um novo casino de cinco estrelas
Tiago Vilela não tem dúvidas de que o seu casino também será um dos maiores do continente. Com uma área de 7500 metros quadrados, irá exigir um investimento de 35 milhões de dólares e a gerar 500 empregos. Terá quatro pisos, dois restaurantes de luxo e um palco para espectáculos ao vivo (desde música a combates de boxe, por exemplo). Soubemos que será, mais uma vez, um casino temático (o conceito ainda está no “segredo dos deuses”) alimentado por um edifício com um design arrojado e progressista, da autoria de um reputado arquitecto sul-africano.
Somados todos estes projectos estamos a falar de um investimento total de 57 milhões de dólares. Trata-se de uma aposta elevada e de alto risco. “É importante referir que 60% desse valor serão conseguidos com recurso ao financiamento bancário e não através de capitais próprios. Até agora sempre reinvestimos os lucros em novos projectos. Mas desta vez foi necessário recorrer ao endividamento”, esclarece Tiago Vilela. O que ele não esclareceu foi o volume da facturação actual da Casinos de Angola de modo a percebermos qual é a taxa de esforço que esse investimento acima dos 50 milhões de dólares representa. “Esse número não podemos divulgar. Seria dar trunfos à concorrência. Eu sei que há muitas empresas internacionais que querem entrar no jogo em Angola.”
Casino Marinha: O seu trunfo é o jogo de cartas Texas Hold’Em e o apuramento para o World Series of Poker, em Las Vegas. As obras de remodelação, no valor de 1,5 milhões de dólares, terminam em Maio
O futuro do jogo em Angola
Stanley Ho não é com certeza uma delas. O magnata do jogo em Macau (também é dono do Casino do Estoril e do Casino de Lisboa, em Portugal, o nono maior do mundo segundo a revista Business Week) está com problemas de saúde. O próprio já terá alegadamente desmentido uma notícia que agitou a imprensa angolana no ano passado. Dizia-se que Ho seria parceiro de Isabel dos Santos para a construção do casino Imperador, localizado junto ao hotel de cinco estrelas na encosta do Miramar, que está a ser erguido pela Sonangol e a Sunninvest. A verdade é que a conclusão do hotel está atrasada e, face aos problemas actuais de Stanley Ho (uma dolorosa disputa judicial relacionada com a partilha do seu império pelos herdeiros), ainda não se sabe a quem será adjudicada a concessão do novo casino.
Logo, a única concorrência de que a empresa se pode queixar são casas de pequena dimensão como o Casino Royal (junto ao aeroporto de Luanda) e o Marco Polo (no centro junto ao governo provincial). Há ainda um casino no Lubango (Rivas) e outras unidades de pequena expressão no Huambo e em Benguela. Sendo a Casinos de Angola quase monopolista, não há razão aparente para a omissão do seu volume de negócios. Mas como dizem os profissionais: “um bom jogador nunca revela os seus trunfos.” E afinal, não esqueçamos, estamos a fazer a edição n.º 13 da EXAME. Talvez tenhamos mais sorte numa próxima entrevista.
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:cheers: