JoseRodolfo
November 1st, 2004, 02:43 AM
Matéria muito interessante!!!
Redescoberta tardia
Incompreendido pelos alemães durante décadas, o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer obtém reconhecimento nos últimos anos. Brasília, sua obra principal, foi redescoberta por um movimento em busca de novos padrões estéticos.
Oscar Niemeyer realizou um único projeto na Alemanha em 1955: um conjunto habitacional em Berlim, respondendo à convocatória feita a arquitetos de todo o mundo para a feira Interbau. No entanto, o prédio não saiu a contento do brasileiro, pois foram feitas modificações na fachada e suprimido um andar intermediário, imaginado como um espaço comum com cinema e lojas, como expuseram à DW-WORLD os curadores de duas restrospectivas do arquiteto, Cecília Scharlach, de São Paulo, e Paul Andreas, de Frankfurt.
Curvas, monumentalismo e implicâncias
No entanto, o seu descontentamento não foi a razão de não haver mais construções assinadas pelo brasileiro. Niemeyer era demasiado moderno para os alemães que, impregnados pelo cubismo e o funcionalismo de Le Corbusier e da Bauhaus, implicaram com as suas curvas e liberdades. Suas formas arrojadas e orgânicas não passariam de "formalismo".
Um papel fundamental na recepção negativa dos seus trabalhos na Alemanha coube ao arquiteto e designer suíço Max Bill, que fundou a Escola Superior de Design de Ulm, na Alemanha. Ele voltou horrorizado de uma viagem ao Brasil nos anos 50. Em palestra na FAU, em São Paulo, advertiu os arquitetos brasileiros contra o "desperdício anti-social" e uma arquitetura não adaptada às condições do país.
Niemeyer e as duas Alemanhas
O monumentalismo de Niemeyer – relacionado em parte aos espaços amplos do Brasil – não foi entendido e não agradou numa Alemanha que acabava de sair da Segunda Guerra. A guerra fria e a divisão alemã também dificultaram a aceitação do brasileiro na Alemanha Ocidental. Comunista, Oscar Niemeyer interessou-se pela República Democrática Alemã (RDA), esteve em Berlim Oriental, onde fez palestras na Universidade Técnica e reuniu-se várias vezes com Hermann Henselmann, o principal arquiteto e urbanista da Alemanha Oriental.
Embora não fizesse nenhum projeto na extinta RDA, a arquitetura de Niemeyer "teve uma grande influência sobre toda a construção civil na RDA, na década de 60", observa Elmar Kossels, um dos autores do livro "Oscar Niemeyer – Um mito do modernismo", lançado juntamente com a exposição.
Redescoberta: back to the future
Com a consagração das formas livres e orgânicas, os arquitetos alemães têm uma outra imagem de Niemeyer atualmente. "Com o computador, hoje se tem condições de desenvolver estruturas cada vez mais amorfas", comentou Paul Andreas à DW-WORLD, "e então se descobre que Niemeyer já havia criado formas livres semelhantes, embora com outros meios técnicos, ou seja, o desenho. Com essa conscientização, valoriza-se muito mais o seu trabalho", conclui.
O que ocorre, na verdade, é bem mais que isso: o design moderno, à procura de inspiração, recorre cada vez mais ao pop e aos ícones do em que, em outras épocas, era considerado moderno. Em seu artigo "De volta ao futuro – Oscar Niemeyer e o Retrofuturismo", Niklas Maak afirma que justamente Brasília, a cidade "que saiu da retorta, desprezada como a Babilônia de um modernismo tecnocrático e desumano, transformou-se, em poucos anos, na meca de um novo movimento que, além da arquitetura, imprimiu suas marcas também na estética atual".
Nova estética e a força simbólica de Brasília
O renascimento desse "modernismo pop" influenciado por Niemeyer já teria chegado a Berlim. Como exemplo, Maak cita a construção de um centro de diversões chamado Tempodrom. O projeto de Doris Schäffler e Stephan Schütz lembra notoriamente a catedral de Brasília. Ao mesmo tempo, destacados arquitetos jovens, como Hadi Teherani, de Hamburgo, ou o americano Greg Lynn, declaram publicamente sua admiração por Niemeyer.
O que teria provocado isso? Pura nostalgia? Não necessariamente. Com toda a revolução tecnológica e passadas tantas tendências, teríamos chegado a uma era sem estética própria. Trata-se, portanto, de preencher esse vazio niilista, recorrendo-se às "visões de futuro da última época que acreditou de fato no modernismo". E a capital brasileira seria a quintessência disso tudo, por ter sido criação pura, construída do nada, da fé na modernidade.
"Brasília é o maior símbolo de se construir algo totalmente novo", diz Frank Lotze, citado no livro lançado por ocasião da retrospectiva na Alemanha e, como ela, intitulado "Oscar Niemeyer – Eine Legende der Moderne". Lotze é publicitário e trabalha para a agência Jung von Matt, uma das que se destaca na nova onda estética. Ela foi responsável pela milionária campanha da empresa alemã de correios Deutsche Post, cujos spots foram filmados em Brasília.
Neusa Soliz
fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,801097,00.html (contem imagens)
Sobre o Tempodrom de Berlim mencinado no texto ver este link (contem imagens tbém): http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,351216,00.html
Outra matéria:
Retrospectiva de Niemeyer chega a Frankfurt
http://www.dw-world.de/dw/image/0,1587,800786_6,00.jpg
Sede da Editora Mondadori, Milão - projeto de Oscar Niemeyer
O Museu Alemão de Arquitetura, em Frankfurt, apresenta uma retrospectiva de Oscar Niemeyer. Considerado "formalista" na Alemanha nos anos 50 e 60 esta primeira exposição do arquiteto brasileiro é um tardio reconhecimento do seu talento.
A retrospectiva de Oscar Niemeyer concebida por Cecília Scharlach e Haron Cohen inicialmente para uma superfície de 8 mil m² no Brasil, já percorreu algumas cidades, sempre modificada de acordo com o espaço disponível, conforme expôs Cecília Scharlach à DW-WORLD.
Na Europa, depois de Lisboa, Paris e Bruxelas, chegou à Alemanha, onde está sendo exibida, desde 1º de março, no Deutsches Museum für Architektur (DAM), em Frankfurt. E segundo a direção do museu está sendo um sucesso, pois foi visitada por 2 mil pessoas somente no primeiro fim de semana da exibição.
Em Frankfurt, podem ser vistos desenhos e esboços de vários projetos do mestre brasileiro da arquitetura contemporânea – cerca de 350 reproduções e fotografias, distribuídas numa vitrine de 60 metros, especialmente construída para a retrospectiva, que circunda a área reservada às maquetes. Enquanto as reproduções dão uma visão geral do trabalho de Niemeyer, as maquetes ressaltam os projetos que o DAM considera fundamentais.
Obras mais importantes
Entre eles estão as obras que deram feição a Brasília – o Palácio da Alvorada, o prédio do Supremo, bem como a catedral – e os projetos que projetaram seu nome no exterior, como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, uma maravilhosa mesquita que não chegou a ser construída, a Universidade de Constantine, na Argélia, a sede da Editora Mondadori, em Milão, e o Centro Cultural de Le Havre, na França.
Este último foi considerado pelo historiador da arte Bruno Zevi "um dos dez melhores exemplos de arquitetura contemporânea" no mundo. De suas obras das últimas décadas, constam as maquetes do Memorial da América Latina e do Museu de Niterói, com a sua forma inconfundível.
Gautherot e a construção de Brasília
O salão do primeiro andar foi reservado a imagens de vários fotógrafos, ressaltando-se a série de fotografias de Marcel Gautherot (1910-1996). Depois de conhecer o Brasil pelos livros de Jorge Amado, o fotógrafo francês esteve várias vezes no país, onde captou como nenhum outro as imagens pioneiras de Brasilia, da cidade brotando da terra árida do cerrado pelas mãos dos operários e engenheiros vindos de várias partes do Brasil, seguindo os esboços de Niemeyer, os planos de Lúcio Costa e concretizando os sonhos de Juscelino Kubitschek e dos que, como ele, queriam um futuro melhor.
O Instituto Moreira Salles comprou o acervo de Gautherot e restaurou cerca de sete mil fotografias da construção da nova capital. Em colaboração com o Instituto, tais fotografias foram incluídas na retrospectiva Niemeyer, a partir de Bruxelas. Em torno de uma sala de projeções estão expostos esboços de Niemeyer, como os da casa dos Rotschild em Caesarea, Israel (1965), através dos quais se pode acompanhar todo o processo criativo do mestre até o objeto concluído.
Outros não são meros desenhos, pois contêm suas anotações que elucidam a idéia básica, justificam o projeto ou até se transformam em manifesto político, como o da Sede Sindical em Bobigny, no qual Niemeyer, que entrou para o Partido Comunista Brasileiro em 1945, expôs, em francês, suas idéias sobre a unidade da classe operária.
Documentário sobre Niemeyer
Um elemento especial da retrospectiva em Frankfurt é o documentário Un architecte engagé dans le siècle, do diretor belga Marc-Henri Wajnberg. Tendo recebido vários merecidos prêmios, o filme acompanha Niemeyer com a câmara, explicando como surgem as idéias. "Arquitetura nasce na cabeça, na imaginação. Depois vem a reflexão de como fazer", diz o mestre, atualmente com 95 anos de idade.
No filme, ele fala sobre Juscelino, que compara a "um príncipe renascentista" com sua visão de Brasília e desenvolvimento; sobre Lúcio Costa; Le Corbusier, com quem trabalhou no Rio e na construção da sede da ONU em Nova York; sobre Fidel Castro, "o herói da América Latina"; sobre o exílio em Paris, onde conheceu Sartre e Malraux - este, maravilhado com o Palácio da Alvorada, equiparou as suas colunas às colunas gregas -; sobre a vida, que juntamente com os amigos e a luta por um mundo digno e justo estão acima da arquitetura.
Neusa Soliz
Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,801120,00.html (tbém com imagens)
Redescoberta tardia
Incompreendido pelos alemães durante décadas, o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer obtém reconhecimento nos últimos anos. Brasília, sua obra principal, foi redescoberta por um movimento em busca de novos padrões estéticos.
Oscar Niemeyer realizou um único projeto na Alemanha em 1955: um conjunto habitacional em Berlim, respondendo à convocatória feita a arquitetos de todo o mundo para a feira Interbau. No entanto, o prédio não saiu a contento do brasileiro, pois foram feitas modificações na fachada e suprimido um andar intermediário, imaginado como um espaço comum com cinema e lojas, como expuseram à DW-WORLD os curadores de duas restrospectivas do arquiteto, Cecília Scharlach, de São Paulo, e Paul Andreas, de Frankfurt.
Curvas, monumentalismo e implicâncias
No entanto, o seu descontentamento não foi a razão de não haver mais construções assinadas pelo brasileiro. Niemeyer era demasiado moderno para os alemães que, impregnados pelo cubismo e o funcionalismo de Le Corbusier e da Bauhaus, implicaram com as suas curvas e liberdades. Suas formas arrojadas e orgânicas não passariam de "formalismo".
Um papel fundamental na recepção negativa dos seus trabalhos na Alemanha coube ao arquiteto e designer suíço Max Bill, que fundou a Escola Superior de Design de Ulm, na Alemanha. Ele voltou horrorizado de uma viagem ao Brasil nos anos 50. Em palestra na FAU, em São Paulo, advertiu os arquitetos brasileiros contra o "desperdício anti-social" e uma arquitetura não adaptada às condições do país.
Niemeyer e as duas Alemanhas
O monumentalismo de Niemeyer – relacionado em parte aos espaços amplos do Brasil – não foi entendido e não agradou numa Alemanha que acabava de sair da Segunda Guerra. A guerra fria e a divisão alemã também dificultaram a aceitação do brasileiro na Alemanha Ocidental. Comunista, Oscar Niemeyer interessou-se pela República Democrática Alemã (RDA), esteve em Berlim Oriental, onde fez palestras na Universidade Técnica e reuniu-se várias vezes com Hermann Henselmann, o principal arquiteto e urbanista da Alemanha Oriental.
Embora não fizesse nenhum projeto na extinta RDA, a arquitetura de Niemeyer "teve uma grande influência sobre toda a construção civil na RDA, na década de 60", observa Elmar Kossels, um dos autores do livro "Oscar Niemeyer – Um mito do modernismo", lançado juntamente com a exposição.
Redescoberta: back to the future
Com a consagração das formas livres e orgânicas, os arquitetos alemães têm uma outra imagem de Niemeyer atualmente. "Com o computador, hoje se tem condições de desenvolver estruturas cada vez mais amorfas", comentou Paul Andreas à DW-WORLD, "e então se descobre que Niemeyer já havia criado formas livres semelhantes, embora com outros meios técnicos, ou seja, o desenho. Com essa conscientização, valoriza-se muito mais o seu trabalho", conclui.
O que ocorre, na verdade, é bem mais que isso: o design moderno, à procura de inspiração, recorre cada vez mais ao pop e aos ícones do em que, em outras épocas, era considerado moderno. Em seu artigo "De volta ao futuro – Oscar Niemeyer e o Retrofuturismo", Niklas Maak afirma que justamente Brasília, a cidade "que saiu da retorta, desprezada como a Babilônia de um modernismo tecnocrático e desumano, transformou-se, em poucos anos, na meca de um novo movimento que, além da arquitetura, imprimiu suas marcas também na estética atual".
Nova estética e a força simbólica de Brasília
O renascimento desse "modernismo pop" influenciado por Niemeyer já teria chegado a Berlim. Como exemplo, Maak cita a construção de um centro de diversões chamado Tempodrom. O projeto de Doris Schäffler e Stephan Schütz lembra notoriamente a catedral de Brasília. Ao mesmo tempo, destacados arquitetos jovens, como Hadi Teherani, de Hamburgo, ou o americano Greg Lynn, declaram publicamente sua admiração por Niemeyer.
O que teria provocado isso? Pura nostalgia? Não necessariamente. Com toda a revolução tecnológica e passadas tantas tendências, teríamos chegado a uma era sem estética própria. Trata-se, portanto, de preencher esse vazio niilista, recorrendo-se às "visões de futuro da última época que acreditou de fato no modernismo". E a capital brasileira seria a quintessência disso tudo, por ter sido criação pura, construída do nada, da fé na modernidade.
"Brasília é o maior símbolo de se construir algo totalmente novo", diz Frank Lotze, citado no livro lançado por ocasião da retrospectiva na Alemanha e, como ela, intitulado "Oscar Niemeyer – Eine Legende der Moderne". Lotze é publicitário e trabalha para a agência Jung von Matt, uma das que se destaca na nova onda estética. Ela foi responsável pela milionária campanha da empresa alemã de correios Deutsche Post, cujos spots foram filmados em Brasília.
Neusa Soliz
fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,801097,00.html (contem imagens)
Sobre o Tempodrom de Berlim mencinado no texto ver este link (contem imagens tbém): http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,351216,00.html
Outra matéria:
Retrospectiva de Niemeyer chega a Frankfurt
http://www.dw-world.de/dw/image/0,1587,800786_6,00.jpg
Sede da Editora Mondadori, Milão - projeto de Oscar Niemeyer
O Museu Alemão de Arquitetura, em Frankfurt, apresenta uma retrospectiva de Oscar Niemeyer. Considerado "formalista" na Alemanha nos anos 50 e 60 esta primeira exposição do arquiteto brasileiro é um tardio reconhecimento do seu talento.
A retrospectiva de Oscar Niemeyer concebida por Cecília Scharlach e Haron Cohen inicialmente para uma superfície de 8 mil m² no Brasil, já percorreu algumas cidades, sempre modificada de acordo com o espaço disponível, conforme expôs Cecília Scharlach à DW-WORLD.
Na Europa, depois de Lisboa, Paris e Bruxelas, chegou à Alemanha, onde está sendo exibida, desde 1º de março, no Deutsches Museum für Architektur (DAM), em Frankfurt. E segundo a direção do museu está sendo um sucesso, pois foi visitada por 2 mil pessoas somente no primeiro fim de semana da exibição.
Em Frankfurt, podem ser vistos desenhos e esboços de vários projetos do mestre brasileiro da arquitetura contemporânea – cerca de 350 reproduções e fotografias, distribuídas numa vitrine de 60 metros, especialmente construída para a retrospectiva, que circunda a área reservada às maquetes. Enquanto as reproduções dão uma visão geral do trabalho de Niemeyer, as maquetes ressaltam os projetos que o DAM considera fundamentais.
Obras mais importantes
Entre eles estão as obras que deram feição a Brasília – o Palácio da Alvorada, o prédio do Supremo, bem como a catedral – e os projetos que projetaram seu nome no exterior, como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, uma maravilhosa mesquita que não chegou a ser construída, a Universidade de Constantine, na Argélia, a sede da Editora Mondadori, em Milão, e o Centro Cultural de Le Havre, na França.
Este último foi considerado pelo historiador da arte Bruno Zevi "um dos dez melhores exemplos de arquitetura contemporânea" no mundo. De suas obras das últimas décadas, constam as maquetes do Memorial da América Latina e do Museu de Niterói, com a sua forma inconfundível.
Gautherot e a construção de Brasília
O salão do primeiro andar foi reservado a imagens de vários fotógrafos, ressaltando-se a série de fotografias de Marcel Gautherot (1910-1996). Depois de conhecer o Brasil pelos livros de Jorge Amado, o fotógrafo francês esteve várias vezes no país, onde captou como nenhum outro as imagens pioneiras de Brasilia, da cidade brotando da terra árida do cerrado pelas mãos dos operários e engenheiros vindos de várias partes do Brasil, seguindo os esboços de Niemeyer, os planos de Lúcio Costa e concretizando os sonhos de Juscelino Kubitschek e dos que, como ele, queriam um futuro melhor.
O Instituto Moreira Salles comprou o acervo de Gautherot e restaurou cerca de sete mil fotografias da construção da nova capital. Em colaboração com o Instituto, tais fotografias foram incluídas na retrospectiva Niemeyer, a partir de Bruxelas. Em torno de uma sala de projeções estão expostos esboços de Niemeyer, como os da casa dos Rotschild em Caesarea, Israel (1965), através dos quais se pode acompanhar todo o processo criativo do mestre até o objeto concluído.
Outros não são meros desenhos, pois contêm suas anotações que elucidam a idéia básica, justificam o projeto ou até se transformam em manifesto político, como o da Sede Sindical em Bobigny, no qual Niemeyer, que entrou para o Partido Comunista Brasileiro em 1945, expôs, em francês, suas idéias sobre a unidade da classe operária.
Documentário sobre Niemeyer
Um elemento especial da retrospectiva em Frankfurt é o documentário Un architecte engagé dans le siècle, do diretor belga Marc-Henri Wajnberg. Tendo recebido vários merecidos prêmios, o filme acompanha Niemeyer com a câmara, explicando como surgem as idéias. "Arquitetura nasce na cabeça, na imaginação. Depois vem a reflexão de como fazer", diz o mestre, atualmente com 95 anos de idade.
No filme, ele fala sobre Juscelino, que compara a "um príncipe renascentista" com sua visão de Brasília e desenvolvimento; sobre Lúcio Costa; Le Corbusier, com quem trabalhou no Rio e na construção da sede da ONU em Nova York; sobre Fidel Castro, "o herói da América Latina"; sobre o exílio em Paris, onde conheceu Sartre e Malraux - este, maravilhado com o Palácio da Alvorada, equiparou as suas colunas às colunas gregas -; sobre a vida, que juntamente com os amigos e a luta por um mundo digno e justo estão acima da arquitetura.
Neusa Soliz
Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,1564,801120,00.html (tbém com imagens)