Phobos
December 26th, 2004, 10:49 PM
Pavilhão oitocentista de Braço de Prata será restaurado e mudado de lugar. O resto da fábrica vai abaixo
A EDP tem praticamente aprovado o loteamento para um complexo habitacional e de serviços que deitará abaixo a antiga fábrica da Tabaqueira (1927), em Braço de Prata, Lisboa, de que apenas subsistirá o pavilhão da entrada, mais antigo, com as suas características fachadas em ferro forjado.
A empresa de electricidade, aqui na posição de promotor imobiliário, deverá erguer no local um edifício de planta em "U" - com quatro andares (mais um quinto parcial) e estacionamento subterrâneo - que formará uma praça virada à Av. Infante D. Henrique e ao rio Tejo, para onde será transferido o pavilhão em chapa metálica e ferro fundido que tornam o edifício fabril num "dos mais emblemáticos da arquitectura industrial portuguesa do segundo quartel do século XX".
O "Projecto Tabaqueira", apresentado pela sociedade EDP Valor, Gestão Integrada e Serviços, é subscrito pelo arquitecto Fernando Sequeira Mendes.
O conjunto de A Tabaqueira, contíguo à demolida Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata, onde no próximo ano deverá começar a erguer-se um bairro projectado pelo arquitecto italiano Renzo Piano, consta do inventário do património do Plano Director Municipal. A sua marca distintiva é a entrada, de costas para o rio, típica da arquitectura do ferro, com as suas colunas coríntias. Trata-se de um pavilhão da metalúrgica Empresa Industrial Portuguesa, construído para uma Exposição Nacional das Indústrias Fabris organizada na recém-inaugurada Avenida da Liberdade em 1888.
O projecto da EDP prevê a sua reconstrução, restauro e remontagem uns metros mais a Sul do local onde se encontra, na praça criada pelo futuro edifício. Nos fundamentos do projecto apresentado à Câmara de Lisboa, a empresa afirma que nos terrenos, adquiridos ao Ministério da Defesa, "o valor patrimonial mais significativo não é o conjunto edificado", mas o pavilhão oitocentista. O uso a dar-lhe é deixado em aberto, mas sugere-se que seja um espaço público que preserve "a memória das exposições industriais em Portugal".
A relíquia industrial fundada por Alfredo da Silva, que funcionou até 1963 e produziu marcas de cigarros como "Três Vintes", "High Life", "Português Suave" ou "SG", já nos anos de 1990 se encontrava muito degradada, como atestam, Jorge Custódio e Deolinda Folgado, especialistas em arqueologia industrial, num dos guias temáticos "Caminho do Oriente". Também no pedido de licenciamento, consultado pelo PÚBLICO, se sublinha o seu "estado de conservação deplorável", a oxidação da estrutura metálica e os sinais de assentamentos desiguais das paredes.
O pedido de licenciamento do loteamento já foi objecto de discussão pública, informou fonte municipal, e depois de algumas alterações ao projecto recolheu diversos pareceres favoráveis, o último dos quais de Novembro, como consta do respectivo processo. Foi precedido pela aprovação de um pedido de informação prévia, em 18 de Outubro de 2002, no ano anterior às alterações ao Plano Director Municipal que vieram permitir zonas de usos mistos nesta área de cariz industrial.
O empreendimento ocupa uma área de cerca de seis mil metros quadrados, parte dos quais ocupados com edifícios a que corresponde uma aérea de construção acima do solo de 9200 metros quadrados. O projecto prevê a criação de 346 lugares de estacionamento, 325 dos quais em dois pisos subterrâneos.
fonte:Publico (http://jornal.publico.pt/2004/12/26/LocalLisboa/LL16.html)
A EDP tem praticamente aprovado o loteamento para um complexo habitacional e de serviços que deitará abaixo a antiga fábrica da Tabaqueira (1927), em Braço de Prata, Lisboa, de que apenas subsistirá o pavilhão da entrada, mais antigo, com as suas características fachadas em ferro forjado.
A empresa de electricidade, aqui na posição de promotor imobiliário, deverá erguer no local um edifício de planta em "U" - com quatro andares (mais um quinto parcial) e estacionamento subterrâneo - que formará uma praça virada à Av. Infante D. Henrique e ao rio Tejo, para onde será transferido o pavilhão em chapa metálica e ferro fundido que tornam o edifício fabril num "dos mais emblemáticos da arquitectura industrial portuguesa do segundo quartel do século XX".
O "Projecto Tabaqueira", apresentado pela sociedade EDP Valor, Gestão Integrada e Serviços, é subscrito pelo arquitecto Fernando Sequeira Mendes.
O conjunto de A Tabaqueira, contíguo à demolida Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata, onde no próximo ano deverá começar a erguer-se um bairro projectado pelo arquitecto italiano Renzo Piano, consta do inventário do património do Plano Director Municipal. A sua marca distintiva é a entrada, de costas para o rio, típica da arquitectura do ferro, com as suas colunas coríntias. Trata-se de um pavilhão da metalúrgica Empresa Industrial Portuguesa, construído para uma Exposição Nacional das Indústrias Fabris organizada na recém-inaugurada Avenida da Liberdade em 1888.
O projecto da EDP prevê a sua reconstrução, restauro e remontagem uns metros mais a Sul do local onde se encontra, na praça criada pelo futuro edifício. Nos fundamentos do projecto apresentado à Câmara de Lisboa, a empresa afirma que nos terrenos, adquiridos ao Ministério da Defesa, "o valor patrimonial mais significativo não é o conjunto edificado", mas o pavilhão oitocentista. O uso a dar-lhe é deixado em aberto, mas sugere-se que seja um espaço público que preserve "a memória das exposições industriais em Portugal".
A relíquia industrial fundada por Alfredo da Silva, que funcionou até 1963 e produziu marcas de cigarros como "Três Vintes", "High Life", "Português Suave" ou "SG", já nos anos de 1990 se encontrava muito degradada, como atestam, Jorge Custódio e Deolinda Folgado, especialistas em arqueologia industrial, num dos guias temáticos "Caminho do Oriente". Também no pedido de licenciamento, consultado pelo PÚBLICO, se sublinha o seu "estado de conservação deplorável", a oxidação da estrutura metálica e os sinais de assentamentos desiguais das paredes.
O pedido de licenciamento do loteamento já foi objecto de discussão pública, informou fonte municipal, e depois de algumas alterações ao projecto recolheu diversos pareceres favoráveis, o último dos quais de Novembro, como consta do respectivo processo. Foi precedido pela aprovação de um pedido de informação prévia, em 18 de Outubro de 2002, no ano anterior às alterações ao Plano Director Municipal que vieram permitir zonas de usos mistos nesta área de cariz industrial.
O empreendimento ocupa uma área de cerca de seis mil metros quadrados, parte dos quais ocupados com edifícios a que corresponde uma aérea de construção acima do solo de 9200 metros quadrados. O projecto prevê a criação de 346 lugares de estacionamento, 325 dos quais em dois pisos subterrâneos.
fonte:Publico (http://jornal.publico.pt/2004/12/26/LocalLisboa/LL16.html)