Phobos
January 7th, 2005, 05:26 AM
Igrejas da Espanha cobrarão ingresso na entrada
Catedrais do país usarão patrimônio artístico para ganhar dinheiro
A Igreja Católica na Espanha conta com um rico patrimônio artístico e decidiu fazê-lo render. Desde a última terça-feira (4/1), a catedral gótica de Girona cobra entrada aos visitantes: 3 euros. Não é a única. As catedrais de Sevilha, Palma de Maiorca e Burgos, entre outras, já fazem isso há anos.
Os problemas de autofinanciamento são justificativa para a medida. O dinheiro não se dedica à conservação do patrimônio artístico, que outrora podia ser desfrutado gratuitamente. A arrecadação destina-se à manutenção, segundo autoridades religiosas.
A medida da diocese de Girona de cobrar entrada para visitar sua catedral não provocou críticas da sociedade, embora signifique ter de pagar para desfrutar de um patrimônio cultural ao qual até agora se tinha acesso gratuitamente.
Não é o primeiro caso nem o único.
O mesmo ocorre em outros templos católicos, autênticas obras-primas da arquitetura religiosa espanhola. A cobrança de entrada é uma prática corrente em catedrais representativas como as de Toledo, Granada, Maiorca --enriquecida recentemente com um retábulo de Miquel Barceló-- ou Burgos, todas elas de grande valor monumental e depositárias de importantes legados artísticos.
Em Sevilha, cidade de grande atração turística, o preço dispara: visitar a catedral custa 7 euros, com exceção do domingo, quando o acesso é livre.
Diante da possível impopularidade da iniciativa, os responsáveis pela catedral de Girona argumentaram que não encontravam outro meio para se autofinanciar. Não receberam qualquer crítica.
O recinto principal, com sua magnífica nave --a mais larga do gótico mundial--, só permanecerá aberto aos fiéis no horário de culto. Durante o resto do dia fará parte de uma visita que inclui o museu do tesouro capitular e o claustro.
Soluções desse tipo são cada vez mais freqüentes. A catedral de Barcelona também está aberta ao público nos horários de culto. Mas alguns altares e o coro permanecem fechados enquanto a missa é oficiada. Para vê-los é preciso passar pela bilheteria.
Ou coisa parecida. A diocese de Barcelona organiza visitas turísticas ao meio-dia. Embora não haja preço de entrada, exige-se do curioso um donativo de 1,20 euro. Logicamente é um pedágio mínimo. Qualquer gesto generoso será bem-vindo.
Os fundos arrecadados destinam-se também a gastos de manutenção. No fim do mês os bispos não conseguem cobrir as contas. Os fiéis são cada vez menos, e com eles se vai uma das fontes principais do maná eclesiástico.
Não se trata de empregar o dinheiro para a conservação e restauração do patrimônio artístico e arquitetônico das igrejas. Para isso existe um Plano Nacional de Catedrais. Por meio desse projeto a Igreja Católica recebe ajuda econômica de mecenas privados, governos autônomos e do Ministério da Cultura.
As catedrais que precisam de alguma intervenção adotam um plano diretor no qual são diagnosticadas as ações imprescindíveis para sua conservação. Com esse fim reúne-se uma equipe de especialistas, que inclui de arquitetos a historiadores, para redigir as propostas de restauração. Graças ao projeto foi possível concluir a reforma das catedrais de Castela e Leão.
Como entidade privada, a Igreja Católica pode completar suas rendas com as medidas que considere oportunas, mas com algumas restrições, segundo fontes do Ministério da Cultura. As catedrais beneficiadas pelo convênio nas quais se cobrar entrada para visita terão a obrigação de realizar jornadas de portas abertas alguns dias por ano. É a única exigência que o Estado impõe em troca do investimento de dinheiro público.
A Conferência Episcopal Espanhola não tem competência no assunto. A decisão de cobrar entrada para passear pelas catedrais e igrejas espanholas depende do responsável de cada diocese, segundo fontes da Igreja.
Imposto de renda
A catedral de Santa Maria de Vitória, no País Basco, permanece fechada devido a sua restauração. As obras poderão ser concluídas graças a uma visita guiada que custa 3 euros. Nesse caso, as verbas arrecadadas destinam-se diretamente aos trabalhos de reforma.
As demais catedrais bascas ainda não cobram pela visita, assim como muitas outras sés espanholas. Uma das fontes mais comuns de financiamento são os museus eclesiásticos, para os quais se paga ingresso. Às vezes a visita traz vantagens. Na catedral de Astorga (Leão), a entrada do museu permite acesso ao recinto do templo, embora neste momento não esteja aberto ao público.
Existem ainda outras fontes de financiamento eclesiástico destinadas a capítulos díspares. O dinheiro arrecadado pelas declarações de imposto de renda serve para pagar os salários dos religiosos. Aqui também os bispos não fecham as contas no fim do mês.
Embora a população espanhola se considere majoritariamente católica, somente 32% marcam a opção correspondente na declaração de renda. Diante dessa carência, o Estado prorrogou ano após ano os mecanismos de compensação agora em litígio. A iniciativa começou com o governo do ex-primeiro-ministro Felipe González.
O sistema de compensações não deveria se estender por mais de três anos. O objetivo procurado era que a Igreja pudesse se financiar graças às contribuições de seus fiéis, por meio da Fazenda. No entanto, diante do resultado, o hábito não pegou. Daí a necessidade de recorrer a novas formas de financiamento, mesmo que seja pelo pagamento para ver seus bens artísticos e patrimoniais.
De todo modo, a Igreja Católica espanhola conta com recursos próprios provenientes de seus diversos negócios, que vão de caixas de poupança a meios de comunicação. Os benefícios, porém, não são suficientes para cobrir seus inúmeros gastos. Por último, recebem diferentes subvenções em apoio a sua obra social.
fonte:UOL;El Pais
Catedrais do país usarão patrimônio artístico para ganhar dinheiro
A Igreja Católica na Espanha conta com um rico patrimônio artístico e decidiu fazê-lo render. Desde a última terça-feira (4/1), a catedral gótica de Girona cobra entrada aos visitantes: 3 euros. Não é a única. As catedrais de Sevilha, Palma de Maiorca e Burgos, entre outras, já fazem isso há anos.
Os problemas de autofinanciamento são justificativa para a medida. O dinheiro não se dedica à conservação do patrimônio artístico, que outrora podia ser desfrutado gratuitamente. A arrecadação destina-se à manutenção, segundo autoridades religiosas.
A medida da diocese de Girona de cobrar entrada para visitar sua catedral não provocou críticas da sociedade, embora signifique ter de pagar para desfrutar de um patrimônio cultural ao qual até agora se tinha acesso gratuitamente.
Não é o primeiro caso nem o único.
O mesmo ocorre em outros templos católicos, autênticas obras-primas da arquitetura religiosa espanhola. A cobrança de entrada é uma prática corrente em catedrais representativas como as de Toledo, Granada, Maiorca --enriquecida recentemente com um retábulo de Miquel Barceló-- ou Burgos, todas elas de grande valor monumental e depositárias de importantes legados artísticos.
Em Sevilha, cidade de grande atração turística, o preço dispara: visitar a catedral custa 7 euros, com exceção do domingo, quando o acesso é livre.
Diante da possível impopularidade da iniciativa, os responsáveis pela catedral de Girona argumentaram que não encontravam outro meio para se autofinanciar. Não receberam qualquer crítica.
O recinto principal, com sua magnífica nave --a mais larga do gótico mundial--, só permanecerá aberto aos fiéis no horário de culto. Durante o resto do dia fará parte de uma visita que inclui o museu do tesouro capitular e o claustro.
Soluções desse tipo são cada vez mais freqüentes. A catedral de Barcelona também está aberta ao público nos horários de culto. Mas alguns altares e o coro permanecem fechados enquanto a missa é oficiada. Para vê-los é preciso passar pela bilheteria.
Ou coisa parecida. A diocese de Barcelona organiza visitas turísticas ao meio-dia. Embora não haja preço de entrada, exige-se do curioso um donativo de 1,20 euro. Logicamente é um pedágio mínimo. Qualquer gesto generoso será bem-vindo.
Os fundos arrecadados destinam-se também a gastos de manutenção. No fim do mês os bispos não conseguem cobrir as contas. Os fiéis são cada vez menos, e com eles se vai uma das fontes principais do maná eclesiástico.
Não se trata de empregar o dinheiro para a conservação e restauração do patrimônio artístico e arquitetônico das igrejas. Para isso existe um Plano Nacional de Catedrais. Por meio desse projeto a Igreja Católica recebe ajuda econômica de mecenas privados, governos autônomos e do Ministério da Cultura.
As catedrais que precisam de alguma intervenção adotam um plano diretor no qual são diagnosticadas as ações imprescindíveis para sua conservação. Com esse fim reúne-se uma equipe de especialistas, que inclui de arquitetos a historiadores, para redigir as propostas de restauração. Graças ao projeto foi possível concluir a reforma das catedrais de Castela e Leão.
Como entidade privada, a Igreja Católica pode completar suas rendas com as medidas que considere oportunas, mas com algumas restrições, segundo fontes do Ministério da Cultura. As catedrais beneficiadas pelo convênio nas quais se cobrar entrada para visita terão a obrigação de realizar jornadas de portas abertas alguns dias por ano. É a única exigência que o Estado impõe em troca do investimento de dinheiro público.
A Conferência Episcopal Espanhola não tem competência no assunto. A decisão de cobrar entrada para passear pelas catedrais e igrejas espanholas depende do responsável de cada diocese, segundo fontes da Igreja.
Imposto de renda
A catedral de Santa Maria de Vitória, no País Basco, permanece fechada devido a sua restauração. As obras poderão ser concluídas graças a uma visita guiada que custa 3 euros. Nesse caso, as verbas arrecadadas destinam-se diretamente aos trabalhos de reforma.
As demais catedrais bascas ainda não cobram pela visita, assim como muitas outras sés espanholas. Uma das fontes mais comuns de financiamento são os museus eclesiásticos, para os quais se paga ingresso. Às vezes a visita traz vantagens. Na catedral de Astorga (Leão), a entrada do museu permite acesso ao recinto do templo, embora neste momento não esteja aberto ao público.
Existem ainda outras fontes de financiamento eclesiástico destinadas a capítulos díspares. O dinheiro arrecadado pelas declarações de imposto de renda serve para pagar os salários dos religiosos. Aqui também os bispos não fecham as contas no fim do mês.
Embora a população espanhola se considere majoritariamente católica, somente 32% marcam a opção correspondente na declaração de renda. Diante dessa carência, o Estado prorrogou ano após ano os mecanismos de compensação agora em litígio. A iniciativa começou com o governo do ex-primeiro-ministro Felipe González.
O sistema de compensações não deveria se estender por mais de três anos. O objetivo procurado era que a Igreja pudesse se financiar graças às contribuições de seus fiéis, por meio da Fazenda. No entanto, diante do resultado, o hábito não pegou. Daí a necessidade de recorrer a novas formas de financiamento, mesmo que seja pelo pagamento para ver seus bens artísticos e patrimoniais.
De todo modo, a Igreja Católica espanhola conta com recursos próprios provenientes de seus diversos negócios, que vão de caixas de poupança a meios de comunicação. Os benefícios, porém, não são suficientes para cobrir seus inúmeros gastos. Por último, recebem diferentes subvenções em apoio a sua obra social.
fonte:UOL;El Pais