Phobos
February 26th, 2005, 05:23 AM
A Câmara (CML) decidiu avançar com o processo de classificação do Bairro Azul, em Lisboa, e estudar a possibilidade de integrar o conjunto urbano de São Sebastião da Pedreira no plano de pormenor da Praça de Espanha e da Avenida José Malhoa. Duas boas notícias para os moradores do bairro que, há quase três anos, lutam por uma classificação que permita fazer face à pressão urbanística que afecta a zona e evitar a destruição daquele património, construído nos anos 30 e que inclui projectos de arquitectos conceituados como Cassiano Branco e Norte Júnior.
Ao que o JN apurou junto do pelouro da Cultura da CML, o despacho de abertura do processo foi assinado, esta semana, pela vereadora Maria Manuel Pinto Barbosa, estando a classificação a cargo do Departamento de Património Cultural da autarquia. Quanto à eventual inclusão no plano de pormenor da Praça de Espanha (ver texto em baixo), está a ser estudada pelo Departamento de Urbanismo, responsável pela elaboração do documento.
Fonte do gabinete da vereadora da Cultura explicou ao JN que "houve sempre receptividade quanto à intenção de proteger o conjunto", só que "alguma hesitação quanto ao modelo que melhor se adapta à salvaguarda do bairro" acabou por atrasar a decisão. A mesma fonte admitiu que, ainda hoje, a autarquia não sabe qual será a melhor classificação a dar à zona, até porque ainda não foi regulamentada a lei que regula as classificações a dar pelas autarquias.
Contudo, a mesma fonte salienta que, com a abertura do processo de classificação, "o conjunto fica desde já salvaguardado, visto que qualquer pedido de obra ou intervenção naquela zona tem de ser submetido à apreciação do Departamento de Património".
Ana Alves de Sousa, membro da comissão de moradores do Bairro Azul e grande impulsionadora desta classificação, congratulou-se pela decisão da autarquia e disse ao JN que, no seu entender, o bairro deverá ser classificado como "conjunto urbano de interesse concelhio". Além da classificação, a moradora defende que a CML deverá elaborar um regulamento que esclareça a população relativamente ao valor patrimonial do bairro e defina critérios para intervenções futuras.
Disciplina urbanística é um objectivo há muito adiado
Após mais de uma década de estudos e deliberações no sentido de dar à Praça de Espanha e área envolvente uma maior disciplina urbanística, a Câmara voltou a colocar a questão na ordem do dia, dando luz verde, em Janeiro, à elaboração de um novo projecto urbano. Na gaveta, ficou, por exemplo, um estudo do arquitecto Siza Vieira (1989).
A fraca qualidade urbana do espaço, à luz dos actuais princípios da disciplina urbanística, e os compromissos que impendem sobre as parcelas de terrenos disponíveis, estão entre os argumentos invocados pela autarquia para justificar um novo estudo, abrangendo a Praça de Espanha, Avenida José Malhoa e eventualmente o Bairro Azul.
A própria Câmara admite que a praça "é um imenso espaço urbano sem configuração precisa", com acentuado tráfego viário e muitos edifícios que, apesar de dominarem a paisagem, não se relacionam entre si.
O objectivo traçado é dotar a praça de maior qualidade urbanística, criando equipamentos de lazer, restauração e ditando as regras de ocupação dos terrenos edificáveis e volumetrias. Entre as mudanças planeadas está a criação de estacionamento e a relocalização do teatro "A Comuna", aproveitando as instalações. Sem solução está a deslocalização do terminal de autocarros da Transportes Sul do Tejo e do mercado de rua.
As potencialidades da zona estão qualificadas como Centro Terciário Superior desde 1994, quando foi elaborado o Plano Director Municipal de Lisboa, ainda em vigor.
fonte:JN (http://jn.sapo.pt/2005/02/26/grande_lisboa/classificacao_bairro_azul_ordem_para.html)
Ao que o JN apurou junto do pelouro da Cultura da CML, o despacho de abertura do processo foi assinado, esta semana, pela vereadora Maria Manuel Pinto Barbosa, estando a classificação a cargo do Departamento de Património Cultural da autarquia. Quanto à eventual inclusão no plano de pormenor da Praça de Espanha (ver texto em baixo), está a ser estudada pelo Departamento de Urbanismo, responsável pela elaboração do documento.
Fonte do gabinete da vereadora da Cultura explicou ao JN que "houve sempre receptividade quanto à intenção de proteger o conjunto", só que "alguma hesitação quanto ao modelo que melhor se adapta à salvaguarda do bairro" acabou por atrasar a decisão. A mesma fonte admitiu que, ainda hoje, a autarquia não sabe qual será a melhor classificação a dar à zona, até porque ainda não foi regulamentada a lei que regula as classificações a dar pelas autarquias.
Contudo, a mesma fonte salienta que, com a abertura do processo de classificação, "o conjunto fica desde já salvaguardado, visto que qualquer pedido de obra ou intervenção naquela zona tem de ser submetido à apreciação do Departamento de Património".
Ana Alves de Sousa, membro da comissão de moradores do Bairro Azul e grande impulsionadora desta classificação, congratulou-se pela decisão da autarquia e disse ao JN que, no seu entender, o bairro deverá ser classificado como "conjunto urbano de interesse concelhio". Além da classificação, a moradora defende que a CML deverá elaborar um regulamento que esclareça a população relativamente ao valor patrimonial do bairro e defina critérios para intervenções futuras.
Disciplina urbanística é um objectivo há muito adiado
Após mais de uma década de estudos e deliberações no sentido de dar à Praça de Espanha e área envolvente uma maior disciplina urbanística, a Câmara voltou a colocar a questão na ordem do dia, dando luz verde, em Janeiro, à elaboração de um novo projecto urbano. Na gaveta, ficou, por exemplo, um estudo do arquitecto Siza Vieira (1989).
A fraca qualidade urbana do espaço, à luz dos actuais princípios da disciplina urbanística, e os compromissos que impendem sobre as parcelas de terrenos disponíveis, estão entre os argumentos invocados pela autarquia para justificar um novo estudo, abrangendo a Praça de Espanha, Avenida José Malhoa e eventualmente o Bairro Azul.
A própria Câmara admite que a praça "é um imenso espaço urbano sem configuração precisa", com acentuado tráfego viário e muitos edifícios que, apesar de dominarem a paisagem, não se relacionam entre si.
O objectivo traçado é dotar a praça de maior qualidade urbanística, criando equipamentos de lazer, restauração e ditando as regras de ocupação dos terrenos edificáveis e volumetrias. Entre as mudanças planeadas está a criação de estacionamento e a relocalização do teatro "A Comuna", aproveitando as instalações. Sem solução está a deslocalização do terminal de autocarros da Transportes Sul do Tejo e do mercado de rua.
As potencialidades da zona estão qualificadas como Centro Terciário Superior desde 1994, quando foi elaborado o Plano Director Municipal de Lisboa, ainda em vigor.
fonte:JN (http://jn.sapo.pt/2005/02/26/grande_lisboa/classificacao_bairro_azul_ordem_para.html)