Edmundo
April 21st, 2005, 08:43 AM
Saiu no Valor Econômico:
Um apartamento não basta, é preciso construir cidades
14/04/2005 12:41
por Carolina Mandl
São Paulo - Minicidades dentro de uma metrópole. É isso o que as incorporadoras estão começando a construir em São Paulo. Em vez de erguer um prédio, elas estão levantando megaprojetos, onde vão moram mais de mil pessoas em um único empreendimento.
Com terrenos cada vez mais escassos em tradicionais bairros da cidade, as construtoras estão à caça de espaços em locais não tão conhecidos dos paulistanos, mas que tenham a capacidade de atrair moradores. Para isso, a lógica é que, se a vizinhança não inclui atrativos, o próprio condomínio tem de ser o estímulo do local.
"É preciso revitalizar locais da cidade que estavam estagnados para conquistar compradores", afirma Roberto Perrone, diretor superintendente da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário.
A incorporadora está lançando um empreendimento com sete torres de apartamento que ocuparão apenas 5% do terreno de 63 mil m² na Vila São Francisco, bairro próximo à Cidade Universitária. O grande chamariz dos apartamentos do Forte do Golf será um clube construído dentro do complexo, com piscinas, spa, ofurôs, saunas e higromassagem. Os moradores terão vista para um campo de golfe e para uma pista de corrida de 2 Km - maior que a existente no Parque do Ibirapuera.
"Com todos os problemas de segurança, as famílias querem hoje que suas casas ofereçam toda a diversão para seus filhos", afirma Tomás Salles, diretor da consultoria imobiliária Lopes.
Por isso a Rossi Residencial também utilizou como apelo o lazer para atrair compradores para o Club Tuiuti, em uma zona não tão conhecida do Tatuapé, com 624 unidades. Lançado em outubro do ano passado, todos os apartamentos já foram vendidos. "Esses projetos têm de trazer a qualidade de algo espetacular", diz Leonardo Diniz, diretor da regional São Paulo da Rossi.
Como piscinas, salas de jogos eletrônicos e quadras significam condomínios mais caros, nada melhor do que diluir os custos entre diversos moradores. Por isso também eles são tão grandes.
O problema aparece na hora em que se combinam tantas pessoas com seus respectivos carros. Algumas garagens chegam a ter quase mil vagas, algo próximo à necessidade de hipermercados. Para evitar o risco de congestionamento dentro do próprio condomínio, as saídas e entradas são diversas. Além disso, o projeto tem de ser avaliado pela Secretaria Municipal de Transportes, que, em não raros casos, exige que as incorporadoras custeiem as obras para modificar o trânsito da região.
Mas, mesmo quando esses custos precisam ser pagos, o retorno é compensador para os investidores. Outros ganhos aparecem para os incorporadores quando megaprojetos são executados. Um deles é o marketing. "Em vez de fazer propaganda para sete empreendimentos, gasto com um só, que tem o mesmo potencial de vendas", explica Perrone, da Camargo Corrêa.
Na própria execução da obra o ganho aparece. "O poder de barganha com o fornecedor aumenta porque utilizo o mesmo material em todos os edifícios", afirma Diniz, da Rossi.
E não é apenas para a classe média alta que esses megaprojetos são construídos. A construtora JHSF construirá em um terreno de 80 mil m² dez torres de apartamentos que custam entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões, que ficarão na marginal Pinheiros, próximo à ponte Cidade Jardim. Os primeiros três prédios começarão a ser vendidos neste ano e terão como atrativo um shopping com 180 lojas e um spa. A diferença para os demais projetos é que cada prédio terá uma entrada, para que cada morador preserve sua individualidade.
Mas o maior empreendimento da cidade ainda está por vir. No começo do próximo ano, a incorporadora Bueno Netto lançará um condomínio em um terreno de 260 mil m² na marginal Pinheiros, próximo ao Morumbi, que pertencia à Eletropaulo. Cada apartamento terá 300 m², todos com vista para um campo de golfe.
Um apartamento não basta, é preciso construir cidades
14/04/2005 12:41
por Carolina Mandl
São Paulo - Minicidades dentro de uma metrópole. É isso o que as incorporadoras estão começando a construir em São Paulo. Em vez de erguer um prédio, elas estão levantando megaprojetos, onde vão moram mais de mil pessoas em um único empreendimento.
Com terrenos cada vez mais escassos em tradicionais bairros da cidade, as construtoras estão à caça de espaços em locais não tão conhecidos dos paulistanos, mas que tenham a capacidade de atrair moradores. Para isso, a lógica é que, se a vizinhança não inclui atrativos, o próprio condomínio tem de ser o estímulo do local.
"É preciso revitalizar locais da cidade que estavam estagnados para conquistar compradores", afirma Roberto Perrone, diretor superintendente da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário.
A incorporadora está lançando um empreendimento com sete torres de apartamento que ocuparão apenas 5% do terreno de 63 mil m² na Vila São Francisco, bairro próximo à Cidade Universitária. O grande chamariz dos apartamentos do Forte do Golf será um clube construído dentro do complexo, com piscinas, spa, ofurôs, saunas e higromassagem. Os moradores terão vista para um campo de golfe e para uma pista de corrida de 2 Km - maior que a existente no Parque do Ibirapuera.
"Com todos os problemas de segurança, as famílias querem hoje que suas casas ofereçam toda a diversão para seus filhos", afirma Tomás Salles, diretor da consultoria imobiliária Lopes.
Por isso a Rossi Residencial também utilizou como apelo o lazer para atrair compradores para o Club Tuiuti, em uma zona não tão conhecida do Tatuapé, com 624 unidades. Lançado em outubro do ano passado, todos os apartamentos já foram vendidos. "Esses projetos têm de trazer a qualidade de algo espetacular", diz Leonardo Diniz, diretor da regional São Paulo da Rossi.
Como piscinas, salas de jogos eletrônicos e quadras significam condomínios mais caros, nada melhor do que diluir os custos entre diversos moradores. Por isso também eles são tão grandes.
O problema aparece na hora em que se combinam tantas pessoas com seus respectivos carros. Algumas garagens chegam a ter quase mil vagas, algo próximo à necessidade de hipermercados. Para evitar o risco de congestionamento dentro do próprio condomínio, as saídas e entradas são diversas. Além disso, o projeto tem de ser avaliado pela Secretaria Municipal de Transportes, que, em não raros casos, exige que as incorporadoras custeiem as obras para modificar o trânsito da região.
Mas, mesmo quando esses custos precisam ser pagos, o retorno é compensador para os investidores. Outros ganhos aparecem para os incorporadores quando megaprojetos são executados. Um deles é o marketing. "Em vez de fazer propaganda para sete empreendimentos, gasto com um só, que tem o mesmo potencial de vendas", explica Perrone, da Camargo Corrêa.
Na própria execução da obra o ganho aparece. "O poder de barganha com o fornecedor aumenta porque utilizo o mesmo material em todos os edifícios", afirma Diniz, da Rossi.
E não é apenas para a classe média alta que esses megaprojetos são construídos. A construtora JHSF construirá em um terreno de 80 mil m² dez torres de apartamentos que custam entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões, que ficarão na marginal Pinheiros, próximo à ponte Cidade Jardim. Os primeiros três prédios começarão a ser vendidos neste ano e terão como atrativo um shopping com 180 lojas e um spa. A diferença para os demais projetos é que cada prédio terá uma entrada, para que cada morador preserve sua individualidade.
Mas o maior empreendimento da cidade ainda está por vir. No começo do próximo ano, a incorporadora Bueno Netto lançará um condomínio em um terreno de 260 mil m² na marginal Pinheiros, próximo ao Morumbi, que pertencia à Eletropaulo. Cada apartamento terá 300 m², todos com vista para um campo de golfe.