Paulo2004
June 19th, 2005, 04:46 AM
'NÃO DESISTO DE LISBOA 2016'
em Correio da Manhã - entrevista a Vicente Moura - Presidente do Comité Olímpico de Portugal
– Em matéria de política desportiva, Portugal continua na cauda da Europa...
– Se não estivermos em último lugar andamos muito perto disso. Os dados oficiais ainda são muito maus: apenas 22 por cento da população portuguesa pratica desporto e nesse número inclui-se por exemplo a minha mulher; temos apenas 410 mil atletas federados e 50 por cento desses praticam apenas futebol. Não há desporto escolar no ensino básico, temos infra-estruturas – piscinas e ginásios – só falta, incompreensivelmente, vontade política. Temos piscinas de 50 metros que custaram quatro milhões de contos e que estão vazias. Porque costumamos meter-nos em assados e resolvê-los bem – basta relembrar o exemplo do Euro 2004 – é que entendo que a candidatura de Lisboa aos Jogos Olímpicos do ano de 2016 é um objectivo importante. E tenho uma comissão que trabalha nisso diariamente porque não vou abandonar a ideia.
– Sendo uma candidatura de uma cidade não teme a divisão do País?
– Não, porque distribuiríamos os Jogos por várias áreas do território nacional. Neste momentos claro que não temo. E as vantagens são muitas. Era uma forma de transformar o Desporto em Portugal em dez anos. Não é um fim mas um meio. Não sou adepto do regime anterior – que fique claro – mas não sou cego: deviámos ter extirpado a Mocidade Portuguesa da carga política, mas deveríamos ter mantido a fórmula e formar os jovens no desporto.
– Chegou a mobilizar João Soares...
– Falei com João Soares e com a Junta Metropolitana de Lisboa. Também já falei com Carmona Rodrigues que se mostrou disponível para discutir o assunto. Mas neste momento não quero falar sobre isso porque não quero que o tema seja aproveitado politicamente. Seria o pior que poderia acontecer.
PERFIL
Vicente Moura, 67 anos, capitão de mar e guerra, reformado. Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP). Inicia a vida desportiva no Sport Algés e Dafundo, como nadador, modalidade na qual chega a fazer carreira, apesar do seu interesse pelo basquetebol e ginástica.
É também no Algés e Dafundo que se estreia como dirigente associativo. Em 1981 chega ao Comité Olímpico de Portugal onde exerce o cargo de vogal. Foi chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. A vitória de Carlos Lopes na Maratona foi um dos momentos altos da sua carreira como dirigente, diz hoje. Mais tarde, foi secretário-adjunto e vice-presidente do COP . Em 1989 chega a presidente, cargo que ocupa até 1993.
Nesse ano decide não se recandidatar. Volta em 1997 e o actual mandato - que garante ser o último - termina em 2008. Casado, uma filha e dois netos, Vicente Moura diz que começa a sentir vontade “das pantufas”. E que quer deixar o COP pelo seu próprio pé.
em Correio da Manhã - entrevista a Vicente Moura - Presidente do Comité Olímpico de Portugal
– Em matéria de política desportiva, Portugal continua na cauda da Europa...
– Se não estivermos em último lugar andamos muito perto disso. Os dados oficiais ainda são muito maus: apenas 22 por cento da população portuguesa pratica desporto e nesse número inclui-se por exemplo a minha mulher; temos apenas 410 mil atletas federados e 50 por cento desses praticam apenas futebol. Não há desporto escolar no ensino básico, temos infra-estruturas – piscinas e ginásios – só falta, incompreensivelmente, vontade política. Temos piscinas de 50 metros que custaram quatro milhões de contos e que estão vazias. Porque costumamos meter-nos em assados e resolvê-los bem – basta relembrar o exemplo do Euro 2004 – é que entendo que a candidatura de Lisboa aos Jogos Olímpicos do ano de 2016 é um objectivo importante. E tenho uma comissão que trabalha nisso diariamente porque não vou abandonar a ideia.
– Sendo uma candidatura de uma cidade não teme a divisão do País?
– Não, porque distribuiríamos os Jogos por várias áreas do território nacional. Neste momentos claro que não temo. E as vantagens são muitas. Era uma forma de transformar o Desporto em Portugal em dez anos. Não é um fim mas um meio. Não sou adepto do regime anterior – que fique claro – mas não sou cego: deviámos ter extirpado a Mocidade Portuguesa da carga política, mas deveríamos ter mantido a fórmula e formar os jovens no desporto.
– Chegou a mobilizar João Soares...
– Falei com João Soares e com a Junta Metropolitana de Lisboa. Também já falei com Carmona Rodrigues que se mostrou disponível para discutir o assunto. Mas neste momento não quero falar sobre isso porque não quero que o tema seja aproveitado politicamente. Seria o pior que poderia acontecer.
PERFIL
Vicente Moura, 67 anos, capitão de mar e guerra, reformado. Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP). Inicia a vida desportiva no Sport Algés e Dafundo, como nadador, modalidade na qual chega a fazer carreira, apesar do seu interesse pelo basquetebol e ginástica.
É também no Algés e Dafundo que se estreia como dirigente associativo. Em 1981 chega ao Comité Olímpico de Portugal onde exerce o cargo de vogal. Foi chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. A vitória de Carlos Lopes na Maratona foi um dos momentos altos da sua carreira como dirigente, diz hoje. Mais tarde, foi secretário-adjunto e vice-presidente do COP . Em 1989 chega a presidente, cargo que ocupa até 1993.
Nesse ano decide não se recandidatar. Volta em 1997 e o actual mandato - que garante ser o último - termina em 2008. Casado, uma filha e dois netos, Vicente Moura diz que começa a sentir vontade “das pantufas”. E que quer deixar o COP pelo seu próprio pé.