View Full Version : VLT em Campinas: muito dinheiro, pouco resultado.


@ngeL
June 23rd, 2005, 03:32 AM
DIÁRIO DO PASSADO
Sexta-feira, 18 de outubro de 1991
http://www.estadao.com.br/ext/diariodopassado/20011018/000020318.htm

VLT em Campinas: muito dinheiro, pouco resultado.

Concebido como a solução para o transporte coletivo urbano de Campinas, a 90 km de São Paulo, o metrô de superfície ou Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é hoje objeto de mera curiosidade da população, embora pelo cronograma de implantação já devesse estar operando comercialmente.

O sistema foi inaugurado oficialmente em três oportunidades, rendeu votos a Luiz Antonio Fleury Filho nas últimas eleições, mas ainda não ofereceu a planejada alternativa para os 600 mil usuários/dia dos ônibus urbanos, apesar de ter consumido até agora investimentos de US$ 50 milhões (Cr$ 29,3 bilhões), quase a metade do custo total da obra.

Quinze meses depois de lançado, o VLT é ainda mais conhecido pela denúncia de irregularidades na contratação da obra que pelos benefícios que traz à população. Nascido da tentativa do ex-governador Orestes Quércia de cooptar o prefeito Jacó Bittar, então recém-saído do PT, o projeto esbarrou em "dificuldades técnicas" que as seguidas liberações de recursos não conseguiram contornar. Mesmo assim, o sistema contratado pelo governo do Estado - por meio da Ferrovia Paulista S/A - já foi inaugurado três vezes. Em duas oportunidades com Quércia - a segunda às vésperas das eleições para governador, no ano passado - e outra com Fleury.

A primeira rota do metrô de superfície deveria estar funcionando desde agosto. Essa rota terá 8,2 km de extensão e interligará o Centro ao Bairro Campos Elíseos, mas hoje apenas um trecho de 4,3 km está concluido, entre as estações Central e Vila Teixeira, e o VLT opera em caráter experimental, com quatro composições, em horário restrito: das 8 às 13h, sem cobrança de tarifa.

O transporte gratuito, entretanto, ainda não foi suficiente para atrair os usuários. As quatro estações em operação (Central, Barão de Itapura, Aurélia e Vila Teixeira) estão sempre vazias e embora a Secretaria de Transportes da Prefeitura (Setransp) divulgue como 2,5 mil usuários/dia o volume de passageiros transportados não supera 10% dessa estimativa, conforme admite o próprio pessoal que cuida da operação do trem. A maioria dos passageiros é formada por gente sem pressa de chegar ao destino: aposentados, namorados e pessoas curiosas em conhecer o novo sistema de transporte da cidade.

"Todos os dias eu apanho o VLT para passear um pouco na cidade", conta o aposentado Luís Amádio, morador no Jardim Aurélia.

Outra aposentada, Eunice Varanda, tirou a manhã de hoje para conhecer de perto o metrô de superfície, ao lado da irmã Olinda, que mora no Rio de Janeiro. "Uma pena que a estação Bonfim ainda não esteja pronta", lamentou, elogiando o bom funcionamento do trem.

No mesmo vagão, o estudante Gilson de Cássio Tristão tinha lugar até para colocar mochila no banco ao lado. "Quando entro mais tarde na escola eu vou de VLT, mas caso contrário tenho de ir de ônibus mesmo", dizia.

Para a bancária Andréia Pedrosa, o sistema é muito melhor que o ônibus. "Estou vindo pela primeira vez, mas já vi que não tem fila e é mais rápido", comentou, enquanto aproveitava a viagem de 10 minutos para namorar o estudante Marcelo Galerani.

Todo o sistema só deverá estar funcionando normalmente em abril do ano que vem, incluindo a segunda rota, Centro-Taquaral, de 7,5 km de extensão. "As obras sofreram atrasos em razão da diminuição do ritmo de liberação de recursos, com a mudança de governo, e da necessidade de remanejamento de interferências - redes de água, energia e esgoto - que não eram esperadas", explica o secretário dos Transportes, Laurindo Junqueira Filho. Segundo ele, o VLT transportará cerca de seis mil passageiros por hora. Até lá, terão sido investidos US$ 112 milhões (Cr$ 65,7 bilhões) e a população de Campinas continuará andando de ônibus.

JOSÉ FRANCISCO PACOLA

(imaginem quem saiu ganhando com este elefante branco... até hoje a população campineira transita na cidade de onibus ou peruas clandestinas)

Rogério Brasileiro
June 23rd, 2005, 05:32 PM
Angel, nessa época eu ainda não morava em Campinas, mas é deprimente ver uma cidade como esta sem um sistema eficiente de transporte urbano por trilhos.
E o que é pior, nem trem de passageiros existe mais.
Palmas para os nossos políticos...:(

mopc
June 23rd, 2005, 06:54 PM
É, vejam que a notícia é de 1991, e há muito tempo eu vi fotos dos trens apodrecendo e com mato. Como está agora???? Alguém tem fotos recentes? Existem projetos???
Triste.

@ngeL
June 23rd, 2005, 07:59 PM
^ está do mesmo jeito... tudo parado :(

Campinas - 01/03/2005 - Estudo pode usar VLT como corredor de ônibus Zezé de Lima/Agência Anhangüera

O prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), terá em mãos ainda esta semana um estudo da Secretaria Municipal de Transportes para transformar o leito do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em corredor exclusivo para ônibus, fazendo a ligação do Aeroporto Internacional de Viracopos e toda a sua adjacência, aos futuros terminais de ônibus metropolitano e rodoviário, previsto para ser erguido no pátio da Fepasa, entre a Vila Industrial, o bairro Bonfim e o Centro.

O projeto do titular da Pasta Gérson Bittencourt, levou Hélio a pedir à Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos que retome o traçado do Corredor Noroeste proposto pelos seus técnicos no início do projeto e abandone a solução apresentada no ano passado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).

O projeto do Estado, que deve ser seguido por determinação do prefeito, prevê que os ônibus do sistema de transportes intermunicipal deixem o terminal pela Rua Dr. Mascarenhas, passando pela Rua Governador Pedro de Toledo para acessar a alça que leva à Avenida Lix da Cunha, por onde passa o Corredor responsável por interligar sete municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).


http://www.efbrasil.eng.br/electro/fepasa/vlt_maio1997.jpg
Esta são as composições do sistema de VLT de Campinas que foram recolhidas ao pátio de Jundiaí em maio de 1997.

Sistema VLT em funcionamento

estação central
http://www.tramz.com/br/lr/c03.jpg
estação central
http://www.tramz.com/br/lr/c04.jpg
estação central
http://www.tramz.com/br/lr/c05.jpg
estação central
http://www.pell.portland.or.us/~efbrazil/vlt_campinas.jpg


estação barão de Itapura
http://www.tramz.com/br/lr/c06.jpg


estação aurélia
http://www.tramz.com/br/lr/c07.jpg


estação parque industrial
http://www.tramz.com/br/lr/c08.jpg
estação parque industrial
http://www.tramz.com/br/lr/c09.jpg
estação parque industrial
http://www.tramz.com/br/lr/c10.jpg


estação anhanguera
http://www.tramz.com/br/lr/c11.jpg
estação anhanguera
http://www.tramz.com/br/lr/c12.jpg
estação anhanguera
http://www.tramz.com/br/lr/c13.jpg
estação anhanguera
http://www.tramz.com/br/lr/c14.jpg


estação pompéia
http://www.tramz.com/br/lr/c15.jpg
estação pompéia
http://www.tramz.com/br/lr/c16.jpg
estação pompéia
http://www.tramz.com/br/lr/c17.jpg

projeto do itinerário VLT
http://www.tramz.com/br/lr/c02.jpg

http://www.tramz.com/br/lr/c01.jpg

O Pré-Metrô de Campinas

A extraordinária expansão de Campinas e sua região metropolitana ao longo da década de 1950 e 1960 motivaram a proposta da implantação de um sistema de transporte urbano em massa sobre trilhos já em 1970, no Plano Preliminar de Desenvolvimento Integrado de Campinas, que tentava prever a evolução populacional da cidade até 1990. Ao longo da década de 1970 o projeto foi considerado diversas vezes, mas o enorme investimento necessário impediu sua concretização.

A desativação dos antigos ramais da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro e da E.F. Sorocabana que cortavam Campinas, ocorrida em 1977, deixou 42 quilômetros de vias férreas abandonadas ao longo de regiões densamente habitadas, criando rotas naturais para o estabelecimento de transporte suburbano de massa. Já em 1981 a cidade cogitou aproveitar esse patrimônio abandonado para a implantação de um sistema de pré-metrô ou veículos leves sobre trilhos (VLT). Esse sistema é uma evolução do antigo bonde, onde as composições são constituídas de dois a seis carros, geralmente com tração elétrica. Esse tipo de sistema apresenta uma capacidade típica de transporte entre 15.000 e 35.000 passageiros/hora/sentido. O investimento inicial é relativamente alto, mas o material rodante apresenta ciclo de vida bastante longo, da ordem de 40 a 50 anos. Contudo, mais uma vez o alto custo associado ao projeto acabou por abortar a idéia; a prefeitura da cidade optou por construir corredores nas avenidas para o tráfego de ônibus elétricos - projeto que acabou por não ser completamente implantado.

Em princípios de 1990 a idéia do pré-metrô ou sistema de veículos leves sobre trilhos foi retomada, sendo iniciados estudos para o aproveitamento das vias férreas abandonadas ao longo de Campinas. Seria a volta dos bondes à Campinas, numa versão mais moderna e segregada do tráfego de automóveis. Desta vez a idéia recebeu o entusiasmado aval do governo do estado de São Paulo - pode ser coincidência, mas haveriam eleições no final do ano e o governador da época, Orestes Quércia já tinha sido prefeito de Campinas... A intenção do sistema era unir as regiões norte e sul da cidade através de uma linha de pré-metrô que disporia de onze estações para atender a 20 mil passageiros diariamente. A prefeitura de Campinas fez um acordo com a FEPASA, que operaria o sistema por dois anos, após o que o controle do sistema voltaria à administração municipal.

A construção foi decidida a toque de caixa - por coincidência, as eleições para o governo do estado seriam em novembro desse ano... As obras se iniciaram no início de julho de 1990, mesmo sem a liberação das verbas pelo governo do estado, que só ocorreu no final de agosto. Isso atrasou seu término, inicialmente previsto para o final de setembro. Numa primeira etapa foi construído um trecho de 6,5 quilômetros em via dupla eletrificada, que ligava a estação ferroviária de Campinas à região sul da cidade, nas proximidades da Via Anhanguera, usando o antigo leito da E.F. Sorocabana. A decisão fazia sentido, uma vez que os estudos de demanda mostravam que a região sul de Campinas apresentava na época população superior a 400.000 habitantes e taxas de crescimento anuais da ordem de 10%. A linha permitiria desafogar o principal corredor de ônibus da região, onde transitavam 260 ônibus por hora, que transportavam 150.000 passageiros diários.

O valor total das obras foi estimado em aproximadamente 50 milhões de dólares. As obras envolveram a substituição de trilhos e dormentes, além da alteração de bitola, que de métrica passou para larga (1,6 m). Foram construídas três estações nessa fase: Barão de Itapura, Aurélia e Vila Teixeira. A construção foi feita pela empreiteira Mendes Júnior, o projeto da via permanente ficou a cargo da Enefer e a eletrificação, em corrente contínua de 750 V, foi executada pela Setepla. Aparentemente aproveitou-se nesse projeto material que originalmente havia sido encomendado dentro do Programa de Eletrificação da FEPASA para a repotencialização das subestações das linhas eletrificadas de bitola larga da FEPASA.

Seria impossível inaugurar a obra em prazo tão exíguo sem o material rodante. A prefeitura de Campinas decidiu então emprestar por dois anos carros que estavam sem uso no pré-metrô do Rio de Janeiro. Eles haviam sido fabricados pela Cobrasma sob licença da firma belga BN. Os carros eram do tipo articulado, com três truques. Os dois truques na extremidade do carro eram motorizados, enquanto que o do meio, embaixo da rótula de articulação, não tinha motores. Suas principais características podem ser vistas abaixo:

Tipo Construtivo Carro Articulado de Seis Eixos de Aço Carbono
Comprimento 25,476 m / Largura 2,70 m / Altura 3,80 m /Altura do Piso 0,95 m / Bitola 1.600 mm / Tensão da Catenária 750 V / Potência do Motor 2 x 268 HP / Relação de Transmissão 5,1 / Velocidade Máxima 80 km/h / Peso do Carro Vazio 37 t / Lotação Sentados: 59 / Em Pé: 195 (6 passageiros/m2)
Aceleração/Desaceleração Tração: 1,0 m/s2 / Frenagem: 1,2 m/s2 / Frenagem de Emergência: 1,5 m/s2.

Na época ficou acertado junto à administração do Metrô do Rio de Janeiro o empréstimo de quatro composições compostas de dois carros articulados, cada um dos quais podia transportar 250 passageiros. Elas foram encaminhadas para reforma nas instalações da Cobrasma em Sumaré, para que fossem repostos diversos componentes que haviam sido canibalizados para a manutenção da frota carioca; aproveitou-se a oportunidade para se aplicar uma nova pintura aos carros, além das portas terem sido adaptadas para a configuração das estações campineiras, cujas plataformas ficavam a 950 mm do chão. A Siemens forneceu equipamentos eletrônicos para os carros, enquanto que a ABB se encarregou dos equipamentos de tração.

Por outro lado, a rapidez com que o projeto reapareceu e teve suas obras aprovadas gerou alguma polêmica, tendo surgido inclusive acusações de superfaturamento. O vice-prefeito e outros membros da administração municipal de Campinas renunciaram por não estarem de acordo com o encaminhamento da questão.

A primeira viagem de teste do VLT de Campinas ocorreu a 23 de novembro de 1990 - coincidentemente, a dois dias do segundo turno das eleições para o governo estadual paulista -, contando com a presença do então Secretário de Transportes do Estado, Antonio Carlos Rios Corral, ao longo de um trecho de 2,1 quilômetros entre as estações Barão de Itapura e Aurélia. Esse evento inaugurou a chamada operação assistida do sistema, que se estendeu por mais dez dias; o sistema foi franqueado à população, sendo realizadas viagens a cada quinze minutos das 10 às 14 horas. Segundo a FEPASA, o objetivo dessa operação era familiarizar os futuros usuários ao sistema e permitir a realização de ajustes operacionais e técnicos.

De acordo com o jornal campineiro Correio Popular os dois carros usados nessa primeira inauguração foram devolvidos ao Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1990. Pouco depois, em janeiro do ano seguinte, iniciou-se a entrega de seis carros completamente novos, originalmente fabricados pela Cobrasma para o Metrô do Rio de Janeiro. Esse material fazia parte de uma encomenda feita ao consórcio BN/Cobrasma em 1977, mas se encontrava estacionado na empresa em função da paralisação no projeto carioca. Eles receberam como numeração UC 5701 a UC 5706.

A 15 de março de 1991, último dia do governo Orestes Quércia - quantas coincidências! - o metrô de superfície de Campinas foi inaugurado oficialmente, com a presença do governador do estado e outras autoridades. Houve algum constrangimento quando a composição que transportava as autoridades se recusou a retornar da estação de Vila Teixeira para a Estação Central em virtude de problemas elétricos...

De toda forma, a inauguração oficial do sistema de pré-metrô de Campinas parecia ser a inauguração de um grande sistema, reaproveitando-se todas as linhas ferroviárias abandonadas ao longo da Grande Campinas (E.F. Funilense, Ramal Férreo Campineiro) e do aproveitamento da linha eletrificada da Companhia Paulista entre Valinhos e Sumaré para um trem metropolitano.

Mas o fato era que, seis meses após a inauguração do VLT de Campinas, a opinião da população sobre o novo sistema de VLTs ainda era ambígua, conforme mostrou uma reportagem feita pelo jornal O Estado de São Paulo, em 1991.

Entre 1992 e 1993 houveram diversas negociações entre a FEPASA e a Cobrasma para o fornecimento de mais seis VLTs para o sistema de Campinas, mas não se chegou a um acordo.

A inauguração total da linha sul, até a estação de Campos Elísios, só ocorreria muito tempo depois, em abril de 1993 - ou seja, com dois anos de atraso. Foram então inauguradas as estações de Parque Industrial, Anhangüera, Pompéia e Campos Elísios. Constatou-se então que o orçamento inicialmente previsto havia sido ultrapassado, e em larga escala: o custo do primeiro trecho, com 7,9 quilômetros, ficou em 120 milhões de dólares. E somente a partir de então o sistema efetivamente entrava em operação comercial, com o pagamento das passagens, já que até então o transporte do público tinha sido gratuito.

A posterior administração municipal de Campinas, tinha grandes restrições ao modo com que o sistema de VLT havia sido implantado e se recusou a assumir a sua operação, como havia sido acordado originalmente com a FEPASA. Esta continuou encarregada de sua operação, mas a repassou para a construtora Mendes Júnior, mediante um pagamento de 700.000 reais mensais.

O VLT de Campinas operava com duas composições em intervalos de 15 minutos, percorrendo o trajeto de 7,9 quilômetros entre as estações Central e Campos Elíseos em doze minutos. Essa configuração lhe conferia uma capacidade de 75.000 passageiros por dia. Se o número de composições passasse a quatro, operando sob intervalos de cinco minutos nos horários de pico permitia transportar 140.000 passageiros por dia.

O desempenho do sistema, contudo, nunca foi o esperado. Seu terminal no centro da cidade, que deveria estar localizado no terminal de ônibus urbanos, ficava ao lado da estação ferroviária da antiga Companhia Paulista, mal localizada, com acesso difícil a pedestres e em região mal freqüentada. Além disso, apesar de anunciadas, não foram implantados as linhas de ônibus que alimentariam o sistema de VLT em suas várias estações. Tudo isso contribuiu para que apresentasse movimento de passageiros muito abaixo do esperado, levando a uma arrecadação financeira insignificante. O déficit financeiro resultante não justificava a existência do sistema, apesar de ser potencialmente útil para a população.

O governo estadual, empossado no início do ano de 1995, tinha como meta privatizar de uma vez a FEPASA. Para tanto tinha de sanear a empresa e reduzir ao máximo seu prejuízo. Não deu outra: já a 17 de fevereiro foi desativado o serviço comercial no VLT de Campinas. Afinal, ele transportava apenas 4.000 passageiros diários, arrecadando mensalmente 30.000 reais, mas a um custo de 400.000 reais - ou seja, os custos superavam a arrecadação em mais de treze vezes. O sistema havia sido dimensionado para transportar 75.000 passageiros por dia. Na época foram apontadas várias causas para o fracasso: a falta de ônibus para alimentar a linha, má localização das estações, baixa renda e densidade demográfica da região servida, a curta extensão do sistema...

Os 150 funcionários que operavam o sistema foram demitidos, ficando acertado no momento da desativação que os seis carros circulariam pelo menos uma vez por semana para evitar sua degradação. Mas, na prática, o desperdício de dinheiro público continuaria, agora na forma da depredação e deterioração de prédios e equipamentos. O VLT de Campinas voltaria à baila a medida que se aproximavam as eleições municipais de 1996:

R$ 200 MILHÕES APODRECEM NO VLT
Jornal: Diário do Povo, Campinas, 1° de Agosto de 1996

Um patrimônio público de R$ 200 milhões está apodrecendo em Campinas por omissão das autoridades. Trata-se do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto ambicioso que virou dormitório de mendigos, pasto e estábulo de animais e esconderijo de drogados. A antiga estação de Campos Elísios teve vidros e lâmpadas quebrados por v6andalos e uma sala arrombada por viciados em crack. "Isso aqui virou terra de ninguém", conta o mecânico Jorge Gonçalves. Segundo a Fepasa, a reativação do VLT depende de empresas privadas.

Na mesma época em que essa reportagem foi publicada a prefeitura de Campinas tentava um acordo para privatizar a administração do do VLT de Campinas, transferindo seu gerenciamento para empresários de transporte rodoviário. A idéia era reativar o serviço e continuar sua expansão para o sul da cidade, além de se criar o trem metropolitano entre Valinhos e Sumaré. A FEPASA se comprometeu na época a repassar para a administração municipal todo o patrimônio do sistema.

Contudo as negociações não deram em nada. No início de 1997 a prefeitura admitiu que não houve interesse da iniciativa privada em assumir a operação do VLT de Campinas e que o poder público municipal também não tinha condições de fazê-lo. Tendo em vista o impasse, a FEPASA iniciou o desmonte do sistema. Em maio desse ano quatro carros do sistema VLT de Campinas foram transferidos para a estação de Jundiaí, onde supostamente seriam recuperados dos danos provocados por mais de dois anos de abandono a céu aberto e posteriormente vendidos. Contudo, eles continuaram expostos ao relento e sofrendo a ação de vândalos. Em setembro do mesmo ano ainda haviam dois carros também abandonados na estação Central de Campinas. Na época também alguns materiais do sistema foram colocados à disposição da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Cerca de 300 metros de linha no terminal Central acabaram sendo retirados pela própria FEPASA para permitir o acesso a seu novo Centro de Controle Operacional.

A situação de abandono perdura desde então. Em novembro de 1997 os carros do VLT de Campinas foram transferidos de Jundiaí para as antigas oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro em Rio Claro, pois também no pátio de Jundiaí continou ocorrendo a ação dos depredadores. Outros dois carros continuaram em Campinas até 2001, quanto também foram transferidos para Rio Claro. A 1° de agosto desse ano a Prefeitura Municipal de Campinas assumiu o patrimônio não-operacional da antiga estação central da FEPASA na cidade, agora sob controle da R.F.F.S.A., inclusive treze imóveis e uma área onde operava o sistema VLT. Em contrapartida foi perdoada uma dívida da R.F.F.S.A. que com a prefeitura de Campinas, da ordem de doze milhões de reais. Na verdade essa dívida era da FEPASA mas foi repassada à R.F.F.S.A. quando de sua transferência ao Governo Federal.

Mas as demais estações do antigo sistema VLT continuam abandonadas. O artigo "Estações do VLT Abrigam Moradias e Até Oficina", Aqui (http://www.cosmo.com.br/busca/default.asp?idnot=8692) publicado em 24 de janeiro de 2002 na versão on-line do jornal Cosmo mostrou a calamitosa situação das instalações do sistema. As diversas estações, em total abandono, foram invadidas por posseiros ou transformadas em residências e mesmo oficinas. Na verdade todo esse patrimônio pertence à R.F.F.S.A. e, lamentavelmente, ele se encontra desprotegido enquanto se arrasta o complicado processo de liquidação dessa estatal, que se concluirá com a venda de todos seus bens. Enquanto isso as instalações se deterioram, atraindo vândalos e marginais. O que deveria ser um grande melhoramento para a população local - transporte rápido, farto e barato - acabou se transformando num enorme risco de segurança e fonte de transtornos.

Acesse aqui pesquisa de tudo o que já foi publicado sobre o VLT-Campinas (http://www.cosmo.com.br/busca/default.asp)

Thina
June 23rd, 2005, 08:37 PM
Um patrimônio público de R$ 200 milhões está apodrecendo em Campinas por omissão das autoridades. Trata-se do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto ambicioso que virou dormitório de mendigos, pasto e estábulo de animais e esconderijo de drogados. A antiga estação de Campos Elísios teve vidros e lâmpadas quebrados por v6andalos e uma sala arrombada por viciados em crack. "Isso aqui virou terra de ninguém", conta o mecânico Jorge Gonçalves. Segundo a Fepasa, a reativação do VLT depende de empresas privadas.
Nossa, que absurdo!

Na mesma época em que essa reportagem foi publicada a prefeitura de Campinas tentava um acordo para privatizar a administração do do VLT de Campinas, transferindo seu gerenciamento para empresários de transporte rodoviário. A FEPASA se comprometeu na época a repassar para a administração municipal todo o patrimônio do sistema.
Contudo as negociações não deram em nada. No início de 1997 a prefeitura admitiu que não houve interesse da iniciativa privada em assumir a operação do VLT de Campinas e que o poder público municipal também não tinha condições de fazê-lo. Tendo em vista o impasse, a FEPASA iniciou o desmonte do sistema.
Sem interesse pela prefeitura e pelas empresas privadas que o sistema não vai pra frente mesmo.

O que deveria ser um grande melhoramento para a população local - transporte rápido, farto e barato - acabou se transformando num enorme risco de segurança e fonte de transtornos.
É o Brasil mostrando a sua cara :(

mopc
June 24th, 2005, 12:27 AM
Porque não restauram os trens???? Porra, corredor de onibus é foda!!!

Integralista
June 27th, 2005, 06:53 PM
Em Santos falaram tanto desse VLT e até agora nada.

tkr
February 10th, 2006, 03:09 AM
(desenterrando o thread...)

Revoltante essa situação!

Os VLTs tem apenas um custo inicial elevado, mas seus custos operacionais e de manutenção são MUITO mais baixos que os ônibus, além de os VLTs durarem mais de 40 anos, como diz a reportagem. Acho que os ônibus duram no máximo uns 10 anos, isso caindo aos pedaços! Como o custo inicial dos VLTs, no caso de Campinas, já tinha sido superado em boa parte, faltava só colher os frutos do investimento! Mas não.. Aliás, dinheiro parece não ter sido o problema do projeto de forma alguma, já que devem ter sido ROUBADOS pelos políticos umas dezenas de milhões de dólares, que poderiam definitivamente por o projeto em prática. "Muito dinheiro, pouco resultado"... PQP!

Realmente, esse país é uma MERDA! aff..

Alexpira
February 10th, 2006, 03:33 AM
Morava em Campinas durante os anos finais do VLT e cheguei a andar em um...o trem era ótimo para a época...rodagem semelhante aos atuais "espanhois da CPTM" mas sem ar-condicionado...rápido, eficiente e silencioso
O problema era a péssima logistica do sistema. Em vez de construir uma linha ligando o Centro aos bairros mais populosos, o Governo preferiu modernizar (a custo de ouro) a antiga linha férrea da FEPASA que corre no meio da cidade de Campinas. O problema é que esta linha possui quase 100 anos, e corre do Centro para antigos bairros industriais sem grandes populações ou centros de atração que justifiquem uma demanda. Sem demanda, os trens não saiam no horário e sem pontualidade, o sistema era tido como ineficiente.
Para piorar, o sistema não possuia interligação eficiente com o sistema de ônibus, e suas estações eram de dificil acesso.
O resultado foi a paulatina desativação do sistema, em especial após uma série de assaltos e estupros nas estações semi-desertas e não policiadas, que acabou afastando de vez a população do VLT.
Uma pena, pois o sistema é ótimo para as cidades médias brasileiras...

tkr
February 10th, 2006, 03:46 AM
Uma pena, pois o sistema é ótimo para as cidades médias brasileiras...Pois é.. estive pesquisando bastante sobre os VLTs, conhecidos lá fora como 'Light Rail', e bastante utilizados! Fiquei impressionado com seus benefícios!

Aliás, um engenheiro brasileiro bolou um sistema que diminui ainda mais os custos de construção do sistema, que é a única parte que precisa de mais dinheiro. Além disso, os VLTs dele são 50% mais baratos e 15% mais eficientes que os importados, são confortáveis e tem ar-condicinado! Veja mais aqui: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=315688

Os VLTs desse brasileiro não usam a rede elétrica, como a maioria, mas sim diesel/biodiesel, o que economiza na construção do sistema, pois evita a implantação de fios elétricos para acompanhar o VLT. Em comparação com um ônibus normal, eles queimam 80% menos diesel e levam até 3 vezes mais pessoas, de maneira muito mais confortável.

Olha só os benefícios. Definitivamente, as nossas cidades deveriam implantar esse sistema!

Aqui em Goiânia, estavam pensando em implantar um metrô, mas estou vendo que seria MUITO mais barato e satisfatório construir os VLTs por aqui.

Mas já sei que isso nunca vai acontecer, nem aqui nem no resto do país...

Baianóide
February 10th, 2006, 03:49 AM
Quando eu li o título do thread, pensei que iriam o reativar, é uma pena. :(

Corumbaiano87
February 10th, 2006, 06:48 AM
Eu já vi uns trens do VLT enferrujando no pátio da antiga Fepasa lá em Rio Claro, uma cidade a uns 80 km de Campinas onde eu estudo agora... o mais vergonhoso é que junto com o VLT (ou melhor, com o que sobrou dele) estão muitos vagões de passageiros, de carga, locomotivas, entre outros. É deprimente ver como está a situação do transporte metroviário e ferroviário no Brasil...

mopc
February 10th, 2006, 03:43 PM
Nem me lembrava desse thread mais!!! Foi muito mal implantado esse VLT. O que os responáveis, como Quercia, comentam sobre o assunto?

@ngeL
February 10th, 2006, 03:47 PM
[...] Como está agora???? Existem projetos??? Triste.
02/06/2006 03:50:19 PM - LEGISLATIVO
Câmara de Campinas mantem vetos em três projetos - A Câmara Municipal de Campinas manteve os vetos do prefeito Hélio Santos (PDT) em três projetos de lei barrados no final de 2005, que entraram na pauta de discussão da sessão de ontem à noite. As análises devem ser feitas pelo Legislativo até o final deste mês. Se os vereadores derrubarem o veto de alguma lei aprovada, ela se aplica imediatamente com a promulgação feita pelo presidente da Câmara. Isso deve ser difícil já que, ontem, , os nove vereadores de oposição votaram pela derrubada dos vetos, mas os aliados ao prefeito mantiveram as decisões do Executivo. Um dos vetos mantido ontem arquivou o projeto de Antonio Flores (PSDB), que autorizava o Executivo a estabelecer convênio com os governos federal e estadual e iniciativa privada para a recuperação, operacionalização e ampliação das linhas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), obra inacabada e abandonada do ex-prefeito Jacó Bittar. O prefeito alegou que o VLT não está nos planos da Prefeitura, hoje. Da base aliada do governo, Flores não aceitou o veto, mas foi derrotado. fonte (http://net.dcomercio.com.br/WebSearch/v.asp?TxtId=132491&SessionID=90577844&id=1&q=(vlt))

02/03/2006 03:32:33 PM - LEGISLATIVO
Câmara analisa vetos do prefeito
Câmara Municipal de Campinas decide, hoje, se mantém ou derruba três vetos que o prefeito Hélio Santos (PDT) impôs aos projetos de lei que padronizam os táxis de Campinas, autoriza o executivo a estabelecer convênios para a recuperação das linhas do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e denomina uma avenida de Campinas. Esses três projetos fazem parte de uma lista que chega a 21 vetados pelo prefeito no final do ano passado. fonte (http://net.dcomercio.com.br/WebSearch/v.asp?TxtId=132434&SessionID=90577844&id=2&q=(vlt))

EricoWilliams
February 10th, 2006, 03:54 PM
Poxa, um projeto tão interessante numa cidade mais interessante ainda. Uma pena para Campinas. Hoje quem não tem carro em Campinas tem um sério problema.

Caio C.
February 10th, 2006, 07:51 PM
Nossa! Essa história do VLT é deprimente...

palmex
February 10th, 2006, 09:12 PM
uma pena

paulomenecucci
February 11th, 2006, 11:23 AM
Que pena porque Campinas e SJC, merecem um metrô!!! Sorocaba, Rio Preto e Ribeirão Preto tb

Rogério Brasileiro
February 11th, 2006, 01:47 PM
Na realidade, Campinas precisa e merece melhores políticos.
O que estava moralizando a política na cidade foi assassinado, e até hoje o caso não foi solucionado...

Alexpira
February 11th, 2006, 04:30 PM
Realmente a politica campineira é triste...acho que desde 1990, a cidade só viu dois bons prefeitos: Magalhaes Teixeira (que morreu em 1996) e Toninho (assassinado após um mandato "relampago" em 2001)
O resto (Bittar, Chico, Izaelene, Hélio), são populistas baratos que inflaram as periferias da cidade para trazer eleitores...

Rogério Brasileiro
February 11th, 2006, 05:56 PM
Concordo plenamente. Isso prá não falar no Quércia, que também é cria daqui...
Vocês se lembram do "Disque Quércia Corrupcão" ?

Osasco Station
February 12th, 2006, 05:30 AM
Lamentável, quem vai ter a boa vontade de investir nesse VLP de forma inteligente, colocando-o de volta em funcionamento, com número maior de passageiros e linha maior, integrada aos outros modais?

UM GRANDE NÃO AOS MALDITOS CORREDORES DE ÔNIBUS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!