Diogo_Gardoni
July 7th, 2005, 08:02 AM
Essa matéria saiu na Revista Domingo, suplemento do Jornal do Brasil, em 11/07/04, na época das declarações do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sobre a demolição e a reconstrução do Maracanã para a Copa de 2014, que tem 90% de chances de ser realizada no Brasil. O JB reuniu alguns arquitetos e sugeriu que eles propusessem intervenções no estádio. Bom, aí vai a matéria:
O Maraca entra em jogo
Craques da arquitetura viajam na prancheta e criam um novo estádio de futebol para a cidade
Da Usina ao Leblon, o Maracanã virou bola da vez nas rodas de conversa. A possibilidade de o estádio ser interditado, como aventa o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mexe com brio do carioca e faz até flamenguista e vascaíno se entenderem. Na quarta-feira, o destino do estádio erguido em 1950 poderá ser traçado. Neste dia, Teixeira se reúne com representantes do Flamengo, do Fluminense, da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) e da Federação de Futebol do Estado do Rio, para discutir o futuro do Maracanã.
Com o debate no ar e a bola quicando em frente à rede, a Domingo convidou os arquitetos Luiz Eduardo Indio da Costa e Afonso Kuenerz e três escritórios - DDG, Studio XV e MoVLe - para atirar a gol. Os profissionais aceitaram o desafio e se debruçaram sobre os projetos, num estimulante exercício de imaginação.
James Miyamoto, do Studio XV, está no time dos que criticam as instalações malconservadas do estádio, incompatíveis com os padrões internacionais. Gela, porém, só de pensar na idéia de demolição do ícone da cidade.
- O Maracanã está arraigado na memória coletiva do Rio. Mas, se for inevitável, sugiro um estádio na Zona Portuária, com cinemas, lojas, restaurantes e museus - propõe Miyamoto.
Indio da Costa também é contra a demolição - prefere reformas no Marca - mas se fosse o caso apontaria a Baía de Guanabara como o lugar ideal para a construção de um novo estádio, próximo à Ilha do Fundão.
- Ficaria perto do aeroporto, que liga o Rio a todo o Brasil e ao mundo. Teria ainda um fortíssimo apelo para a baía, que já é linda - diz Indio da Costa.
Os arquitetos da MoVLe reformulariam o estádio atual. E têm suas propostas, entre elas a criação de 20 mil vagas para carros em edifícios garagens e no subsolo. Fariam obras também no Maracanãzinho, construindo novas piscinas e áreas de esportes amadores.
- O ideal seria ter todo o complexo conectado - diz o arquiteto Duarte Vaz, do MoVLe.
Celio Diniz, do DDG, sugere que um novo Maracanã seja erguido no mesmo lugar:
- Mas não precisa ser tão grande. Teria no máximo 70 mil lugares - defende ele.
E Afonso Kuenerz criaria coberturas com estrutura metálica e policarbonato:
- Seria igual a um véu.
A seguir, os Maracanãs imaginários:
Indio da Costa
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom2.jpg
O arquiteto Indio da Costa acredita que o Maracanã tornou-se obsoleto. Ele propõe um novo estádio de futebol na Baía de Guanabara, próximo à Ilha do Fundão. As vantagens seriam: acessos pelas linhas Amarela e Vermelha e pela Avenida Brasil, além da possibilidade de se chegar pela água. Haveria ainda bom espaço para estacionamento, bares e lojas. No projeto, o estádio teria uma proteção móvel contra chuva e sol excessivo.
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom1.jpg
Studio XV
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom3.jpg
James Miyamoto e Maria Lucia Pecly, sócios do Studio XV, propõem um novo estádio, no Centro, próximo à Zona Portuária. Seria o grande passo para a revitalização da área, com a construção de cinemas, lojas, restaurantes, museu esportivo e espaços ao ar livre. Este novo estádio poderia inserir-se nas intenções futuras da cidade em sediar os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de 2014.
Afonso Kuenerz
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom5.jpg
O arquiteto faria poucas modificações no Maracanã. A mais importante seria uma cobertura de policarbonato com estrutura metálica para proteger os espectadores da chuva. Além de prática, pareceria um véu. Afonso demoliria o complexo aquático, criando um mais moderno. No subsolo, seriam abertas 12 mil vagas de estacionamento. Por último, Afonso pintaria o estádio todo de branco.
DDG
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom4.jpg
Em seu projeto, o escritório concebeu um novo ícone para o Rio, no mesmo local, trabalhando com formas dinâmicas. O estádio teria duas arquibancadas em forma de hélices sobrepostas que não se encontrariam – elas serviriam ainda como acessos principais. Teria capacidade para 70 mil pessoas e setores com ingressos de preços diferenciados. Seria criado um parque urbano e um estacionamento no subsolo.
MoVLe
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom6.jpg
O escritório preferiria investir na reformulação do complexo esportivo que envolve o Maracanã, ideal para jogos da Copa do Mundo e competições olímpicas. O estádio teria 20 mil vagas, distribuídas em dois edifícios-garagens e no subsolo. A capacidade seria de 80 mil pessoas. Um novo Maracanãzinho seria construído, adequando sua estrutura a um número maior de eventos esportivos. Os sócios do MoVLe imaginaram ainda três piscinas para competições (duas para natação e outra para nado sincronizado e salto ornamental). A construção teria museu do futebol, salas de cinema, shopping e um hotel. A intenção foi criar uma área totalmente integrada, com ciclovias, quadras, pistas de atletismo e muro para escaladas.
O Maraca entra em jogo
Craques da arquitetura viajam na prancheta e criam um novo estádio de futebol para a cidade
Da Usina ao Leblon, o Maracanã virou bola da vez nas rodas de conversa. A possibilidade de o estádio ser interditado, como aventa o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mexe com brio do carioca e faz até flamenguista e vascaíno se entenderem. Na quarta-feira, o destino do estádio erguido em 1950 poderá ser traçado. Neste dia, Teixeira se reúne com representantes do Flamengo, do Fluminense, da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj) e da Federação de Futebol do Estado do Rio, para discutir o futuro do Maracanã.
Com o debate no ar e a bola quicando em frente à rede, a Domingo convidou os arquitetos Luiz Eduardo Indio da Costa e Afonso Kuenerz e três escritórios - DDG, Studio XV e MoVLe - para atirar a gol. Os profissionais aceitaram o desafio e se debruçaram sobre os projetos, num estimulante exercício de imaginação.
James Miyamoto, do Studio XV, está no time dos que criticam as instalações malconservadas do estádio, incompatíveis com os padrões internacionais. Gela, porém, só de pensar na idéia de demolição do ícone da cidade.
- O Maracanã está arraigado na memória coletiva do Rio. Mas, se for inevitável, sugiro um estádio na Zona Portuária, com cinemas, lojas, restaurantes e museus - propõe Miyamoto.
Indio da Costa também é contra a demolição - prefere reformas no Marca - mas se fosse o caso apontaria a Baía de Guanabara como o lugar ideal para a construção de um novo estádio, próximo à Ilha do Fundão.
- Ficaria perto do aeroporto, que liga o Rio a todo o Brasil e ao mundo. Teria ainda um fortíssimo apelo para a baía, que já é linda - diz Indio da Costa.
Os arquitetos da MoVLe reformulariam o estádio atual. E têm suas propostas, entre elas a criação de 20 mil vagas para carros em edifícios garagens e no subsolo. Fariam obras também no Maracanãzinho, construindo novas piscinas e áreas de esportes amadores.
- O ideal seria ter todo o complexo conectado - diz o arquiteto Duarte Vaz, do MoVLe.
Celio Diniz, do DDG, sugere que um novo Maracanã seja erguido no mesmo lugar:
- Mas não precisa ser tão grande. Teria no máximo 70 mil lugares - defende ele.
E Afonso Kuenerz criaria coberturas com estrutura metálica e policarbonato:
- Seria igual a um véu.
A seguir, os Maracanãs imaginários:
Indio da Costa
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom2.jpg
O arquiteto Indio da Costa acredita que o Maracanã tornou-se obsoleto. Ele propõe um novo estádio de futebol na Baía de Guanabara, próximo à Ilha do Fundão. As vantagens seriam: acessos pelas linhas Amarela e Vermelha e pela Avenida Brasil, além da possibilidade de se chegar pela água. Haveria ainda bom espaço para estacionamento, bares e lojas. No projeto, o estádio teria uma proteção móvel contra chuva e sol excessivo.
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom1.jpg
Studio XV
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom3.jpg
James Miyamoto e Maria Lucia Pecly, sócios do Studio XV, propõem um novo estádio, no Centro, próximo à Zona Portuária. Seria o grande passo para a revitalização da área, com a construção de cinemas, lojas, restaurantes, museu esportivo e espaços ao ar livre. Este novo estádio poderia inserir-se nas intenções futuras da cidade em sediar os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de 2014.
Afonso Kuenerz
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom5.jpg
O arquiteto faria poucas modificações no Maracanã. A mais importante seria uma cobertura de policarbonato com estrutura metálica para proteger os espectadores da chuva. Além de prática, pareceria um véu. Afonso demoliria o complexo aquático, criando um mais moderno. No subsolo, seriam abertas 12 mil vagas de estacionamento. Por último, Afonso pintaria o estádio todo de branco.
DDG
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom4.jpg
Em seu projeto, o escritório concebeu um novo ícone para o Rio, no mesmo local, trabalhando com formas dinâmicas. O estádio teria duas arquibancadas em forma de hélices sobrepostas que não se encontrariam – elas serviriam ainda como acessos principais. Teria capacidade para 70 mil pessoas e setores com ingressos de preços diferenciados. Seria criado um parque urbano e um estacionamento no subsolo.
MoVLe
http://www.jb.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/2004/07/10/dom6.jpg
O escritório preferiria investir na reformulação do complexo esportivo que envolve o Maracanã, ideal para jogos da Copa do Mundo e competições olímpicas. O estádio teria 20 mil vagas, distribuídas em dois edifícios-garagens e no subsolo. A capacidade seria de 80 mil pessoas. Um novo Maracanãzinho seria construído, adequando sua estrutura a um número maior de eventos esportivos. Os sócios do MoVLe imaginaram ainda três piscinas para competições (duas para natação e outra para nado sincronizado e salto ornamental). A construção teria museu do futebol, salas de cinema, shopping e um hotel. A intenção foi criar uma área totalmente integrada, com ciclovias, quadras, pistas de atletismo e muro para escaladas.