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September 6th, 2005, 12:47 AM
Agora é o Ferroanel
Conheça o projeto de R$ 1 bilhão da MRS Logística para desafogar as estradas de São Paulo, Rio e Minas Gerais

Por lílian cunha

A conta é simples: um vagão de trem carrega o equivalente à carga de três caminhões de 35 toneladas cada. Apostando nessa vantagem, a MRS Logística, empresa de transporte ferroviário com 400 locomotivas e 13 mil vagões (o que representaria 39 mil caminhões), quer ser a número um do transporte de cargas nos três estados do Sudeste onde atua: Minas Gerais, Rio de Janeiro, e São Paulo – daí a sigla MRS. Para isso, a companhia está jogando pesadíssimo: os investimentos somam mais de R$ 1 bilhão.

Boa parte dessa fortuna – R$ 800 milhões – vai para a construção do que a MRS está chamando de ferroanel: um desvio ferroviário para que os trens que vêm do interior de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro não precisem passar pela capital paulista, onde a companhia divide linhas com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM, de transporte de passageiros. O tempo de passagem da carga pela congestionada região metropolitana da cidade cairá de 12 horas para 2 horas. A licitação será aberta até dezembro. E o início das obras, que devem durar um ano e meio e envolverão desapropriações e 70 quilômetros novos de trilhos, está previsto para janeiro de 2006. Será uma das três primeiras Parcerias Público-Privadas do País.

Mas há uma ameaça no horizonte. E ela tem a ver com os donos da MRS: Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Minerações Brasileiras Reunidas (MBR) e Gerdau. Cada uma não pode ter mais de 20% das ações, conforme a legislação. O problema é que a Vale aumentou seu poder acionário ao comprar a MBR. O caso foi parar no Cade, e o órgão decidiu que a Vale, agora dona de 38% da MRS, deve vender a MRB, ou abrir mão de um de seus dois votos no conselho de administração. Resta saber se a nova configuração acionária pode comprometer a execução do projeto. Julio Fontana Neto, presidente da MRS, afirma que não. “Isso não atrapalha em nada”.


Fontana Neto, presidente: empresa cresce 13% ao ano
O executivo detalha as vantagens do ferroanel: “Vamos desafogar as estradas, oferecendo um transporte eficiente e mais seguro para vários tipos de carga”. Mais seguro porque dificilmente consegue-se roubar um trem, ao contrário do que acontece com o transporte rodoviário. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes, o roubo de cargas no Brasil causa prejuízos de R$ 1 bilhão por ano. O máximo que pode acontecer, no caso dos trens, é a diminuição da velocidade devido ao furto de cabos de aço essenciais para a sinalização das linhas.

“A ferrovia é a modalidade mais eficiente para percursos acima de 300 quilômetros”, diz o coordenador de políticas de transporte do Ministério dos Transportes, Edson Gonçalves. Hoje, 80% do transporte de carga no Brasil ainda é rodoviário. Além do ferroanel, a MRS planeja o que chama de correia transportadora – um projeto de R$ 240 milhões no qual será construído uma espécie de “superescorregador” de 23 quilômetros para escoamento da produção de minérios. Nesse projeto, a companhia poderá mandar Serra do Mar a baixo, a partir de Santo André (SP), as 500 toneladas de minério que seguem diariamente, por trem, para a siderúrgica Cosipa, em Cubatão (SP). “Teremos mais vagões livres para transportar outros tipos de produtos até o porto de Santos”, diz Neto.

A MRS opera 1,7 mil km de trilhos e transporta atualmente 110 milhões de toneladas ao ano, sendo 60% de minério. “Crescemos 13% ao ano desde a privatização da malha ferroviária, em 1996”, afirma o presidente. No primeiro ano de operação, a MRS transportou 42 milhões de toneladas. “Para nós, investir e crescer é uma questão de sobrevivência, já que o custo fixo de uma empresa ferroviária é muito alto. Quanto mais transportarmos, melhor”, explica o executivo.

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