legal
October 14th, 2005, 07:48 PM
Zona Sul de cara nova
Arpoador será a primeira das cinco áreas que vão ser revitalizadas pela iniciativa privada. Orla da Lagoa e praças do Leblon e Copacabana também serão recuperadas
Duilo Victor, Carolina Benevides e Florença Mazza
Rafael Andrade
Arpoador será a primeira das cinco áreas que vão ser revitalizadas pela iniciativa privada
A três meses do verão, uma boa notícia para cariocas que adoram passear pelas ruas da cidade: pelo menos cinco áreas da Zona Sul vão ser adotadas pela iniciativa privada e vão passar, nos próximos meses, por uma verdadeira repaginação. A primeira delas, o Arpoador, começa a ser revitalizado a partir de amanhã, num projeto que prevê recuperação ambiental, instalação de placas turísticas e shows de bossa nova ao ar livre. Mas o subprefeito da Zona Sul, Mario Felippo, adianta: um trecho da orla da Lagoa, duas praças no Leblon e outra em Copacabana também serão recuperadas, nos mesmos moldes da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
- Vamos resgatar o espírito do Arpoador, que vai estar novo para o verão - comemora Mário Felippo, acrescentando que todos os eventos planejados para o local serão analisados previamente pela prefeitura.
No que depender do publicitário Klaus Denecke-Rabello, idealizador do projeto de recuperação do Arpoador, a agenda será cheia. A partir do dia 21 de dezembro, ele pretende fazer shows todos os domingos do verão. De preferência, de bossa nova. Exibição de filmes num telão instalado ao ar livre e debates culturais também estão previstos.
- Queremos causar uma espécie de burburinho do bem, para que haja conscientização das pessoas com a preservação do lugar - explica Rabello, diretor de criação da empresa de marketing 2 tag.net, que adotará o Arpoador.
A pedra de onde se avista o pôr-do-sol mais lindo da cidade vai ganhar adesivos, camisetas e fitinhas semelhantes a do Senhor do Bonfim, em azul e laranja. O material será vendido em hotéis e lojas conveniadas e a verba obtida será reinvestida no Arpoador. Klaus adianta que será recuperada a vegetação de restinga local, haverá nova iluminação e, no início do verão, será inaugurada uma sinalização de trilhas.
- Assim que o projeto puder se sustentar com as parcerias, vamos fazer melhorias no Parque Garota de Ipanema e nos equipamentos de ginástica - explica o publicitário.
Para o coordenador do curso de turismo da UniverCidade, Bayard Boiteux, a recuperação do parque e a instalação de um restaurante no local são fundamentais para que o Arpoador passe a ser freqüentado por turistas. Segundo Bayard, apesar de estar bem no meio da orla carioca - principal cartão-postal do Rio - muitos visitantes sequer conhecem a pedra, já que só se chega lá a pé e ela não está incluída nos roteiros das agências.
- A idéia de fazer shows ali ajuda a criar uma imagem do Arpoador, mas os turistas só vão freqüentar se houver um atrativo - observa Bayard.
O lendário mergulhador Arduíno Colasanti, que começou a mergulhar no Arpoador aos 14 anos e era figurinha fácil no local nos anos 50, é favorável à realização de shows, desde que se preserve o que sobrou na natureza.
- Tenho saudade de uma época que não volta, que a areia, de tão limpa, fazia um ruído quando pisávamos. Mas qualquer projeto cultural me parece interessante, desde que não afete a natureza - ressalva Arduíno, lembrando-se da época em que o Circo Voador ocupava o Arpoador, antes de migrar para a Lapa.
A revitalização também foi bem recebida pelos freqüentadores do local. O professor de educação física Cristiano Ricce, 26 anos, acredita que as apresentações de música vão atrair moradores antigos à pedra, que hoje não vão lá por falta de programação.
O psicólogo Eduardo Domingues, 29 anos, que aproveitava o fim de tarde ontem para surfar no Arpoador, também comemorou a notícia:
- A bossa nova tem tudo a ver com este lugar, é uma forma de preservar a cultura carioca. Mas acho que a revitalização tem que ser ampliada para outros lugares.
Segundo Mário Felippo, a adoção de praças e determinadas áreas da cidade faz parte de um programa da Fundação Parques e Jardins. O subprefeito informa que a Lagoa será a próxima área a ser adotada. Um trecho da orla perto do campo de beisebol, no Corte do Cantagalo, deve ser revitalizado até o fim do ano.
[14/OUT/2005]
Arpoador será a primeira das cinco áreas que vão ser revitalizadas pela iniciativa privada. Orla da Lagoa e praças do Leblon e Copacabana também serão recuperadas
Duilo Victor, Carolina Benevides e Florença Mazza
Rafael Andrade
Arpoador será a primeira das cinco áreas que vão ser revitalizadas pela iniciativa privada
A três meses do verão, uma boa notícia para cariocas que adoram passear pelas ruas da cidade: pelo menos cinco áreas da Zona Sul vão ser adotadas pela iniciativa privada e vão passar, nos próximos meses, por uma verdadeira repaginação. A primeira delas, o Arpoador, começa a ser revitalizado a partir de amanhã, num projeto que prevê recuperação ambiental, instalação de placas turísticas e shows de bossa nova ao ar livre. Mas o subprefeito da Zona Sul, Mario Felippo, adianta: um trecho da orla da Lagoa, duas praças no Leblon e outra em Copacabana também serão recuperadas, nos mesmos moldes da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
- Vamos resgatar o espírito do Arpoador, que vai estar novo para o verão - comemora Mário Felippo, acrescentando que todos os eventos planejados para o local serão analisados previamente pela prefeitura.
No que depender do publicitário Klaus Denecke-Rabello, idealizador do projeto de recuperação do Arpoador, a agenda será cheia. A partir do dia 21 de dezembro, ele pretende fazer shows todos os domingos do verão. De preferência, de bossa nova. Exibição de filmes num telão instalado ao ar livre e debates culturais também estão previstos.
- Queremos causar uma espécie de burburinho do bem, para que haja conscientização das pessoas com a preservação do lugar - explica Rabello, diretor de criação da empresa de marketing 2 tag.net, que adotará o Arpoador.
A pedra de onde se avista o pôr-do-sol mais lindo da cidade vai ganhar adesivos, camisetas e fitinhas semelhantes a do Senhor do Bonfim, em azul e laranja. O material será vendido em hotéis e lojas conveniadas e a verba obtida será reinvestida no Arpoador. Klaus adianta que será recuperada a vegetação de restinga local, haverá nova iluminação e, no início do verão, será inaugurada uma sinalização de trilhas.
- Assim que o projeto puder se sustentar com as parcerias, vamos fazer melhorias no Parque Garota de Ipanema e nos equipamentos de ginástica - explica o publicitário.
Para o coordenador do curso de turismo da UniverCidade, Bayard Boiteux, a recuperação do parque e a instalação de um restaurante no local são fundamentais para que o Arpoador passe a ser freqüentado por turistas. Segundo Bayard, apesar de estar bem no meio da orla carioca - principal cartão-postal do Rio - muitos visitantes sequer conhecem a pedra, já que só se chega lá a pé e ela não está incluída nos roteiros das agências.
- A idéia de fazer shows ali ajuda a criar uma imagem do Arpoador, mas os turistas só vão freqüentar se houver um atrativo - observa Bayard.
O lendário mergulhador Arduíno Colasanti, que começou a mergulhar no Arpoador aos 14 anos e era figurinha fácil no local nos anos 50, é favorável à realização de shows, desde que se preserve o que sobrou na natureza.
- Tenho saudade de uma época que não volta, que a areia, de tão limpa, fazia um ruído quando pisávamos. Mas qualquer projeto cultural me parece interessante, desde que não afete a natureza - ressalva Arduíno, lembrando-se da época em que o Circo Voador ocupava o Arpoador, antes de migrar para a Lapa.
A revitalização também foi bem recebida pelos freqüentadores do local. O professor de educação física Cristiano Ricce, 26 anos, acredita que as apresentações de música vão atrair moradores antigos à pedra, que hoje não vão lá por falta de programação.
O psicólogo Eduardo Domingues, 29 anos, que aproveitava o fim de tarde ontem para surfar no Arpoador, também comemorou a notícia:
- A bossa nova tem tudo a ver com este lugar, é uma forma de preservar a cultura carioca. Mas acho que a revitalização tem que ser ampliada para outros lugares.
Segundo Mário Felippo, a adoção de praças e determinadas áreas da cidade faz parte de um programa da Fundação Parques e Jardins. O subprefeito informa que a Lagoa será a próxima área a ser adotada. Um trecho da orla perto do campo de beisebol, no Corte do Cantagalo, deve ser revitalizado até o fim do ano.
[14/OUT/2005]