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November 26th, 2005, 05:31 PM
PÚBLICO
Graça Morais trabalhou a partir de temas ligados ao mar
A pintora fez 20 novos trabalhos durante uma residência artística na cidade
Graça Morais inaugura novo Centro de Artes de Sines
26.11.2005 - 10h41 Vanessa RatoPÚBLICO
O primeiro-ministro, José Sócrates, e o candidato presidencial Mário Soares visitarão hoje a exposição com que Graça Morais estreia o Centro de Artes de Sines. Agendada para as 18h, a abertura da mostra, com 20 novos trabalhos da pintora, marca a inauguração oficial de uma obra de arquitectura orçada em oito milhões de euros e da responsabilidade do Atelier Aires Mateus.
São perto de 9 mil metros distribuídos entre duas zonas para exposições, correspondentes a 12 por cento da área, um auditório para 200 pessoas a inaugurar também hoje, às 22h, com um concerto do pianista Bernardo Sassetti, a biblioteca e os arquivos municipais.
O complexo, que teve sete hipóteses de localização em zonas periféricas da cidade foi, por fim, construído no centro, criando uma ligação entre a zona histórica do castelo, onde todos os anos se realiza o Festival Músicas do Mundo de Sines, e o porto marítimo, um dos mais activos do país. O projecto foi concretizado no lote de algo mais de dois mil metros do que era o antigo Cine-teatro e um terreno vazio.
Na semana passada, numa visita reservada à imprensa, o presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho, reconheceu que esta foi uma obra polémica dados os custos e o carácter "impositivo" do edifício. Mas Manuel Coelho disse também que foi um intervenção "fundamental" para a requalificação de uma cidade que "não tinha arquitectura de excepção". "Vai ajudar a revitalizar toda a zona história", disse.
Inspirado na arquitectura do castelo, o Centro de Artes de Sines foi buscar a este a volumetria e a respiração de interioridade de uma construção fechada sobre si mesma e que, no interior, tem jogos de escala tão radicais como tectos rebaixados ao limite em salas amplas a contrastar com zonas contíguas em que sobem, abrindo-se em naves estreitas mas de pé-direito altíssimo.
Para uma exposição que teve que lidar com estes espaços improváveis, Graça Morais fez uma residência de trabalho na cidade (entre Agosto e Outubro), ficando alojada numa pequena casa do castelo e trabalhando a partir de temas ligados à pesca. Inspirou-se, nomeadamente, na poesia de Sophia de Mello Breyner e na paleta de tons azuis do céu e do mar da zona.
"O lado industrial não me interessa. A Sines antiga e a relação que os jovens continuam aqui a ter com o mar foi o que me fascinou", explicou a artista durante a mesma visita.
A exposição é dominada por uma grande tela principal em que Graça Morais faz uma versão da história trágico-marítima portuguesa. Pela primeira vez a pintora, cuja obra é normalmente protagonizada por mulheres, faz uma longa série de retratos de homens, os frequentadores assíduos da lota da cidade.
Entre vários desses retratos em tons sépia, um destaca-se pela intensidade luminosa de um azul preponderante: Graça Morais diz corresponder a uma das presenças que mais a impressionou entre o frequentadores da lota de Sines: um homem "que tinha olhos que choravam mar". Uma das pinturas aproveita como tela uma velha vela triangular.
Os Olhos Azuis do Mar
Pintura de Graça Morais.
SINES Biblioteca/Centro de Artes. Rua Cândido dos Reis. De 2ª a 6ª, das 10h às 22h. Sáb., das 15h às 22h. Tel.: 914391238. Até 3 de Abril.
Graça Morais trabalhou a partir de temas ligados ao mar
A pintora fez 20 novos trabalhos durante uma residência artística na cidade
Graça Morais inaugura novo Centro de Artes de Sines
26.11.2005 - 10h41 Vanessa RatoPÚBLICO
O primeiro-ministro, José Sócrates, e o candidato presidencial Mário Soares visitarão hoje a exposição com que Graça Morais estreia o Centro de Artes de Sines. Agendada para as 18h, a abertura da mostra, com 20 novos trabalhos da pintora, marca a inauguração oficial de uma obra de arquitectura orçada em oito milhões de euros e da responsabilidade do Atelier Aires Mateus.
São perto de 9 mil metros distribuídos entre duas zonas para exposições, correspondentes a 12 por cento da área, um auditório para 200 pessoas a inaugurar também hoje, às 22h, com um concerto do pianista Bernardo Sassetti, a biblioteca e os arquivos municipais.
O complexo, que teve sete hipóteses de localização em zonas periféricas da cidade foi, por fim, construído no centro, criando uma ligação entre a zona histórica do castelo, onde todos os anos se realiza o Festival Músicas do Mundo de Sines, e o porto marítimo, um dos mais activos do país. O projecto foi concretizado no lote de algo mais de dois mil metros do que era o antigo Cine-teatro e um terreno vazio.
Na semana passada, numa visita reservada à imprensa, o presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho, reconheceu que esta foi uma obra polémica dados os custos e o carácter "impositivo" do edifício. Mas Manuel Coelho disse também que foi um intervenção "fundamental" para a requalificação de uma cidade que "não tinha arquitectura de excepção". "Vai ajudar a revitalizar toda a zona história", disse.
Inspirado na arquitectura do castelo, o Centro de Artes de Sines foi buscar a este a volumetria e a respiração de interioridade de uma construção fechada sobre si mesma e que, no interior, tem jogos de escala tão radicais como tectos rebaixados ao limite em salas amplas a contrastar com zonas contíguas em que sobem, abrindo-se em naves estreitas mas de pé-direito altíssimo.
Para uma exposição que teve que lidar com estes espaços improváveis, Graça Morais fez uma residência de trabalho na cidade (entre Agosto e Outubro), ficando alojada numa pequena casa do castelo e trabalhando a partir de temas ligados à pesca. Inspirou-se, nomeadamente, na poesia de Sophia de Mello Breyner e na paleta de tons azuis do céu e do mar da zona.
"O lado industrial não me interessa. A Sines antiga e a relação que os jovens continuam aqui a ter com o mar foi o que me fascinou", explicou a artista durante a mesma visita.
A exposição é dominada por uma grande tela principal em que Graça Morais faz uma versão da história trágico-marítima portuguesa. Pela primeira vez a pintora, cuja obra é normalmente protagonizada por mulheres, faz uma longa série de retratos de homens, os frequentadores assíduos da lota da cidade.
Entre vários desses retratos em tons sépia, um destaca-se pela intensidade luminosa de um azul preponderante: Graça Morais diz corresponder a uma das presenças que mais a impressionou entre o frequentadores da lota de Sines: um homem "que tinha olhos que choravam mar". Uma das pinturas aproveita como tela uma velha vela triangular.
Os Olhos Azuis do Mar
Pintura de Graça Morais.
SINES Biblioteca/Centro de Artes. Rua Cândido dos Reis. De 2ª a 6ª, das 10h às 22h. Sáb., das 15h às 22h. Tel.: 914391238. Até 3 de Abril.