Reflex
March 27th, 2006, 10:12 PM
Até 2010, Lisboa deverá ganhar perto de 40 novos hotéis, o que equivale a cerca de cinco mil novos quartos e a um aumento aproximado de 30% face aos que existem actualmente. Contudo, esta dinâmica de crescimento não é nova nos últimos 15 anos, a oferta hoteleira da capital cresceu 113%, passando de 6178 quartos em 1990 para 13172 em 2005, segundo um estudo divulgado pelo Turismo de Lisboa. Um crescimento frenético, que não está a ser acompanhado de igual modo pela procura e que preocupa os responsáveis pelo Turismo da capital.
Embora diga que "é sempre agradável ver que o negócio do turismo está a crescer", Luís Alves de Sousa, presidente da Associação dos Hotéis de Portugal (AHP), encara com "alguma preocupação" o facto da oferta hoteleira estar a crescer muito mais rapidamente do que a procura e dos novos projectos estarem a aparecer "por revoadas". Do levantamento feito pela AHP para os próximos anos, constam cerca de 40 novos projectos, sobretudo de hotéis de quatro estrelas.
Uma das consequências da abertura de novos hotéis em Lisboa foi a diminuição das receitas hoteleiras. Em 2005, segundo Alves de Sousa, houve uma quebra do rendimento médio por quarto disponível na ordem dos 20%, um cenário que se deverá manter por força da entrada em funcionamento de novas unidades.
Inaugurações até Junho
Para breve está a inauguração do Hotel Olissippo Oriente, uma unidade de quatro estrelas, com 182 quartos, que abrirá no próximo dia 2 de Maio junto à Gare do Oriente, no Parque das Nações. E do Heritage Avenida da Liberdade, um quatro estrelas, com 42 quartos, que vai abrir, até ao final de Junho, num edifício recuperado naquela artéria do centro da cidade. O hotel eleva para cinco o número de unidades deste grupo, que tem apostado em hotéis de pequena dimensão e com um esmerado serviço.
Diogo Laranjo, director do grupo Heritage, admite partilhar o "sentimento" de que "a procura não tem crescido ao ritmo da oferta hoteleira em Lisboa" e confessa temer que o mercado possa "saturar". Em seu entender, os hotéis de Lisboa têm de investir na qualidade e as entidades oficiais devem "incentivar mais a procura". "Deveria ser feito mais trabalho conjunto para promover o destino Lisboa", sustenta.
Também Nuno Ferrari, director-geral de marketing e vendas do grupo Olissippo - prestes a abrir um hotel na Expo e decidido a construir outras duas unidades, uma no Rossio, outra no Campo Pequeno - reconhece que "Lisboa está cada vez mais sobrelotada de hotéis". "O que vier de novo terá de ser diferente e em sítios chave", diz, considerando que os investimentos terão de ser feitos "em lugares estratégicos, de êxito quase garantido".
"Investimento vai refrear"
Nuno Ferrari acredita que alguns dos projectos que estão anunciados "vão ficar pelo caminho" visto que "já existe mais algum cuidado e receio" por parte dos promotores em avançar com a construção de novos hotéis. "O investimento vai ter de refrear e dentro de muito em breve", vaticina.
Segundo o presidente da AHP, apesar de Lisboa continuar a atrair novos turistas - a procura está a crescer ao ritmo de 3 a 4% ao ano, o que considera "muito bom" -, o aumento não é suficiente para cobrir o crescimento da oferta. Alves de Sousa garante que a AHP tem procurado informar os investidores de que "as margens estão a reduzir" e que "é preciso gerir com muito cuidado os custos".
O responsável admite ter conhecimento de que há empresários que estão a adiar os seus investimentos e sugere que haverá hotéis que acabarão por ser "convertidos em edifícios de habitação ou em unidades residenciais para idosos". "Muitos dos hotéis que estão a ficar prontos agora foram decididos numa altura em que o mercado estava em alta".
Apesar destas circunstâncias, vários promotores contactados pelo JN não mostraram intenção de adiar os seus negócios, embora existam alguns que se arrastam há anos. As zonas mais cobiçadas continuam a ser o Marquês de Pombal, avenidas da Liberdade e da República e Campo Pequeno, mas há também projectos de recuperação de edifícios nas zonas históricas.
Fonte: JN
Embora diga que "é sempre agradável ver que o negócio do turismo está a crescer", Luís Alves de Sousa, presidente da Associação dos Hotéis de Portugal (AHP), encara com "alguma preocupação" o facto da oferta hoteleira estar a crescer muito mais rapidamente do que a procura e dos novos projectos estarem a aparecer "por revoadas". Do levantamento feito pela AHP para os próximos anos, constam cerca de 40 novos projectos, sobretudo de hotéis de quatro estrelas.
Uma das consequências da abertura de novos hotéis em Lisboa foi a diminuição das receitas hoteleiras. Em 2005, segundo Alves de Sousa, houve uma quebra do rendimento médio por quarto disponível na ordem dos 20%, um cenário que se deverá manter por força da entrada em funcionamento de novas unidades.
Inaugurações até Junho
Para breve está a inauguração do Hotel Olissippo Oriente, uma unidade de quatro estrelas, com 182 quartos, que abrirá no próximo dia 2 de Maio junto à Gare do Oriente, no Parque das Nações. E do Heritage Avenida da Liberdade, um quatro estrelas, com 42 quartos, que vai abrir, até ao final de Junho, num edifício recuperado naquela artéria do centro da cidade. O hotel eleva para cinco o número de unidades deste grupo, que tem apostado em hotéis de pequena dimensão e com um esmerado serviço.
Diogo Laranjo, director do grupo Heritage, admite partilhar o "sentimento" de que "a procura não tem crescido ao ritmo da oferta hoteleira em Lisboa" e confessa temer que o mercado possa "saturar". Em seu entender, os hotéis de Lisboa têm de investir na qualidade e as entidades oficiais devem "incentivar mais a procura". "Deveria ser feito mais trabalho conjunto para promover o destino Lisboa", sustenta.
Também Nuno Ferrari, director-geral de marketing e vendas do grupo Olissippo - prestes a abrir um hotel na Expo e decidido a construir outras duas unidades, uma no Rossio, outra no Campo Pequeno - reconhece que "Lisboa está cada vez mais sobrelotada de hotéis". "O que vier de novo terá de ser diferente e em sítios chave", diz, considerando que os investimentos terão de ser feitos "em lugares estratégicos, de êxito quase garantido".
"Investimento vai refrear"
Nuno Ferrari acredita que alguns dos projectos que estão anunciados "vão ficar pelo caminho" visto que "já existe mais algum cuidado e receio" por parte dos promotores em avançar com a construção de novos hotéis. "O investimento vai ter de refrear e dentro de muito em breve", vaticina.
Segundo o presidente da AHP, apesar de Lisboa continuar a atrair novos turistas - a procura está a crescer ao ritmo de 3 a 4% ao ano, o que considera "muito bom" -, o aumento não é suficiente para cobrir o crescimento da oferta. Alves de Sousa garante que a AHP tem procurado informar os investidores de que "as margens estão a reduzir" e que "é preciso gerir com muito cuidado os custos".
O responsável admite ter conhecimento de que há empresários que estão a adiar os seus investimentos e sugere que haverá hotéis que acabarão por ser "convertidos em edifícios de habitação ou em unidades residenciais para idosos". "Muitos dos hotéis que estão a ficar prontos agora foram decididos numa altura em que o mercado estava em alta".
Apesar destas circunstâncias, vários promotores contactados pelo JN não mostraram intenção de adiar os seus negócios, embora existam alguns que se arrastam há anos. As zonas mais cobiçadas continuam a ser o Marquês de Pombal, avenidas da Liberdade e da República e Campo Pequeno, mas há também projectos de recuperação de edifícios nas zonas históricas.
Fonte: JN