rkj
May 2nd, 2006, 12:03 AM
Apesar de ser um tópico de economia, é bastante relevante para o planejamento do transporte coletivo...
O mapa do emprego em SP
Zona Leste é a região com a menor oferta. Na Zona Sul, há mais oportunidades
RODRIGO GALLO
rodrigo.gallo@grupoestado.com.br
A população da Zona Leste é a que mais sofre para conseguir emprego na Capital. Segundo pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), não há postos de trabalho suficientes para atender à procura em bairros da periferia. De acordo com o levantamento, em Cidade Tiradentes, por exemplo, há apenas 3.400 vagas formais para uma população de 188 mil pessoas.
No estudo, foi considerado o número total de habitantes de cada localidade, sem distinção entre a parcela de trabalhadores e a de não trabalhadores.
Para o Senai, o problema da Zona Leste é que a região concentra boa parte da população da Capital em uma área carente em postos de trabalho. Mesmo em bairros como a Penha, cujo índice de emprego não dos mais baixos, faltam oportunidades. A região registra 47 mil vagas e quase 500 mil habitantes. Perto dali, em Guaianases, a carência por trabalho também é grande. A região abriga 2,5% da população da Capital, mas só detém 0,6% dos empregos na indústria, comércio e serviços.
A Zona Norte é outra região fraca em vagas. "Não há um pólo industrial definido e as pessoas têm de se deslocar para conseguir emprego", afirma o secretário do Trabalho da Capital, Gilmar Viana. "Além disso, a área é mais residencial do que comercial." Na Freguesia do Ó, por exemplo, vivem 3,8% dos paulistanos mas a região possui apenas 0,7% dos empregos (veja quadro).
Segundo o levantamento do Senai, cujos dados são de 2005, a Zona Sul apresenta uma situação diferente. Só a região da Vila Mariana é responsável pela manutenção de 19,9% do postos de trabalho de São Paulo: há 672 mil vagas formais para pouco mais de 312 mil pessoas. Esse quadro não surpreende Viana. Para ele, a regiãopossui um grande pólo industrial, que também é responsável pela existência de muitas empresas de prestação de serviços. Segundo o economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a região também responde por boa parte dos órgãos públicos da Capital, o que justifica o alto índice de vagas formais.
Já a Zona Oeste, marca presença entre as cinco localidades com mais empregos com Lapa e Pinheiros. No Centro, o saldo também é positivo.
Os balcões de emprego comprovam que há mais vagas na Zona Sul do que no restante da Cidade. A Central de Trabalho e Renda, da CUT, possuía 372 vagas abertas cadastradas até a semana passada - 187 delas estavam distribuídas na Zona Sul, principalmente em Santo Amaro. Das 2.025 oportunidades do Centro de Apoio ao Trabalhador, da Prefeitura, 597 correspondiam à Zona Sul, muitas para Santo Amaro e Paraíso. A exceção fica por conta do Centro de Solidariedade ao Trabalhador, da Força Sindical. Na semana passada, a Zona Leste era a campeã de vagas (796). Porém, além de ser um retrato pontual, não indica que a situação da região é confortável, pois o déficit continua muito grande.
Ganha-pão fica longe de casa
Falta de vagas obriga trabalhador cruzar a Cidade em busca de ocupação
A pesquisa de concentração de empregos realizada em São Paulo pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) revelou um dado incômodo para boa parte dos trabalhadores: considerando a divisão da Cidade pelas subprefeituras, algumas das regiões mais populosas da Capital - normalmente as localizadas nas áreas de periferia - têm um número de moradores bem maior do que a quantidade de oportunidades de trabalho disponíveis.
Por conta disso, as pessoas são obrigadas a se deslocar pela Cidade para conseguir emprego. Muitas vezes esses trabalhadores gastam mais de duas horas apenas para chegar no local de trabalho, e mais um período igual para retornar às suas casas. Essa necessidade de deslocamento também contribui para apontar as carências no transporte coletivo da Capital com a superlotação das composições do metrô e dos ônibus, principalmente nos horários de pico.
Além disso, a ausência de postos de trabalho suficientes na periferia cria um outro fenômeno social em São Paulo, segundo o Senai. Com os empregos concentrados nas regiões mais centrais, há a criação de bairros-dormitórios nas áreas mais distantes, como em Itaquera (Zona Leste), Vila Brasilândia (Zona Norte) e Capão Redondo (Zona Sul). O conceito de bairro-dormitório é simples: os trabalhadores passam boa parte do dia em trânsito ou trabalhando, e só voltam para casa à noite, para dormir.
Nas regiões das cinco subprefeituras com menos oferta de emprego, que ficam em áreas mais afastadas da Capital, estão somente 2,5% das vagas, ou 84 mil postos de trabalho com carteira assina, pelo estudo do Senai. No geral, as oportunidades formais se concentram numa linha que vai da região Oeste, passa pelo Centro até a área mais central da Zona Leste.
A DISTRIBUIÇÃO
ZONA NORTE
>>Região é fraca em oportunidades de trabalho. Explica-se por ser, em boa parte, residencial
CENTRO
>>A área que corresponde à subprefeitura da Sé é a segunda melhor na oferta de empregos
Z0NA SUL
>>Sua concentração de empresas de prestação de serviço é um dos motivos para o bom desempenho nos índices
ZONA LESTE
>>É a mais carente em trabalho, principalmente na periferia
ZONA OESTE
>>Alguns bairros estão entre os que têm mais vagas
Perguntas a Márcio Pochmann (Economista)
Quando o senhor foi secretário de Trabalho em São Paulo, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), como estava a concentração de emprego na Capital?
A Cidade apresentava muita polarização. Havia regiões com superávit de empregos e outras com um grande déficit. Tinha uma grande concentração de vagas no Centro
Há dados que comprovem isso?
Até 2000, a região central respondia por 70% das vagas formais existentes na Capital. Em 2004, a situação já tinha mudado parcialmente: seis, de cada dez empregos, eram gerados na periferia.
O que foi feito para que esse quadro mudasse?
Nós fizemos alguns trabalhos conjuntos com entidades sociais dos bairros da periferia, para auxiliar as pessoas na hora da recolocação no mercado de trabalho.
Antes dessa mudança, quais eram as regiões que apresentavam mais carência de de empregos?
Tínhamos muitos problemas principalmente nas zonas Leste e Sul. Com o tempo, conseguimos reverter o problema da Zona Sul
O mapa do emprego em SP
Zona Leste é a região com a menor oferta. Na Zona Sul, há mais oportunidades
RODRIGO GALLO
rodrigo.gallo@grupoestado.com.br
A população da Zona Leste é a que mais sofre para conseguir emprego na Capital. Segundo pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), não há postos de trabalho suficientes para atender à procura em bairros da periferia. De acordo com o levantamento, em Cidade Tiradentes, por exemplo, há apenas 3.400 vagas formais para uma população de 188 mil pessoas.
No estudo, foi considerado o número total de habitantes de cada localidade, sem distinção entre a parcela de trabalhadores e a de não trabalhadores.
Para o Senai, o problema da Zona Leste é que a região concentra boa parte da população da Capital em uma área carente em postos de trabalho. Mesmo em bairros como a Penha, cujo índice de emprego não dos mais baixos, faltam oportunidades. A região registra 47 mil vagas e quase 500 mil habitantes. Perto dali, em Guaianases, a carência por trabalho também é grande. A região abriga 2,5% da população da Capital, mas só detém 0,6% dos empregos na indústria, comércio e serviços.
A Zona Norte é outra região fraca em vagas. "Não há um pólo industrial definido e as pessoas têm de se deslocar para conseguir emprego", afirma o secretário do Trabalho da Capital, Gilmar Viana. "Além disso, a área é mais residencial do que comercial." Na Freguesia do Ó, por exemplo, vivem 3,8% dos paulistanos mas a região possui apenas 0,7% dos empregos (veja quadro).
Segundo o levantamento do Senai, cujos dados são de 2005, a Zona Sul apresenta uma situação diferente. Só a região da Vila Mariana é responsável pela manutenção de 19,9% do postos de trabalho de São Paulo: há 672 mil vagas formais para pouco mais de 312 mil pessoas. Esse quadro não surpreende Viana. Para ele, a regiãopossui um grande pólo industrial, que também é responsável pela existência de muitas empresas de prestação de serviços. Segundo o economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a região também responde por boa parte dos órgãos públicos da Capital, o que justifica o alto índice de vagas formais.
Já a Zona Oeste, marca presença entre as cinco localidades com mais empregos com Lapa e Pinheiros. No Centro, o saldo também é positivo.
Os balcões de emprego comprovam que há mais vagas na Zona Sul do que no restante da Cidade. A Central de Trabalho e Renda, da CUT, possuía 372 vagas abertas cadastradas até a semana passada - 187 delas estavam distribuídas na Zona Sul, principalmente em Santo Amaro. Das 2.025 oportunidades do Centro de Apoio ao Trabalhador, da Prefeitura, 597 correspondiam à Zona Sul, muitas para Santo Amaro e Paraíso. A exceção fica por conta do Centro de Solidariedade ao Trabalhador, da Força Sindical. Na semana passada, a Zona Leste era a campeã de vagas (796). Porém, além de ser um retrato pontual, não indica que a situação da região é confortável, pois o déficit continua muito grande.
Ganha-pão fica longe de casa
Falta de vagas obriga trabalhador cruzar a Cidade em busca de ocupação
A pesquisa de concentração de empregos realizada em São Paulo pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) revelou um dado incômodo para boa parte dos trabalhadores: considerando a divisão da Cidade pelas subprefeituras, algumas das regiões mais populosas da Capital - normalmente as localizadas nas áreas de periferia - têm um número de moradores bem maior do que a quantidade de oportunidades de trabalho disponíveis.
Por conta disso, as pessoas são obrigadas a se deslocar pela Cidade para conseguir emprego. Muitas vezes esses trabalhadores gastam mais de duas horas apenas para chegar no local de trabalho, e mais um período igual para retornar às suas casas. Essa necessidade de deslocamento também contribui para apontar as carências no transporte coletivo da Capital com a superlotação das composições do metrô e dos ônibus, principalmente nos horários de pico.
Além disso, a ausência de postos de trabalho suficientes na periferia cria um outro fenômeno social em São Paulo, segundo o Senai. Com os empregos concentrados nas regiões mais centrais, há a criação de bairros-dormitórios nas áreas mais distantes, como em Itaquera (Zona Leste), Vila Brasilândia (Zona Norte) e Capão Redondo (Zona Sul). O conceito de bairro-dormitório é simples: os trabalhadores passam boa parte do dia em trânsito ou trabalhando, e só voltam para casa à noite, para dormir.
Nas regiões das cinco subprefeituras com menos oferta de emprego, que ficam em áreas mais afastadas da Capital, estão somente 2,5% das vagas, ou 84 mil postos de trabalho com carteira assina, pelo estudo do Senai. No geral, as oportunidades formais se concentram numa linha que vai da região Oeste, passa pelo Centro até a área mais central da Zona Leste.
A DISTRIBUIÇÃO
ZONA NORTE
>>Região é fraca em oportunidades de trabalho. Explica-se por ser, em boa parte, residencial
CENTRO
>>A área que corresponde à subprefeitura da Sé é a segunda melhor na oferta de empregos
Z0NA SUL
>>Sua concentração de empresas de prestação de serviço é um dos motivos para o bom desempenho nos índices
ZONA LESTE
>>É a mais carente em trabalho, principalmente na periferia
ZONA OESTE
>>Alguns bairros estão entre os que têm mais vagas
Perguntas a Márcio Pochmann (Economista)
Quando o senhor foi secretário de Trabalho em São Paulo, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), como estava a concentração de emprego na Capital?
A Cidade apresentava muita polarização. Havia regiões com superávit de empregos e outras com um grande déficit. Tinha uma grande concentração de vagas no Centro
Há dados que comprovem isso?
Até 2000, a região central respondia por 70% das vagas formais existentes na Capital. Em 2004, a situação já tinha mudado parcialmente: seis, de cada dez empregos, eram gerados na periferia.
O que foi feito para que esse quadro mudasse?
Nós fizemos alguns trabalhos conjuntos com entidades sociais dos bairros da periferia, para auxiliar as pessoas na hora da recolocação no mercado de trabalho.
Antes dessa mudança, quais eram as regiões que apresentavam mais carência de de empregos?
Tínhamos muitos problemas principalmente nas zonas Leste e Sul. Com o tempo, conseguimos reverter o problema da Zona Sul