fred_mendonca
August 15th, 2006, 03:34 PM
A pequena cidade alentejana transformou-se nos últimos meses no principal destino dos investimentos a realizar no País. 2280 milhões estão confirmados. Mergulhada no desemprego, a população agradece mas teme mais poluição.
Na ervanária Flor do Campo, localizada na Avenida Dr. António Aleixo, zona nobre do comércio em Sines, os tempos já foram melhores. O seu proprietário, José Pereira, queixa-se que “de há três anos a esta parte as vendas estão sempre a cair”.
O anúncio de novas empresas ligadas aos combustíveis a instalar na zona industrial do concelho é encarado com optimismo pelo comerciante. “Era bom era que viessem para aqui algumas empresas. Mas que sejam daquelas amigas do ambiente”, avisa José Pereira. A 15 quilómetros da sua loja, em Vila Nova de Santo André, localidade que nasceu no final da década de 70 para acolher os trabalhadores da zona industrial, o ambiente é igualmente de crise, confessam os comerciantes.
Miguel Saraiva tem nesta cidade do concelho de Santiago do Cacém uma loja de electrodomésticos, a Quadrifonia. A falta de trabalho dos habitantes reflecte-se no pouco dinheiro que todos os dias entra na caixa registadora. “Isto está mau, está mesmo muito mau. As pessoas têm falta de trabalho e isso reflecte-se no negócio”, explica o comerciante, que confessa aguardar com expectativa pelas novas empresas.
ALUGERES DISPARAM
A crise profunda que se abate sobre o comércio parece ser já parte do passado na área do imobiliário. Em média, um apartamento com dois quartos vale, novo, cerca de 130 mil euros (valor acima da média nacional de 122 mil euros). Usado, é possível encontrar com alguma facilidade por 80 mil euros. Diferente é, contudo, a disponibilidade de casas para alugar. “Há uma grande procura”, disse ao CM um agente que não quis se identificar. “Nos últimos seis meses vieram para cá uma série de empresas espanholas procurar apartamentos, todos mobilados, para alugar por um período de dois a três anos”, adiantou.
O mesmo agente precisou que o aluguer de uma casa com dois quartos está agora com um valor muito semelhante a Lisboa. “Em média é 600 euros”, precisou, acrescentando que “um T3 vale, por mês, 750 euros”. “Se o futuro continuar assim, melhor, será bom para todos”, disse.
Com a instalação do terminal de gás natural em Sines, o único porto de águas profundas do País tornou-se num local apetecido para os investidores. O anúncio de uma ligação ferroviária rápida de transporte de contentores para Madrid fez o resto para lançar uma corrida a Sines.
A última empresa a anunciar a vontade de se instalar ali foi a espanhola La Seda. Num investimento de 350 milhões de euros, a empresa quer produzir matéria-prima usada na produção de embalagens de plástico. Seis outros projectos foram entretanto confirmados pelo Ministério da Economia, num valor total de 2280 milhões de euros.
Para o presidente da câmara, Manuel Coelho Carvalho, a vinda de novos investimentos é positiva, mas o maior interesse vai para as pequenas e médias empresas. “São elas que criam mais postos de trabalho”, explicou.
EMPRESAS AMIGAS DO AMBIENTE
A plataforma industrial associada ao porto terá de ter uma política de ambiente capaz de conciliar a actividade fabril com o turismo e a pesca, defende a autarquia de Sines. Para a concretização desta convivência, as três maiores empresas locais ligadas à área energética (Galp, Repsol e EDP) mantêm projectos em curso que visam a redução em cerca de 70 por cento da emissão de partículas poluentes. O horizonte temporal de conclusão destes projectos termina em 2008. Três novas unidades de produção de energia a partir de gás natural serão também construídas na zona industrial de Sines. Estas são centrais que possuem uma carga poluente menor, devido ao recurso a gás natural. Sines quer manter inalterada a boa qualidade das águas do mar para garantir a manutenção da bandeira azul nas suas praias.
CONFIRMADAS
QUÍMICA ADVANSA
A empresa turca Advansa irá realizar um investimento de 350 milhões numa unidade de produção de matéria-prima para o fabrico de embalagens plásticas e criar 150 empregos.
REPSOL PARA FORA
A Repsol vai investir 600 milhões de euros em três fábricas: uma de energia eléctrica e duas de produtos plásticos. A Repsol quer facturar 1200 milhões de euros, metade dos quais para exportação. As estruturas criarão 370 empregos.
GALP REFORÇADA
A Galp Energia vai investir mil milhões de euros na construção de uma refinaria de conversão, adjacente ao complexo que possui em Sines. Serão criados 300 postos de trabalho.
CICLO COMBINADO
Serão construídas três Centrais de Ciclo Combinado (unidades de produção eléctrica a partir de gás natural): da Energy Way, da Galp e da EDP.
PROTESTOS NAS RUAS POR MAIS EMPREGOS
Principal concelho industrial do Alentejo, Sines, a exemplo do resto do País, registou nos últimos anos um aumento do número de desempregados. Na cidade ninguém é indiferente à situação e basta percorrer algumas das ruas para observar nas paredes inscrições como “Sineenses querem trabalho”.
O presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho Carvalho, espera no entanto que a curto prazo esta situação seja alterada. “Perante os dois mais recentes investimentos industriais no concelho – os terminais de contentores e de gás natural – é previsível que novas unidades fabris venham a instalar-se na zona industrial”, disse.
No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego no concelho rondava os onze por cento. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, este valor é superior aos 9,8 por cento verificados em todo o Alentejo. E à média nacional, que é de 7,7 por cento.
Na ervanária Flor do Campo, localizada na Avenida Dr. António Aleixo, zona nobre do comércio em Sines, os tempos já foram melhores. O seu proprietário, José Pereira, queixa-se que “de há três anos a esta parte as vendas estão sempre a cair”.
O anúncio de novas empresas ligadas aos combustíveis a instalar na zona industrial do concelho é encarado com optimismo pelo comerciante. “Era bom era que viessem para aqui algumas empresas. Mas que sejam daquelas amigas do ambiente”, avisa José Pereira. A 15 quilómetros da sua loja, em Vila Nova de Santo André, localidade que nasceu no final da década de 70 para acolher os trabalhadores da zona industrial, o ambiente é igualmente de crise, confessam os comerciantes.
Miguel Saraiva tem nesta cidade do concelho de Santiago do Cacém uma loja de electrodomésticos, a Quadrifonia. A falta de trabalho dos habitantes reflecte-se no pouco dinheiro que todos os dias entra na caixa registadora. “Isto está mau, está mesmo muito mau. As pessoas têm falta de trabalho e isso reflecte-se no negócio”, explica o comerciante, que confessa aguardar com expectativa pelas novas empresas.
ALUGERES DISPARAM
A crise profunda que se abate sobre o comércio parece ser já parte do passado na área do imobiliário. Em média, um apartamento com dois quartos vale, novo, cerca de 130 mil euros (valor acima da média nacional de 122 mil euros). Usado, é possível encontrar com alguma facilidade por 80 mil euros. Diferente é, contudo, a disponibilidade de casas para alugar. “Há uma grande procura”, disse ao CM um agente que não quis se identificar. “Nos últimos seis meses vieram para cá uma série de empresas espanholas procurar apartamentos, todos mobilados, para alugar por um período de dois a três anos”, adiantou.
O mesmo agente precisou que o aluguer de uma casa com dois quartos está agora com um valor muito semelhante a Lisboa. “Em média é 600 euros”, precisou, acrescentando que “um T3 vale, por mês, 750 euros”. “Se o futuro continuar assim, melhor, será bom para todos”, disse.
Com a instalação do terminal de gás natural em Sines, o único porto de águas profundas do País tornou-se num local apetecido para os investidores. O anúncio de uma ligação ferroviária rápida de transporte de contentores para Madrid fez o resto para lançar uma corrida a Sines.
A última empresa a anunciar a vontade de se instalar ali foi a espanhola La Seda. Num investimento de 350 milhões de euros, a empresa quer produzir matéria-prima usada na produção de embalagens de plástico. Seis outros projectos foram entretanto confirmados pelo Ministério da Economia, num valor total de 2280 milhões de euros.
Para o presidente da câmara, Manuel Coelho Carvalho, a vinda de novos investimentos é positiva, mas o maior interesse vai para as pequenas e médias empresas. “São elas que criam mais postos de trabalho”, explicou.
EMPRESAS AMIGAS DO AMBIENTE
A plataforma industrial associada ao porto terá de ter uma política de ambiente capaz de conciliar a actividade fabril com o turismo e a pesca, defende a autarquia de Sines. Para a concretização desta convivência, as três maiores empresas locais ligadas à área energética (Galp, Repsol e EDP) mantêm projectos em curso que visam a redução em cerca de 70 por cento da emissão de partículas poluentes. O horizonte temporal de conclusão destes projectos termina em 2008. Três novas unidades de produção de energia a partir de gás natural serão também construídas na zona industrial de Sines. Estas são centrais que possuem uma carga poluente menor, devido ao recurso a gás natural. Sines quer manter inalterada a boa qualidade das águas do mar para garantir a manutenção da bandeira azul nas suas praias.
CONFIRMADAS
QUÍMICA ADVANSA
A empresa turca Advansa irá realizar um investimento de 350 milhões numa unidade de produção de matéria-prima para o fabrico de embalagens plásticas e criar 150 empregos.
REPSOL PARA FORA
A Repsol vai investir 600 milhões de euros em três fábricas: uma de energia eléctrica e duas de produtos plásticos. A Repsol quer facturar 1200 milhões de euros, metade dos quais para exportação. As estruturas criarão 370 empregos.
GALP REFORÇADA
A Galp Energia vai investir mil milhões de euros na construção de uma refinaria de conversão, adjacente ao complexo que possui em Sines. Serão criados 300 postos de trabalho.
CICLO COMBINADO
Serão construídas três Centrais de Ciclo Combinado (unidades de produção eléctrica a partir de gás natural): da Energy Way, da Galp e da EDP.
PROTESTOS NAS RUAS POR MAIS EMPREGOS
Principal concelho industrial do Alentejo, Sines, a exemplo do resto do País, registou nos últimos anos um aumento do número de desempregados. Na cidade ninguém é indiferente à situação e basta percorrer algumas das ruas para observar nas paredes inscrições como “Sineenses querem trabalho”.
O presidente da Câmara de Sines, Manuel Coelho Carvalho, espera no entanto que a curto prazo esta situação seja alterada. “Perante os dois mais recentes investimentos industriais no concelho – os terminais de contentores e de gás natural – é previsível que novas unidades fabris venham a instalar-se na zona industrial”, disse.
No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego no concelho rondava os onze por cento. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, este valor é superior aos 9,8 por cento verificados em todo o Alentejo. E à média nacional, que é de 7,7 por cento.