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October 28th, 2006, 02:27 PM
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http://www.jt.com.br/editorias/2006/10/24/ger-1.94.4.20061024.27.1.xml
Vagão apodrece em Marsilac
>Um mês após descarrilamento, soja continua no local
CINTHIA RODRIGUES, cinthia.rodrigues@grupoestado.com.br
Um trem de carga que ia de Mairinque, Interior do Estado, para Santos, no Litoral Sul, descarrilou enquanto passava por Marsilac, Zona Sul da Capital. Dois vagões carregados de soja capotaram em plena Área de Proteção Ambiental de Capivari-Monos em 16 de setembro , um sábado de chuva. Até hoje, mais de um mês depois, os vagões continuam lá.
Pouca gente se incomodaria, não fosse o mau cheiro e a passagem em marcha lenta de outras 20 composições que fazem do local o seu caminho, diariamente. Alguns trens chegam a levar meia hora para atravessar o trecho onde vivem cerca de 2 mil pessoas - ou 20% dos habitantes do distrito mais rural de São Paulo, Engenheiro Marsilac.
Sem paciência para esperar o desfile dos trens, muitas crianças que têm o hábito de caminhar pela linha férrea sobem nos vagões de carga e pegam perigosas caronas.
Os adultos reclamam de atraso para o trabalho, por perder tempo enquanto aguardam composições de mais de 100 vagões atravessarem o vilarejo. Um prédio erguido recentemente, com dinheiro de doações de uma ONG suíça, para abrigar uma biblioteca pública, já apresenta rachaduras nas paredes e telhado.
A presidente da Associação Comunitária de Engenheiro Marsilac e Adjacências (Acoema), Maria Lucia Cirillo, 50 anos, diz que contou seis trens passarem em duas horas durante uma noite na semana passada. 'A gente até dorme, mas não descansa direito', reclama.
Durante o dia, a situação não é melhor. A reportagem viu dois trens passarem em menos de meia hora, o primeiro e mais curto, levou três minutos, em seguida, outro demorou 13 minutos. 'Às vezes o bloco da novela começa e acaba e a gente não ouve uma palavra', lamenta.
Para a educadora Edleusa Silva Pereira, 29 anos, o pior é o mau cheiro, parecido com carniça. 'É de arder os olhos' , diz. A soja, que não teve contato com o solo, foi recuperada por caminhões no fim de semana do acidente. Uma parte chegou a ser doada a comunidade do bairro para alimentar os animais. Consta que muita gente consumiu o produto no jantar do mesmo dia. O que ficou no chão, no entanto, foi deixado pra trás.
Para garantir que o material não seja furtado, principalmente os vagões de aço que valeriam um bom dinheiro nos ferros-velhos da região, a empresa responsável, a ALL Logística, contratou três pessoas para cuidar do local. 'Tem outro vagão caído lá pra frente, aquele ninguém reclama porque não vê', comentou um dos garotos. O outro descarrilamento aconteceu antes, em agosto.
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Vagão apodrece em Marsilac
>Um mês após descarrilamento, soja continua no local
CINTHIA RODRIGUES, cinthia.rodrigues@grupoestado.com.br
Um trem de carga que ia de Mairinque, Interior do Estado, para Santos, no Litoral Sul, descarrilou enquanto passava por Marsilac, Zona Sul da Capital. Dois vagões carregados de soja capotaram em plena Área de Proteção Ambiental de Capivari-Monos em 16 de setembro , um sábado de chuva. Até hoje, mais de um mês depois, os vagões continuam lá.
Pouca gente se incomodaria, não fosse o mau cheiro e a passagem em marcha lenta de outras 20 composições que fazem do local o seu caminho, diariamente. Alguns trens chegam a levar meia hora para atravessar o trecho onde vivem cerca de 2 mil pessoas - ou 20% dos habitantes do distrito mais rural de São Paulo, Engenheiro Marsilac.
Sem paciência para esperar o desfile dos trens, muitas crianças que têm o hábito de caminhar pela linha férrea sobem nos vagões de carga e pegam perigosas caronas.
Os adultos reclamam de atraso para o trabalho, por perder tempo enquanto aguardam composições de mais de 100 vagões atravessarem o vilarejo. Um prédio erguido recentemente, com dinheiro de doações de uma ONG suíça, para abrigar uma biblioteca pública, já apresenta rachaduras nas paredes e telhado.
A presidente da Associação Comunitária de Engenheiro Marsilac e Adjacências (Acoema), Maria Lucia Cirillo, 50 anos, diz que contou seis trens passarem em duas horas durante uma noite na semana passada. 'A gente até dorme, mas não descansa direito', reclama.
Durante o dia, a situação não é melhor. A reportagem viu dois trens passarem em menos de meia hora, o primeiro e mais curto, levou três minutos, em seguida, outro demorou 13 minutos. 'Às vezes o bloco da novela começa e acaba e a gente não ouve uma palavra', lamenta.
Para a educadora Edleusa Silva Pereira, 29 anos, o pior é o mau cheiro, parecido com carniça. 'É de arder os olhos' , diz. A soja, que não teve contato com o solo, foi recuperada por caminhões no fim de semana do acidente. Uma parte chegou a ser doada a comunidade do bairro para alimentar os animais. Consta que muita gente consumiu o produto no jantar do mesmo dia. O que ficou no chão, no entanto, foi deixado pra trás.
Para garantir que o material não seja furtado, principalmente os vagões de aço que valeriam um bom dinheiro nos ferros-velhos da região, a empresa responsável, a ALL Logística, contratou três pessoas para cuidar do local. 'Tem outro vagão caído lá pra frente, aquele ninguém reclama porque não vê', comentou um dos garotos. O outro descarrilamento aconteceu antes, em agosto.