fred_mendonca
March 28th, 2007, 01:51 AM
É a fatia prometida do sonho americano. Cumprindo as linhas estratégicas de aposta no sector eólico, a EDP anunciou ontem a compra da norte-americana Horizon Wind Energy, detida até agora pela Goldman Sachs. Às 7h30 da manhã, ainda antes da abertura do mercado, a eléctrica dava a notícia: mais de 2,2 mil milhões de euros investidos num novo projecto eólico e a subida ao quarto lugar do ‘ranking’ mundial de potência instalada.
Horas depois, António Mexia calava aqueles que qualificaram o seu plano estratégico de pouco ambicioso. “Vamos rever em alta (entre 2005 e 2010) o crescimento do EBITDA”, salientou o CEO da EDP, antes de explicar os contornos do negócio.
O financiamento será garantido por empréstimo bancário e pela entrada de capital de um parceiro de investimento em ‘tax equity’. Nos Estados Unidos não existe tarifa regulada, pelo que o incentivo ao investimento é feito por outros meios. A EDP vai receber benefícios fiscais num total de 700 milhões de dólares nos próximos 10 anos, dos quais 400 milhões de dólares serão já pagos e o restante valor será recebido de forma faseada nos próximos 10 anos.
A Horizon é a terceira maior empresa eólica nos EUA, presente em 15 estados. Com uma capacidade de produção potencial superior a 9 mil MW, até 2020, sendo esta potência referente a projectos com “terrenos, vento e ligações à rede garantidos”. No entanto, a administração da EDP não põe de lado a hipótese de aumentar este ‘pipeline’, uma vez que a empresa já está a estudar novos projectos. De acordo com dados da eléctrica, a Horizon terminou 2006 com uma quota de mercado de 9%. Objectivo: atingir uma quota de 12% em 2010. Garantias: a EDP já assegurou a totalidade do fornecimento das turbinas para 2007 e 71% para 2008.
Actualmente, a actividade eólica da EDP está presente em Portugal com 330MW aos quais serão acrescidos os 1.000MW atribuídos com a vitória na fase A do concurso lançado pelo Governo. Em Espanha, a eléctrica já atingiu 1.400MW de potência instalada.
Com esta aquisição, o CEO da EDP assume que “estão concluídas as grandes compras” da eléctrica portuguesa, mas não põe de parte o interesse em pequenas oportunidade de negócio no mercado europeu das renováveis. O interesse no Reino Unido foi, por exemplo, referido.
A compra da Horizon Wind Energy marca o fim da segunda fase de investimento nas renováveis, de acordo com António Mexia. “Numa primeira fase apostámos nas eólicas no nosso mercado natural - Portugal e Espanha, agora entramos noutro campeonato. Numa terceira fase queremos apostar na energia solar”, anunciou. O plano de investimento da EDP na energia solar deverá ser apresentado em Abril. Sobre eventuais fusões no mercado ibérico, o discurso da EDP mantém-se o mesmo: “tornar a empresa maior para a proteger de eventuais compras”. Tudo o resto é especulação.
O potencial dos EUA face à Europa
Com um mercado europeu congestionado, nomeadamente pela limitada superfície para instalar parques eólicos, e um contexto de incerteza em termos de legislação e de definição de ‘players’, a aposta no mercado norte-americano é uma forma de “diversificar os riscos de negócio e os riscos regulatórios”. Os EUA são mesmo considerados o mercado com maior potencial do mundo. Para além da dimensão e das horas de ventos, as recentes metas “verdes” incentivam o investimento. Em termos de economias de escala, as vantagens são evidentes: a dimensão média de um parque eólico nos EUA atinge os milhares de MW, comparativamente à Europa, que raramente ultrapassa as centenas.
A energia eólica estava originalmente restrita à Califórnia. Em 2001, apenas sete Estados tinham regras que obrigavam a percentagens mínimas de produção eléctrica por fontes renováveis. Seis anos mais tarde já existem 21 Estados com objectivos de energia “ecológica”. Actualmente, os EUA estão a conceder um crédito fiscal de 19 dólares por MW para os projectos construídos até 2008. Em termos de rentabilidade, as taxas de retorno no mercado norte-americano são “superiores aos novos projectos na Europa”, entre 8,5% e 9%, mas com um maior número de horas de vento.
Em 2020, quando atingir uma capacidade instalada de 80 mil MW - actualmente os EUA têm 11,6 mil MW de capacidade instalada em energia eólica, devendo chegar a 28,1 mil em 2010 - o mercado norte-americano será classificado como “o maior do mundo”.
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/792841.html
Horas depois, António Mexia calava aqueles que qualificaram o seu plano estratégico de pouco ambicioso. “Vamos rever em alta (entre 2005 e 2010) o crescimento do EBITDA”, salientou o CEO da EDP, antes de explicar os contornos do negócio.
O financiamento será garantido por empréstimo bancário e pela entrada de capital de um parceiro de investimento em ‘tax equity’. Nos Estados Unidos não existe tarifa regulada, pelo que o incentivo ao investimento é feito por outros meios. A EDP vai receber benefícios fiscais num total de 700 milhões de dólares nos próximos 10 anos, dos quais 400 milhões de dólares serão já pagos e o restante valor será recebido de forma faseada nos próximos 10 anos.
A Horizon é a terceira maior empresa eólica nos EUA, presente em 15 estados. Com uma capacidade de produção potencial superior a 9 mil MW, até 2020, sendo esta potência referente a projectos com “terrenos, vento e ligações à rede garantidos”. No entanto, a administração da EDP não põe de lado a hipótese de aumentar este ‘pipeline’, uma vez que a empresa já está a estudar novos projectos. De acordo com dados da eléctrica, a Horizon terminou 2006 com uma quota de mercado de 9%. Objectivo: atingir uma quota de 12% em 2010. Garantias: a EDP já assegurou a totalidade do fornecimento das turbinas para 2007 e 71% para 2008.
Actualmente, a actividade eólica da EDP está presente em Portugal com 330MW aos quais serão acrescidos os 1.000MW atribuídos com a vitória na fase A do concurso lançado pelo Governo. Em Espanha, a eléctrica já atingiu 1.400MW de potência instalada.
Com esta aquisição, o CEO da EDP assume que “estão concluídas as grandes compras” da eléctrica portuguesa, mas não põe de parte o interesse em pequenas oportunidade de negócio no mercado europeu das renováveis. O interesse no Reino Unido foi, por exemplo, referido.
A compra da Horizon Wind Energy marca o fim da segunda fase de investimento nas renováveis, de acordo com António Mexia. “Numa primeira fase apostámos nas eólicas no nosso mercado natural - Portugal e Espanha, agora entramos noutro campeonato. Numa terceira fase queremos apostar na energia solar”, anunciou. O plano de investimento da EDP na energia solar deverá ser apresentado em Abril. Sobre eventuais fusões no mercado ibérico, o discurso da EDP mantém-se o mesmo: “tornar a empresa maior para a proteger de eventuais compras”. Tudo o resto é especulação.
O potencial dos EUA face à Europa
Com um mercado europeu congestionado, nomeadamente pela limitada superfície para instalar parques eólicos, e um contexto de incerteza em termos de legislação e de definição de ‘players’, a aposta no mercado norte-americano é uma forma de “diversificar os riscos de negócio e os riscos regulatórios”. Os EUA são mesmo considerados o mercado com maior potencial do mundo. Para além da dimensão e das horas de ventos, as recentes metas “verdes” incentivam o investimento. Em termos de economias de escala, as vantagens são evidentes: a dimensão média de um parque eólico nos EUA atinge os milhares de MW, comparativamente à Europa, que raramente ultrapassa as centenas.
A energia eólica estava originalmente restrita à Califórnia. Em 2001, apenas sete Estados tinham regras que obrigavam a percentagens mínimas de produção eléctrica por fontes renováveis. Seis anos mais tarde já existem 21 Estados com objectivos de energia “ecológica”. Actualmente, os EUA estão a conceder um crédito fiscal de 19 dólares por MW para os projectos construídos até 2008. Em termos de rentabilidade, as taxas de retorno no mercado norte-americano são “superiores aos novos projectos na Europa”, entre 8,5% e 9%, mas com um maior número de horas de vento.
Em 2020, quando atingir uma capacidade instalada de 80 mil MW - actualmente os EUA têm 11,6 mil MW de capacidade instalada em energia eólica, devendo chegar a 28,1 mil em 2010 - o mercado norte-americano será classificado como “o maior do mundo”.
http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/destaque/pt/desarrollo/792841.html