Ar-Nimruzîr
May 30th, 2007, 02:40 PM
CLÓVIS ROSSI
Uma ponte para algum lugar
PARIS - Termino o café da manhã às 8h30 em Paris (3h30 em Brasília, só para demonstrar que jornalistas acordam cedo e não podem ser "bobôs", a maneira como os parisienses passaram a chamar os "burgueses boêmios", lembrando que burguês em francês começa com "bo", não com "bu").
Tenho um bate-papo com Durão Barroso, o presidente da Comissão Européia, às 12h, em Bruxelas. No Brasil, situação semelhante seria sem saída ou, na melhor das hipóteses, criaria um baita estresse. A 300 metros de casa, tomo o ônibus 43. Haveria lugar para sentar, mesmo que a jovem loura e simpática não se comovesse com a minha bengala e desistisse de disputar um assento. Dezesseis pontos e meia hora depois, o ônibus me deposita comodamente na Gare du Nord. Dá tempo até para comprar os jornais do dia, "Le Figaro" e "El País", porque sei que, no trem, distribuem grátis o "Financial Times".
O trem sai no horário, como todos os aviões no Brasil. Chego a Bruxelas 80 minutos depois, pego o metrô e, mesmo com troca de linha, dá tempo para um café com João Caminoto (agência Estado) e Assis Moreira ("Valor Econômico"), jovens companheiros, mas já antigos nesse tipo de estradas. Saio da conversa com Durão Barroso com folga para comer no bandejão do Berlaymont, o QG da Comissão Européia. Comida variada, farta e barata -que funcionários internacionais não são nada bobos (agora sem acento).
Metrô de novo, trem de novo, Paris de novo, em tempo de escrever antes do jantar, tudo e sempre em transporte público. Sei que talvez não seja fácil adotar idêntico sistema para uma viagem São Paulo/Bruxelas. Mas, caramba, será que não conseguimos fazer algo ao menos parecido em uma distância idêntica como São Paulo/Ribeirão Preto? Ou estamos condenados a ver pontes que levam do nada a lugar nenhum?
Fonte: Folha de S. Paulo, 30.5.2007
Uma ponte para algum lugar
PARIS - Termino o café da manhã às 8h30 em Paris (3h30 em Brasília, só para demonstrar que jornalistas acordam cedo e não podem ser "bobôs", a maneira como os parisienses passaram a chamar os "burgueses boêmios", lembrando que burguês em francês começa com "bo", não com "bu").
Tenho um bate-papo com Durão Barroso, o presidente da Comissão Européia, às 12h, em Bruxelas. No Brasil, situação semelhante seria sem saída ou, na melhor das hipóteses, criaria um baita estresse. A 300 metros de casa, tomo o ônibus 43. Haveria lugar para sentar, mesmo que a jovem loura e simpática não se comovesse com a minha bengala e desistisse de disputar um assento. Dezesseis pontos e meia hora depois, o ônibus me deposita comodamente na Gare du Nord. Dá tempo até para comprar os jornais do dia, "Le Figaro" e "El País", porque sei que, no trem, distribuem grátis o "Financial Times".
O trem sai no horário, como todos os aviões no Brasil. Chego a Bruxelas 80 minutos depois, pego o metrô e, mesmo com troca de linha, dá tempo para um café com João Caminoto (agência Estado) e Assis Moreira ("Valor Econômico"), jovens companheiros, mas já antigos nesse tipo de estradas. Saio da conversa com Durão Barroso com folga para comer no bandejão do Berlaymont, o QG da Comissão Européia. Comida variada, farta e barata -que funcionários internacionais não são nada bobos (agora sem acento).
Metrô de novo, trem de novo, Paris de novo, em tempo de escrever antes do jantar, tudo e sempre em transporte público. Sei que talvez não seja fácil adotar idêntico sistema para uma viagem São Paulo/Bruxelas. Mas, caramba, será que não conseguimos fazer algo ao menos parecido em uma distância idêntica como São Paulo/Ribeirão Preto? Ou estamos condenados a ver pontes que levam do nada a lugar nenhum?
Fonte: Folha de S. Paulo, 30.5.2007