View Full Version : Exportação de etanol por hidrovia depende da construção de alcooduto


Tamarindo Cobra
July 15th, 2007, 08:29 PM
13/07/07 - Mesmo com todas as vantagens já apontadas, a hidrovia Tietê-Paraná é praticamente inexplorada pelo setor sucroalcooleiro. As usinas transportam apenas cana-de-açúcar. Além das experiências desenvolvidas pelo Grupo Cosan, atualmente, só o grupo USJ de Araras (SP) utiliza as águas do Paraná e do Tietê para escoar sua produção de açúcar.

Em maio, partiu do terminal de São Simão (GO) o primeiro comboio com açúcar, produzido pela usina São Francisco, de Quirinópolis (GO), pertencente ao grupo USJ. Durante o ano, ela transportará 120 mil toneladas de açúcar do interior de Goiás até Anhembi (SP), ponto final da hidrovia, numa distância de 760 quilômetros.

A passagem de um desses comboios pela região de Araçatuba serviu para que a Cooperhidro fizesse uma apresentação das vantagens desse modal a representantes do setor sucroalcooleiro, na semana passada, no porto fluvial de Araçatuba. Conforme o diretor da Cooperhidro, Carlos Antônio Farias de Souza, devido ao grande volume de álcool e açúcar produzidos pelas usinas da região, alguns grupos demonstraram interesse pelo escoamento desses produtos pela hidrovia, o que deverá acontecer a curto e médio prazo, acredita.

No comboio que parou em Araçatuba, quatro barcaças transportavam juntas seis mil toneladas de açúcar. Para levar essa mesma carga por estrada, seriam necessários 200 caminhões.

Os custos para transporte desse açúcar não foram divulgados. "Cada usina tem uma logística diferente", explica Pedro Burin, diretor-geral da Torque, empresa responsável pelo transporte do açúcar. Para isso, além dos investimentos do poder público, é necessário um interesse maior da iniciativa privada. "O setor privado precisa também da hidrovia como um modal viável e investir nessa idéia", afirma José Roberto dos Santos, gerente de network da ADTP (Agência de Desenvolvimento Tietê Paraná). Ele acredita que é necessário haver mais concerrência dentro da própria hidrovia para que haja uma gama maior de oportunidades, tanto para quem quer transportar pelo rio quanto para quem quer investir nele.

Na região de Araçatuba, algumas usinas desenvolvem estudos para utilizar o Tietê: a Pioneiros, de Sud Mennucci, o Grupo Cosan, dona da Gasa (Andradina), Univalem (Valparaíso), Mundial (Mirandópolis) e Destivale (Araçatuba).

ÁLCOOL - Se o transporte de açúcar pelo rio ainda engatinha, o de álcool está em um estágio embrionário e depende basicamente do mercado externo para se desenvolver, ou seja, o aumento pela demanda do etanol no exterior, como se espera a médio e longo prazo. Para o escoamento do combustível para consumo interno, a hidrovia não é vista como a opção mais vantajosa.

O uso da hidrovia para a exportação de álcool só será possível se o projeto para construção de um alcooduto ligando o Centro-Oeste ao Sudeste, desenvolvido pela Transpetro, subsidiaria da Petrobrás, for viabilizado. Pela proposta, não está prevista a construção de dutos pela região.

Segundo o diretor de Dutos e Terminais da Transpetro, Marcelino Guedes, a hidrovia seria uma parte importante de uma estrutura de escoamento do etanol brasileiro para exportação, na qual também estaria inserida um alcooduto que sairia de Senador Canhedo (GO) e chegaria até a Replan, em Paulínia (SP).

De lá, seria construído um novo duto até Guararema, na região do Alto Tietê. De Guararema partiriam dois dutos. Um já existente, até a refinaria de Duque de Caxias (RJ) e outro até o porto de São Sebastião (SP). A interligação com a hidrovia se daria por um outro duto, que partiria de Paulínia em direção a um terminal de álcool que seria construído ou em Santa Maria da Serra ou em Conchas, às margens da hidrovia. Neste caso, no decorrer da hidrovia seriam construídos seis terminais. Dois deles seriam em Presidente Epitácio e em Araçatuba. Esses terminais seriam os pontos de transbordo de outros modais (rodoviário ou ferroviário) para as barcaças, que levariam o etanol até Conchas ou Santa Maria da Serra e de lá, através de dutos, até Paulínia.

Esse sistema, segundo Guedes, daria ao etanol brasileiro duas portas de saída para o mercado exterior. Um pelo porto de Ilha d'Água, no Rio de Janeiro, e outro por São Sebastião. "Esse sistema permitiria ao Brasil escoar em 2012, ano em que ele estará concluído, 12 milhões de metros cúbicos de etanol".

O custo total do projeto é estimado em quase R$ 3 bilhões. Há, ainda em estudos, um outro projeto para a construção de um segundo alcooduto, que partiria de Cuiabá (MT), passaria por Campo Grande (MS), Presidente Epitácio, Londrina e chegaria ao porto de Paranaguá (PR). Esse segundo duto complementaria o sistema.

Mas Marcelino ressaltou que o projeto só será colocado em prática se ocorrer o aumento esperado na produção do etanol no Brasil. "Dutos só são viáveis se houver volume para transportá-los.

Essa estrutura poderia resolver os problemas de logística que, segundo a Unica (União da Indústria Canavieira de São Paulo), ocasionam a perda de metade das vantagens competitivas do etanol brasileiro", destacou.


Marcelo Espinosa
Fonte: Folha da Região - Araçatuba/SP