Viriatox
October 22nd, 2007, 11:14 PM
Autódromo do Estoril pode passar para a Câmara de Cascais
O Estado pretende vender aquele recinto mas a autarquia terá que se comprometer a explorar aquele espaço até 2012. Depois disso, nada fica garantido sobre a utilização do espaço...
A Parpública, holding do Estado que detém o Autódromo do Estoril, vai iniciar o processo de venda da sociedade gestora daquele espaço. A notícia, avançada pelo Diário de Notícias, dá conta de um primeiro cotacto com a Câmara Municipal de Cascais, a realizar durante a semana, justificando este facto por a autarquia ter sido a única entidade que, até agora, mostrou interesse em adquirir a infra-estrutura. Ao matutino lisboeta, Plácido Pires, o presidente da Parpública deixou claro que não é intenção do Estado perder dinheiro com a operação, pelo que a venda do Autódromo do Estoril terá que gerar mais de 33 milhões de euros, a verba correspondente ao que foi investido até agora naquele espaço.
Com efeito, a aquisição por parte da Parpública do Autódromo do Estoril custou, até agora, 33 milhões de euros, que resultam da aquisição da sociedade gestora, bem como dos investimentos realizados entretanto, segundo números avançados pela holding de capitais públicos. Por outro lado, para que o negócio possa ser concretizado, o novo proprietário terá que manter a exploração do Autódromo até ao final de 2012, altura em que a infra-estrutura deverá necessitar de investimentos.
"Uma infra-estrutura destas não é eterna e a dada altura precisa de obras. Não é possível fazermos um modelo que obrigasse a manter a exploração", disse Plácido Pires citado pelo DN. Para já, a câmara é a principal candidata, mas o presidente da Parpública lembra que ainda não começaram à procura de outros potenciais compradores.
Recorde-se que o Autódromo Fernanda Pires da Silva, por todos conhecido tão só como Autódromo do Estoril, foi parar ao controlo público no Verão de 1997, no quadro de um acordo com o grupo Grão Pará, como contrapartida pelas dívidas do grupo ao Estado, então aprovado pelo ministro da Economia, Augusto Mateus. Para além do encontro das dívidas, um dos objectivos do Governo da altura era realizar os investimentos necessários na infra-estrutura para evitar a perda das competições de Fórmula 1. No entanto, a "nacionalização" da infra-estrutura não evitou que Portugal tivesse perdido o Grande Prémio do Estoril, que era o principal activo do Autódromo.
Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas de 2002, os governos até à data tinham atribuído 24,7 milhões de euros em financiamentos públicos à Sociedade Gestora do Autódromo, sociedade criada em 1997 para gerir a estrutura. A verba, superior em 500% ao previsto inicialmente, não conseguiu recuperar a Fórmula 1 em Portugal, concluía o Tribunal de Contas no referido documento.
Actualmente, o Autódromo do Estoril não tem quaisquer condições para receber provas de Fórmula Um, como reconheceu há algum tempo ao LusoMotores o responsável máximo pela Sociedade de Gestão do Autódromo, Domingos Piedade, numa posição idêntica à que tomou Carlos Barbosa, o presidente do Automóvel Club de Portugal, quando questionado pelo LusoMotores sobre o mesmo tema. Curiosamente, o líder do ACP garantiu já ter garantias por parte de Bernie Ecclestone, o "patrão" da Fórmula Um, de que Portugal poderá receber de novo o Mundial da cateboria, mas para isso terá que construir "um autódromo moderno e de qualidade".
Deste modo, o principal evento que anualmente faz encher o Autódromo do Estoril é o Grande Prémio de Motociclismo de Velocidade, com os pilotos da categoria de MotoGP a serem cabeças de cartaz, mas até neste aspecto toda a organização passar pela Dorna, a entidade espanhola que gere o evento, e Portugal apenas recebe uma importância financeira pela "cedência" do espaço.
Fica por saber se, no caso da venda do Autódromo, qual será o propósito para aquele espaço, nomeadamente para além de 2012, havendo o risco efectivo de Portugal perder aquela que é actualmente a sua única pista permanente efectiva com condições para provas internacionais, o Autódromo do Estoril, e com essa perda serem igualmente perdidos anos de história e tradição de Portugal no automobilismo, uma situação que muitos consideram mesmo "natural" depois de muitos pilotos terem sido obrigados a rumar para Espanha, para ali participarem em campeonatos de velocidade, perante a ausência de projecção mediática permitida pelos campeonatos portugueses, e a consequente ausência de retorno para os patrocinadores.
O Estado pretende vender aquele recinto mas a autarquia terá que se comprometer a explorar aquele espaço até 2012. Depois disso, nada fica garantido sobre a utilização do espaço...
A Parpública, holding do Estado que detém o Autódromo do Estoril, vai iniciar o processo de venda da sociedade gestora daquele espaço. A notícia, avançada pelo Diário de Notícias, dá conta de um primeiro cotacto com a Câmara Municipal de Cascais, a realizar durante a semana, justificando este facto por a autarquia ter sido a única entidade que, até agora, mostrou interesse em adquirir a infra-estrutura. Ao matutino lisboeta, Plácido Pires, o presidente da Parpública deixou claro que não é intenção do Estado perder dinheiro com a operação, pelo que a venda do Autódromo do Estoril terá que gerar mais de 33 milhões de euros, a verba correspondente ao que foi investido até agora naquele espaço.
Com efeito, a aquisição por parte da Parpública do Autódromo do Estoril custou, até agora, 33 milhões de euros, que resultam da aquisição da sociedade gestora, bem como dos investimentos realizados entretanto, segundo números avançados pela holding de capitais públicos. Por outro lado, para que o negócio possa ser concretizado, o novo proprietário terá que manter a exploração do Autódromo até ao final de 2012, altura em que a infra-estrutura deverá necessitar de investimentos.
"Uma infra-estrutura destas não é eterna e a dada altura precisa de obras. Não é possível fazermos um modelo que obrigasse a manter a exploração", disse Plácido Pires citado pelo DN. Para já, a câmara é a principal candidata, mas o presidente da Parpública lembra que ainda não começaram à procura de outros potenciais compradores.
Recorde-se que o Autódromo Fernanda Pires da Silva, por todos conhecido tão só como Autódromo do Estoril, foi parar ao controlo público no Verão de 1997, no quadro de um acordo com o grupo Grão Pará, como contrapartida pelas dívidas do grupo ao Estado, então aprovado pelo ministro da Economia, Augusto Mateus. Para além do encontro das dívidas, um dos objectivos do Governo da altura era realizar os investimentos necessários na infra-estrutura para evitar a perda das competições de Fórmula 1. No entanto, a "nacionalização" da infra-estrutura não evitou que Portugal tivesse perdido o Grande Prémio do Estoril, que era o principal activo do Autódromo.
Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas de 2002, os governos até à data tinham atribuído 24,7 milhões de euros em financiamentos públicos à Sociedade Gestora do Autódromo, sociedade criada em 1997 para gerir a estrutura. A verba, superior em 500% ao previsto inicialmente, não conseguiu recuperar a Fórmula 1 em Portugal, concluía o Tribunal de Contas no referido documento.
Actualmente, o Autódromo do Estoril não tem quaisquer condições para receber provas de Fórmula Um, como reconheceu há algum tempo ao LusoMotores o responsável máximo pela Sociedade de Gestão do Autódromo, Domingos Piedade, numa posição idêntica à que tomou Carlos Barbosa, o presidente do Automóvel Club de Portugal, quando questionado pelo LusoMotores sobre o mesmo tema. Curiosamente, o líder do ACP garantiu já ter garantias por parte de Bernie Ecclestone, o "patrão" da Fórmula Um, de que Portugal poderá receber de novo o Mundial da cateboria, mas para isso terá que construir "um autódromo moderno e de qualidade".
Deste modo, o principal evento que anualmente faz encher o Autódromo do Estoril é o Grande Prémio de Motociclismo de Velocidade, com os pilotos da categoria de MotoGP a serem cabeças de cartaz, mas até neste aspecto toda a organização passar pela Dorna, a entidade espanhola que gere o evento, e Portugal apenas recebe uma importância financeira pela "cedência" do espaço.
Fica por saber se, no caso da venda do Autódromo, qual será o propósito para aquele espaço, nomeadamente para além de 2012, havendo o risco efectivo de Portugal perder aquela que é actualmente a sua única pista permanente efectiva com condições para provas internacionais, o Autódromo do Estoril, e com essa perda serem igualmente perdidos anos de história e tradição de Portugal no automobilismo, uma situação que muitos consideram mesmo "natural" depois de muitos pilotos terem sido obrigados a rumar para Espanha, para ali participarem em campeonatos de velocidade, perante a ausência de projecção mediática permitida pelos campeonatos portugueses, e a consequente ausência de retorno para os patrocinadores.