Luiz
November 3rd, 2007, 10:03 PM
Imóveis históricos são demolidos em Campinas
Maria Teresa Costa / Agência Anhangüera
(03/11/2007) - Dois imóveis históricos de Campinas dentro da Vila Manoel Freire foram demolidos neste sábado em mais uma série em que o abandono e o descaso vem comandando a preservação de bens relevantes para a história de Campinas. Os temporais dos últimos dias abalaram a estrutura do chamado Castelo, a casa onde morou o fundador da vila, e de uma capela, além de pedaços de paredes que restaram de demolições anteriores. Os imóveis e mais uma casa habitada estavam interditados há quinze dias pelo risco de queda e depois de avaliação da Defesa Civil, a Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC) autorizou a demolição.
Há dois anos, na vila vizinha, a Manoel Dias, também tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc), uma casa teve que ser demolida porque estava em risco de cair. Agora com a demolição da Vila Manoel Freire, vão chegando cada vez mais próximo do fim conjuntos residenciais que são símbolos do início do avanço industrial da cidade.
Segundo o diretor da Defesa Civil, Sidney Fernandes, o casarão estava interditado há 15 dias e com as últimas chuvas as casas vizinhas precisaram ser desocupadas. Depois das demolição, as casas foram liberadas. "Se não fosse a gente essas casas já estavam todas no chão" , disse uma das moradoras, Adriana Caetano, que durante a interdição ficou em casa de parentes.
Atualmente existem nove famílias vivendo dentro da vila e mais cinco que tem casas voltadas para a rua Alferes Raimundo. Essas casas são tudo o que restou de um sítio histórico que tinha 19 imóveis que foram sendo relegados ao abandono, invadidos e dilapidados. Muitos projetos foram apresentados para a vila, mas nenhum foi adiante por causa do desinteresse de investidores. O último deles previa a recuperação das atuais casas e construção de outros para integrar o Programa de Arrendamento Residencial da Caixa Econômica Federal (CEF). Embora tivesse o interesse de uma construtora no projeto, ela acabou desistindo.
O Castelo demolido ontem, explicou a historiadora Daisy Ribeiro, estava comprometido há muito tempo, tanto que no inventário feito para o projeto de recuperação ele acabou ficando fora do levantamento para que fosse objeto de discussão sobre a necessidade de reconstrução. "Foi com muita tristeza que autorizamos a demolição, mas a casa estava condenada, em uma situação extremamente perigosa" , disse. Junto com o Castelo foi demolida a capela, na verdade uma espécie de altar que ficava na rua principal.
Os moradores da vila, que ocuparam o lugar há cinco anos, temem pela expulsão. Uma das moradoras, Claudirene Barbosa, disse que foi oferecido aos ocupantes a possibilidade de financiamento de imóveis, mas que eles não têm renda suficiente para adquirir uma casa. "A renda precisava ser de R$ 1,8 mil e aqui ninguém ganha isso" , informou.
Com entrada para a rua Alferes Raimundo, a Vila Manoel Freire, assim como sua vizinha, a Vila Manoel Dias, foi moradia dos antigos ferroviários da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro. Construída pelo português Manoel Freire, sempre foi habitada por operários, característica que continuará sendo mantida depois que as casas forem recuperadas e arrendadas. Além das casas, havia uma capela dedicada a Nossa Senhora Estrela, de quem a esposa do português Manoel Freire era devota.
As casas vem passando por um processo de deterioração há muitos anos e estão interditadas porque correm risco de cair. A infiltração toma conta das paredes e do teto. Na maior parte das casas faltam pedaços de paredes. A maioria já nem tem telhados. Até batentes de portas e janelas foram roubados.
Maria Teresa Costa / Agência Anhangüera
(03/11/2007) - Dois imóveis históricos de Campinas dentro da Vila Manoel Freire foram demolidos neste sábado em mais uma série em que o abandono e o descaso vem comandando a preservação de bens relevantes para a história de Campinas. Os temporais dos últimos dias abalaram a estrutura do chamado Castelo, a casa onde morou o fundador da vila, e de uma capela, além de pedaços de paredes que restaram de demolições anteriores. Os imóveis e mais uma casa habitada estavam interditados há quinze dias pelo risco de queda e depois de avaliação da Defesa Civil, a Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC) autorizou a demolição.
Há dois anos, na vila vizinha, a Manoel Dias, também tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc), uma casa teve que ser demolida porque estava em risco de cair. Agora com a demolição da Vila Manoel Freire, vão chegando cada vez mais próximo do fim conjuntos residenciais que são símbolos do início do avanço industrial da cidade.
Segundo o diretor da Defesa Civil, Sidney Fernandes, o casarão estava interditado há 15 dias e com as últimas chuvas as casas vizinhas precisaram ser desocupadas. Depois das demolição, as casas foram liberadas. "Se não fosse a gente essas casas já estavam todas no chão" , disse uma das moradoras, Adriana Caetano, que durante a interdição ficou em casa de parentes.
Atualmente existem nove famílias vivendo dentro da vila e mais cinco que tem casas voltadas para a rua Alferes Raimundo. Essas casas são tudo o que restou de um sítio histórico que tinha 19 imóveis que foram sendo relegados ao abandono, invadidos e dilapidados. Muitos projetos foram apresentados para a vila, mas nenhum foi adiante por causa do desinteresse de investidores. O último deles previa a recuperação das atuais casas e construção de outros para integrar o Programa de Arrendamento Residencial da Caixa Econômica Federal (CEF). Embora tivesse o interesse de uma construtora no projeto, ela acabou desistindo.
O Castelo demolido ontem, explicou a historiadora Daisy Ribeiro, estava comprometido há muito tempo, tanto que no inventário feito para o projeto de recuperação ele acabou ficando fora do levantamento para que fosse objeto de discussão sobre a necessidade de reconstrução. "Foi com muita tristeza que autorizamos a demolição, mas a casa estava condenada, em uma situação extremamente perigosa" , disse. Junto com o Castelo foi demolida a capela, na verdade uma espécie de altar que ficava na rua principal.
Os moradores da vila, que ocuparam o lugar há cinco anos, temem pela expulsão. Uma das moradoras, Claudirene Barbosa, disse que foi oferecido aos ocupantes a possibilidade de financiamento de imóveis, mas que eles não têm renda suficiente para adquirir uma casa. "A renda precisava ser de R$ 1,8 mil e aqui ninguém ganha isso" , informou.
Com entrada para a rua Alferes Raimundo, a Vila Manoel Freire, assim como sua vizinha, a Vila Manoel Dias, foi moradia dos antigos ferroviários da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro. Construída pelo português Manoel Freire, sempre foi habitada por operários, característica que continuará sendo mantida depois que as casas forem recuperadas e arrendadas. Além das casas, havia uma capela dedicada a Nossa Senhora Estrela, de quem a esposa do português Manoel Freire era devota.
As casas vem passando por um processo de deterioração há muitos anos e estão interditadas porque correm risco de cair. A infiltração toma conta das paredes e do teto. Na maior parte das casas faltam pedaços de paredes. A maioria já nem tem telhados. Até batentes de portas e janelas foram roubados.