traveler
December 4th, 2007, 11:10 PM
Jactos de luxo
Negócio vale 28 milhões/ano
António Rilo
É uma das actividades que maior crescimento apresenta em Portugal. A aviação executiva já conta, no nosso país, com uma facturação anual de cerca de 28 milhões de euros – qualquer coisa como 76 mil euros por dia.
Inquiridas as seis empresas que nesta altura operam em Portugal neste sector (Aeronorte, Air Jetsul, Heliavia, Netjets, Omni e Vinair), o Correio da Manhã concluiu que cerca de meia centena recorre com frequência a este tipo de serviço: mais rápido, confortável e personalizado.
Em Portugal estão registados cerca de 120 jactos executivos, sendo que mais de 110 pertencem à Netjets, a maior empresa de aviação executiva da Europa.
Apesar de ter a sua frota registada no nosso país, para a Netjets o mercado português representa menos de dois por cento do seu volume de negócios. Apesar disso, esta empresa é líder no mercado português, com mais de 1600 voos por ano (entradas e saídas de Lisboa, Faro e Tires).
A aviação executiva está a crescer em Portugal mais de 15 por cento por ano e todos os especialistas são unânimes em considerar que o crescimento vai ser, a partir do próximo ano, ainda mais acentuado.
Leana Ribeiro, administradora da Aeronorte, disse ao Correio da Manhã que, apesar de operar há pouco tempo, a empresa “não tem mãos a medir”.
“É certo que somos a única empresa do Norte do País, mas as solicitações são cada vez mais e estamos até a pensar em comprar um segundo avião”, afirmou.
Também Pedro Caneira, da Heliavia, prevê um assinalável crescimento nos próximos anos, sublinhando que “num mundo cada vez mais global o tempo, para os homens de negócios tem cada vez mais valor”.
Só assim se explica que empresas e empresários paguem 3800 euros por cada hora de voo destes pequenos e luxuosos jactos.
Para Leana Ribeiro, trata-se de uma questão de ordem de prioridades. “Quem tem um grande negócio a resolver em Londres, por exemplo, e quer ir e voltar no mesmo dia, sem perdas de tempo nos aeroportos, tem aqui a solução para o seu problema”, explica a administradora.
Mas como estas aeronaves transportam, com todo o conforto, oito a dez passageiros, em média, a hora de voo já fica a menos de 400 euros por pessoa.
Paris, Londres, Roma, Bruxelas e Genebra são os destinos mais utilizados pelos portugueses, embora comecem a ter grande procura os países de Leste, com destaque para a Rússia, e os africanos, sobretudo Angola.
Tratando-se de distancias maiores, as empresas estão a comprar aviões com alcances de sete a 11 mil quilómetros.
AVIAÇÃO EXECUTIVA NO NORTE
Depois de quase vinte anos de experiência no mundo da aviação, no transporte interno de passageiros, em avião e helicóptero, no combate a fogos florestais e na realização de trabalhos, na agricultura e na construção civil, a Aeronorte, com sede em Braga, resolveu avançar para voos mais altos e abraçar o negócio da aviação executiva.
“Verificámos que havia uma grande lacuna a este nível no Norte do País e resolvemos apostar”, disse ao Correio da Manhã José Agostinho Ribeiro, presidente do conselho de administração da Aeronorte, acrescentando que “os resultados de quase meio ano de actividade, a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro, demonstram que foi uma decisão acertada”.
A Aeronorte é uma empresa pequena, de cariz familiar, administrada por José Ribeiro e pelas duas filhas, Leana Ribeiro e Carla Ribeiro Moreira, e que conta com 13 aeronaves, nove helicópteros e quatro aviões. O facto de ter sede em Braga, no aeródromo de Palmeira, foi importante para a afirmação e crescimento na área de combate aos incêndios florestais.
O problema, assegura Carla Moreira, é que “o combate aos fogos é sazonal, o transporte interno tem pouca margem de crescimento e os trabalhos, tanto na agricultura [pulverização de pesticidas] como na construção civil ainda não são muito solicitados”.
“Por isso, realça esta engenheira mecânica, para que a empresa crescesse era preciso alargar e diversificar a actividade. Depois de vários estudos, decidimos avançar para a aviação executiva”.
A aposta foi, ao que tudo indica, acertada. O avião como que iniciaram a actividade, um Bombardier Lear Jet 45, com capacidade para nove passageiros e três tripulantes, quase não pára. Paris, Londres, Estocolmo e Genebra são os destinos mais solicitados. Muitas vezes com paragem em Lisboa.
A chegada da aviação executiva ao Norte já foi notada pelos empresários da região, que têm utilizado com frequência este serviço. Leana Ribeiro diz mesmo que “nesta região está praticamente todo o terreno por desbravar e é por isso que nós não temos dúvidas da necessidade de, em breve, comprar mais um avião”.
APOSTA FORTE EM BRAGANÇA
José Agostinho Ribeiro disse ao ‘CM’ que uma das apostas fortes da sua empresa é no “futuro aeroporto de Bragança”. Começou pela construção de dois hangares, onde pretende albergar e até reparar várias das suas aeronaves, mas a ideia é avançar rapidamente para o segmento dos voos turísticos.
“Bragança é um ponto estratégico. É por lá que passam todos os voos oriundos da Europa e tem uma pista de dois quilómetros que permite a aterragem de aviões com capacidade para cinquenta passageiros. Para além disso, com a auto-estrada que se anuncia, fica a menos de duas horas do Porto”, disse José Ribeiro, acrescentando que tenciona adquirir um ou dois aparelhos específicos para a aviação turística.
De resto, o empresário admite mesmo avançar para a realização de voos de vários países europeus, como a França e a Suíça, onde há fortes comunidades portuguesas, para Bragança.
“Dessa forma, a viagem fica bastante mais barata e, como já foi referido, Bragança já não fica no fim do mundo”, acrescentou.
J.P. COUTINHO TEM NOVO JACTO
Dentro de pouco mais de um mês, João Pereira Coutinho recebe o seu novo jacto: um Falcon 7X. Trata-se de um tri-reactor, atinge mais de 11 mil quilómetros e faz 13 horas de voo seguidas. Custou 25 milhões de euros.
NOTAS
HÁ FALTA DE PILOTOS
Um dos dramas das pequenas companhias de aviação é a contratação de pilotos. São poucos e, por isso, são muito bem pagos.
ESPERA DE DOIS ANOS
Comprar um jacto não é tarefa fácil e muito menos rápida. A correr bem, entre a encomenda e a entrega passam pelo menos dois anos.
BRINQUEDO DE 25 MILHÕES
O preço é outro dos obstáculos para quem pretende ter um jacto privado. Novo, com oito lugares e médio alcance, custa 25 milhões de dólares.
A LUTA DOS CERTIFICADOS
É o outro drama das empresas de aviação executiva. Entre licenças e certificados é mais de um ano só para as longas burocracias.
FROTAS DE PEQUENOS JACTOS EM PORTUGAL
Empresa / N.º de aviões / Lugares por avião / Autonomia de voo (km)
AERONORTE
Bombardier Learjet 45: 1 / 10 / 3926
AIR JETSUL AVIATION
Cessna Citation 550: 1 / 8 / 3700
HELLAVIA
Dassault Falcon 900B: 1 / 14 / 7116
Dassault Falcon 2000 EX: 1 / 10 / 6885
NETJETS*
Beechcraft Hawker 400XP: 18 / 7 / 2541
Beechcraft Hawker 800XP: 12 / 6 / 4672
Cessna Citation Bravo: 28 / 7 / 2570
Cessna Citation Excel/ XLS: 32 / 7 / 3631
Cessna Citation VII: 1 / 8 / 3700
Dassault Falcon 900EX: 1 / 14 / 8020
Dassault Falcon 2000 : 7 / 10 / 6855
Dassault Falcon 2000EX: 3 / 10 / 6855
Gulfstream 500/V: 5 / 14 / 11 911
Gulfstream IV SP: 1 / 12 / 4989
OMNI
Bombardier Learjet 31: 1 / 8 / 2695
Bombardier Learjet 45 : 1 / 10 / 3926
VINAIR
Dassault Falcon 900: 1 / 16 / 7116
*A Netjets é a maior empresa do ramo na Europa, mas todos os seus aviões estão matriculados em Portugal, onde conta com 25 clientes, para os quais realiza uma média de 1600 voos anuais
Secundino Cunha
Negócio vale 28 milhões/ano
António Rilo
É uma das actividades que maior crescimento apresenta em Portugal. A aviação executiva já conta, no nosso país, com uma facturação anual de cerca de 28 milhões de euros – qualquer coisa como 76 mil euros por dia.
Inquiridas as seis empresas que nesta altura operam em Portugal neste sector (Aeronorte, Air Jetsul, Heliavia, Netjets, Omni e Vinair), o Correio da Manhã concluiu que cerca de meia centena recorre com frequência a este tipo de serviço: mais rápido, confortável e personalizado.
Em Portugal estão registados cerca de 120 jactos executivos, sendo que mais de 110 pertencem à Netjets, a maior empresa de aviação executiva da Europa.
Apesar de ter a sua frota registada no nosso país, para a Netjets o mercado português representa menos de dois por cento do seu volume de negócios. Apesar disso, esta empresa é líder no mercado português, com mais de 1600 voos por ano (entradas e saídas de Lisboa, Faro e Tires).
A aviação executiva está a crescer em Portugal mais de 15 por cento por ano e todos os especialistas são unânimes em considerar que o crescimento vai ser, a partir do próximo ano, ainda mais acentuado.
Leana Ribeiro, administradora da Aeronorte, disse ao Correio da Manhã que, apesar de operar há pouco tempo, a empresa “não tem mãos a medir”.
“É certo que somos a única empresa do Norte do País, mas as solicitações são cada vez mais e estamos até a pensar em comprar um segundo avião”, afirmou.
Também Pedro Caneira, da Heliavia, prevê um assinalável crescimento nos próximos anos, sublinhando que “num mundo cada vez mais global o tempo, para os homens de negócios tem cada vez mais valor”.
Só assim se explica que empresas e empresários paguem 3800 euros por cada hora de voo destes pequenos e luxuosos jactos.
Para Leana Ribeiro, trata-se de uma questão de ordem de prioridades. “Quem tem um grande negócio a resolver em Londres, por exemplo, e quer ir e voltar no mesmo dia, sem perdas de tempo nos aeroportos, tem aqui a solução para o seu problema”, explica a administradora.
Mas como estas aeronaves transportam, com todo o conforto, oito a dez passageiros, em média, a hora de voo já fica a menos de 400 euros por pessoa.
Paris, Londres, Roma, Bruxelas e Genebra são os destinos mais utilizados pelos portugueses, embora comecem a ter grande procura os países de Leste, com destaque para a Rússia, e os africanos, sobretudo Angola.
Tratando-se de distancias maiores, as empresas estão a comprar aviões com alcances de sete a 11 mil quilómetros.
AVIAÇÃO EXECUTIVA NO NORTE
Depois de quase vinte anos de experiência no mundo da aviação, no transporte interno de passageiros, em avião e helicóptero, no combate a fogos florestais e na realização de trabalhos, na agricultura e na construção civil, a Aeronorte, com sede em Braga, resolveu avançar para voos mais altos e abraçar o negócio da aviação executiva.
“Verificámos que havia uma grande lacuna a este nível no Norte do País e resolvemos apostar”, disse ao Correio da Manhã José Agostinho Ribeiro, presidente do conselho de administração da Aeronorte, acrescentando que “os resultados de quase meio ano de actividade, a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro, demonstram que foi uma decisão acertada”.
A Aeronorte é uma empresa pequena, de cariz familiar, administrada por José Ribeiro e pelas duas filhas, Leana Ribeiro e Carla Ribeiro Moreira, e que conta com 13 aeronaves, nove helicópteros e quatro aviões. O facto de ter sede em Braga, no aeródromo de Palmeira, foi importante para a afirmação e crescimento na área de combate aos incêndios florestais.
O problema, assegura Carla Moreira, é que “o combate aos fogos é sazonal, o transporte interno tem pouca margem de crescimento e os trabalhos, tanto na agricultura [pulverização de pesticidas] como na construção civil ainda não são muito solicitados”.
“Por isso, realça esta engenheira mecânica, para que a empresa crescesse era preciso alargar e diversificar a actividade. Depois de vários estudos, decidimos avançar para a aviação executiva”.
A aposta foi, ao que tudo indica, acertada. O avião como que iniciaram a actividade, um Bombardier Lear Jet 45, com capacidade para nove passageiros e três tripulantes, quase não pára. Paris, Londres, Estocolmo e Genebra são os destinos mais solicitados. Muitas vezes com paragem em Lisboa.
A chegada da aviação executiva ao Norte já foi notada pelos empresários da região, que têm utilizado com frequência este serviço. Leana Ribeiro diz mesmo que “nesta região está praticamente todo o terreno por desbravar e é por isso que nós não temos dúvidas da necessidade de, em breve, comprar mais um avião”.
APOSTA FORTE EM BRAGANÇA
José Agostinho Ribeiro disse ao ‘CM’ que uma das apostas fortes da sua empresa é no “futuro aeroporto de Bragança”. Começou pela construção de dois hangares, onde pretende albergar e até reparar várias das suas aeronaves, mas a ideia é avançar rapidamente para o segmento dos voos turísticos.
“Bragança é um ponto estratégico. É por lá que passam todos os voos oriundos da Europa e tem uma pista de dois quilómetros que permite a aterragem de aviões com capacidade para cinquenta passageiros. Para além disso, com a auto-estrada que se anuncia, fica a menos de duas horas do Porto”, disse José Ribeiro, acrescentando que tenciona adquirir um ou dois aparelhos específicos para a aviação turística.
De resto, o empresário admite mesmo avançar para a realização de voos de vários países europeus, como a França e a Suíça, onde há fortes comunidades portuguesas, para Bragança.
“Dessa forma, a viagem fica bastante mais barata e, como já foi referido, Bragança já não fica no fim do mundo”, acrescentou.
J.P. COUTINHO TEM NOVO JACTO
Dentro de pouco mais de um mês, João Pereira Coutinho recebe o seu novo jacto: um Falcon 7X. Trata-se de um tri-reactor, atinge mais de 11 mil quilómetros e faz 13 horas de voo seguidas. Custou 25 milhões de euros.
NOTAS
HÁ FALTA DE PILOTOS
Um dos dramas das pequenas companhias de aviação é a contratação de pilotos. São poucos e, por isso, são muito bem pagos.
ESPERA DE DOIS ANOS
Comprar um jacto não é tarefa fácil e muito menos rápida. A correr bem, entre a encomenda e a entrega passam pelo menos dois anos.
BRINQUEDO DE 25 MILHÕES
O preço é outro dos obstáculos para quem pretende ter um jacto privado. Novo, com oito lugares e médio alcance, custa 25 milhões de dólares.
A LUTA DOS CERTIFICADOS
É o outro drama das empresas de aviação executiva. Entre licenças e certificados é mais de um ano só para as longas burocracias.
FROTAS DE PEQUENOS JACTOS EM PORTUGAL
Empresa / N.º de aviões / Lugares por avião / Autonomia de voo (km)
AERONORTE
Bombardier Learjet 45: 1 / 10 / 3926
AIR JETSUL AVIATION
Cessna Citation 550: 1 / 8 / 3700
HELLAVIA
Dassault Falcon 900B: 1 / 14 / 7116
Dassault Falcon 2000 EX: 1 / 10 / 6885
NETJETS*
Beechcraft Hawker 400XP: 18 / 7 / 2541
Beechcraft Hawker 800XP: 12 / 6 / 4672
Cessna Citation Bravo: 28 / 7 / 2570
Cessna Citation Excel/ XLS: 32 / 7 / 3631
Cessna Citation VII: 1 / 8 / 3700
Dassault Falcon 900EX: 1 / 14 / 8020
Dassault Falcon 2000 : 7 / 10 / 6855
Dassault Falcon 2000EX: 3 / 10 / 6855
Gulfstream 500/V: 5 / 14 / 11 911
Gulfstream IV SP: 1 / 12 / 4989
OMNI
Bombardier Learjet 31: 1 / 8 / 2695
Bombardier Learjet 45 : 1 / 10 / 3926
VINAIR
Dassault Falcon 900: 1 / 16 / 7116
*A Netjets é a maior empresa do ramo na Europa, mas todos os seus aviões estão matriculados em Portugal, onde conta com 25 clientes, para os quais realiza uma média de 1600 voos anuais
Secundino Cunha