View Full Version : Transposição do Rio São Francisco
Rcrd December 21st, 2007, 07:15 AM http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/ScreenHunter_01Dec202333.jpg
http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/ScreenHunter_02Dec202333.jpg
http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/ScreenHunter_03Dec202334.jpg
http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/ScreenHunter_04Dec202334.jpg
http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/ScreenHunter_05Dec202335.jpg
http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/ScreenHunter_06Dec202335.jpg
(Fonte G1 - 2006)
http://i116.photobucket.com/albums/o34/almeidaris/infografico.gif
RRC December 21st, 2007, 08:42 AM Muito bom thread, resume em poucas palavras e imagens esse audacioso projeto tão polêmico.
Confesso que não tinha nem idéia que o São Francisco começava próximo a SP pensava que ele nascia já no norte de MG... :bash:
Uma coisa é certa, se esse projeto der certo ele será revolucionário para a região, torço muito por isso.
banzo December 21st, 2007, 12:24 PM Se a agua for mesmo pras pessoas certas,eu sou a favor.
Mas eu DUVIDO que vai servir pra matar a sede de sertanejo.
playjorge December 21st, 2007, 06:32 PM Galera eu não sei se é pra dar opinião, mas eu não concordo com a transposição. Pois:
*Já existem várias represas no Rio, o que irá diminuir drasticamente a vazão do rio.
*A água vai é para os grande pecuaristas e agricultores (grandes, empresas)
*Não foi feito uma analise séria dos riscos ao meio ambiente
*Um projeto tão audaciso não pode ser feito assim de uma hora pra outra.
Ex: Um rio no México teve uma transposição e hoje ele está - SECO - totalmente. Agora não tem água pra ninguém. Na China tem um projeto de transposição, mas o governo determinou que ela só vai ser feita (não sei se já começaram) depois de 50 longos anos de analises!
ZoxBoy December 21st, 2007, 08:12 PM Nesse site tem um artigo q o Aziz Ab'Saber escreveu sobre a transposição.
http://www.brasilcidadao.org.br/noticias/textos.asp?id=85
Meio longo, mas eh interessante!
rsol2000 December 21st, 2007, 10:52 PM Eu concordo c/ o projeto, mas cadê o estado mais castigado pela seca?
O Piauí!
KowalskiBV December 22nd, 2007, 12:35 AM O País todo acompanha com certa apreensão a segunda greve de fome do bispo dom Luiz Flávio Cappio (30 meses depois da primeira), contra as obras de transposição do Rio São Francisco, sem, no entanto, haver apresentado durante todo esse tempo uma alternativa ao projeto.
É um fato preocupante, até porque a própria Igreja Católica, a que ele pertence, através do Núncio Apostólico, dom Lourenzo Baldisseri, representante do papa no Brasil, já enviou uma carta ao bispo, pedindo para encerrar essa insensatez. E ele, ao que se diz, tem formação de economista, mas não revela o que deveria ser feito, em substituição ao projeto governamental.
E se a moda pega? E se toda vez que um religioso discordar de uma medida oficial resolver chantagear as autoridades com uma greve de fome? O governo, dentro da realidade de que somos um país laico, não pode recuar diante do protesto de dom Luiz, sob pena de abrir um perigoso precedente para demandas futuras. O projeto do São Francisco pode até ter suas falhas, mas elas devem ser discutidas tecnicamente, não sob uma emoção que beira a irracionalidade, como a demonstrada pelo religioso franciscano, filho de imigrantes italianos.
Desde que a idéia da transposição surgiu, ao tempo de dom João VI, as opiniões se dividem sobre o assunto, mas, é preciso ter a coragem de dizer: os seus maiores opositores se fixaram, sempre, numa concepção diferente da que está em andamento. No século 19, falava-se na possibilidade de lançamento das águas por elevação, através de uma série de canais, até a bacia do Rio Jaguaribe, no Ceará, idéia que pareceu conveniente ao grande engenheiro André Rebouças, mas foi energicamente combatida por seu colega Aarão Reis. Os rios Piranhas e Açu apareciam às vezes como possíveis recebedores das águas do Velho Chico, mas sempre através de um grande canal a céu aberto.
Depois da Revolução de 30, sendo ministro de Getúlio Vargas, o paraibano José Américo de Almeida deu parecer desfavorável à proposta, alegando que “teria o seu canal que serpentear por todo o Polígono das Secas, para não ficar mais distante dos pontos a beneficiar do que do seu leito natural”. Em anos mais recentes, acrescentou-se a esse argumento negativo o de que tal canal iria beneficiar particularmente as terras secas dos latifundiários sertanejos.
Os atuais opositores do projeto que querem dar uma aparência técnica a sua argumentação falam do desastre ecológico que a passagem do canal causaria nas terras do Semi-Árido, do perigo de inundações e na constante evaporação do gigantesco lençol d’água, afora a possibilidade de que a água do São Francisco não seja suficiente para tanto, antes de passar o rio, em suas nascentes, por um processo completo e demorado de “revitalização”.
Não é, porém, a idéia de um grande canal conduzindo águas desviadas do São Francisco o que o governo Lula está agora começando a construir, nos sertões de Pernambuco, e deve prosseguir pela Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. E aqui entra, talvez, a maior parcela da culpa do próprio governo, que há anos prega a necessidade de fazer a transposição, e reservou para isso o dinheiro julgado suficiente, mas não conseguiu demonstrar à opinião pública em que consistiram as modificações feitas no projeto original. Apenas documentos técnicos referem-se a uma canalização, tal como ocorre com as adutoras dos sistemas de abastecimento das grandes cidades brasileiras.
Por mais que o presidente da República e seus ministros falem nas necessidades de dar de beber a milhões de nordestinos, as águas do São Francisco vão servir prioritariamente para gerar renda, sendo postas à disposição do setor produtivo. Como resumiu para a revista Veja o engenheiro hidráulico Paulo Canedo, professor na UFRJ, a obra “é para dar segurança a quem quer investir no Nordeste”. Mas ele acentua que a mesmíssima coisa acontece nas grandes capitais, que recebem água de rios situados em sua periferia. “As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro vivem de transposição”, argumenta. E ninguém faz greve contra as companhias estaduais de abastecimento.
Meus amigos, sem renda não há desenvolvimento e os bolsões de miséria permanecerão, sem infra-estrutura as empresas não se instalarão e não haverá o tão famigerado desenvolvimento interiorano, sem o desenvolvimento interiorano a situação dos muitos miseráveis do flagelo da seca permanecerá igual. A construçãod e cisternas não trará dinheiro para a casa de ninguém e não melhorará ou aumentará a renda de ninguém e a água do São Francisco já é desviada em vários trechos dos estados de Minas Gerais e da Bahia para fins de dar suporte estrutural para o spojetos de agricultura nessas regiões, porque isso não pode ser extendido aos outros estados?
Thacio December 22nd, 2007, 01:12 AM vai levar água pro os outros estados, soh ki o pessoal que mora "do lado" continuará numa situação péssima, sem o acesso a água...soh no brasil!
bem lembrado pelo brother, e o Piauí?
Eu concordo c/ o projeto, mas cadê o estado mais castigado pela seca?
O Piauí!
sou totalmente contra, vejo esse projeto como uma ação eleitoreira do governo...naum sei se eh verdade, mas ouvi numa entrevista que a maior parte da água irah para indústrias e irrigação....:bash:
Inconfidente December 22nd, 2007, 01:18 AM Ex: Um rio no México teve uma transposição e hoje ele está - SECO - totalmente. Agora não tem água pra ninguém. Na China tem um projeto de transposição, mas o governo determinou que ela só vai ser feita (não sei se já começaram) depois de 50 longos anos de analises!
Sei de um caso assim também, só que na Rússia.
É para você ficar preocupado mesmo. Veja que a captação da água será antes da divisa dos estados de Sergipe e Alagoas (feita pelo rio).
Sergipanos e Alagoanos serão os mais prejudicados se o projeto der errado. Pra Bahia fará pouca difernça e para Minas não fará diferença alguma.
O que nós mineiros podemos fazer é tentar preservar as nascentes dos afluentes mineiros, reverter e prevenir a assoreação; preservar e as mata ciliares e lógico que o tratamento total do esgoto jogado no rio das Velhas (afluente do São Francisco) na região metropolitana de Belo Horizonte seria bom também, apesar de não ter relação direta com o problema.
JPBrazil December 22nd, 2007, 02:06 AM Sei de um caso assim também, só que na Rússia.
Se não me engano foi no mar Aral.
_____________
Eu tenho muito medo dessa transposição.
Está claro que esse projeto tem tudo para dar errado, os exemplos estão ai, só não enxerga quem não quer.
Naipesky December 22nd, 2007, 02:07 AM Já fui mais "contra", mas sei lá, hoje já não acho tão absurdo, exceto pela "ferida" mais exposta.
-Que não é esta.
Galera eu não sei se é pra dar opinião, mas eu não concordo com a transposição. Pois:
(...)
*A água vai é para os grande pecuaristas e agricultores (grandes, empresas)
Não acho isso ruim, pois a pobreza do sertão NE não se dá pela falta de água, mas pela falta de "dinheiro".
De empregos, de volume e circulação na economia local. Absurdo é querer fazer milhões de pessoas viverem exclusivamente do solo, em subsistência, num lugar onde a agricultura custa mais caro. Que vão para as cidades, mas para as cidades da região, que precisam se desenvolver e conseguir segurar seus habitantes...
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-Mas esta:
(...)
*Não foi feito uma analise séria dos riscos ao meio ambiente
(...)
*Já existem várias represas no Rio, o que irá diminuir drasticamente a vazão do rio.
(...)
Ex: Um rio no México teve uma transposição e hoje ele está - SECO - totalmente. Agora não tem água pra ninguém. Na China tem um projeto de transposição, mas o governo determinou que ela só vai ser feita (não sei se já começaram) depois de 50 longos anos de analises!
^^ Como falaram acima, históricos de desastres ambientais relacionados à utilização abusiva de rios não são raros: Amur-daria/Aral Sea... Rio Yang-Tsé...
Já estou preocupado é como é que vão fazer a transposição para levar mais água para o rio São Francisco...
Inconfidente December 22nd, 2007, 02:28 AM Se não me engano foi no mar Aral.
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Eu tenho muito medo dessa transposição.
Está claro que esse projeto tem tudo para dar errado, os exemplos estão ai, só não enxerga quem não quer.
Exatamente, tem a ver com a produção de algodão para suprir a demanda do exército vermelho de uniformes e com isso muito foi desviado para irrigação das plantações e hoje o mar Aral é bem menor que antigamente.
Rcrd December 22nd, 2007, 02:42 AM Se for bem feito sera otimo.
Se for mal feito sera uma catastrofe.
Nao tem meio termo.
Thambem December 22nd, 2007, 06:40 AM Excelente tópico!
Agora sim essa transposição está bem as claras para mim....=)
E Rapaz... é um Risco Essa transposição....Se der certo, ótimo! Se não der, Ferrou d vez...
CEARENSE December 22nd, 2007, 06:57 AM tem gente que nem leu o projeto e fica formando opinião errada.
seria interessante que vocês procurassem ler mais sobre o projeto, VER IMAGENS fica muitos simples e claro, é mais fiel a um resumo.
http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/integracao/infografico.asp
outros links importantes que podem esclarecer melhor o projeto, tanto em suas polêmicas, como também da parte técnica:
http://www.brasiloeste.com.br/noticia/1269/revitalizacao-sao-francisco
http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/noticias/noticia.asp?id=1728
http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/bio.html
http://www.moderna.com.br/moderna/didaticos/projeto/2006/1/rio?cod_origem=em
Como o RIO vai secar, se o que vai ser enviado pra "RIBA" é só a VAZÃO do mesmo ? :nuts:
:okay:
Paulo December 22nd, 2007, 07:10 AM ^^Só como observação... quase todos os links que vc postou são governamentais. Com certeza eles não colocam dados negativos sobre a transposição. E se colocam, é de forma a minimizar/mascarar os possíveis problemas.
Thacio December 22nd, 2007, 07:27 AM pois eh fael, c acho ki o governo,maior interressado vai mostrar as "falhas" do projeto?
tenho certeza ki naum...
CEARENSE December 22nd, 2007, 08:21 AM bom, tem dois links ai que são de blog de um cara q entende muito do assunto e ua materia jornalistica, mas também posso citar vários outros links e também até foruns que discutam sobre o assunto, ja participei de um que era so com academicos (economistas, geografos, agronomos, tecnicos, engenheiros) só discutindo sobre a transposição, e me esclareceu muita dúvida, tanto sobre a realidade dos fatos, os mitos e mentiras, os pros e contras, dai fiz o balanço e fomei minha opinião.
só acho errado é quem NUNCA procurou nem nada a respeito na midia, e fica formando opinião sem algo construtivo a complementar, SÓ DIZER não a transposição não é muito convincente :okay:
Tito December 22nd, 2007, 08:22 AM Eu sei muito bem dos problemas que a população sertaneja passa. Creio que existam outras soluções para minimizar esta situação climática, sem precisar por em risco um dos principais rios do país...
Só mais uma informação para vocês:
Para quem não sabe, o fluxo de água salgada que adentra o rio é cada vez maior, sabem por quê? Porque o rio não está com a mesma força, todo o ano o nível de água salgada que adentra muitos quilômetros no rio é muito grande, ou seja, se desviassem uma boa parte das águas do rio, o que vocês acham que aconteceria com esta "invasão" do oceano? Ele adentraria dezenas, centenas de quilômetros com o rio sem força, e com que água a população ribeirinha contaria? Água salgada? Ou será que contariam com os canais abertos pela transposição? Este projeto só "pensa" nos outros estados e não no risco que os que os que dependem do rio estão correndo...
Não adianta você morar à milhares de quilômetros do rio e querer se basear em notícias e informações fornecidas pela mídia, governo, o que importa é que nós que estamos aqui, e temos a oportunidade de de ver o dia-a-dia do rio vemos o quanto ele já está sofrendo... A coisa não é tão simples como muitos imaginam, venham ver de perto a situação e quero ver se muitos continuarão apoiando a obra... Pensem nisto! :okay:
Mais uma coisa, o governo faz de tudo para colocar os outros estados contra Alagoas, Bahia e Sergipe. Eles fazem questão de dizer que estes estados não ligam para os sertanejos dos outros estados, fazem de tudo para fazer com que nossa região fique desunida, o que é uma pena... :ohno:
Tito December 22nd, 2007, 08:24 AM bom, tem dois links ai que são de blog de um cara q entende muito do assunto e ua materia jornalistica, mas também posso citar vários outros links e também até foruns que discutam sobre o assunto, ja participei de um que era so com academicos (economistas, geografos, agronomos, tecnicos, engenheiros) só discutindo sobre a transposição, e me esclareceu muita dúvida, tanto sobre a realidade dos fatos, os mitos e mentiras, os pros e contras, dai fiz o balanço e fomei minha opinião.
só acho errado é quem NUNCA procurou nem nada a respeito na midia, e fica formando opinião sem algo construtivo a complementar, SÓ DIZER não a transposição não é muito convincente :okay:
Não precisamos procurar informações na mídia, quando estamos vendo a realidade do rio. A mídia só se importa com ela mesma. Sei disso, pois estudo isto! ;)
Thacio December 22nd, 2007, 09:51 AM bom, tem dois links ai que são de blog de um cara q entende muito do assunto e ua materia jornalistica, mas também posso citar vários outros links e também até foruns que discutam sobre o assunto, ja participei de um que era so com academicos (economistas, geografos, agronomos, tecnicos, engenheiros) só discutindo sobre a transposição, e me esclareceu muita dúvida, tanto sobre a realidade dos fatos, os mitos e mentiras, os pros e contras, dai fiz o balanço e fomei minha opinião.
só acho errado é quem NUNCA procurou nem nada a respeito na midia, e fica formando opinião sem algo construtivo a complementar, SÓ DIZER não a transposição não é muito convincente :okay:
assim como tem gente que diz sim a transposição, "sem algo construtivo a complemetar"...
:D
mas faze o q..quem tem boca fala o q quer, vc pelo menos buscou infromações, ainda q a opinião seja contrária...:)
Thacio December 22nd, 2007, 09:52 AM Eu sei muito bem dos problemas que a população sertaneja passa. Creio que existam outras soluções para minimizar esta situação climática, sem precisar por em risco um dos principais rios do país...
Só mais uma informação para vocês:
Para quem não sabe, o fluxo de água salgada que adentra o rio é cada vez maior, sabem por quê? Porque o rio não está com a mesma força, todo o ano o nível de água salgada que adentra muitos quilômetros no rio é muito grande, ou seja, se desviassem uma boa parte das águas do rio, o que vocês acham que aconteceria com esta "invasão" do oceano? Ele adentraria dezenas, centenas de quilômetros com o rio sem força, e com que água a população ribeirinha contaria? Água salgada? Ou será que contariam com os canais abertos pela transposição? Este projeto só "pensa" nos outros estados e não no risco que os que os que dependem do rio estão correndo...
Não adianta você morar à milhares de quilômetros do rio e querer se basear em notícias e informações fornecidas pela mídia, governo, o que importa é que nós que estamos aqui, e temos a oportunidade de de ver o dia-a-dia do rio vemos o quanto ele já está sofrendo... A coisa não é tão simples como muitos imaginam, venham ver de perto a situação e quero ver se muitos continuarão apoiando a obra... Pensem nisto! :okay:
Mais uma coisa, o governo faz de tudo para colocar os outros estados contra Alagoas, Bahia e Sergipe. Eles fazem questão de dizer que estes estados não ligam para os sertanejos dos outros estados, fazem de tudo para fazer com que nossa região fique desunida, o que é uma pena... :ohno:
:applause:
KowalskiBV December 22nd, 2007, 07:03 PM Os que apóiam Dom Cappio não podem ser de esquerda. Tornaram-se cúmplices e motores de um dos mais profundos conservadorismos brasileiros. Um esquema que glorifica exatamente aquilo que precisa ser vencido: fome, sofrimento e morte
Por Rodrigo Guéron, no Le Monde
Escrevi um primeiro artigo sobre a greve de fome de Dom Luiz Cappio contra a transposição do Rio São Francisco no jejum anterior do religioso. Naquela ocasião, ele recebeu o apoio de alguns dos maiores coronéis oligarcas nordestinos: ACM foi visitá-lo e o então governador de Sergipe, João Alves Filho, chefe do pefelê local, participou de uma missa em sua homenagem. Note-se que ambos foram derrotados, nas eleições que se seguiram, exatamente por dois candidatos a governador do PT, numa campanha eleitoral onde as obras do rio não deixaram de ser debatidas.
É evidente que as discussões técnicas em torno da transposição são importantes. O problema são as características do ato protagonizado pelo bispo, o que esta performance diz e simboliza. Muito mais que os apoios ecléticos recebidos por Dom Cappio, seu gesto traz à tona algo que expressa o que o Brasil, e o Nordeste em particular, têm de mais conservador e violento.
O ato do bispo é, em primeiro lugar, um culto à fome, ao sofrimento e em última análise à própria morte. O bispo se auto-exalta, e é exaltado, como alguém que seria mais virtuoso que os outros porque sofre e passa fome. Isso o faria uma espécie de portador da verdade. Ou seja, fome e sofrimento seriam uma espécie de passaporte para a bem. Dessa maneira, no entanto, o bispo restaura o próprio circuito de miséria, violência endêmica e poder, que se fecha numa lógica, num sentido, que há mais de um século aprisiona a vida, e conseqüentemente a política, no Nordeste.
A pulsão de morte... a mistificação religiosa contra a qual Glauber Rocha se levantou com veemência
O mal que o moralismo salvacionista católico fez, e faz, ao país, apesar de toda ambígua e impressionante potência de Canudos, parece não ter fim. O culto ao mártir morto e vitimizado, a lógica da sina do miserável predestinado; enfim, a mistificação religiosa contra a qual Glauber Rocha se levantou com veemência. Esse ímpeto, que balança entre o conformismo e a atitude suicida/auto-martirizante por uma grande causa – como supostamente é a do bispo – transforma-se numa espécie de pulsão de morte coletiva que transcende, no Brasil, os limites do Nordeste.
Estou longe de ser um entusiasta do desenvolvimentismo, do progresso a qualquer preço: aí também existe um culto positivista e uma crença na redenção, em torno da qual organizam-se esquemas de poder.
Acredito, no entanto, que água, produção de alimento e mudanças nas relações de trabalho fariam bem ao sertão. É claro que deve haver pressão política, para que os pequenos proprietários desfrutem da obra. Eles podem vir a ser uma classe média rural, pequenos produtores, por vezes resultado das ocupações de latifúndios improdutivos feitas pelo MST, e que votaram massivamente em Lula nas últimas eleições. A Pastoral da Terra e a UDR que me desculpem, mas o MST é fundamental para o crescimento do nosso mercado agrícola; para que avance o processo de diversificação e barateamento dos alimentos que hoje vivemos no país.
E embora me considere à esquerda dos marxistas, com suas teleologias e transcendências, há até algo de marxista nessa minha afirmação, qual seja, entender que as transformações da produção são sempre, de certa forma, uma transformação – e uma produção – política. Mas o marxismo cristão brasileiro torna-se cada vez mais conservador: prefere a metafísica de Marx – a salvação em algum socialismo imaculado – ao seu materialismo. É triste que os teóricos da Teologia da Libertação, que produziram uma ruptura e um movimento liberador na imanência das lutas, na rebelião dos pobres e na potente palavra de ordem do MST (“Ocupar, resistir, produzir”, hoje um tanto esquecida...), tenham caído nessa captura conservadora que nega a vida pela transcendência.
A mesma lógica moralista de Frei Betto, quando diz que o problema é os pobres desejarem
É curioso, inclusive, que uma conhecida atriz global apóie com tanta veemência o tal bispo. Ela que, como milhões de pessoas, todos os dias toma banho em água limpa graças à transposição do rio Guandu, que abastece o Rio de Janeiro; e que é famosa graças, além de seu trabalho, à poderosa indústria do entretenimento e a seu custoso aparato tecnológico, quer agora negar a tecnologia aos pobres e falar dos perigos do mercado e do dinheiro se expandir pelo sertão.
É a mesma lógica moralista que fez Frei Betto dizer, há não muito tempo, que a culpa da fome era da geladeira, porque fez os pobres desejarem ter sorvete e refrigerante, quando antes se satisfaziam com arroz, feijão e carne seca. Os pobres, os que estão fora do “mercado” desejando: este é na verdade o “perigo”....
Parece claro, portanto, que não foi contra os possíveis problemas da transposição do rio, nem contra as grandes misérias do capitalismo, que essa greve se voltou. É na verdade – como Gil e Caetano bem disseram na canção Haiti, numa menção à ira de nossas “classe médias” contra as escolas propostas por Darci Ribeiro — “um pânico mal-dissimulado diante de qualquer, mas qualquer mesmo, plano que pareça fácil é rápido, e vá representar uma ameaça de democratização...”
Suponhamos mesmo que, na pior hipótese, a transposição beneficie o agronegócio, as mega-empresas agrícolas exploradoras. Então, organiza-se um sindicato, reivindica-se melhores salários, participação nos lucros, faz-se uma boa greve... Em todo caso, melhor que o servilismo aos coronéis, que não querem a transposição; melhor que uma procissão de miseráveis que santificarão um bispo morto e pedirão que Deus “nos mande chuva” e se autogloficarão na miséria, na privação e na dor.
Acho inadmissível que setores que se dizem “de esquerda” apóiem isso: não são de esquerda, posto que estão sendo cúmplices e motores de um dos mais profundos conservadorismos brasileiros. Um esquema que e glorifica exatamente aquilo que precisa ser vencido: fome, sofrimento e morte.
Rodrigo Guéron: Doutorando em Filosofia da UERJ, Mestre e Graduado em Filosofia pela UFRJ ( Dissertação de Mestrado: Nietzsche e a História), Professor Assistente da Universidade Santa Úrsula, Professor Assistente da Universidade Candido Mendes, Professor Substituto da UERJ, Diretor e roteirista de cinema e vídeo. Últimos artigos: "O Samba e o Modernismo" revista UAPÊ; "A Naturalização do Matar ou Morrer": revista do CEAF.
bs.eduardo December 22nd, 2007, 09:43 PM Galera eu não sei se é pra dar opinião, mas eu não concordo com a transposição. Pois:
*Já existem várias represas no Rio, o que irá diminuir drasticamente a vazão do rio.
*A água vai é para os grande pecuaristas e agricultores (grandes, empresas)
*Não foi feito uma analise séria dos riscos ao meio ambiente
*Um projeto tão audaciso não pode ser feito assim de uma hora pra outra.
Ex: Um rio no México teve uma transposição e hoje ele está - SECO - totalmente. Agora não tem água pra ninguém. Na China tem um projeto de transposição, mas o governo determinou que ela só vai ser feita (não sei se já começaram) depois de 50 longos anos de analises!
De uma hora pra outra? Esse projeto existe desde a época do Império.
bs.eduardo December 22nd, 2007, 09:45 PM vai levar água pro os outros estados, soh ki o pessoal que mora "do lado" continuará numa situação péssima, sem o acesso a água...soh no brasil!
bem lembrado pelo brother, e o Piauí?
sou totalmente contra, vejo esse projeto como uma ação eleitoreira do governo...naum sei se eh verdade, mas ouvi numa entrevista que a maior parte da água irah para indústrias e irrigação....:bash:
Essas pessoas que moram do lado do rio e não tem água são de responsabilidade dos governos locais, que deveriam se mobilizar para garantir verbas para a distribuição dessa água para a população.
CEARENSE December 23rd, 2007, 12:33 AM é como uma vez vi numa coluna de um jornalista, ELES PASSARAM 500 anos destruindo o RIO, e SÓ agora surge essa preocupação. engraçado ne ?
TITO, o que será enviado para RIBA é somente a VAZÃO do rio, o São Francisco não vai secar e o projeto também inclui a REVITALIZAÇÃO e o combate ao assoreamento, que as cidades RIBEIRINHAS estão DESTRUINDO !
odilsons December 23rd, 2007, 03:40 AM Se não me engano foi no mar Aral.
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Eu tenho muito medo dessa transposição.
Está claro que esse projeto tem tudo para dar errado, os exemplos estão ai, só não enxerga quem não quer.
Foi no mar Cáspio! A utilização da água do mar Cáspio para irrigação fez com que o nível do mar baixasse alguns metros, o que fez surgir embarcações que estavam no fundo do mar há muito tempo. Na Europa os índices pluviométricos são muito inferiores aos do Brasil com um perído chuvoso mais curto. O São Francisco depende muito das águas da chuva que caem em suas cabeceiras. Já a partir do norte de MG até a foz, as chuvas ocorrem durante no máximo dois meses no ano. O rio pode secar sem presciar construir esses canais. Com o desmatamento que ocorre em MG, local onde o rio recebe maior quantidade de água, vão ocorrer cheias violentas no período chuvoso (porque com o desmatamento o solo perdeu sua porosidade) e seca no período de estiagem. Com o desmatamento o solo perde sua porosidade, não permitindo que a água da chuva penetre até o lençol freático (imenso reservatório de água embaixo da terra). Quando chega a época da estiagem (sem chuvas) o imenso reservatório esta com pouca água para alimentar o rio no período sem chuvas. Por que o Tietê e o Pinheiro transbordam na época das chuvas? Porque a onde existia uma mata e um solo poroso, hoje só tem prédios, asfalto e calçadas, que tornaram o solo impermeável. Numa área de floresta, quando cai uma chuva, cerca de 80% dela é absovida pelo solo e vai abastecer o lençol freático. Somente 20% é que corre diretamento pro rio. Logo, toda chuva que cai em São Paulo vai diretamente para o rio.
Tito December 23rd, 2007, 07:06 AM é como uma vez vi numa coluna de um jornalista, ELES PASSARAM 500 anos destruindo o RIO, e SÓ agora surge essa preocupação. engraçado ne ?
TITO, o que será enviado para RIBA é somente a VAZÃO do rio, o São Francisco não vai secar e o projeto também inclui a REVITALIZAÇÃO e o combate ao assoreamento, que as cidades RIBEIRINHAS estão DESTRUINDO !
Não estou questionando se o rio vai secar ou não, você é que não entedeu tudo o que esplanei sobre a fraqueza do rio... Se nem com esta tal VAZÃO o rio está suportando o avanço do mar, então para você, ela não faz diferença né? Ahhh desculpe, afinal, a água que mandarão para os outros estados será DOCE, será a água que o MAR não irá encontrar(por enquanto), ou seja, o RESTO que se dane... :)
muckie December 23rd, 2007, 07:09 AM Galera eu não sei se é pra dar opinião, mas eu não concordo com a transposição. Pois:
*Já existem várias represas no Rio, o que irá diminuir drasticamente a vazão do rio.
*A água vai é para os grande pecuaristas e agricultores (grandes, empresas)
*Não foi feito uma analise séria dos riscos ao meio ambiente
*Um projeto tão audaciso não pode ser feito assim de uma hora pra outra.
Ex: Um rio no México teve uma transposição e hoje ele está - SECO - totalmente. Agora não tem água pra ninguém. Na China tem um projeto de transposição, mas o governo determinou que ela só vai ser feita (não sei se já começaram) depois de 50 longos anos de analises!
EXATAMENTE
mosrtando o projeto parece interessante
mas esquecemos que moramos no brasil...
o fato mais importante eh que soh vai aumentar a concentracao de renda do nordeste
vai beneficiar apenas os latifundiarios e grandes pecuaristas
como?
pelo simples fato obvio de que as areas irrigadas vao ser compradas a preço de banana, ou pior, vao ser griladas pelos latifundiarios expulsando a populacao local...
serao 4,5 bi (que vai ser aumentado para 10 bi e demorara mais de 15 anos para ser construida - ou seja, boa parte vai ser desviada)...
eh muito dinheiro para no final servir apenas para poucos
como sabemos, a pujante e emegente agricultura no nordeste nao eh de medios produtores, muito menos pequenos.... mas sim para a monocultura latifundiaria concentradora.. nas maos dos coroneis e de gente vindo de outas regioes... resultado... expulsao cada vez mais dos nativos...
maior favelizacao
cara, e se o rio secar... FUDEU
Arquivista December 26th, 2007, 03:47 AM Se for bem feito sera otimo.
Se for mal feito sera uma catastrofe.
Nao tem meio termo.
Assino embaixo. Sou otimista e isso vai dar certo, o povo de lá é muito sofrido e precisa desse alívio. E também acredito que a água desses canais não irão só para grandes pecuaristas e agricultores, já é pensar negativo demais. Essa água irá para todos que direito, certeza!!!!!
TiagoSS December 26th, 2007, 03:55 AM Quem aqui que já se pronunciou conheçe a realidade do Rio São Francisco de perto?
Vittariano December 26th, 2007, 08:46 PM Realmente uma grande obra...tomara que saia do papel!
Tito December 27th, 2007, 02:12 PM Realmente uma grande obra...tomara que saia do papel!
Tem razão, acho que grande d+ até ! ^^
Speedy128k =) December 27th, 2007, 02:27 PM Isso vai acabar com a seca ?
tnq13 December 27th, 2007, 06:38 PM Isso vai acabar com a seca ?
NÃO. Como já disseram só vai favorecer grandes proprietários...
Acho MUITO díficil alguém ter sequer água pra beber nos períodos de seca.
O mínimo que deveria fazer é cobrar pela água transposta. Mas antes de começarem a desviar a água, deveriam revitalizar o rio, impedir que os produtores que retiram água de qualquer jeito continuem a fazer isso. Mas sabemos que nada disso será feito, serão gastos milhões e tudo isso só servirá pra matar o rio e aumentar o problema da seca.
rsol2000 January 8th, 2008, 12:30 AM Hj recomeçaram as obras no Rio São Francisco.
TiagoSS January 27th, 2008, 08:41 PM Contra a transposição. Sou ribeirinho e desde minha infância pude acompanhar o quadro de "debilidade" e morte lenta do rio São Francisco (Velho CHico). A situação é degradante. Começemos apresentando algumas situações que contribuirão para o melhor entendimento de minha opinião. A comecar:
1. - O ciclo natural de "enchentes e vazantes" está comprometido, não pelas inconstâncias de chuvas, mas, sobretudo, pelo represamento das águas pelas usinas hidroelétricas;
2. - Desmatamento das margens provocando o assoreamento dele e responsável pela mortandade de seus afluentes;
3. - Falta de uma política pública de tratamento dos esgotos sanitários e industriais que historicamente são jogados em seu leito, sem tratamento algum.
O projeto de transposição do rio São Francisco é antigo. Data dos idos do século XIX, da época de Dom Pedro II. Portanto, não é algo recente. Seria este projeto a melhor resposta à questão aguda da seca e fome no nordeste brasileiro, segundo o Império. O referido projeto não foi executado naquele século, pois faltava à "administração" imperial estrutura de engenharia. Em pleno século XX, mais especificamente nas décadas de 19-"40", durante o governo Vargas, é então retomada a discussão. Infrutífera, o projeto é novamente retirado das pautas governamentais. Somente 5 décadas depois, já no governo Fernando Henrique Cardoso (19-"94") o projeto é novamente pautado como uma política estruturante de desenvolvimento regional (NE). Com a polêmica de transposição re-acesa, mais uma vez prima-se pelo "adormecimento" da proposta.
A partir de 2002, com a vitória nas eleições, o Governo Lula passa a enfrentar os discussos inflamados da oposição, mas também de membros de seu partido (PT) e de aliados, que relutavam em questionar e condenar tal projeto. Fato é que ele está sendo desenvolvido e a sociedade, embora atônita, pouco faz para barrar tal "decisão". Isso talvez aconteça por falta de informação, ou ainda, por falta de mobilização social.
Nos ítens 1, 2 e 3, respectivamente, defendo que o grande número de usinas hidroelétricas construídas em todo o curso do rio é fator determinante para os impactos gerados ao rio e à sociedade. São impactos dicotômicos, vejamos alguns: favoreceu o desenvolvimento das economias estaduais, regionais e, porque não, da nacional. Do outro lado, os impactos ambientais, sociais e culturais: desmatamento, mudança do curso natural do rio, assoreamento, provocou a migração de famílias para outras áreas geográficas (êxodo,...), mudanças de hábitos e costumes (tradições culturais): comprometimento da pesca,... transporte de mercadorias nos rios (extinção do uso das canoas de tolda e barcos à vapor).
O crescimento populacional das populações ribeirinha, o adensamento das cidades, geraram outro grave problema: poluição do rio pelos dejetos sanitário e industrial. A falta de uma política de tratamento de esgoto (dos dejetos) faz com que milhares de litros de dejetos sanitários e industriais sejam jogados diariamente e "in natura" no rio. Soma-se a isso o aumento da mortandade de várias espécies de peixe, água imprópria para o consumo, mas também, a proliferação de várias doenças.(...)
Engraçado que - mas ciente de que não depende só deles, mas também da própria sociedade - vários gestores (políticos / politiqueiros) que assumiram funções executivas (governos estaduais, municipais) e legislativas (deputados estaduais, federais, ...) em períodos recentes - décadas de 1980 - 2002, não realizaram qualquer política de valorização do Rio São Francisco (tratamento de esgoto,... reflorestamento, / revitalização...), e hoje condenam a situação de desprezo do rio. Infelizmente, a questão de vida ou morte do Rio São Francisco, é e sempre foi tratada como instrumento de manipulação política. O compromisso com o rio, tampouco, com a sociedade sempre vem em segundo plano. Antes de manifestarem-se sugiro, a quem possa, conhecê-lo antes de quaisquer colocações / pronunciamentos. Reitero aqui que não sou contra uma proposta de desenvolvimento para o Nordeste. Para se pensar em transposição é preciso antes revitalizá-lo, para só então estruturarem-se estudos sobre a viabilidade deste e de outros projetos. Considerar a transposição do Rio São Francisco, na atualidade, a resposta aos problemas do Nordeste é "atirar no escuro" - usando uma expressão popular. É algo insustentável, infundado e até mesmo radical.
Revitalização já!
Obs: Desculpem-me a redação. Apenas expressei minha opinião. Não corrigi o texto. Espero que ao menos seja esclarecedora. Em breve postarei algumas imagens.
caco January 28th, 2008, 05:35 AM Foi no mar Cáspio! A utilização da água do mar Cáspio para irrigação fez com que o nível do mar baixasse alguns metros, o que fez surgir embarcações que estavam no fundo do mar há muito tempo.
O desastre foi no Mar de Aral mesmo, como o JPBrasil frisou. O volume de água baixou 85% e a sua área foi reduzida em 60%, tranformando seu antigo leito em deserto.
rsol2000 January 28th, 2008, 07:16 PM Eu concordo com o projeto de uma outra forma: aqueduto!
Existem oleodutos percorrendo milhares de kms na América Latina e principalmente o Brasil.
Pq ao invés de canalizar, não constroi um sistema de aqueduto saindo do Rio São Francisco para todas as regiões e cidades afetadas pela seca?
Mesmo não concordando com o projeto do governo petista, sou a favor, desde que revitalize o Rio.
Aliás como esta o andamento das obras? Alguem tem fotos?
DaniloNunes January 29th, 2008, 05:29 PM pelo amor de deus... quanta besteira as pessoas falam, viu. "Já que os ribeirinhos só destruiram o rio durante todo esses tempo agora vamos mandar a aguá pros mais necessitados"; "o que vai ser mandado pras regiões mais secas é só a vazão do rio"; "esse é um projeto da época do descobrimento" ahhhh, pelo amor de deus! Não dá pra engolir as coisas que os políticos falam dessa forma! Onde estão a sensibilidade, responsabilidade, o discernimento? Não é a toa que nosso país continua do jeito que está! É um absurdo vermos o São Francisco morrendo e sugerirem o tiro fatal! Eu, enquanto sergipano, me sinto completamente esquecido. O Rio vai secar na foz msm, ne? ninguém mais além dos sergipanos e alagoanos vai presenciar esse espetáculo! Uma atrocidade! Tenho vergonha deste país...
DaniloNunes January 29th, 2008, 05:37 PM Não é a toa que o projeto é a todo momento barrado pelo ministério público! Existe algo de errado que só n vê quem está cego e só pensa nas migalhas desse projeto ridículo! Lutem por formas mais sensatas de driblar a seca! Existem outras formas mais baratas! Existem outras formas mais sustentáveis! Mais ecológicas! Esse governo ridículo quer uma obra faraônica e extremamente popularesca que renda milhões de votos dos nossos sertanejos sofridos e ignorantes, sertanejos que não sabem o que pode acontecer no futuro e são "alvo fácil" de "promessas fáceis"... Obras faraônicas, alias, envolvem mtooooo dinheiro! Dinheiro das empreiteiras que as tocarão! Uma bobagem tudo isso! Uma vergonha morar nesse país!
DaniloNunes February 21st, 2008, 12:52 AM só adicionando este texto q acabei de ler, é de dezembro do ano passado. um texto bastante claro e coerente. só n fala das consequencias para o rio se esse projeto for levado, como está sendo, a diante.
O ESTADO DE S. PAULO
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
ESPAÇO ABERTO
Bordões surrados não resolvem
Washington Novaes
E termina mais um capítulo da novela da transposição de águas do Rio São Francisco - tema tratado tantas vezes pelo autor destas linhas há uns dez anos neste espaço - sem que, na verdade, nada se tenha avançado no que parece ser o essencial para a sociedade brasileira: trata-se mesmo do melhor projeto para resolver problemas de água no Semi-Árido e do próprio rio ou há alternativas mais adequadas? Porque uma infinidade de perguntas feitas ao longo de décadas continua sem resposta.
Ao comentar a nova greve de fome do bispo dom Luís Cappio, o presidente da República apenas reiterou o velho refrão de que “é o projeto mais humanitário do governo; e só quem carrega uma lata d’água na cabeça e viu sua cabrinha morrer de sede sabe o que é o problema da seca”. Por isso, dele não se afasta. Já o ministro da Integração (que antes de ir para o governo era contra a transposição) se limitou a assegurar que o trecho principal da obra, no valor de R$ 4,5 bilhões (o total é estimado em R$ 6,6 bilhões), “estará concluído até o fim do governo Lula”. O bispo, ao encerrar a greve, lamentou a “subserviência” do Judiciário ao Executivo federal, ao revogar na semana passada liminar que impedia a continuação das obras. E pediu a seus seguidores que não abandonem a luta pela revitalização do São Francisco.
Então, o que cabe é reiterar algumas das muitas perguntas que continuam sem resposta.
Ao longo dos anos, o governo federal, por vários de seus porta-vozes, tem dito, para justificar o projeto, que “não se pode negar uma caneca de água para 12 milhões de vítimas da seca”; mas o Tribunal de Contas da União, num parecer, afirmou que o projeto não beneficiará esse número de pessoas; e o próprio Ibama, ao examinar o estudo de impacto ambiental do projeto, mostrou que este num momento mencionava 12 milhões, em outro eram 7,24 milhões, mais adiante 9,02 milhões e até 7,21 milhões; da mesma forma, a área total a ser irrigada com águas transpostas, que num trecho do estudo era de 161 mil hectares e em outro, de 186 mil hectares.
Segundo o Comitê de Gestão da Bacia Hidrográfica do São Francisco, a transposição atenderá a menos de 20% da população do Semi-Árido; 40% da população continuará sem água - exatamente as pessoas que mais precisam; e a revitalização do rio, prometida pelo governo, “precisa sair do terreno da retórica”; estudo de Henrique Cortez observa que, “nos relatórios da Secretaria Nacional de Defesa Civil, órgão do Ministério da Integração Nacional, ao longo dos últimos cinco anos, 70% dos municípios em estado de emergência em razão da seca não estão na área ‘molhada’ pela transposição”.
Vários cientistas e especialistas em recursos hídricos - como os professores Aldo Rebouças e Aziz Ab’Saber, da USP, João Abner, da UFRN, João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco (PE) - têm dito que o problema do Semi-Árido não é de escassez de água, é de má gestão; em apoio a essa posição, tem sido mostrado que o Nordeste acumula 37 milhões de metros cúbicos de água em 70 mil represas de pequeno, médio e grande porte, enquanto o consumo urbano (humano e industrial) é de 22,5 metros cúbicos por segundo para uma disponibilidade de 220 m3/seg; a demanda em 226 mil hectares irrigáveis previstos no projeto, de 131 m3/seg, pode ser atendida pela oferta de água já disponível; além do mais, o próprio Departamento Nacional de Obras contra a Seca diz que 50% dos “perímetros irrigados” em sua área não têm nenhuma serventia; várias avaliações prevêem que boa parte da água se perderá ainda por evaporação nos açudes onde será acumulada; e que essa água custará cinco vezes mais caro do que a disponível hoje (quem pagará a diferença?).
O mais recente manifesto em apoio ao bispo dom Luís Cappio afirma que 71% das águas a serem transpostas no Eixo Norte “passam longe do sertão menos chuvoso”; que 87% das águas se destinam não ao abastecimento de comunidades carentes, e sim a atividades econômicas, entre elas a fruticultura irrigada, criação de camarões e siderurgia, voltadas para a exportação; que o projeto atende apenas a quatro Estados, quando, com metade dos recursos, seria possível atender mais adequadamente a nove.
O próprio Ibama, em seu exame do estudo de impacto ambiental, entre as 41 observações que fez, mostrou que a transposição não atende prioritariamente a populações que sofrem com a seca: 70% das águas - diz o órgão licenciador - destinam-se à irrigação e 26% ao abastecimento de cidades (quando estudo recente mostrou que o Nordeste não foge à regra brasileira - na média, as cidades desperdiçam mais de 40% da água que sai das estações de tratamento); e, o que é mais grave, segundo o Ibama: 20% dos solos que se pretende irrigar “têm limitações para uso agrícola”; estes, “somados aos solos neolíticos, notadamente impróprios para a agricultura”, respondem por mais de 50% das terras que se pretende irrigar; e “62% dos solos precisam de controle por causa da forte tendência à erosão”; ainda assim, e mesmo com oito das suas perguntas não respondidas, o Ibama concedeu a licença prévia e, depois, a de instalação.
Vários estudos alternativos têm mostrado que, com metade dos recursos previstos para a transposição, seria possível beneficiar 530 municípios e 34 milhões de pessoas; que populações a 500 metros dos canais de transposição não serão por eles beneficiadas; que a solução adequada para comunidades isoladas é a das cisternas de placa (só foram implantadas 216 mil de 1 milhão projetadas, com 85% de recursos federais e o restante de instituições privadas).
São, todas, questões graves. O novo episódio com o bispo dom Luís Cappio não encerra a discussão. A sociedade brasileira, que paga os custos do projeto, tem o direito de exigir respostas. E o governo tem o dever de respondê-las - mas não apenas com os bordões surrados que já cansaram os ouvidos.
Washington Novaes é jornalista
E-mail: wlrnovaes@uol.com.br
dyegounicap October 1st, 2010, 05:01 AM Edit
mopc October 1st, 2010, 07:44 PM podiam fundir esse tópico ao mais ativo
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