View Full Version : Bovespa se descola de New York.


Tlag
January 9th, 2008, 03:50 PM
A Bovespa ganha vida própria

| 27.12.2007

O mercado brasileiro subiu de patamar e depende cada vez menos dos humores da bolsa de Nova York.

Por Giuliana Napolitano


EXAME
O ano de 2007 ficará marcado na história do mercado de capitais brasileiro graças à abertura de capital da Bolsa de Valores de São Paulo, um dos IPOs mais ruidosos dos últimos tempos. Mas talvez a verdadeira transformação na bolsa paulista tenha sido outra. Ao longo dos últimos meses, a Bovespa vem gradualmente se descolando da bolsa de Nova York. É como se tivesse ganhado vida própria depois de anos em que o vaivém das ações de empresas brasileiras era ditado quase exclusivamente pelos burburinhos vindos do mercado americano -- e pelo dinheiro aportado por investidores estrangeiros. Pelo menos nos últimos seis meses, o Índice Bovespa, principal termômetro do mercado acionário brasileiro, segue uma tendência diferente do S&P 500, da bolsa de Nova York. Não foram poucas as vezes em que o Ibovespa se valorizou quando o S&P, pressionado pela crise imobiliária nos Estados Unidos, caiu -- o que levou o indicador brasileiro a chegar a 19 de dezembro com alta acumulada de 39%, enquanto o S&P subiu apenas 2% no mesmo período. "É a primeira vez que esses índices se afastam tanto desde o início do Plano Real", diz Paulo Tenani, chefe de pesquisa para a América Latina do UBS Pactual Wealth Management.
No jargão dos pregões, as bolsas se descolaram. É possível medir esse distanciamento numericamente, por meio de um indicador técnico usado pelos profissionais do mercado financeiro, chamado de correlação. Quanto mais próxima de 1 for a correlação entre dois mercados acionários, mais conectados eles estão. Esse indicador, que chegou a bater 0,97 no começo do ano, caiu para 0,38 em dezembro. Por que isso aconteceu? Porque a economia e o mercado de capitais brasileiro foram capazes de gerar fatos fortes o suficiente para se sobrepor à influência externa. Durante a maior parte do ano, esses fatos foram positivos, o que explica a forte alta do Ibovespa -- por exemplo, o maior crescimento do produto interno bruto, o equilíbrio das contas externas e a perspectiva de o país obter o grau de investimento das agências internacionais de risco. Alguns acontecimentos isolados também beneficiaram a bolsa, como a descoberta de reservas gigantescas de petróleo pela Petrobras na bacia de Santos, no litoral de São Paulo. Em razão do anúncio, as ações da estatal subiram 16% nos dias 8 e 9 de novembro e levaram o Ibovespa a fechar aquela semana em alta, apesar de o S&P 500 ter caído quase 4% no mesmo período. Além disso, os investidores brasileiros, pessoas físicas e institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, entraram em peso na bolsa em 2007. "Isso contrabalançou a saída dos estrangeiros e sustentou a valorização da bolsa", diz Alexandre Póvoa, diretor da gestora de recursos Modal Asset Management. "Há alguns anos, essa fuga de dólares teria derrubado o preço dos papéis."

PARA QUEM APLICA EM AÇÕES, o fato de a bolsa brasileira ter começado a andar com as próprias pernas é uma boa notícia. "Hoje, as novidades que partem do Brasil são, em sua maioria, positivas. Os riscos estão no exterior, especialmente nos Estados Unidos", diz Ricardo Amorim, diretor de pesquisa econômica e estratégia do banco alemão WestLB em Nova York. Nesse cenário doméstico positivo, a dúvida, por ora, diz respeito às finanças do governo com o fim da CPMF. A não-aprovação do tributo pelo Senado, em votação ocorrida no início de dezembro, vai exigir um esforço extra do governo para equilibrar suas contas. Ainda assim, é consenso entre os especialistas que as conseqüências para a bolsa serão brandas. A maioria prevê que o governo compensará a perda de arrecadação combinando aumento de impostos com corte de gastos. "É uma notícia que muda a intensidade -- deve fazer o mercado acionário perder um pouco de força --, mas não a tendência, que continua sendo de alta", diz Amorim.
O cenário é otimista, mas ninguém prevê um ano tranqüilo. Apesar de a bolsa brasileira ter ganhado vida própria, ninguém pode imaginar que ela esteja imune à influência americana. "Não dá para ignorar o peso exercido pelo maior mercado acionário do planeta", diz Ivan Monteiro, sócio da gestora de recursos carioca JGP. Um exemplo disso ocorreu em julho e agosto. O agravamento da crise das hipotecas levou a bolsa brasileira a ter um dos piores pregões em anos -- em 16 de agosto, o Ibovespa caiu 8,8% ao longo do pregão e esteve na iminência de passar por um circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações para acalmar o mercado. Não é improvável que dias assim se repitam em 2008. O risco de haver uma recessão nos Estados Unidos é cada vez maior, o que deve deixar os mercados voláteis. No entanto, se a crise americana não afetar de forma radical a economia global -- e se o Brasil mantiver o curso --, os investidores podem esperar bons retornos da bolsa brasileira. A estimativa média de analistas de bancos e corretoras para o fim de 2008 aponta para um Ibovespa em 85 000 pontos, o que representa valorização de 38% em relação ao fechamento de 19 de dezembro. "Isso nunca aconteceria no passado", diz Tenani, do UBS Pactual. "Se as perspectivas para os Estados Unidos fossem ruins, dificilmente algum analista se arriscaria a prever um bom desempenho para a Bovespa." É sinal de que algo mudou -- para melhor -- no mercado acionário brasileiro.


Fonte: Exame.
:banana::banana::banana:

Bob_Omena
January 9th, 2008, 03:57 PM
que ótima notícia!

zeh
January 9th, 2008, 04:08 PM
??? num mundo globalizado...

XxX_Apple_XxX
January 9th, 2008, 07:15 PM
sniff... :) :)
mto bom, pq é o que anda ocorrendo, a Bovespa fecha em pequena ou forte alta e as bolsas dos EUA fecham em baixa :D

Gutovsky
January 9th, 2008, 08:17 PM
É um movimento normal num país de dimensões como o nosso... As bolsas européias são muito atreladas entre si, e as asiáticas dependem demais de resultados financeiros, visto o volume de negócios ser muito alto pela atração de estrangeiros.
Não sei se é uma boa notícia, o Brasil sempre se distanciando, mas ao menos nos garantiu uma certa imunidade à turbulência econômica americana recente!

Danzin
January 9th, 2008, 08:39 PM
Tá mas nao tá... Tem dias que opera pode até operar o pregao inteiro descolado, tem dias que opera na esteira do Dow Jones o pregao todo e tem dias que é é meio parcial... varia bastante, acho que do jeito que está tá otimo... "nem lá nem cá"

January 10th, 2008, 01:19 AM
Definitivamente seremos a 2ª potência das Américas.