View Full Version : Breve em sua casa: Azeite de Oliva 'Made in Minas Gerais'!


Astronauta
January 20th, 2008, 03:00 PM
Eu sempre defendi a idéia de que o Brasi poder ser auto-suficiente em praticamente todos os produtos: industrializados, de tecnologia de ponta, commodities, etc. A única excessão seriam os produtos que dependem do clima: cerejas, azeitonas e azeite e por aí vai. Agora a novidade: foi desenvolivido o primeiro azeite nacional. Reportagem do Estado de Minas de hoje:

[capa]
Azeite mineiro

http://www.uai.com.br/EM/portlets//12008006281040120125.jpg

É mineiro o primeiro azeite de oliva puro do Brasil. Depois de estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais em sua fazenda experimental em Maria da Fé, no Sul do estado, investidores iniciaram plantações e pretendem lançar o produto nacional no mercado em dois anos. É que os estudos mostraram clima favorável a variedades de oliveiras capazes de gerar azeites com pureza e qualidade comercial. Resultados de análises de laboratórios em amostras de óleo com azeitonas da região indicam classificação de azeite de oliva virgem e extra. A Fazenda Retiro, onde trabalham Maria Helena e Elisana Cristina (foto), é a maior produtora.


[caderno Economia]
Azeite brasileiro
Produtores do Sul de Minas cultivam variedades de azeitonas adaptadas ao clima e fabricam o primeiro óleo puro feito no país. Importação atual é de US$ 175,7 milhões
Patrícia Rennó


O Brasil vai produzir o primeiro azeite de oliva genuinamente nacional. Pesquisas realizadas na Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) em Maria da Fé, no Sul de Minas, revelaram clima favorável a variedades de oliveiras capazes de gerar azeite puro e de qualidade comercial, comparado aos melhores no mundo. Na cidade é possível ver atualmente algumas colinas cobertas com fileiras da árvore, das quais já se produz o azeite, ainda em caráter experimental. Os resultados promissores da cultura atraiu investidores, que iniciaram plantações na região e pretendem lançar o produto no mercado em no máximo dois anos.

http://www.uai.com.br/EM/noticias/fotos/20080119164201460.jpg

O empresário paulista Joaquim de Oliveira Sousa e Silva é o maior produtor de azeitonas da cidade. Dono da Oli Ma, segunda principal distribuidora de azeites no Brasil, ele investiu cerca de R$ 5 milhões na compra de terras, plantio de mudas e na instalação da fábrica para a produção do óleo. Na Fazenda Retiro, em Maria da Fé, foram plantadas 40 mil oliveiras, sendo que pelo menos 2,5 mil estão no período produtivo. “As primeiras foram compradas da Epamig, mas depois montei uma estufa própria para produzir em escala maior”, diz. A fazenda também fornece mudas para vários estados.

Fotos: Didi Rodrigues/especial para o EM
http://www.uai.com.br/EM/noticias/fotos/20080119164208108.jpg
Maria Helena e Elisana Cristina trabalham na Fazenda Retiro, em Maria da Fé: cultura é garantia de emprego

Segundo Silva, a previsão é de que em dois anos cada planta produza de 20 a 30 quilos de azeitonas. Para fabricação de um litro de azeite, são necessários cinco quilos do fruto. “Para que a indústria comece a funcionar, falta apenas instalarmos as máquinas de moer. Também estamos investindo em outras cidades como Delfim Moreira, onde temos 18 mil árvores”, afirmou. Conforme o empresário, o valor do azeite brasileiro que chegará ao mercado vai acompanhar os preços do mercado internacional para o produto.

Os resultados de análises de laboratório feitas em amostras de óleo elaborado experimentalmente com azeitonas colhidas em diferentes variedades em Maria da Fé classificaram o produto final como azeite de oliva virgem ou azeite de oliva virgem extra. Os parâmetros mostram que o produto está de acordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode ser consumido.

O pesquisador da Epamig Adelson Francisco de Oliveira afirma que a região mais propícia para cultura da oliveira em Minas Gerais é a da Serra da Mantiqueira. “No Brasil, não há plantios comerciais. Tudo que consumimos é importado. Mas as condições de clima e solo do Sul de Minas, algumas regiões serranas de São Paulo e Rio de Janeiro, além de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, poderiam ser usadas para o plantio comercial da oliveira”, afirma.

Azeitonas e azeite de oliva são produtos constantes na mesa do brasileiro, mas a importação tem sido o caminho para abastecer o mercado interno. Somente no ano passado, o país trouxe do exterior US$ 175,7 milhões em azeites, volume 28,8% maior sobre 2006, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os principais fornecedores foram Portugal (53%) e Espanha (22%). No caso do fruto, as despesas atingiram US$ 3,93 bilhões, sendo 41,3% a mais do que o total de azeitonas importadas no ano anterior. “A produção nacional, além de diminuir os gastos com compras internacionais, possibilita maior arrecadação de impostos diretos, podendo alcançar a cifra de US$ 20 milhões sobre produtos e serviços”, diz o pesquisador da Epamig.

Para os agricultores do Sul de Minas, a principal vantagem econômica é que o grande mercado consumidor nacional pode representar aumento de renda e mais empregos nas cidades da região. Luiz Augusto da Silva e mais seis produtores de oliveiras buscaram em Úmbria, região central da Itália, parcerias para a implantação da tecnologia de fabricação de azeite em Maria da Fé. “Fizemos contato com outros produtores italianos, que vão fornecer mudas de plantas de alto padrão e informações sobre a venda do azeite. Apesar de pagarmos R$ 30 por muda de oliveira, ainda vale a pena o investimento”, afirmou.

Como o cultivo para venda é novo no país, o melhoramento das variedades é considerado fundamental. Segundo o pesquisador da Epamig João Vieira Neto, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais liberou verba de R$ 600 mil para a o programa de desenvolvimento da cultura da oliveira em Maria da Fé. “O apoio contribui para a expansão do plantio, intensificação de pesquisas e implantação de unidade de extração de azeite. Esse processo vai gerar empregos e será ferramenta de trabalho para produzirmos azeite de melhor qualidade”, diz.


Minas é referência nacional

O estudo da Epamig com o cultivo das oliveiras começou em 1986. Atualmente, Minas é centro de referência no país para obtenção de informações sobre a planta originária da Bacia do Mediterrâneo e introduzida no Brasil por imigrantes europeus, por volta de 1820. No Sul do estado, chegou em 1955.

A seleção de variedades mais produtivas é um dos principais resultados obtidos pela pesquisa nos últimos anos. Em Maria da Fé, a ascolana e grapollo, originárias da Itália, tiveram destaque. A primeira tem frutos grandes, mas baixa concentração de azeite, sendo mais recomendada para preparo e consumo como azeitona de mesa. A outra apresenta frutos de tamanho médio, com maior concentração de óleo, usada tanto para consumo em mesa quanto para a indústria.

Outros testes com oliveiras são feitos atualmente em áreas às margens do Rio São Francisco, na cidade de Jaíba e Minas Novas, no Alto Jequitinhonha. No município de Presidente Kubitschek, no Norte do estado, os resultados das pesquisas foram favoráveis. “No primeiro ano, as plantas floresceram com mais rapidez e, no segundo, também frutificaram”, diz o pesquisador da Epamig Adelson Francisco de Oliveira.

Segundo ele, a pesquisa ainda tem que responder muitas questões. “É necessário avaliarmos variedades, espaçamentos de plantios, tratos culturais que podem ser completamente diferentes em cada região e questões sobre o pós-colheita. Para isso, é preciso despertar interesse de instituições de pesquisa de outros estados”, afirma.

Fonte: Estado de Minas (http://www.uai.com.br/em.html), Domingo, 20 de janeiro de 2008

RicardoSSA
January 20th, 2008, 03:22 PM
Pensei que ja existia azeite nacional...

De qualquer forma, parabens a MG!

O Natalense
January 20th, 2008, 03:33 PM
Vamos levar Portugal à bancarrota.

(piada, viu)

Inconfidente
January 20th, 2008, 03:40 PM
Pensei que ja existia azeite nacional...

De qualquer forma, parabens a MG!

E eu achei que já existia azeite mineiro, dessa região mesmo. Mas parece que era só a azeitona mesmo.

Astronauta
January 20th, 2008, 04:54 PM
E eu nem sabia que se produziam azeitonas no país. Vinhos bons eu sabia que já se produz na Vitttaria. Quanto mais independência de produtos, melhor.
Tomara que o Brasil fique autosuficiente em tudo, inclusive petróleo [embora a quantidade explorada seja a mesma, sabemos que importamos petróleo 'bom' e processado].

Inconfidente
January 20th, 2008, 05:37 PM
^^ Vinho produz até no vale do São Francisco, mas são espumantes.

nando02
January 20th, 2008, 06:11 PM
Otima noticia!
e uma boa saida pra agregar valor nos produtos dessas zonas com a geografia tao dificil pra tudo! :D

Evandro
January 21st, 2008, 03:51 AM
[caderno Economia]
Azeite brasileiro
Produtores do Sul de Minas cultivam variedades de azeitonas adaptadas ao clima e fabricam o primeiro óleo puro feito no país. Importação atual é de US$ 175,7 milhões
Patrícia Rennó


O Brasil vai produzir o primeiro azeite de oliva genuinamente nacional. Pesquisas realizadas na Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig)...


Minas é referência nacional

:crazy: :crazy: :crazy: ^^

Não seria: Minas Gerais vai produzir o primeiro azeite de oliva genuinamente nacional :?

Kelsen
January 21st, 2008, 04:14 AM
Bela iniciativa e, aliás, eu sempre me perguntei porque não produzimos azeite ainda, pelo menos no sul as condições climáticas são favoráveis, tanto é que há algumas plantações de oliveiras no RS. As azeitonas que consumo geralmente vêm da Argentina...

danieldefranca
January 21st, 2008, 02:59 PM
otima inciativa eu gosto de ver o brasil deixando de exportar pra produzir aqui

Tico_ES
January 21st, 2008, 03:56 PM
E eu achei que já existia azeite mineiro, dessa região mesmo. Mas parece que era só a azeitona mesmo.

Azeitona eu tb já conhecia, o azeite não. Menos um produto que importaremos da Argentina, heheheheheh

Evandro
January 21st, 2008, 04:52 PM
Azeitona eu tb já conhecia, o azeite não. Menos um produto que importaremos da Argentina, heheheheheh

Nunca consumi azeite argentino... só português. ^^

EricoWilliams
January 21st, 2008, 06:43 PM
Nunca consumi azeite argentino... só português. ^^´

Só portuga??? conheço azeites espanhois que tambem são muito comuns, italianos e até libios!

DiegoSP
January 22nd, 2008, 08:52 PM
humm eu hein!

Evandro
January 23rd, 2008, 02:27 AM
´

Só portuga??? conheço azeites espanhois que tambem são muito comuns, italianos e até libios!

Ah... me lembrei do Carbonell: ^^

http://www.kinderkaufladen.de/bilder/productos_espana/9909_Aceite_carbonell_plastico.jpg

Bem comum por aqui mesmo... tá certo, mas azeite italiano e líbio nunca consumi, assim como o azeite argentino.

pulga
January 23rd, 2008, 07:48 PM
só uma pergunta, pq esse thread veio pro noticias do sudeste se o assunto é na realidade relativo ao Brasil como um todo? tá certo que foi desenvolvido em minas gerais, mas é de interesse nacional, é que o Brasil está produzindo azeite, nós vamos substituir parte do azeite importado

pelo menos é o que eu acho

Astronauta
January 23rd, 2008, 10:55 PM
^^ Moveram para cá porque eu tive a infeliz idéia de colocar 'Made in Minas' [porque parece menos improvável] no título em vez de 'Made in Brazil': me ferrei. :(

Tico_ES
January 24th, 2008, 05:38 PM
Nunca consumi azeite argentino... só português. ^^

Azeites argentinos: Gaviota (barato e ruim)http://www.estacaodovinho.com.br/Estacao1/Site/ProdutoDetalhe.aspx?idProduto=241597 , Otoyan (bonzinho) http://www.paodeacucar.com.br/detalhe.asp?categoria=catMercearia&subcategoria=catOleoAzeite&idproduto=4395928
Oliovita (melhorzinho dos três) http://www.paodeacucar.com.br/detalhe.asp?categoria=catMercearia&subcategoria=catOleoAzeite&idproduto=3209394

Já provei azeite líbio, marroquino, tunisiano , até chileno já provei (acho q o nome é la violetera, sei lá).

AcesHigh
February 27th, 2009, 07:31 AM
É mineiro o primeiro azeite de oliva puro do Brasil.


ou Gaúcho. Pois em abril de 2008 se extraiu azeite de oliva puro em Caçapava do Sul, no RS. Caçapava do Sul é a cidade brasileira com maior quantidade de oliveiras plantadas e tem expectativa de produzir 400 toneladas de azeite por ano até 2013.


http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/4088990.jpg

Rcrd
February 27th, 2009, 01:26 PM
Mas ha diferenca... O azeite de Minas vai ser "Made in Brazil"... O outro vai ser "Made in Vittaria"...

:lol:

Rcrd
February 27th, 2009, 01:33 PM
"De Minas, 1º azeite extra virgem brasileiro
A pequena Maria da Fé produziu no ano passado 200 litros do produto

A cidade de Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais, é conhecida desde a década de 40 como a "cidade dos olivais". As árvores de azeitonas estão presentes nas principais ruas e praças do município de 15 mil habitantes. No entanto, apenas este ano Maria da Fé iniciou a exploração das azeitonas - e se tornou a primeira produtora de azeite extra virgem do País.Apesar de o Brasil consumir anualmente 23 mil toneladas de azeite de oliva e 49 mil toneladas de azeitonas, todo esse volume vem de fora."

Jornal O Estado de São Paulo Caderno de Economia 06/04/2008

Rafael_BH
February 27th, 2009, 02:43 PM
O clima dessa região é mais frio que algumas áreas da Serra Gaúcha e Catarinense. Fora que é uma região menos instável e sujeita a azares climáticos. Vida longa ao azeite mineiro!

AcesHigh
February 28th, 2009, 06:49 PM
O clima dessa região é mais frio que algumas áreas da Serra Gaúcha e Catarinense. Fora que é uma região menos instável e sujeita a azares climáticos. Vida longa ao azeite mineiro!

tem alguma fonte pras afirmações acima?


de qq modo, essa região segue o mesmo padrão do resto de Minas em termos de precipitações?

pq parece que as oliveiras gostam de invernos chuvosos e verões secos...

Mr.Canello
February 28th, 2009, 07:02 PM
É, parece que muito em breve Rio Grande do Sul e Minas terão um concorrente: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Economia&newsID=a2421010.xml

Rcrd
February 28th, 2009, 07:46 PM
^^ HUMPF!

UrbanistaArquiteto
February 28th, 2009, 09:04 PM
sobre o azeite nacional...
já eh produzido há algum tempo azeite em MG e RS, que eu saiba, talvez em mais estados tb, soh que até agora em carater experimental, por empresas de pesquisas, como emprapa e epamig, algumas vezes até em parceria com a iniciativa privada.
A novidade a que a matéria se refere é que o azeite no sul de minas é a primeiro a estar sendo explorado comercialmente e será lançado no mercado [em 2 anos]... o que tb deve acontecer em breve com os do sul do pais... mas ainda nao estah anunciado...

Astronauta
March 7th, 2009, 05:07 PM
NEGÓCIOS
Azeite mineiro já atrai investidores


Preço do hectare de terra em Maria da Fé, no Sul de Minas, salta de R$ 8 mil para R$ 15 mil. Retorno vem em até 8 anos
Patrícia Rennó
Fotos: Patrícia Rennó/EM/D.A press
http://www.uai.com.br/EM/noticias/fotos/20090306211432376.jpg
http://www.uai.com.br/EM/imgs/ico_foto.gif Em quatro anos, uma oliveira produz 5 quilos de azeitonas anualmente. Com o aumento gradativo, em oito anos ela produzirá 20 quilos



Maria da Fé – O potencial do Sul de Minas para a produção do primeiro azeite nacional tem despertado interesse de investidores, que estão comprando terras na região para cultivar oliveiras. A procura aumentou depois que pesquisadores da Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) em Maria da Fé fizeram a primeira extração do óleo, em janeiro de 2008, oriundo de frutos colhidos na cidade e que, segundo análises, tem qualidade igual ou superior ao de azeites importados.

O Brasil importa cerca de US$ 400 milhões por ano em azeitona e azeite. O país é o terceiro maior comprador de azeitona e o quinto de azeite do mundo, e o consumo vem crescendo em torno de 5% ao ano. Com a expansão da produção de azeitonas nacionais, os pesquisadores estimam que em 10 anos o país seja autossuficiente em relação ao produto.

De acordo com a Epamig, os plantios têm dobrado a cada ano na região sul-mineira. Em Maria da Fé, são 100 hectares de oliveiras plantadas, sendo que 50% vão entrar em produção em 2010. Segundo a Epamig, no ano que vem, devem ser colhidas pelo menos 50 toneladas de azeitonas, renderão 20 mil litros de azeite. Todo esse óleo deverá ser comercializado. A expectativa é de que em cinco anos o produto já esteja nas gôndolas dos supermercados, competindo com os óleos de oliva mais consumidos no país, como os portugueses e espanhóis.

http://www.uai.com.br/EM/noticias/fotos/20090306211435968.jpg
http://www.uai.com.br/EM/imgs/ico_foto.gif Joaquim Silva ampliou os investimentos e agora vende mudas

Diante dessa projeção, empresários e até profissionais liberais estão adquirindo vários hectares na região, procura que se reflete nos preços de terrenos, que chegaram a aumentar cerca de 90% nos últimos quatro meses. Segundo Benedito Santos Marinho, dono de uma imobiliária em Maria da Fé, o município tem todas as referências climáticas e terras férteis para a olivicultura. Ele conta que a maioria dessas pessoas vem de São Paulo, Rio de Janeiro e de Minas Gerais e está comprando em caráter experimental para depois ampliar o plantio. “Se o hectare (24,2 mil metros quadrados) custa R$ 8 mil, os proprietários das terras estão vendendo por até R$ 15 mil. O mercado estava devagar com a produção de batata e tomate, mas, com a expansão das oliveiras, tudo melhorou”, enfatiza Marinho.

Com os preços inflacionados das terras de Maria da Fé, muitos produtores estão procurando alternativas como a compra de terrenos propícios para o plantio de oliveiras em outras cidades como Delfim Moreira.

Apesar de a oliveira começar a produzir em um período maior que outras culturas, o retorno em longo prazo pode ser rentável para os agricultores. Em quatro anos, uma oliveira produz 5 quilos de azeitonas anualmente, com o aumento gradativo, em oito anos ela produzirá 20 quilos. Segundo a Epamig, o investimento inicial para cada hectare (407 plantas) é de R$ 10 mil e mais R$ 3 mil ao ano em manutenção, incluindo as mudas e insumos agrícolas.

De acordo com o gerente da empresa em Maria da Fé, Nilton Caetano Oliveira, a planta começa a produzir no quarto ano e até o sexto já é possível recuperar o que foi investido. Uma oliveira costuma produzir frutos por no mínimo 50 anos. “No sétimo ano, o produtor terá uma receita de R$ 70 mil e, em 10 anos, um retorno de R$ 90 mil por hectare. A vantagem da cultura é a garantia de produção, longevidade e ainda tem um aspecto ambiental positivo. A perenidade da planta contribui para que não se mexa tanto no solo ou use muitos insumos. É uma cultura correta para as regiões altas, diferentemente de outras como a bataticultura, que é uma atividade nociva ao meio ambiente, com o uso intensivo de agrotóxicos”, comentou Nilton.

O proprietário da Olima, segunda maior importadora de azeitonas e azeite do país, Joaquim de Oliveira Sousa e Silva, investiu R$ 5 milhões, desde 2005, na aquisição de terrenos e no cultivo das oliveiras em Maria da Fé e Delfim Moreira. Em 2008, ele ampliou a plantação, com a compra de mais terras e como forma de ter algum retorno até que as árvores estejam produzindo continuamente, apostando na venda de mudas de oliveiras. “No ano passado, investimos mais R$ 2 milhões e, em 2009, pretendo plantar mais 25 mil oliveiras. A comercialização de mudas está ajudando nos custos da produção”, disse.


Óleo é classificado como extravirgem
Patrícia Rennó/EM/D.A Press
http://www.uai.com.br/EM/noticias/fotos/20090306211606732.jpg
http://www.uai.com.br/EM/imgs/ico_foto.gif Equipamento permite a prensagem da azeitona até o envase do óleo


No ano passado, todo o azeite extraído das variedades de azeitona colhidas na Fazenda Experimental da Epamig foi classificado como extravirgem, ou seja, de qualidade, em que o principal parâmetro é a acidez, que não pode ser superior a 0,8%. Em alguns tipos de azeite foi identificado de 0,4% e 0,75%, número abaixo do limite.

A extração do azeite é feita atualmente na fazenda em uma máquina manual trazida por um empresário italiano de São Paulo. No início de 2008, os técnicos conseguiram retirar experimentalmente cerca de 200 litros do óleo. Para que seja otimizado o processo, a Epamig adquiriu um novo equipamento importado da Itália, que chegará na semana que vem e terá a capacidade de processar 100 quilos de azeitonas em uma hora, o que equivale a 20 litros de azeite. A azeitona é colocada na máquina, onde é feito todo o processo de trituração e prensagem. O azeite sai filtrado, pronto para ser consumido.

“O equipamento que a Epamig adquiriu dará apoio aos pequenos produtores. Quando a produção da azeitona estiver em alta, os agricultores poderão vender o fruto a R$ 3 o quilo – cotação de mercado. Com o azeite, esse valor vai dobrar”, afirma o gerente da Epamig. As azeitonas de toda a área produtora da Região Sudeste devem ser levadas para Maria da Fé, para serem processadas.

ASSOCIAÇÃO Dados da Epamig revelam que existem no Sudeste entre 80 e 100 produtores de oliveiras e que esse número deve aumentar consideravelmente nos próximos anos. No Sul de Minas, onde fica a maior área plantada de oliveiras, os destaques são para as cidades de Maria da Fé, Delfim Moreira, Gonçalves, Camanducaia, Bom Repouso, Munhoz, Virgínia, Pouso Alto, Itamonte e Baependi.

Com o objetivo de unir os pequenos, médios e grandes produtores, foi criada em 20 de fevereiro a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira, com sede em Maria da Fé. A entidade conta atualmente com 30 produtores de diversas cidades do Sudeste. “O objetivo é unir os produtores para que no futuro tenhamos um grande volume de azeite e possamos criar uma única marca. Assim, conquistaremos uma fatia do mercado”, disse Nilton Caetano.

O primeiro passo da associação será a análise das plantações de oliveiras já existentes. Os produtores responderão a questionários, para identificar a idade da planta, variedade, a forma do plantio e a origem das mudas. A entidade pretende traçar planos de trabalho, para organizar os processos de manejo de pomares e fazer com que agricultores tenham plantas uniformes, homogêneas e que possam padronizar o óleo extraído.

De acordo com os pesquisadores da Epamig, para manter a qualidade do óleo, a azeitona tem de ser colhida e processada de preferência no mesmo dia, para que não haja interferência no sabor e na acidez. A associação dos olivicultores pretende criar cooperativas que possam adquirir o equipamento extrator e colher o azeite no local da produção, sem que precisem se deslocar até Maria da Fé. (PR)

ESMAwar
March 7th, 2009, 07:19 PM
Ótimo mais investimento no estado e emprego pra população!

Landerson Egg
March 8th, 2009, 10:43 PM
tem alguma fonte pras afirmações acima?


de qq modo, essa região segue o mesmo padrão do resto de Minas em termos de precipitações?

pq parece que as oliveiras gostam de invernos chuvosos e verões secos...

O sudeste como um todo tem verões chuvosos e invernos secos e frios.

Bruno GV
March 10th, 2009, 04:37 PM
tem alguma fonte pras afirmações acima?


de qq modo, essa região segue o mesmo padrão do resto de Minas em termos de precipitações?

pq parece que as oliveiras gostam de invernos chuvosos e verões secos...

Só as azeitonas mimadas, a Epamig deu um jeitinho nisso colocando ordem na casa. Da mesma forma que fizeram com a soja no Brasil.

Inconfidente
March 12th, 2009, 02:49 AM
tem alguma fonte pras afirmações acima?


de qq modo, essa região segue o mesmo padrão do resto de Minas em termos de precipitações?

pq parece que as oliveiras gostam de invernos chuvosos e verões secos...

As oliveiras sem qualquer investimento tecnológico. A EPAMIG investiu no desenvolvimento de uma nova variedade compatível com o clima da região.

Além do mais, qual é o clima no Rio Grande do Sul? Até onde eu sei subtropical o que não pode ser confundido com o mediterrânico.

observador_bh
March 19th, 2009, 10:22 PM
^^ Vinho produz até no vale do São Francisco, mas são espumantes.

Tem tinto seco do Vale do Sao Francisco.
Experimente os Adega do Vale.

Sim, sou eu!
March 24th, 2009, 07:08 AM
edit

samba_man
March 18th, 2010, 03:51 PM
Que ótima notícia! Quanto menos dependência externa, tanto melhor.....

GIM
March 19th, 2010, 04:32 PM
Se for de boa qualidade eu consumo com o maior prazer seja Made in Brazil, seja Made in Vittaria...se for adocicado, suave, não-ácido.

canelaverde
March 20th, 2010, 01:24 AM
A notícia de dois anos atrás disse que em 2010 sairia o azeite nacional. A quantas anda?

Thambem
March 20th, 2010, 08:46 PM
Se já tem 3 extados com oliveiras, em breve isso espalha por boa parte do território, e jajá estamos exportando também! :banana:

Thambem
March 20th, 2010, 08:54 PM
A notícia de dois anos atrás disse que em 2010 sairia o azeite nacional. A quantas anda?

O azeite mineiro

Jaime Leitão

Quando pensamos em azeite de oliva de boa qualidade, extravirgem, já nos vem à cabeça o azeite grego, o espanhol, o italiano, o português. De uns anos pra cá, o Chile vem produzindo um azeite acima das expectativas, mas que, pela baixa produção, ainda custa mais caro do que os concorrentes. Agora, a partir de abril, será vendido pela primeira vez o azeite de oliva brasileiro, mais precisamente mineiro.
Azeite mineiro? Em um primeiro momento, nos causa estranheza, mas quando nos aprofundamos no assunto, percebemos que as pesquisas para que essa produção se iniciasse agora em escala comercial foram iniciadas há muito tempo, em 1964, pela EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), que a partir daquela época passou a selecionar materiais genéticos para serem cultivados na região.
Os primeiros mil litros do azeite mineiro serão retirados de azeitonas produzidas em Maria da Fé, a cidade mineira famosa pelo seu inverno rigoroso. Nos próximos anos, agricultores de toda a região da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas, deverão plantar de 5 a 8 toneladas de azeitona, com o objetivo de produzir azeite.
Os pequenos agricultores, que antes produziam batatas, e que praticamente não ganham mais nada com esse cultivo, optaram pela azeitona e acreditam que daqui a algum tempo poderão exportar o azeite brasileiro.
Ainda é muito cedo para fazer qualquer prognóstico, mas como a produção será pequena e nunca alcançará os números de outros países que têm tradição em azeite, é provável que a qualidade seja o diferencial que poderá alavancar o azeite mineiro.
Não vivo sem azeite. Na salada, na pizza, no peixe, em praticamente tudo, considero-o indispensável. De preferência, um extravirgem, com acidez máxima de 0,5. Se for de 0,3%, melhor ainda. Espero que a terra e o clima de Maria da Fé propiciem o surgimento de um azeite pouco ácido e saboroso.
O que me deixa mais indignado em um bar ou restaurante é quando servem um azeite sem rótulo, que de azeite não tem praticamente nada. E azeite em envelopes então? Aí é um crime que se comete contra esse produto milenar extraordinário.
Quando chego a um restaurante, reparo em primeiro lugar no azeite oferecido. Se tiver procedência, relaxo, peço o cardápio e escolho o prato. Se não tiver, reclamo e prometo a mim mesmo que nunca mais voltarei lá.
Bom domingo, degustando um azeite de qualidade.

Fonte: http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/colaboradores/rio_claro/56671-O-azeite-mineiro

EricoWilliams
March 21st, 2010, 09:55 PM
Parece que está progredindo mesmo. Não importa se vier de Minas, RS ou SC(ou de todos), a produção ainda será pequena em relação a forte demanda nacional. Se custar mais barato que os portugueses e espanhóis e tiver qualidade, comprarei com o maior prazer o azeite brasileiro!