Inconfidente
January 21st, 2008, 02:43 PM
Roubo de quadros do Masp expõe a fragilidade de museus brasileiros. Em Minas, guardiã de obras importantes do barroco, preocupação é redobrada diante da audácia dos bandidos.
Sérgio Rodrigo Reis
EM Cultura
http://img293.imageshack.us/img293/4881/museusegurancatw9.jpg
O roubo cinematográfico e a recuperação das telas de Pablo Picasso e Cândido Portinari do Museu de Arte de São Paulo – Assis Chateaubriand (Masp) expuseram, mais uma vez, a fragilidade dos acervos do país. Faltam equipamentos, segurança e equipes especializadas para lidar com interesses de colecionadores e comerciantes inescrupulosos. Os números são implacáveis: nos últimos anos, desapareceram, no país, 898 obras tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em Minas, o roubo de imagens sacras do período colonial é comum. Desde 1971, foram registradas 450 peças desaparecidas no estado e só parte delas foi recuperada. Pior: aumentou a preocupação de responsáveis por museus e instituições desde que os crimes ganharam outros contornos. “Antes, era escondido, mas, hoje em dia, os bandidos usam de todos os artifícios, inclusive a violência. Eles estão bem mais audaciosos”, alerta Til Pestana, gerente de bens móveis do Iphan.
Priscila Freire, diretora do Museu de Arte da Pampulha (MAP), sempre conviveu com notícias de roubo de imagens, ouro e prataria das igrejas mineiras, além de informações envolvendo instituições internacionais, como o Museu do Louvre (de onde, certa vez, levaram a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci). “Não havia preocupação com roubo desse tipo de obra por aqui. É uma surpresa, lamento demais que parte do acervo da Chácara do Céu tenha desaparecido”, afirma ela.
Há dois anos, na véspera do carnaval, por volta das 16h, quatro homens armados entraram a pé no museu, localizado em Santa Teresa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, por onde circulavam vários blocos carnavalescos. Os criminosos aproveitaram a movimentação, renderam os funcionários, desligaram alarmes e levaram as pinturas A dança (1956), de Picasso; Jardim de Luxemburgo (1903), de Matisse; Dois balcões (1929), de Salvador Dalí; e Marinha (1880-1890), de Monet. Até hoje as telas estão desaparecidas.
Pilar
Minas também registrou casos de roubos espetaculares. Em setembro de 1973, homens entraram na Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, e se esconderam lá dentro. Fechada a igreja, foram até o subsolo e furtaram 17 peças de ouro, prata e pedras preciosas usadas na Procissão do Triunfo Eucarístico, em 1733. “Levaram parte da alma de Ouro Preto, um conjunto importantíssimo”, lamenta padre Simões, vigário da matriz até hoje. Na época, durante a ditadura militar, a verdade foi escondida. “Proibiram de circular notícias na imprensa; possivelmente havia gente influente por trás”, desconfia o pároco.
Todos os anos, na data do crime, os sinos do Pilar dobram em sinal de lamento, lembrando o roubo das coroas da padroeira e do Menino Jesus, ambas de ouro, cravejadas de esmeraldas e diamantes. Também desapareceu a custódia (onde se deposita a hóstia), feita com 12 quilos de ouro. “Como as autoridades conseguiram recuperar as pinturas do Masp, acredito que, se houvesse vontade política, ainda seria possível achar esse conjunto. Ele deve estar na casa de algum colecionador poderoso”, alfineta o vigário do Pilar.
Além da recorrência do roubo de imagens sacras, a cada ano a ousadia dos ladrões aumenta. Em novembro de 2007, a porta de mais de 300 anos da Capela de Nossa Senhora do Livramento, na zona rural de Prados, no Campo das Vertentes, foi arrancada à noite. Destino parecido teve a escultura atribuída a Alfredo Ceschiatti, instalada em espelho d’água, no trevo de Curvelo, na Região Central do estado, às margens da BR-040. A obra de ferro fundido de 2,87m por 1,30m, pesando cerca de 600 quilos, sumiu sem deixar pistas. A escultura foi instalada no local para marcar a inauguração da rodovia que liga Minas Gerais a Brasília. Inspira-se nas iniciais de Juscelino Kubitschek.
Fonte: Portal Uai (http://www.divirta-se2.uai.com.br/agitos/interna_noticias.asp?codigo=2890)
Sérgio Rodrigo Reis
EM Cultura
http://img293.imageshack.us/img293/4881/museusegurancatw9.jpg
O roubo cinematográfico e a recuperação das telas de Pablo Picasso e Cândido Portinari do Museu de Arte de São Paulo – Assis Chateaubriand (Masp) expuseram, mais uma vez, a fragilidade dos acervos do país. Faltam equipamentos, segurança e equipes especializadas para lidar com interesses de colecionadores e comerciantes inescrupulosos. Os números são implacáveis: nos últimos anos, desapareceram, no país, 898 obras tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em Minas, o roubo de imagens sacras do período colonial é comum. Desde 1971, foram registradas 450 peças desaparecidas no estado e só parte delas foi recuperada. Pior: aumentou a preocupação de responsáveis por museus e instituições desde que os crimes ganharam outros contornos. “Antes, era escondido, mas, hoje em dia, os bandidos usam de todos os artifícios, inclusive a violência. Eles estão bem mais audaciosos”, alerta Til Pestana, gerente de bens móveis do Iphan.
Priscila Freire, diretora do Museu de Arte da Pampulha (MAP), sempre conviveu com notícias de roubo de imagens, ouro e prataria das igrejas mineiras, além de informações envolvendo instituições internacionais, como o Museu do Louvre (de onde, certa vez, levaram a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci). “Não havia preocupação com roubo desse tipo de obra por aqui. É uma surpresa, lamento demais que parte do acervo da Chácara do Céu tenha desaparecido”, afirma ela.
Há dois anos, na véspera do carnaval, por volta das 16h, quatro homens armados entraram a pé no museu, localizado em Santa Teresa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, por onde circulavam vários blocos carnavalescos. Os criminosos aproveitaram a movimentação, renderam os funcionários, desligaram alarmes e levaram as pinturas A dança (1956), de Picasso; Jardim de Luxemburgo (1903), de Matisse; Dois balcões (1929), de Salvador Dalí; e Marinha (1880-1890), de Monet. Até hoje as telas estão desaparecidas.
Pilar
Minas também registrou casos de roubos espetaculares. Em setembro de 1973, homens entraram na Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, e se esconderam lá dentro. Fechada a igreja, foram até o subsolo e furtaram 17 peças de ouro, prata e pedras preciosas usadas na Procissão do Triunfo Eucarístico, em 1733. “Levaram parte da alma de Ouro Preto, um conjunto importantíssimo”, lamenta padre Simões, vigário da matriz até hoje. Na época, durante a ditadura militar, a verdade foi escondida. “Proibiram de circular notícias na imprensa; possivelmente havia gente influente por trás”, desconfia o pároco.
Todos os anos, na data do crime, os sinos do Pilar dobram em sinal de lamento, lembrando o roubo das coroas da padroeira e do Menino Jesus, ambas de ouro, cravejadas de esmeraldas e diamantes. Também desapareceu a custódia (onde se deposita a hóstia), feita com 12 quilos de ouro. “Como as autoridades conseguiram recuperar as pinturas do Masp, acredito que, se houvesse vontade política, ainda seria possível achar esse conjunto. Ele deve estar na casa de algum colecionador poderoso”, alfineta o vigário do Pilar.
Além da recorrência do roubo de imagens sacras, a cada ano a ousadia dos ladrões aumenta. Em novembro de 2007, a porta de mais de 300 anos da Capela de Nossa Senhora do Livramento, na zona rural de Prados, no Campo das Vertentes, foi arrancada à noite. Destino parecido teve a escultura atribuída a Alfredo Ceschiatti, instalada em espelho d’água, no trevo de Curvelo, na Região Central do estado, às margens da BR-040. A obra de ferro fundido de 2,87m por 1,30m, pesando cerca de 600 quilos, sumiu sem deixar pistas. A escultura foi instalada no local para marcar a inauguração da rodovia que liga Minas Gerais a Brasília. Inspira-se nas iniciais de Juscelino Kubitschek.
Fonte: Portal Uai (http://www.divirta-se2.uai.com.br/agitos/interna_noticias.asp?codigo=2890)