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January 22nd, 2008, 01:26 AM
Três pontes do Tejo vão ter 320 mil carros por dia
Números indicativos para 2020 indiciam crescimento de 45% no tráfego, muito induzido pela abertura do aeroporto em Alcochete.
[16-01-2008] [ Nuno Miguel Silva, Diário Económico ]
As três pontes sobre o Tejo na área da Grande Lisboa deverão ser atravessadas por cerca de 320 mil carros todos os dias em 2020, momento em que já deverá estar totalmente operacional o novo aeroporto internacional de Lisboa, no Campo de Tiro de Alcochete. Esta projecção, a que o Diário Económico teve acesso, representará um acréscimo de cerca de 45% face aos carros que hoje atravessam as pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, e muito desse forte crescimento vai dever-se ao acréscimo de procura previsto com a entrada em funcionamento da nova infra-estrutura aeroportuária.
Estes números indicativos apontam para que a nova ponte Chelas-Barreiro deverá, daqui a 12 anos, três anos após a abertura prevista do novo aeroporto, apresentar um tráfego médio diário anual (TMDA) de cerca de 80 mil veículos. Nessa altura, a ponte Vasco da Gama deverá ter um TMDA de 90 mil veículos , enquanto o tráfego na 25 de Abril deverá ter então baixado para menos de 150 mil carros diários. Actualmente, o tráfego da 25 Abril encontra-se acima dos 155 mil veículos diários, enquanto na Vasco da Gama se situa nos 65 mil carros por dia.
Estas projecções demonstram várias tendências previsíveis no tráfego rodoviário entre as duas margens do Tejo. Primeiro, que a procura vai existir e justifica a construção de uma terceira ponte rodoviária a partir do momento em que a localização do novo aeroporto foi decidida para a Margem Sul.
Depois, que esta solução permite que a Vasco da Gama funcione como uma via especial de reserva de acesso ao novo aeroporto, passando dos actuais 65 mil veículos para a fasquia “aceitável” dos 90 mil. Estimativas da RAVE – Rede de Alta Velocidade, empresa responsável pelo ‘dossier’ do TGV em Portugal, indicam que o tráfego da Lusoponte possa disparar para os 100 mil carros por dia logo a seguir à abertura do novo aeroporto, em 2017.
Como se trata de uma ponte especial, com um tabuleiro muito longo, qualquer anomalia ou acidente é de mais difícil resolução, pelo que a ponte Chelas-Barreiro é apresentada como a melhor solução para proporcionar um mais fácil descongestionamento da Vasco da Gama.
Por fim, as projecções para 2020, permitem chegar à conclusão de que a ponte Chelas-Barreiro pode acomodar os crescimentos latentes e “escondidos” da ponte 25 de Abril e até proporcionar alguma redução no respectivo tráfego. É uma tendência confirmada nos últimos anos: o tráfego da 25 de Abril continuou a subir, mesmo tendo ocorrido a transferência de 65 mil carros por dia para a Vasco da Gama e de mais 45 mil utilizadores diários do comboio na ponte entre Alcântara e Almada.
Fonte ligada ao processo disse que “estas projecções confirmam que a solução acertada para a nova travessia é no corredor Chelas-Barreiro, porque serve os propósitos iniciais de comboios suburbanos, rede ferroviária convencional, comboios de longo curso, comboios de mercadorias e rede de alta velocidade, a que se juntam estas duas metas mais recentes, que é servir o aeroporto e ser utilizada por carros”. Segundo este responsável, a hipótese Beato-Montijo, tem problemas “graves” para resolver a nível ambiental na zona de protecção especial do estuário do Tejo e com a eventual necessidade de desactivação da base aérea do Montijo, além de só servir a rede de alta velocidade.
Técnicos querem alternativas à Chelas-Barreiro
A localização da ponte Chelas-Barreiro pode ainda não ser definitiva. Técnicos como José Viegas, responsável pelo estudo da Confederação da Indústria Portuguesa que apresentava Alcochete como alternativa, ou Fernando Santo, bastonário da Ordem dos Engenheiros, já se mostraram disponíveis para discutir, com o Governo, outras soluções para a terceita travessia do Tejo. O ministro das Obras Públicas, Mário Lino já disse estar disponível para estudar essas alternativas, desde que tivesse estudos técnicos as sustentassem e adiantou mesmo estar prevista uma reunião com José Manuel Viegas. As alternativas podem não ser muitas, uma vez que o maior volume de tráfego e as principais acessibilidades se encontram junto às populações, como por exemplo o Barreiro. Em cima da mesa pode ainda estar o estudo de uma construção faseda do novo aeroporto, mantendo a Portela.
Alternativas
- Nuno Vitorino, Nunes da Silva, José Manuel Viegas, António Reis, José Manuel Palma, Álvaro Costa, Frederico Valssassina, Teles Menezes e Carlos Correia da Fonseca integraram uma comissão para avaliar a necessidade a terceira travessia ter uma componente rodoviária.
- Há cerca de três meses, enviaram a conclusão, tomada por unanimidade entre os diversos especialistas referidos à secretária de Estado ana Paula Vitorino. A opinião da comissão era favorável à construção de um tabuleiro rodoviário se se optasse por um aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete.
- Esta comissão deixou, no entanto, margem de manobra para voltar atrás com esta conclusão da necessidade da componente rodoviária, se o novo aeroporto fosse localizado na Ota.
Números indicativos para 2020 indiciam crescimento de 45% no tráfego, muito induzido pela abertura do aeroporto em Alcochete.
[16-01-2008] [ Nuno Miguel Silva, Diário Económico ]
As três pontes sobre o Tejo na área da Grande Lisboa deverão ser atravessadas por cerca de 320 mil carros todos os dias em 2020, momento em que já deverá estar totalmente operacional o novo aeroporto internacional de Lisboa, no Campo de Tiro de Alcochete. Esta projecção, a que o Diário Económico teve acesso, representará um acréscimo de cerca de 45% face aos carros que hoje atravessam as pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, e muito desse forte crescimento vai dever-se ao acréscimo de procura previsto com a entrada em funcionamento da nova infra-estrutura aeroportuária.
Estes números indicativos apontam para que a nova ponte Chelas-Barreiro deverá, daqui a 12 anos, três anos após a abertura prevista do novo aeroporto, apresentar um tráfego médio diário anual (TMDA) de cerca de 80 mil veículos. Nessa altura, a ponte Vasco da Gama deverá ter um TMDA de 90 mil veículos , enquanto o tráfego na 25 de Abril deverá ter então baixado para menos de 150 mil carros diários. Actualmente, o tráfego da 25 Abril encontra-se acima dos 155 mil veículos diários, enquanto na Vasco da Gama se situa nos 65 mil carros por dia.
Estas projecções demonstram várias tendências previsíveis no tráfego rodoviário entre as duas margens do Tejo. Primeiro, que a procura vai existir e justifica a construção de uma terceira ponte rodoviária a partir do momento em que a localização do novo aeroporto foi decidida para a Margem Sul.
Depois, que esta solução permite que a Vasco da Gama funcione como uma via especial de reserva de acesso ao novo aeroporto, passando dos actuais 65 mil veículos para a fasquia “aceitável” dos 90 mil. Estimativas da RAVE – Rede de Alta Velocidade, empresa responsável pelo ‘dossier’ do TGV em Portugal, indicam que o tráfego da Lusoponte possa disparar para os 100 mil carros por dia logo a seguir à abertura do novo aeroporto, em 2017.
Como se trata de uma ponte especial, com um tabuleiro muito longo, qualquer anomalia ou acidente é de mais difícil resolução, pelo que a ponte Chelas-Barreiro é apresentada como a melhor solução para proporcionar um mais fácil descongestionamento da Vasco da Gama.
Por fim, as projecções para 2020, permitem chegar à conclusão de que a ponte Chelas-Barreiro pode acomodar os crescimentos latentes e “escondidos” da ponte 25 de Abril e até proporcionar alguma redução no respectivo tráfego. É uma tendência confirmada nos últimos anos: o tráfego da 25 de Abril continuou a subir, mesmo tendo ocorrido a transferência de 65 mil carros por dia para a Vasco da Gama e de mais 45 mil utilizadores diários do comboio na ponte entre Alcântara e Almada.
Fonte ligada ao processo disse que “estas projecções confirmam que a solução acertada para a nova travessia é no corredor Chelas-Barreiro, porque serve os propósitos iniciais de comboios suburbanos, rede ferroviária convencional, comboios de longo curso, comboios de mercadorias e rede de alta velocidade, a que se juntam estas duas metas mais recentes, que é servir o aeroporto e ser utilizada por carros”. Segundo este responsável, a hipótese Beato-Montijo, tem problemas “graves” para resolver a nível ambiental na zona de protecção especial do estuário do Tejo e com a eventual necessidade de desactivação da base aérea do Montijo, além de só servir a rede de alta velocidade.
Técnicos querem alternativas à Chelas-Barreiro
A localização da ponte Chelas-Barreiro pode ainda não ser definitiva. Técnicos como José Viegas, responsável pelo estudo da Confederação da Indústria Portuguesa que apresentava Alcochete como alternativa, ou Fernando Santo, bastonário da Ordem dos Engenheiros, já se mostraram disponíveis para discutir, com o Governo, outras soluções para a terceita travessia do Tejo. O ministro das Obras Públicas, Mário Lino já disse estar disponível para estudar essas alternativas, desde que tivesse estudos técnicos as sustentassem e adiantou mesmo estar prevista uma reunião com José Manuel Viegas. As alternativas podem não ser muitas, uma vez que o maior volume de tráfego e as principais acessibilidades se encontram junto às populações, como por exemplo o Barreiro. Em cima da mesa pode ainda estar o estudo de uma construção faseda do novo aeroporto, mantendo a Portela.
Alternativas
- Nuno Vitorino, Nunes da Silva, José Manuel Viegas, António Reis, José Manuel Palma, Álvaro Costa, Frederico Valssassina, Teles Menezes e Carlos Correia da Fonseca integraram uma comissão para avaliar a necessidade a terceira travessia ter uma componente rodoviária.
- Há cerca de três meses, enviaram a conclusão, tomada por unanimidade entre os diversos especialistas referidos à secretária de Estado ana Paula Vitorino. A opinião da comissão era favorável à construção de um tabuleiro rodoviário se se optasse por um aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete.
- Esta comissão deixou, no entanto, margem de manobra para voltar atrás com esta conclusão da necessidade da componente rodoviária, se o novo aeroporto fosse localizado na Ota.