View Full Version : Pará melhora cuidado com as crianças.


Jorge Luís
January 24th, 2008, 05:00 AM
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Pará melhora cuidado com as crianças.

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Desenvolvimento infantil medido pelo Unicef é crescente no Brasil e no Estado.

O Brasil melhorou 27 posições no ranking da taxa de mortalidade na infância, em crianças menores de 5 anos, segundo o relatório 'Situação Mundial da Infância 2008 – Sobrevivência Infantil', divulgado ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O relatório avalia o índice de desenvolvimento infantil (IDI) em 194 países e dá um quadro geral da primeira infância - as crianças de até 6 anos de idade. No Pará, embora a posição do Estado ainda seja um desconfortável quinto lugar no ranking nacional, nos últimos oito anos os números do bem-estar na primeira infância cresceram em percentuais superiores ao do próprio crescimento geral do Brasil. Entre 1999 e 2006, o Brasil elevou seus índices em 17,75%, enquanto o Pará melhorou 41,61% os seus indicadores no mesmo período. Entre 1999 e 2006, o Pará saiu de uma faixa de IDI considerada baixa para uma faixa média de IDI.

Os principais indicadores de melhoras ocorreram na redução da mortalidade infantil em crianças menores de 5 anos e no atendimento pré-natal. O Pará terminou 2005 com 26,9% de gestantes cobertas com seis ou mais consultas no pré-natal, e uma taxa de mortalidade infantil de 25,2% por cada mil nascidos vivos, ocupando a 15ª posição. Os estados em pior situação com relação à mortalidade infantil são Alagoas e Maranhão, com índices de 51,9% e 40,7%, respectivamente, de mortalidade por cada mil nascidos vivos.

Segundo Fabio Atanasio de Morais, coordenador do escritório do Unicef no Pará, os números são avanços importantes, mas não suficientes para que haja acomodação por parte do poder público e das próprias organizações de controle social, que lutam por melhorias. 'Sem dúvida são números significativos, mas não devem significar um contentamento com a situação das crianças pequenas, que são a faixa avaliada pelo IDH, criado como instrumento para monitorar essa fase da vida nos países, estados e municípios, e permitir a sua análise de forma a integrar todos os atores envolvidos na atenção às crianças', destaca.

Na avaliação de Morais, entre as políticas que contribuíram para a melhora, além da saúde, com assitência pré-natal e neonatal, os programas de distribuição de renda também contribuem para elevar o nível de vida das crianças na faixa escolar, não só pelo incentivo à escolarização, mas também pelo reposicionamento das famílias, que revertem os recursos recebidos a título de incentivos para dentro dos lares, o que influi no bem-estar da criança.

Por outro lado, entre as políticas que precisam ser melhoradas estão o saneamento básico e a política de assistência social, que ainda precisa ser implementada nos mesmos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS), com uma vasta rede em diversos níveis de complexidade. 'É claro que há muitas críticas ao SUS, mas a concepção do sistema, a sua legislação e as bases da sua divisão de competências entre os diversos entes da federação consistem em um sistema capaz de atender a população dentro dos seus diversos níveis de necessidades, desde a atenção básica até a média e alta complexidade', ilustra Morais.

Ele afirma ainda que, de um modo geral, a situação brasileira ainda é delicada, com um índice de mortalidade de 22,5%, enquanto o aceitável nos países de primeiro mundo fica entre 4 e 6%. No pacto do milênio firmado entre os países, o Brasil tem como meta baixar seu percentual para 19%, índice que ainda é alto em relação aos países desenvolvidos. Mas o Brasil contabiliza avanços porque tinha uma taxa de 57 mortes de menores de 5 anos por mil nascidos vivos em 1990, número que foi reduzido em 2006 para 20 mortes por mil nascidos vivos, de acordo com os dados globais do Unicef.