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Daniela_Artur
January 24th, 2008, 11:43 PM
Prefeitura realiza sonhos de portadores de necessidades especiais
24 de janeiro de 2008.


MANAUS - Em uma sala pequena, mas com capacidade para atender os 22 alunos portadores de necessidades especiais, um quadro branco começa a ficar cheio de idéias para a criação, montagem e implantação de duas empresas.

A primeira, para a prestação de serviços e a outra, para a venda de produtos. É assim que após uma semana de curso, os alunos portadores de necessidades especiais participam da aula, com objetivo de colocar em prática tudo o que aprenderam em 40 horas de cursos complementares.

Os ensinamentos são os primeiros passos para o curso completo de Manutenção, Montagem e Configurações de Computadores, que está sendo realizado no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em parceria com a Prefeitura de Manaus, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Local (Semdel), e Plano Nacional de Qualificação (PNQ) do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT).

Segundo o professor Antônio Veríssimo, os alunos recebem noções básicas de educação ambiental, cidadania, matemática instrumental, empreendedorismo, relações interpessoais, saúde e segurança no trabalho.

“Nesse curso, os alunos são colocados em situações que acontecem no dia-a-dia passando por várias fases que vão desde a criação até o
desenvolvimento de empresas. Os assuntos são tratados em função da necessidade do mercado de trabalho que exige pessoas mais capacitadas e aptas para desenvolver várias atividades dentro das empresas”, diz o professor.

Oportunidade

De acordo com o professor, os alunos se queixam muito da falta de oportunidade nas empresas. Apesar disso, demonstram uma grande força de vontade em aprender uma profissão e sonham em entrar no mercado de trabalho. “Os portadores de necessidades têm um rendimento melhor do que os alunos normais, porque apesar das dificuldades físicas ou mentais, eles demonstram mais interesse no aprendizado e precisam de um espaço maior no mercado de trabalho para mostrar que são bons”, ressalta o professor.

Exemplo de Perseverança

Aos 24 anos de idade, Francinaldo da Costa Oliveira, que nasceu com problemas em uma das pernas, descobriu que possuía câncer de pele e que teria de ser operado para a retirada de metade do corpo, em uma cirurgia bastante arriscada.

Francinaldo morava no estado do Pará e teve que viajar para Manaus, mesmo sem condições financeiras. No estado vizinho, ele trabalhava em um mercadinho para complementar a aposentadoria.

Quando chegou à capital amazonense, Francinaldo foi atendido na Fundação Cecom (Centro de Controle de Oncologia do Amazonas), local onde foi operado em 14 de junho de 2006 e hoje com 26 anos, trabalha como voluntário da LAAC (Liga Amazonense contra o Câncer).

Com objetivo de melhorar o trabalho desenvolvido na instituição e de dar continuidade aos estudos na área de informática, Francinaldo é um dos 22 alunos portadores de necessidades especiais que dentro de dois meses estarão preparados para o mercado de trabalho.

“Resolvi fazer o curso porque já havia feito os cursos básicos e avançados de informática e tenho curiosidades em aprender a concertar computadores”, diz o estudante entusiasmado com a possibilidade de pela primeira vez trabalhar com carteira assinada.

Semdel

A Prefeitura de Manaus, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Local (Semdel), fechou 2007 com números expressivos de capacitação e qualificação de pessoas que passaram pelos diversos cursos realizados pela Secretaria, e com a criação e implantação de programas de incentivo ao empreendedorismo nas zonas urbana e rural de Manaus.

De acordo com o secretário Jefferson Praia, uma das metas da Semdel é possibilitar aos portadores de necessidades especiais um espaço maior no mercado de trabalho.

“A nossa secretaria está se empenhando cada vez mais em capacitar e qualificar os portadores de necessidades especiais para que possamos assim dar uma maior contribuição para que as empresas possam cumprir a lei que trata da contratação de pessoas com necessidades especiais. Com a inauguração do Sine Municipal, previsto para Março, nós estaremos intensificando essas ações” conta Praia.

O Deficiente e o Mercado de Trabalho

A legislação brasileira determinou que as empresas obedeçam às exigências legais a fim de preencher a cota de deficientes prevista no artigo 93, da Lei 8.213/91. A regra, embora em vigor há mais de 15 anos, é desconhecida por muitos empresários. Há algumas empresas que até conhecem a legislação, desconhecendo, porém, qual a melhor forma de se adaptar às regras.

A legislação determina uma cota de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiências nas empresas com 100 ou mais empregados, nas seguintes proporções: até 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e de 1.001 em diante, 5%.

O sistema de cotas possui alguns aspectos interessantes. Um deles prevê que a empresa somente pode dispensar um empregado inserido no sistema de cota se ocorrer a contratação de um substituto em condição semelhante.

Ocorre que muitas empresas têm encontrado dificuldade em contratar profissionais especializados com deficiência ou até mesmo com o mínimo de preparação paras as vagas disponíveis. Outras, de forma bastante desonesta, se baseiam neste mesmo argumento para não contratá-los.

Também existem deficientes que não conseguem um emprego digno por falta de capacitação profissional. Eles enfrentam inúmeros obstáculos diariamente, como o preconceito, a dificuldade do acesso pelo transporte público ou pelas vias públicas (falta de rampas, ausência de semáforos para deficientes visuais, corredores estreitos, entre outros), impedindo que se especializem e se preparem para o mercado de trabalho.

fonte: portal amazonia.