Jorge Luís
January 31st, 2008, 05:54 PM
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Começa a transferência de camelôs
Em Belém
Barracas são instaladas em áreas determinadas pela prefeituras
Os camelôs que foram retirados da avenida Presidente Vargas, no Centro de Belém, começaram, aos poucos, a ser realocados pela Secretaria Municipal de Economia (Secon) na manhã de ontem. Enquanto homens da Guarda Municipal davam cobertura em vários pontos da avenida, fiscais da Secon avaliavam pontos nas vias transversais para fazer a transferência. Além do terreno cedido pelo Banco da Amazônia em frente à agência central dos Correios, eles também já começaram a ser transferidos para a Praça Maranhão - em frente à Igreja de Sant’ana - e no entorno do Buraco da Palmeira. Outros camelôs devem ser transferidos para as praças do Estivador e Waldemar Henrique, até março, quando a Prefeitura de Belém promete entregar as obras dos 'camelódromos' no Buraco da Palmeira e no antigo prédio do INSS na Presidente Vargas.
O presidente do Sindicato dos Ambulantes, Raimundo Raolino, esteve na Presidente Vargas conversando com os funcionários da Secon. 'Estamos tentando organizar os camelôs nos novos espaços, mas a prefeitura está dificultando para quem tomou a frente do movimento. Está havendo retaliação. São cerca de 150 pessoas que estão tendo dificuldades para colocar suas barracas nas transversais', atacou. A diretora de vias públicas da Secon, Celina Brito, respondeu à acusação declarando que a escolha dos novos pontos foi feita dando prioridade primeiro aos que atuavam em frente aos Correios e depois por ordem de chegada das solicitações. 'As pessoas estão nos procurando e nós verificamos os pontos que eles querem, se há possibilidade. Alguns deles começaram a nos procurar na segunda-feira, outros desde sexta. Esses tiveram prioridade nos locais que eles consideram melhores, mais próximos da avenida e da antiga freguesia deles'. Segundo Celina, mais de 70 pessoas estão trabalhando na operação, que irá durar 'o tempo que for necessário' para completar a realocação.
Para abrigar os que vieram da Presidente Vargas também estão sendo feitas readequações no tamanho nas barracas em ruas como a 28 de Setembro e Aristides Lobo. 'Onde a gente percebe que dá para abrir espaço para colocar mais uma barraca, estamos colocando. Também diminuimos equipamentos que estavam além do que permite a lei'. Já o terreno cedido pelo Banco da Amazônia será destinado, preferencialmente, aos 38 que trabalhavam em frente aos Correios, mas a Secon estima que o espaço poderá abrigar até 140 barracas. As vagas restantes serão destinadas aos que procuraram primeiro pelo órgão.
COSTUME
Muitos pedestres ainda estão desacostumados com as calçadas livres e continuam andando às margens da avenida. Além disso, os usuários de ônibus urbanos permanecem esperando pelos coletivos no meio-fio. 'Colocamos 50 educadores e dez fiscais de transporte para orientar a população de que a calçada é feita para ela e para orientar os ônibus a obedecer à baia e encostar mais. Vamos continuar esse trabalho enquanto acharmos necessário', disse a superintendente em exercício da Ctbel, Socorro Bahia.
Entre os camelôs, o tom parecia ser de alívio. 'Eu acredito que vai ficar melhor para a gente, se pudermos ficar aqui com algo mais bonitinho, uma estrutura de fato, banheiros. Tem algumas pessoas que estão se opondo, mas acho que a maioria está achando boa a mudança', disse a artesã Elma Silveira, que há cinco anos vendia suas bijuterias de sementes em frente aos Correios, na barraca herdada do pai, e que foi uma das primeiras a montar a barraca no terreno do outro lado da rua.
Segundo a artesã, o que ainda existe é muita desinformação, o que ajuda a acirrar os ânimos. 'As pessoas não estão tranqüilas porque já se falou que o Basa não cedeu nada, que isso seria só por três meses. Tem muito disse-me-disse.' Também transferida para a área, Valnize Oliveira acredita que a mudança vai trazer melhor estrutura para que os camelôs possam trabalhar. 'Acho que vai ficar melhor do que como estávamos', disse ela, que vende artigos místicos.
Na Praça Maranhão, apenas duas barracas já estavam montadas. Uma delas, a de miudezas eletrônicas pertencente a Fátima Souza. Com ar resignado, ela dizia que a opção era 'melhor do que ficar sem trabalhar'. 'Tem que pensar positivo de que vai vender', completava. Já dobrando a outra esquina, na rua 28 de Setembro, o clima não era de tanta satisfação para José Maria da Costa e Maria Antônia Ribeiro, donos de duas das 14 barracas transferidas para lá. 'No terreno do Basa não cabe todo mundo e na praça já está lotado, então viemos para cá e eles deixaram. Por enquanto, aqui está ruim. Vamos ver se dá ao menos para conseguir um dinheiro para a merenda', reclamava José, vendedor de gravatas e cintos que foi retirado da frente da agência do Banco do Brasil na Presidente Vargas.
Segundo Raimundo Raolino, os camelôs ainda esperam pela resposta da prefeitura para as propostas apresentadas pela categoria na reunião realizada na terça-feira. 'A negociação ainda não foi oficializada, não há um termo de compromisso, nem uma resposta sobre as propostas que fizemos. Estamos aguardando.'
Por meio de sua assessoria de comunicação, a Secon informou que, por incluir temas que extrapolam a ingerência da secretaria, como o fechamento de vias, a proposta do sindicato foi repassada ao gabinete da prefeitura e está sendo avaliada com muito critério. Até agora ainda não há um posicionamento do Executivo municipal.
Começa a transferência de camelôs
Em Belém
Barracas são instaladas em áreas determinadas pela prefeituras
Os camelôs que foram retirados da avenida Presidente Vargas, no Centro de Belém, começaram, aos poucos, a ser realocados pela Secretaria Municipal de Economia (Secon) na manhã de ontem. Enquanto homens da Guarda Municipal davam cobertura em vários pontos da avenida, fiscais da Secon avaliavam pontos nas vias transversais para fazer a transferência. Além do terreno cedido pelo Banco da Amazônia em frente à agência central dos Correios, eles também já começaram a ser transferidos para a Praça Maranhão - em frente à Igreja de Sant’ana - e no entorno do Buraco da Palmeira. Outros camelôs devem ser transferidos para as praças do Estivador e Waldemar Henrique, até março, quando a Prefeitura de Belém promete entregar as obras dos 'camelódromos' no Buraco da Palmeira e no antigo prédio do INSS na Presidente Vargas.
O presidente do Sindicato dos Ambulantes, Raimundo Raolino, esteve na Presidente Vargas conversando com os funcionários da Secon. 'Estamos tentando organizar os camelôs nos novos espaços, mas a prefeitura está dificultando para quem tomou a frente do movimento. Está havendo retaliação. São cerca de 150 pessoas que estão tendo dificuldades para colocar suas barracas nas transversais', atacou. A diretora de vias públicas da Secon, Celina Brito, respondeu à acusação declarando que a escolha dos novos pontos foi feita dando prioridade primeiro aos que atuavam em frente aos Correios e depois por ordem de chegada das solicitações. 'As pessoas estão nos procurando e nós verificamos os pontos que eles querem, se há possibilidade. Alguns deles começaram a nos procurar na segunda-feira, outros desde sexta. Esses tiveram prioridade nos locais que eles consideram melhores, mais próximos da avenida e da antiga freguesia deles'. Segundo Celina, mais de 70 pessoas estão trabalhando na operação, que irá durar 'o tempo que for necessário' para completar a realocação.
Para abrigar os que vieram da Presidente Vargas também estão sendo feitas readequações no tamanho nas barracas em ruas como a 28 de Setembro e Aristides Lobo. 'Onde a gente percebe que dá para abrir espaço para colocar mais uma barraca, estamos colocando. Também diminuimos equipamentos que estavam além do que permite a lei'. Já o terreno cedido pelo Banco da Amazônia será destinado, preferencialmente, aos 38 que trabalhavam em frente aos Correios, mas a Secon estima que o espaço poderá abrigar até 140 barracas. As vagas restantes serão destinadas aos que procuraram primeiro pelo órgão.
COSTUME
Muitos pedestres ainda estão desacostumados com as calçadas livres e continuam andando às margens da avenida. Além disso, os usuários de ônibus urbanos permanecem esperando pelos coletivos no meio-fio. 'Colocamos 50 educadores e dez fiscais de transporte para orientar a população de que a calçada é feita para ela e para orientar os ônibus a obedecer à baia e encostar mais. Vamos continuar esse trabalho enquanto acharmos necessário', disse a superintendente em exercício da Ctbel, Socorro Bahia.
Entre os camelôs, o tom parecia ser de alívio. 'Eu acredito que vai ficar melhor para a gente, se pudermos ficar aqui com algo mais bonitinho, uma estrutura de fato, banheiros. Tem algumas pessoas que estão se opondo, mas acho que a maioria está achando boa a mudança', disse a artesã Elma Silveira, que há cinco anos vendia suas bijuterias de sementes em frente aos Correios, na barraca herdada do pai, e que foi uma das primeiras a montar a barraca no terreno do outro lado da rua.
Segundo a artesã, o que ainda existe é muita desinformação, o que ajuda a acirrar os ânimos. 'As pessoas não estão tranqüilas porque já se falou que o Basa não cedeu nada, que isso seria só por três meses. Tem muito disse-me-disse.' Também transferida para a área, Valnize Oliveira acredita que a mudança vai trazer melhor estrutura para que os camelôs possam trabalhar. 'Acho que vai ficar melhor do que como estávamos', disse ela, que vende artigos místicos.
Na Praça Maranhão, apenas duas barracas já estavam montadas. Uma delas, a de miudezas eletrônicas pertencente a Fátima Souza. Com ar resignado, ela dizia que a opção era 'melhor do que ficar sem trabalhar'. 'Tem que pensar positivo de que vai vender', completava. Já dobrando a outra esquina, na rua 28 de Setembro, o clima não era de tanta satisfação para José Maria da Costa e Maria Antônia Ribeiro, donos de duas das 14 barracas transferidas para lá. 'No terreno do Basa não cabe todo mundo e na praça já está lotado, então viemos para cá e eles deixaram. Por enquanto, aqui está ruim. Vamos ver se dá ao menos para conseguir um dinheiro para a merenda', reclamava José, vendedor de gravatas e cintos que foi retirado da frente da agência do Banco do Brasil na Presidente Vargas.
Segundo Raimundo Raolino, os camelôs ainda esperam pela resposta da prefeitura para as propostas apresentadas pela categoria na reunião realizada na terça-feira. 'A negociação ainda não foi oficializada, não há um termo de compromisso, nem uma resposta sobre as propostas que fizemos. Estamos aguardando.'
Por meio de sua assessoria de comunicação, a Secon informou que, por incluir temas que extrapolam a ingerência da secretaria, como o fechamento de vias, a proposta do sindicato foi repassada ao gabinete da prefeitura e está sendo avaliada com muito critério. Até agora ainda não há um posicionamento do Executivo municipal.