Pesquisadorbsb
February 2nd, 2008, 03:24 AM
Tudo no devido lugar
Pressionados pelas críticas dos ambientalistas, pelos interesses do setor imobiliário e pela pressa em tocar projetos e mostrar serviço, distritais se preparam para votar o PDOT, que estabelece diretrizes para a ocupação e o crescimento da cidade nos próximos 10 anos
Após a ressaca do carnaval, os deputados distritais terão trabalho de sobra neste primeiro semestre. O projeto de revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), lei que disciplinará a ocupação do solo do Distrito Federal nos próximos 10 anos, aguarda votação na Câmara Legislativa.
Mas, antes de ir ao plenário, será alvo de discussões calorosas em comissões e audiências públicas. O governo enviou a proposta em novembro de 2007 e tem pressa na aprovação do instrumento, que define a localização de áreas urbanas, rurais, de desenvolvimento econômico e de preservação ambiental.
A última versão do PDOT do DF foi aprovada em 1997. O Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001) exige que municípios com mais de 20 mil habitantes tenham plano diretor e o revise a cada dez anos. Em Brasília, um dos principais tópicos da nova lei é a transformação de áreas rurais em urbanas. Com essa medida, cerca de 500 condomínios ficarão mais perto da regularização e serão beneficiados com a instalação de equipamentos públicos e rede de transporte. A proposta também autoriza a manutenção de grades, cercas e muros em torno dos parcelamentos.
Novas áreas habitacionais também serão criadas, com prioridade para ocupação de vazios urbanos e das regiões próximas às cidades existentes. A ênfase será na habitação coletiva – os edifícios – para diferentes faixas de renda. Estão previstas expansões de várias regiões administrativas, como o Guará, que terá mais sete quadras, além da implantação de novos setores, casos do Jóquei Clube e Noroeste. São mais de 25 núcleos residenciais.
A revisão do PDOT altera ainda a forma de planejamento do quadrilátero do Planalto Central. As 29 regiões administrativas foram agrupadas em sete grandes áreas (veja quadro). Uma emenda à Lei Orgânica, aprovada no último ano eliminou a necessidade de elaboração de um Plano Diretor Local (PDL) para cada cidade.
Agora, as novas delimitações serão regidas por Planos de Desenvolvimento Local. O objetivo do governo é agregar cidades conurbadas (sem mais espaços vazios entre os limites geográficos) que guardem graus de dependência de infra-estrutura viária e de equipamentos públicos. O PDOT, que trata de diretrizes gerais, será complementado pela Lei de Uso e Ocupação do Solo e pelos Planos de Desenvolvimento Local, que definirão aspectos mais específicos, como gabaritos e taxas de permeabilidade.
Ambientalistas e MP apontam falhas
O texto do Projeto de Lei Complementar de revisão do PDOT é aparentemente repleto de boas intenções. Logo nos primeiros artigos, cita os objetivos de atender às funções sociais das propriedades rurais e urbanas e destaca o respeito ao meio ambiente. Porém, já existe um grupo articulado de ambientalistas que contesta a proposta e promete recorrer ao Ministério Público para barrar supostas falhas.
De acordo com a geógrafa Mônica Veríssimo, presidente da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento, o projeto de revisão do PDOT atende a interesses imobiliários e legaliza erros de administrações passadas. “A elaboração do texto já começou errada. Não houve publicidade para participação da população. O PDOT foi elaborado por poucos. O povo não sabe o que o PDOT significa”, diz.
A ambientalista diz que a expansão urbana prevista pelo PDOT prejudicará o abastecimento de água do DF. “A proposta não respeita a capacidade de suporte das bacias hidrográficas da região. Se o crescimento ocorrer dentro dos padrões previstos, pontos de captação de água serão perdidos. Além disso, não há estrutura para esgotamento sanitário dentro do cenário de adensamento populacional apresentado”.
Para engrossar o pelotão de críticos, em maio do ano passado o Ministério Público enviou à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma) documento de 11 páginas, com uma série de recomendações. Entre elas, solicitou que o envio do PDOT à Câmara Legislativa fosse precedido da realização do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do DF e Entorno, além da elaboração do Plano de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Distrito Federal. O GDF diz que os dois estudos estão em fase de elaboração, mas a proposta de revisão do Plano Diretor foi encaminhada aos deputados antes da conclusão.
A elaboração do ZEE foi prevista na Lei Orgânica de 1993, que determinava a conclusão do estudo no prazo de 24 meses. Quinze anos depois, ainda não há previsão de quando o documento ficará pronto. “É um instrumento para planejamento da gestão econômica e ambiental do território. Deveria subsidiar a elaboração do PDOT e não o contrário”, diz a geógrafa Mônica Veríssimo.
O subsecretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Luís Antônio Reis, diz que as críticas ao projeto de revisão do PDOT não passam de discursos político-ideológicos. Segundo ele, técnicos do governo e da UnB se dedicaram ao tema nos últimos três anos. “Nesse período, também foram realizadas três audiências públicas e mais de cem reuniões locais, com a participação de quase 20 mil pessoas. Não dá para dizer agora que o governo deixou de respeitar aspectos técnicos, científicos e legais na elaboração do PDOT”, rebate.
Entidades representativas do setor empresarial também defendem a proposta governamental. De acordo com Adalberto Valadão, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), 2007 apresentou faturamento de R$ 1,5 bilhão em negócios, com geração de 55 mil empregos. A expectativa para este ano é de crescimento de 25% e a aprovação do PDOT seria importante para confirmação desse dado.
“Não adianta culpar o setor imobiliário como vilão dessa história. Obviamente, visamos ao lucro, mas não nos interessa crescer de forma desordenada. O setor está suficientemente maduro para respeitar as questões ambientais. Não queremos caminhar rumo ao caos”, defende-se Adalberto Valadão.
Paulo Muniz, presidente da Comissão de Normas e Procedimentos do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), também vê como positivo o projeto de revisão do PDOT. “A proposta dá um rumo para o crescimento da cidade e ajuda a acabar com a informalidade. A construção de condomínios irregulares impediu a arrecadação de vários impostos e empresas legalmente constituídas geralmente ficaram de fora desses empreendimentos”, argumenta.
Rede de transporte também em pauta
Brasília não tem meio século de existência, mas nas horas de maior movimento o trânsito da cidade já apresenta dificuldades semelhantes aos centros urbanos mais antigos. O crescimento populacional e a concentração dos postos de emprego em poucas localidades são as principais causas dos congestionamentos. De acordo com técnicos da Seduma, um dos objetivos do PDOT, ao prever a revitalização de áreas degradadas e reorganizar o planejamento urbano, é justamente abrandar os transtornos causados pela alta movimentação de veículos. A idéia é descentralizar os locais de trabalho, deixando-os mais próximos das cidades, além de realizar melhorias na malha viária do DF.
O Plano Diretor prevê a criação e reforma de pistas, com a implantação de marginais, passagens de pedestres, ciclovias e corredores exclusivos para o transporte coletivo. A Via Interbairros, que deve ligar Samambaia à Asa Sul, passando por Águas Claras e Guará, é um dos destaques da proposta, com o objetivo de desafogar o trânsito da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB).
Mas há a expectativa de que a movimentação de moradores do Entorno para Brasília continue a comprometer a qualidade do trânsito na capital. Novos projetos habitacionais previstos para a Cidade Ocidental, por exemplo, tendem a adensar o fluxo na DF-140. Mas para o subsecretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Luís Antônio Reis, isso não preocupa. “Essas previsões não são para amanhã, mas para daqui a uns 20 anos.
Quando houver necessidade, certamente o GDF irá investir na DF-140. Não temos legitimidade para legislar sobre o Entorno, mas já existe diálogo entre o GDF e as prefeituras da região. A qualidade de vida no DF depende do correto desenvolvimento do Entorno e ações integradas para que isso aconteça estão em andamento”, assegura.
Expansão da área urbana é contestada
Nos 5,8 mil quilômetros quadrados de área do DF, hoje a faixa urbana está estabelecida em 18,08% do território, o que não significa real ocupação (cerca de 10%), mas a própria Seduma não tem informação precisa a respeito. A revisão do PDOT define aumento da mancha de urbanização para 18,68%, causando reação dos ambientalistas.
“Se isso não é especulação imobiliária, então não sei do que se trata. Por que não reduzir a área urbana, se da faixa delimitada pelo Plano Diretor de 1997 ainda resta bastante espaço? Vamos assistir mais uma vez à degradação do cerrado”, alerta a geógrafa Mônica Veríssimo. Estudo da Unesco (2002), para avaliação da ocupação do solo no DF, constatou perda de 73% da cobertura vegetal, entre 1954 e 2001. Só restam fragmentos de cerrado, que estão associados às áreas legalmente protegidas e às de difícil acesso.
O subsecretário da Seduma justifica a ampliação da área de urbanização como uma forma de atender à demanda por habitação, devido ao crescimento populacional. “Não queremos mais casos como Vicente Pires. É preciso estabelecer onde poderão existir assentamentos, caso haja demanda”, argumenta Luís Antônio Reis.
Além disso, ele destaca a definição pelo PDOT das zonas de contenção urbana (com densidade estabelecida em 12 habitantes por hectare), localizadas próximas às áreas de preservação, e diz que o governo tem aprimorado o sistema de fiscalização, inclusive com uso de satélite que cria imagens de alta resolução.
Unidades de Planejamento Territorial
Central - Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia e Sudoeste/Octogonal;
Adjacente 1 - Lago Sul, Lago Norte e Varjão;
Adjacente 2 - Park Way, SIA, SCIA, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Riacho Fundo II e Guará;
Norte-Nordeste - Brazlândia, Sobradinho, Sobradinho II e Planaltina;
Oeste - Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Águas Claras;
Sul-Sudoeste - Recanto das Emas, Gama e Santa Maria;
Sudeste - Paranoá, São Sebastião, Jardim Botânico e Itapoã
Fonte: http://www.jornaldacomunidade.com.br/?idpaginas=15&idmaterias=309993
Pressionados pelas críticas dos ambientalistas, pelos interesses do setor imobiliário e pela pressa em tocar projetos e mostrar serviço, distritais se preparam para votar o PDOT, que estabelece diretrizes para a ocupação e o crescimento da cidade nos próximos 10 anos
Após a ressaca do carnaval, os deputados distritais terão trabalho de sobra neste primeiro semestre. O projeto de revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), lei que disciplinará a ocupação do solo do Distrito Federal nos próximos 10 anos, aguarda votação na Câmara Legislativa.
Mas, antes de ir ao plenário, será alvo de discussões calorosas em comissões e audiências públicas. O governo enviou a proposta em novembro de 2007 e tem pressa na aprovação do instrumento, que define a localização de áreas urbanas, rurais, de desenvolvimento econômico e de preservação ambiental.
A última versão do PDOT do DF foi aprovada em 1997. O Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001) exige que municípios com mais de 20 mil habitantes tenham plano diretor e o revise a cada dez anos. Em Brasília, um dos principais tópicos da nova lei é a transformação de áreas rurais em urbanas. Com essa medida, cerca de 500 condomínios ficarão mais perto da regularização e serão beneficiados com a instalação de equipamentos públicos e rede de transporte. A proposta também autoriza a manutenção de grades, cercas e muros em torno dos parcelamentos.
Novas áreas habitacionais também serão criadas, com prioridade para ocupação de vazios urbanos e das regiões próximas às cidades existentes. A ênfase será na habitação coletiva – os edifícios – para diferentes faixas de renda. Estão previstas expansões de várias regiões administrativas, como o Guará, que terá mais sete quadras, além da implantação de novos setores, casos do Jóquei Clube e Noroeste. São mais de 25 núcleos residenciais.
A revisão do PDOT altera ainda a forma de planejamento do quadrilátero do Planalto Central. As 29 regiões administrativas foram agrupadas em sete grandes áreas (veja quadro). Uma emenda à Lei Orgânica, aprovada no último ano eliminou a necessidade de elaboração de um Plano Diretor Local (PDL) para cada cidade.
Agora, as novas delimitações serão regidas por Planos de Desenvolvimento Local. O objetivo do governo é agregar cidades conurbadas (sem mais espaços vazios entre os limites geográficos) que guardem graus de dependência de infra-estrutura viária e de equipamentos públicos. O PDOT, que trata de diretrizes gerais, será complementado pela Lei de Uso e Ocupação do Solo e pelos Planos de Desenvolvimento Local, que definirão aspectos mais específicos, como gabaritos e taxas de permeabilidade.
Ambientalistas e MP apontam falhas
O texto do Projeto de Lei Complementar de revisão do PDOT é aparentemente repleto de boas intenções. Logo nos primeiros artigos, cita os objetivos de atender às funções sociais das propriedades rurais e urbanas e destaca o respeito ao meio ambiente. Porém, já existe um grupo articulado de ambientalistas que contesta a proposta e promete recorrer ao Ministério Público para barrar supostas falhas.
De acordo com a geógrafa Mônica Veríssimo, presidente da Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento, o projeto de revisão do PDOT atende a interesses imobiliários e legaliza erros de administrações passadas. “A elaboração do texto já começou errada. Não houve publicidade para participação da população. O PDOT foi elaborado por poucos. O povo não sabe o que o PDOT significa”, diz.
A ambientalista diz que a expansão urbana prevista pelo PDOT prejudicará o abastecimento de água do DF. “A proposta não respeita a capacidade de suporte das bacias hidrográficas da região. Se o crescimento ocorrer dentro dos padrões previstos, pontos de captação de água serão perdidos. Além disso, não há estrutura para esgotamento sanitário dentro do cenário de adensamento populacional apresentado”.
Para engrossar o pelotão de críticos, em maio do ano passado o Ministério Público enviou à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma) documento de 11 páginas, com uma série de recomendações. Entre elas, solicitou que o envio do PDOT à Câmara Legislativa fosse precedido da realização do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do DF e Entorno, além da elaboração do Plano de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Distrito Federal. O GDF diz que os dois estudos estão em fase de elaboração, mas a proposta de revisão do Plano Diretor foi encaminhada aos deputados antes da conclusão.
A elaboração do ZEE foi prevista na Lei Orgânica de 1993, que determinava a conclusão do estudo no prazo de 24 meses. Quinze anos depois, ainda não há previsão de quando o documento ficará pronto. “É um instrumento para planejamento da gestão econômica e ambiental do território. Deveria subsidiar a elaboração do PDOT e não o contrário”, diz a geógrafa Mônica Veríssimo.
O subsecretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Luís Antônio Reis, diz que as críticas ao projeto de revisão do PDOT não passam de discursos político-ideológicos. Segundo ele, técnicos do governo e da UnB se dedicaram ao tema nos últimos três anos. “Nesse período, também foram realizadas três audiências públicas e mais de cem reuniões locais, com a participação de quase 20 mil pessoas. Não dá para dizer agora que o governo deixou de respeitar aspectos técnicos, científicos e legais na elaboração do PDOT”, rebate.
Entidades representativas do setor empresarial também defendem a proposta governamental. De acordo com Adalberto Valadão, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), 2007 apresentou faturamento de R$ 1,5 bilhão em negócios, com geração de 55 mil empregos. A expectativa para este ano é de crescimento de 25% e a aprovação do PDOT seria importante para confirmação desse dado.
“Não adianta culpar o setor imobiliário como vilão dessa história. Obviamente, visamos ao lucro, mas não nos interessa crescer de forma desordenada. O setor está suficientemente maduro para respeitar as questões ambientais. Não queremos caminhar rumo ao caos”, defende-se Adalberto Valadão.
Paulo Muniz, presidente da Comissão de Normas e Procedimentos do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), também vê como positivo o projeto de revisão do PDOT. “A proposta dá um rumo para o crescimento da cidade e ajuda a acabar com a informalidade. A construção de condomínios irregulares impediu a arrecadação de vários impostos e empresas legalmente constituídas geralmente ficaram de fora desses empreendimentos”, argumenta.
Rede de transporte também em pauta
Brasília não tem meio século de existência, mas nas horas de maior movimento o trânsito da cidade já apresenta dificuldades semelhantes aos centros urbanos mais antigos. O crescimento populacional e a concentração dos postos de emprego em poucas localidades são as principais causas dos congestionamentos. De acordo com técnicos da Seduma, um dos objetivos do PDOT, ao prever a revitalização de áreas degradadas e reorganizar o planejamento urbano, é justamente abrandar os transtornos causados pela alta movimentação de veículos. A idéia é descentralizar os locais de trabalho, deixando-os mais próximos das cidades, além de realizar melhorias na malha viária do DF.
O Plano Diretor prevê a criação e reforma de pistas, com a implantação de marginais, passagens de pedestres, ciclovias e corredores exclusivos para o transporte coletivo. A Via Interbairros, que deve ligar Samambaia à Asa Sul, passando por Águas Claras e Guará, é um dos destaques da proposta, com o objetivo de desafogar o trânsito da Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB).
Mas há a expectativa de que a movimentação de moradores do Entorno para Brasília continue a comprometer a qualidade do trânsito na capital. Novos projetos habitacionais previstos para a Cidade Ocidental, por exemplo, tendem a adensar o fluxo na DF-140. Mas para o subsecretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Luís Antônio Reis, isso não preocupa. “Essas previsões não são para amanhã, mas para daqui a uns 20 anos.
Quando houver necessidade, certamente o GDF irá investir na DF-140. Não temos legitimidade para legislar sobre o Entorno, mas já existe diálogo entre o GDF e as prefeituras da região. A qualidade de vida no DF depende do correto desenvolvimento do Entorno e ações integradas para que isso aconteça estão em andamento”, assegura.
Expansão da área urbana é contestada
Nos 5,8 mil quilômetros quadrados de área do DF, hoje a faixa urbana está estabelecida em 18,08% do território, o que não significa real ocupação (cerca de 10%), mas a própria Seduma não tem informação precisa a respeito. A revisão do PDOT define aumento da mancha de urbanização para 18,68%, causando reação dos ambientalistas.
“Se isso não é especulação imobiliária, então não sei do que se trata. Por que não reduzir a área urbana, se da faixa delimitada pelo Plano Diretor de 1997 ainda resta bastante espaço? Vamos assistir mais uma vez à degradação do cerrado”, alerta a geógrafa Mônica Veríssimo. Estudo da Unesco (2002), para avaliação da ocupação do solo no DF, constatou perda de 73% da cobertura vegetal, entre 1954 e 2001. Só restam fragmentos de cerrado, que estão associados às áreas legalmente protegidas e às de difícil acesso.
O subsecretário da Seduma justifica a ampliação da área de urbanização como uma forma de atender à demanda por habitação, devido ao crescimento populacional. “Não queremos mais casos como Vicente Pires. É preciso estabelecer onde poderão existir assentamentos, caso haja demanda”, argumenta Luís Antônio Reis.
Além disso, ele destaca a definição pelo PDOT das zonas de contenção urbana (com densidade estabelecida em 12 habitantes por hectare), localizadas próximas às áreas de preservação, e diz que o governo tem aprimorado o sistema de fiscalização, inclusive com uso de satélite que cria imagens de alta resolução.
Unidades de Planejamento Territorial
Central - Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia e Sudoeste/Octogonal;
Adjacente 1 - Lago Sul, Lago Norte e Varjão;
Adjacente 2 - Park Way, SIA, SCIA, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Riacho Fundo II e Guará;
Norte-Nordeste - Brazlândia, Sobradinho, Sobradinho II e Planaltina;
Oeste - Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Águas Claras;
Sul-Sudoeste - Recanto das Emas, Gama e Santa Maria;
Sudeste - Paranoá, São Sebastião, Jardim Botânico e Itapoã
Fonte: http://www.jornaldacomunidade.com.br/?idpaginas=15&idmaterias=309993