Pesquisadorbsb
February 4th, 2008, 07:25 AM
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Rigor e plasticidade são guiados pelas referências modernas
A arquitetura deste edifício comercial em Brasília, projeto de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, do escritório Brasil Arquitetura, opera como crítica às desventuras da capital federal. Na análise dos autores, boa parte da produção arquitetônica atual na cidade é insatisfatória, o que os fez adotar, como contraponto, a referência modernista local.
Boa vizinhança, relacionamento amigável com a cidade e estabelecimento de visuais privilegiadas são, assim, elementos presentes no projeto arquitetônico, que, em certo sentido, teve como desafio a tarefa de qualificar a interface dos ambientes internos com o exterior.
Era a primeira vez que Fanucci e Ferraz projetavam na capital federal, e, às voltas com o programa privado - um edifício comercial, com salas e andares destinados à locação -, manipularam recuos, cotas e materiais para suavizar a inserção do bloco monolítico.
O prédio tem a dimensão da área máxima edificável sem, contudo, evidenciar a lógica de mercado de aproveitamento do lote. Ou seja, destaca-se a qualidade do espaço livre que o circunda.
Através das laterais transversais, portanto, o pedestre pode transpor livremente o terreno, misturando-se ao fluxo de visitantes e funcionários. O acesso principal, de forma sintomática, é discretamente posicionado no menor lado da edificação e sinalizado ainda por uma espécie de praça suspensa. Esta, por sua vez, explicam os arquitetos, tem o aspecto de uma esplanada que faz a transição para a cota mais alta do terreno em aclive, onde se desenvolve o andar térreo do edifício.
Também os materiais qualificam a relação com o ambiente externo, sobretudo no sentido de indefinir visualmente as superfícies delimitadoras. Assim, o embasamento é envidraçado, os pilares recuados e as fachadas maiores, de insolação leste e oeste, recobertas por perfilado de madeira.
Nos interiores, contudo, tal lógica monolítica e de espaços ortogonais é rompida pelo traçado dos vazios centrais. Eles se desenvolvem longitudinalmente nas quatro lajes de piso e, desenhados sem padrão aparente, imprimem linguagem orgânica no domínio privado do projeto. “Fomos alertados, recentemente, sobre o parentesco que esses vazios guardam com as marquises do Niemeyer”, comentam os arquitetos, manifestando a sensação de que tal comparação faz até sentido.
Os recortes orgânicos não só se destacam pelo contraponto à malha regular dos pilares e à iluminação zenital que os acompanham, como, principalmente em virtude de suas dimensões generosas, evidenciam o quanto pode ser favorável a reserva de área livre, ociosa quem sabe, nos interiores.
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura819.asp
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Rigor e plasticidade são guiados pelas referências modernas
A arquitetura deste edifício comercial em Brasília, projeto de Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, do escritório Brasil Arquitetura, opera como crítica às desventuras da capital federal. Na análise dos autores, boa parte da produção arquitetônica atual na cidade é insatisfatória, o que os fez adotar, como contraponto, a referência modernista local.
Boa vizinhança, relacionamento amigável com a cidade e estabelecimento de visuais privilegiadas são, assim, elementos presentes no projeto arquitetônico, que, em certo sentido, teve como desafio a tarefa de qualificar a interface dos ambientes internos com o exterior.
Era a primeira vez que Fanucci e Ferraz projetavam na capital federal, e, às voltas com o programa privado - um edifício comercial, com salas e andares destinados à locação -, manipularam recuos, cotas e materiais para suavizar a inserção do bloco monolítico.
O prédio tem a dimensão da área máxima edificável sem, contudo, evidenciar a lógica de mercado de aproveitamento do lote. Ou seja, destaca-se a qualidade do espaço livre que o circunda.
Através das laterais transversais, portanto, o pedestre pode transpor livremente o terreno, misturando-se ao fluxo de visitantes e funcionários. O acesso principal, de forma sintomática, é discretamente posicionado no menor lado da edificação e sinalizado ainda por uma espécie de praça suspensa. Esta, por sua vez, explicam os arquitetos, tem o aspecto de uma esplanada que faz a transição para a cota mais alta do terreno em aclive, onde se desenvolve o andar térreo do edifício.
Também os materiais qualificam a relação com o ambiente externo, sobretudo no sentido de indefinir visualmente as superfícies delimitadoras. Assim, o embasamento é envidraçado, os pilares recuados e as fachadas maiores, de insolação leste e oeste, recobertas por perfilado de madeira.
Nos interiores, contudo, tal lógica monolítica e de espaços ortogonais é rompida pelo traçado dos vazios centrais. Eles se desenvolvem longitudinalmente nas quatro lajes de piso e, desenhados sem padrão aparente, imprimem linguagem orgânica no domínio privado do projeto. “Fomos alertados, recentemente, sobre o parentesco que esses vazios guardam com as marquises do Niemeyer”, comentam os arquitetos, manifestando a sensação de que tal comparação faz até sentido.
Os recortes orgânicos não só se destacam pelo contraponto à malha regular dos pilares e à iluminação zenital que os acompanham, como, principalmente em virtude de suas dimensões generosas, evidenciam o quanto pode ser favorável a reserva de área livre, ociosa quem sabe, nos interiores.
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura819.asp