Bruno BHZ
February 9th, 2008, 06:26 AM
Tropa de elite
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=821&IdCanal=4&IdSubCanal=&IdNoticia=69258&IdTipoNoticia=1
Produtores de Belo Horizonte juntam forças para firmar acapital mineira na rota dos grandes espetáculos internacionais e prometem Lenny Kravitz e Alanis Morrissete para abril
DANIEL BARBOSA
Quando o assunto é show internacional, Belo Horizonte sempre padeceu da pecha do provincianismo, visto que, no mais das vezes, esteve alijada das turnês que artistas estrangeiros fazem pelo país. Esse cenário tem mudado ao longo dos últimos anos graças a iniciativas isoladas de produtores que resolveram arregaçar as mangas para colocar a cidade no circuito dos espetáculos que vêm de fora. Pois agora, quatro deles - os que têm mais experiência nessa seara - resolveram deixar de lado o isolamento e juntar forças para reverter definitivamente esse panorama e firmar a capital mineira na rota dos grande espetáculos internacionais.
O show que o grupo norteamericano Dream Theater faz no Chevrolet Hall no dia 9 de março é o primeiro fruto da parceria firmada entre Lúcio Oliveira, da Art BHZ, Gegê Lara, da Electra Produções, Aluízer Malab, da Malab, e Márcia Ribeiro, da Nó de Rosas. Se as expectativas que eles alimentam vingarem, 2008 promete.
"Cada um de nós continua com suas atividades, mas resolvemos nos juntar para trabalhar os espetáculos internacionais. É uma conjugação de esforços para que Belo Horizonte não fique fora dos circuitos. Fechamos esse ‘pool’ na virada do ano com a idéia de somar, para nos tornarmos mais fortes, mas sem amarras", diz Lúcio. Reticente, ele pondera que é complicado adiantar o que está por vir sem que haja, antes, a confirmação oficial, mas adianta que a cidade deve receber atrações de peso ao longo deste ano. Gegê Lara, assumindo a missão de porta-voz do grupo, entrega alguns shows que ainda não estão 100% fechados, mas que têm grandes possibilidade de passar por aqui.
"A Alanis Morrissete está com data pré-reservada para 1º de abril - e não é mentira - e para o dia 16 do mesmo mês devemos ter o Lenny Kravitz. Também estamos trabalhando em várias outras frentes, estudando a possibilidade de trazer Joe Cocker, All Jarreau, Michel Bublé, Halloween e Gamma Ray. Estamos trabalhando com uma programação voltada para um espectro bem variado de público. Também fizemos propostas para Seal, John Forgety, do Creedence, e Rufus Wainwright", adianta, lamentando não ter conseguido incluir Belo Horizonte no roteiro de shows do grupo My Chemical Romance, que se apresenta este mês no Rio de Janeiro (dia 15), em Curitiba (dia 17) e em São Paulo (dias 18 e 19), e de Bob Dylan, que faz shows dias 5 e 6 de março em São Paulo e dia 8 no Rio de Janeiro.
Cachê
"Bob Dylan já estava praticamente fechado em Belo Horizonte, mas acabou ficando mesmo só no Rio e em São Paulo. É normal. Quando artistas desse quilate vão à Itália, por exemplo, também elegem só duas cidades para tocar", diz. O cachê do bardo folk, em torno de U$ 150.000, também teria comprometido sua vinda à capital mineira, porque implicaria em ingressos muito caros para o público, no patamar de exorbitância de São Paulo, onde chegam a custar até R$ 900. Se por um lado lamenta ter perdido alguns bons shows que vão passar pelo Brasil, por outro, Gegê alimenta a expectativa de grupos e artistas estelares para o segundo semestre.
"Estamos estudando Linkin Park ou Foo Fighters. Também existe a possibilidade de termos o Rage Against the Machine, que já anunciou turnê pela América do Sul, mas ainda sem especificar se vem ao Brasil. Fizemos, ainda, propostas para o America, que pode voltar ao país, e para o Boy George com seu grupo, o Culture Club", diz.
Lúcio Oliveira observa que hoje em dia é mais fácil trazer shows internacionais para Belo Horizonte, muito em função de uma cotação mais camarada do dólar. "No geral, o mercado está mais consolidado. A prova é o Dream Theater, que ainda está a um mês de acontecer e já tem mais de 50% dos ingressos vendidos. O grande agente que viabiliza e potencializa nosso negócio é o público e ele tem correspondido", diz.
Márcia Ribeiro faz coro sobre a mudança de perfil dos mineiros em relação à frequência em shows e espetáculos em geral. "Passamos por uma maturação da platéia. Tivemos, no ano passado, eventos no Palácio das Artes e no Chevrolet Hall, como o Jethro Tull, o Teatro Negro de Praga e o Circo Nacional da China, que tiveram públicos muito bons", diz. "Isso é uma coisa nova na cidade, mas hoje percebemos, de fato, que o número de pessoas que vai a shows de maneira mais sistemática cresceu, por isso, nos unimos, para deixar marcado para as grandes produtoras do Rio de Janeiro e de São Paulo que estamos juntos e dispostos a brigar para trazer shows internacionais para cá. Acho que teremos um cardápio bem interessante de atrações de fora em 2008", confia.
Falta de espaço
Os quatro produtores se mostram otimistas quanto às perspectivas abertas pela parceria, mas todos eles convergem suas críticas em relação à falta de um espaço para abrigar grandes públicos. Na verdade, eles concordam que esse espaço já existe - o Mineirinho -, mas carece de uma ampla reforma. "É uma demanda urgente junto ao governo do Estado. O Mineirinho é o maior ginásio da América Latina, então seria o grande palco para espetáculos em Belo Horizonte. É um espaço amplo, o acesso é fácil, tem estrutura de estacionamento e no entanto está ocioso porque precisa ser reformado. Aliás, isso é algo que até está previsto, por conta da Copa do Mundo no Brasil, mas resta saber se essa reforma vai se prestar também à realização de espetáculos ou se vai ser algo voltado só mesmo para eventos esportivos", diz Lúcio.
Gegê Lara tem larga experiência na realização de shows naquele local e também lamenta que hoje ele não atenda mais à demanda dos produtores locais. "Antigamente eu só fazia show no Mineirinho, era até chamado de Mister Mineirinho, já levei até o Green Day para tocar lá num dia de semana. Lá tem tudo, o que falta é melhorar a acústica, o que não é nada complicado. Hoje a gente perde shows para Porto Alegre porque eles têm o Gigantinho. O Iron Maiden vai fazer uma turnê pelo Brasil, com shows marcados em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. Queremos trazê-lo para cá, mas só seria viável num espaço como o Mineirinho", aponta.
Além do Dream Theatre, outro grande show que Belo Horizonte recebe em breve é do grupo Interpol, que toca dia 15 de março no Chevrolet Hall, mas essa é uma ação capitaneada apenas pela Malab, porque foi fechada antes da parceria entre os produtores. Os ingressos já estão à venda, ainda no primeiro lote, com preços a R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Em âmbito nacional, há a previsão de vários outros shows de grupos e artistas diversos, com datas marcadas ou a confirmar nas capitais que usualmente entram no circuito das turnês internacionais.
Publicado em: 09/02/2008
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=821&IdCanal=4&IdSubCanal=&IdNoticia=69258&IdTipoNoticia=1
Produtores de Belo Horizonte juntam forças para firmar acapital mineira na rota dos grandes espetáculos internacionais e prometem Lenny Kravitz e Alanis Morrissete para abril
DANIEL BARBOSA
Quando o assunto é show internacional, Belo Horizonte sempre padeceu da pecha do provincianismo, visto que, no mais das vezes, esteve alijada das turnês que artistas estrangeiros fazem pelo país. Esse cenário tem mudado ao longo dos últimos anos graças a iniciativas isoladas de produtores que resolveram arregaçar as mangas para colocar a cidade no circuito dos espetáculos que vêm de fora. Pois agora, quatro deles - os que têm mais experiência nessa seara - resolveram deixar de lado o isolamento e juntar forças para reverter definitivamente esse panorama e firmar a capital mineira na rota dos grande espetáculos internacionais.
O show que o grupo norteamericano Dream Theater faz no Chevrolet Hall no dia 9 de março é o primeiro fruto da parceria firmada entre Lúcio Oliveira, da Art BHZ, Gegê Lara, da Electra Produções, Aluízer Malab, da Malab, e Márcia Ribeiro, da Nó de Rosas. Se as expectativas que eles alimentam vingarem, 2008 promete.
"Cada um de nós continua com suas atividades, mas resolvemos nos juntar para trabalhar os espetáculos internacionais. É uma conjugação de esforços para que Belo Horizonte não fique fora dos circuitos. Fechamos esse ‘pool’ na virada do ano com a idéia de somar, para nos tornarmos mais fortes, mas sem amarras", diz Lúcio. Reticente, ele pondera que é complicado adiantar o que está por vir sem que haja, antes, a confirmação oficial, mas adianta que a cidade deve receber atrações de peso ao longo deste ano. Gegê Lara, assumindo a missão de porta-voz do grupo, entrega alguns shows que ainda não estão 100% fechados, mas que têm grandes possibilidade de passar por aqui.
"A Alanis Morrissete está com data pré-reservada para 1º de abril - e não é mentira - e para o dia 16 do mesmo mês devemos ter o Lenny Kravitz. Também estamos trabalhando em várias outras frentes, estudando a possibilidade de trazer Joe Cocker, All Jarreau, Michel Bublé, Halloween e Gamma Ray. Estamos trabalhando com uma programação voltada para um espectro bem variado de público. Também fizemos propostas para Seal, John Forgety, do Creedence, e Rufus Wainwright", adianta, lamentando não ter conseguido incluir Belo Horizonte no roteiro de shows do grupo My Chemical Romance, que se apresenta este mês no Rio de Janeiro (dia 15), em Curitiba (dia 17) e em São Paulo (dias 18 e 19), e de Bob Dylan, que faz shows dias 5 e 6 de março em São Paulo e dia 8 no Rio de Janeiro.
Cachê
"Bob Dylan já estava praticamente fechado em Belo Horizonte, mas acabou ficando mesmo só no Rio e em São Paulo. É normal. Quando artistas desse quilate vão à Itália, por exemplo, também elegem só duas cidades para tocar", diz. O cachê do bardo folk, em torno de U$ 150.000, também teria comprometido sua vinda à capital mineira, porque implicaria em ingressos muito caros para o público, no patamar de exorbitância de São Paulo, onde chegam a custar até R$ 900. Se por um lado lamenta ter perdido alguns bons shows que vão passar pelo Brasil, por outro, Gegê alimenta a expectativa de grupos e artistas estelares para o segundo semestre.
"Estamos estudando Linkin Park ou Foo Fighters. Também existe a possibilidade de termos o Rage Against the Machine, que já anunciou turnê pela América do Sul, mas ainda sem especificar se vem ao Brasil. Fizemos, ainda, propostas para o America, que pode voltar ao país, e para o Boy George com seu grupo, o Culture Club", diz.
Lúcio Oliveira observa que hoje em dia é mais fácil trazer shows internacionais para Belo Horizonte, muito em função de uma cotação mais camarada do dólar. "No geral, o mercado está mais consolidado. A prova é o Dream Theater, que ainda está a um mês de acontecer e já tem mais de 50% dos ingressos vendidos. O grande agente que viabiliza e potencializa nosso negócio é o público e ele tem correspondido", diz.
Márcia Ribeiro faz coro sobre a mudança de perfil dos mineiros em relação à frequência em shows e espetáculos em geral. "Passamos por uma maturação da platéia. Tivemos, no ano passado, eventos no Palácio das Artes e no Chevrolet Hall, como o Jethro Tull, o Teatro Negro de Praga e o Circo Nacional da China, que tiveram públicos muito bons", diz. "Isso é uma coisa nova na cidade, mas hoje percebemos, de fato, que o número de pessoas que vai a shows de maneira mais sistemática cresceu, por isso, nos unimos, para deixar marcado para as grandes produtoras do Rio de Janeiro e de São Paulo que estamos juntos e dispostos a brigar para trazer shows internacionais para cá. Acho que teremos um cardápio bem interessante de atrações de fora em 2008", confia.
Falta de espaço
Os quatro produtores se mostram otimistas quanto às perspectivas abertas pela parceria, mas todos eles convergem suas críticas em relação à falta de um espaço para abrigar grandes públicos. Na verdade, eles concordam que esse espaço já existe - o Mineirinho -, mas carece de uma ampla reforma. "É uma demanda urgente junto ao governo do Estado. O Mineirinho é o maior ginásio da América Latina, então seria o grande palco para espetáculos em Belo Horizonte. É um espaço amplo, o acesso é fácil, tem estrutura de estacionamento e no entanto está ocioso porque precisa ser reformado. Aliás, isso é algo que até está previsto, por conta da Copa do Mundo no Brasil, mas resta saber se essa reforma vai se prestar também à realização de espetáculos ou se vai ser algo voltado só mesmo para eventos esportivos", diz Lúcio.
Gegê Lara tem larga experiência na realização de shows naquele local e também lamenta que hoje ele não atenda mais à demanda dos produtores locais. "Antigamente eu só fazia show no Mineirinho, era até chamado de Mister Mineirinho, já levei até o Green Day para tocar lá num dia de semana. Lá tem tudo, o que falta é melhorar a acústica, o que não é nada complicado. Hoje a gente perde shows para Porto Alegre porque eles têm o Gigantinho. O Iron Maiden vai fazer uma turnê pelo Brasil, com shows marcados em Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. Queremos trazê-lo para cá, mas só seria viável num espaço como o Mineirinho", aponta.
Além do Dream Theatre, outro grande show que Belo Horizonte recebe em breve é do grupo Interpol, que toca dia 15 de março no Chevrolet Hall, mas essa é uma ação capitaneada apenas pela Malab, porque foi fechada antes da parceria entre os produtores. Os ingressos já estão à venda, ainda no primeiro lote, com preços a R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Em âmbito nacional, há a previsão de vários outros shows de grupos e artistas diversos, com datas marcadas ou a confirmar nas capitais que usualmente entram no circuito das turnês internacionais.
Publicado em: 09/02/2008