Pesquisadorbsb
February 13th, 2008, 05:34 PM
Procura por dispositivo cresceu 20% em 2007; para arquiteta, cidade fica com aspecto de estado de guerra
Uma cerca de arame cortante, em espiral, que se assemelha às usadas em campos de guerra, está ganhando espaço como equipamento de segurança em Belo Horizonte. A concertina - como é chamada a cerca - não é ilegal. Mas sua instalação sobre muros e grades quase nunca é feita de acordo com as normas do Código de Postura, o que expõe os pedestres a risco. Além disso, elas deixam a cidade com um aspecto nada agradável. Ainda assim, avançam cada vez mais.
Em uma empresa especializada na instalação do produto em Belo Horizonte, a procura pelas concertinas aumentou 20% em 2007, na comparação com o ano anterior. De acordo com o proprietário da Emkal Empreendimentos, Bruno Calil, as pessoas, preocupadas com a segurança, optam pela concertina pelo custo mais baixo de instalação e porque a cerca não necessita de manutenção. Ele afirma que muitos consumidores que tinham cercas elétricas estão trocando o equipamento. Por mês, a empresa instala cerca de dois mil metros de concertinas. O investimento do interessado varia, em média, de R$ 1.000 a R$ 2.000, dependendo da extensão a ser protegida.
De acordo com a presidente do Instituto dos Arquitetos Brasileiros (IAB), Cláudia Pires, as concertinas, assim como as cercas elétricas, prejudicam a arquitetura da cidade. Ela condena os aparelhos de forma geral e acredita que foram desenvolvidos para atender a pessoas de classes mais favorecidas que se enclausuram em casas luxuosas. "Elas decretaram estado de guerra contra o restante da sociedade e, em estado de guerra, não existe preocupação estética", disse.
A implantação de sistema de segurança em imóveis deve seguir normas da prefeitura, que estabelece que a distância entre o local onde o equipamento está instalado e o chão deve ser, no mínimo, de 2,5 m. A cerca também deve respeitar o limite do muro, ou seja, ela não pode projetar-se na direção do passeio, fora do terreno do proprietário.
Ao percorrer bairros da capital, a reportagem de O TEMPO verificou que as regras do Código de Posturas não são obedecidas. Na maioria dos casos, o limite é sempre desrespeitado e, quando questionados, moradores afirmam que a responsabilidade é da empresa que vende e faz a implantação do produto. Pedestres que passam por passeios onde existem muros ou grades com os dispositivos reclamam do risco que elas apresentam.
Fiscalização
A responsabilidade de fiscalizar o cumprimento ao Código de Posturas para a instalação de cercas e outros equipamentos de segurança é de cada uma das nove regionais da prefeitura. No caso de irregularidade, o proprietário recebe uma notificação prévia e tem sete dias para adequar-se. Se o erro persistir, a pessoa é obrigada a pagar multa de R$ 367,03 que será dobrada e depois triplicada a cada dois dias. Débitos que não são pagos se transformam em dívida ativa. Ao todo, a prefeitura tem 123 fiscais de posturas, mas nem todos atuam nas ações práticas de fiscalização. (Com Eugênio Martins)
Fonte: O Tempo – 13/02/2008
Uma cerca de arame cortante, em espiral, que se assemelha às usadas em campos de guerra, está ganhando espaço como equipamento de segurança em Belo Horizonte. A concertina - como é chamada a cerca - não é ilegal. Mas sua instalação sobre muros e grades quase nunca é feita de acordo com as normas do Código de Postura, o que expõe os pedestres a risco. Além disso, elas deixam a cidade com um aspecto nada agradável. Ainda assim, avançam cada vez mais.
Em uma empresa especializada na instalação do produto em Belo Horizonte, a procura pelas concertinas aumentou 20% em 2007, na comparação com o ano anterior. De acordo com o proprietário da Emkal Empreendimentos, Bruno Calil, as pessoas, preocupadas com a segurança, optam pela concertina pelo custo mais baixo de instalação e porque a cerca não necessita de manutenção. Ele afirma que muitos consumidores que tinham cercas elétricas estão trocando o equipamento. Por mês, a empresa instala cerca de dois mil metros de concertinas. O investimento do interessado varia, em média, de R$ 1.000 a R$ 2.000, dependendo da extensão a ser protegida.
De acordo com a presidente do Instituto dos Arquitetos Brasileiros (IAB), Cláudia Pires, as concertinas, assim como as cercas elétricas, prejudicam a arquitetura da cidade. Ela condena os aparelhos de forma geral e acredita que foram desenvolvidos para atender a pessoas de classes mais favorecidas que se enclausuram em casas luxuosas. "Elas decretaram estado de guerra contra o restante da sociedade e, em estado de guerra, não existe preocupação estética", disse.
A implantação de sistema de segurança em imóveis deve seguir normas da prefeitura, que estabelece que a distância entre o local onde o equipamento está instalado e o chão deve ser, no mínimo, de 2,5 m. A cerca também deve respeitar o limite do muro, ou seja, ela não pode projetar-se na direção do passeio, fora do terreno do proprietário.
Ao percorrer bairros da capital, a reportagem de O TEMPO verificou que as regras do Código de Posturas não são obedecidas. Na maioria dos casos, o limite é sempre desrespeitado e, quando questionados, moradores afirmam que a responsabilidade é da empresa que vende e faz a implantação do produto. Pedestres que passam por passeios onde existem muros ou grades com os dispositivos reclamam do risco que elas apresentam.
Fiscalização
A responsabilidade de fiscalizar o cumprimento ao Código de Posturas para a instalação de cercas e outros equipamentos de segurança é de cada uma das nove regionais da prefeitura. No caso de irregularidade, o proprietário recebe uma notificação prévia e tem sete dias para adequar-se. Se o erro persistir, a pessoa é obrigada a pagar multa de R$ 367,03 que será dobrada e depois triplicada a cada dois dias. Débitos que não são pagos se transformam em dívida ativa. Ao todo, a prefeitura tem 123 fiscais de posturas, mas nem todos atuam nas ações práticas de fiscalização. (Com Eugênio Martins)
Fonte: O Tempo – 13/02/2008