View Full Version : Centro expandido perde "uma Santos" em 11 anos


Pesquisadorbsb
February 18th, 2008, 08:02 AM
A psicóloga Elaine Martins, 43, cansou da vida na rua Cardoso de Almeida, coração do bairro de Perdizes, centro expandido de São Paulo. Depois de 12 anos de barulho da vizinha PUC, mudou-se com o marido e a mãe para uma casa no campo, num condomínio em Aldeia da Serra (Grande SP).

No outro lado da cidade, o porteiro José Orlando Inocêncio, 47, trocou o Jabaquara (zona sul) pelo distrito de Anhangüera (zona norte), na extrema periferia da capital. Ali, vive de aluguel enquanto constrói a primeira casa própria. Com ele vão viver mais seis pessoas, entre mulher e filhos.
A vida de Martins e de Inocêncio não se cruzam, mas são os retratos que indicam caminhos opostos do desenvolvimento da cidade de São Paulo nos últimos anos.

Levantamento da Folha com base em dados da Fundação Seade e do IBGE revelam duas tendências da cidade. Enquanto o centro expandido perde população suficiente para compor uma cidade do porte de Santos, a periferia incha o equivalente a Guarulhos.

Segundo o Seade, entre 1996, o primeiro ano com números disponíveis, e 2007, a base mais recente, o centro expandido, que abrange os bairros de alto poder aquisitivo, como Moema, perdeu 441 mil pessoas.

Nesse mesmo período, os extremos de São Paulo, onde estão as regiões mais pobres, como o Grajaú, ganharam cerca de 1,23 milhão de moradores.
Ao mesmo tempo, a população de cidades como Barueri, Vargem Grande Paulista e Santana de Parnaíba, que concentram condomínios de luxo na Grande São Paulo, quase dobrou no mesmo período.

O fenômeno tem nomes: urbanização dispersa ou espraiamento da ocupação. Ou seja, a cidade se expande para onde não deveria crescer.

O tema gera preocupações em aspectos como a distribuição de água, a coleta de lixo e o transporte público -serviços mais difíceis (e caros) nesse ambiente mais fragmentado do que a cidade tradicional.

Além disso, especialistas apontam implicações mais amplas e preocupantes, como a ocupação de áreas de mananciais e o uso intensivo do carro.
Para o professor da FAU Nestor Goulart Reis Filho, o deslocamento da indústria, e do emprego, que deixou regiões centrais como a Mooca e a Barra Funda nas últimas décadas, levou tanto a população rica quanto a pobre a migrar para perto das fábricas, e cada um mora onde tem condições de pagar. "As empresas saíram e as pessoas foram atrás delas."

Curiosamente, o movimento coincide com o boom imobiliário dos últimos dois anos nas regiões centrais, que, para o professor da FAU, é explicado pelo momento econômico.

"Durante muito tempo, não houve financiamento. Mas esse mercado é limitado", afirma.

Antes de trocar a Chácara Flora pela Granja Viana, os industriais Moysés e Graziella Tolisel alugaram uma casa na região para testar a adaptação da família. Todos gostaram.

"Quando não tem trânsito, levo 15 minutos até o shopping Iguatemi", diz Graziella. "A pergunta hoje é: a que distância fica da rodovia? Antes, era do centro", diz Reis Filho.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo edição 18/02/2008

Pesquisadorbsb
February 18th, 2008, 08:03 AM
Alemão troca Higienópolis por casa no mato

Radicado em São Paulo há 17 anos, o executivo alemão Patrick Koller, 39, morou de 1997 a 2004 na av. Angélica, eixo de Higienópolis, um dos bairros centrais da cidade.

Cansou da sensação de insegurança, do trânsito, da poluição e comprou uma casa no meio do mato, na serra da Cantareira, extremo norte da capital.

O objetivo dele não era viver ali, mas passar os fins de semana. Aos poucos foi ficando e acabou se mudando. "Estava no coração da cidade, em meio ao consumo e ao agito."

Fonte: Jornal Folha de São Paulo edição 18/02/2008

Pesquisadorbsb
February 18th, 2008, 08:03 AM
Periferia vive explosão de construções

A servente Queite Rodrigues Lima, 30, já está acostumada: dia sim, dia não, vê um caminhão de mudança chegar ao distrito de Anhangüera (zona norte de SP). É ali, segundo a Fundação Seade, que São Paulo mais cresce: 176% entre 1996 e 2007 -ou 41 mil pessoas a mais.

"Para onde se olha é uma obra nova", diz Queite, há sete anos no bairro.
São os terrenos baratos -de R$ 7.000 a R$ 20 mil- que atraem os moradores para a região. Muitas obras estão em áreas irregulares, segundo a Subprefeitura de Perus.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo edição 18/02/2008

Pesquisadorbsb
February 18th, 2008, 08:05 AM
Prefeitura tem de conter a dispersão, dizem urbanistas
Especialistas defendem que as pessoas voltem a morar nas regiões mais centrais

Coordenadora do Laboratório de Urbanismo da Metrópole da FAU diz que a migração intra-urbana para a periferia se baseia no preço da terra

A urbanização dispersa, foco de estudo de urbanistas e de preocupação da prefeitura, decorre de um modelo de desenvolvimento insustentável, que deve ser repensado.

Em termos de sustentabilidade, dizem os especialistas, não se pode pensar numa grande mancha urbana, e sim na articulação entre as áreas já ocupadas, com incentivo à habitação nas regiões centrais -que têm mais infra-estrutura e geram melhor qualidade de vida aos moradores.

Para o professor de urbanismo do Mackenzie Carlos Leite, doutor em desenvolvimento urbano sustentável, o crescimento de São Paulo tem se baseado no modelo americano, de subúrbios espraiados em áreas de baixíssima densidade, que já entrou em declínio e é alvo de questionamento nos EUA.

"Sob o prisma do desenvolvimento urbano sustentado é preciso voltar a crescer para dentro da metrópole, e não mais expandi-la. Reciclar o território é mais inteligente do que substituí-lo", diz Leite.

O professor da FAU Nestor Goulart dos Reis Filho diz que o investimento em infra-estrutura rodoviária levou a um novo tipo de urbanização em São Paulo. Em vez de seguir o tradicional esquema centro-bairro, o crescimento urbano agora é espelhado nas estradas, que promovem uma cidade difusa.

Para Reis Filho, a prefeitura lida com esse processo com leis ultrapassadas. "Isso depende de normas mais reguladoras."


Preço da terra

Coordenadora do Laboratório de Urbanismo da Metrópole da FAU, a urbanista Regina Meyer diz que a migração intra-urbana em direção à periferia se baseia no preço da terra.

"A população de baixa renda continua sendo expulsa para a periferia menos equipada e, portanto, mais barata", avalia.

Para Meyer, o movimento de periferização em São Paulo decorre, em grande parte, do modelo adotado nas políticas públicas de oferta de habitação popular pela prefeitura desde a década de 1960.

"Esse modelo foi decididamente voltado para o barateamento da oferta através da realocação da população de baixa renda em áreas de terra barata, isto é, sem saneamento, água, transporte e coleta de lixo", diz.

"Não é só um crescimento rumo à periferia, mas a ausência de formas que mantêm vínculos com o centro", completa Meyer.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo edição 18/02/2008

muckie
February 18th, 2008, 08:49 PM
acho que os projetos de habitacao no centro sao super interessantes
pelo outro lado, a dispersao eh um movimento natural que ocorre nas cidades saudaveis

os dois momvimentos, periferia-centro e centro-periferia, devem co-exisistir, aumentando assim o dinamismo e a fluidez da metropole...

no entanto, como somos um pais periferico (nao no sentido geografico, mas socio-economico), nao temos capacidade de urbanizar as periferias antes da ocupacao . Alem da corrupcao e da ineficiencia burocratica, o brasileiro quer ver as cifras antes da hora... ao se interessar pela especulacao da venda dos lotes perifericos, sem se preocupar com o planejamento.

a culpa entao, eh do modo do brasileiro enriquecer, e nao da dispersao urbana em si.

Imagina se fosse proibido dispersar? Que sensacao de prisao! As pessoas tem todo direito de urufruirem de uma qualidade de vida melhor sem poluicao e com mais privacidade. Nao eh verdade que o espraiamento eh um modelo apenas americano. Alem das metropoles europeias, atualmente o mundo inteiro esta investindo em seus suburbios. Maiores exemplos sao Espanha e China.

O centro deveria sim ser re-ocupado pela classe média mais cosmopolita, os mais jovens, migrantes e solteiros. Enquanto as familias formadas esgotadas do stress metropolitano tem todo o direito de se acalmarem.

muckie
February 18th, 2008, 08:53 PM
Qual a diferenca entre a periferia do mundo e o centro? Nos paises centrais, as parcerias pub-privadas dominam... Aqui o conservadorismo anda em passos lentos.

Otis LA
February 18th, 2008, 09:00 PM
A excessiva dispersão tem sido considerada como problema em inúmeras cidades do mundo, pois é uma forma cara de se ocupar o território urbano (infra-estrutura, transporte...). Contribui para a ocupação marginal das áreas centrais das metrópoles e, em todas as grandes cidades do mundo preocupadas com isto, há estratégias de incentivar a reocupação do centro por moradias. Há cidades em que se executam desapropriações extensas de áreas periféricas pouco ocupadas e sem infra-estrutura, aqui mesmo no Brasil (algo como "varrer para dentro"...).
Acredito que uma grande cidade pode ser plural, com variados padrões de ocupação, desde que não haja perda de qualidade de vida.

muckie
February 18th, 2008, 09:14 PM
acho que o territorio nacional tem que ser desenvolvido como um todo, a ponto de a leva de imigrantes nao ser um onus tao alto para as metropoles.

caso contrario, boa parte dos recursos sao "sugados" nessa problematica.

Se a economia fosse mais sustentavel, sem duvida, o espraiamento seria mais saudavel e organizado, alem de contar com recursos privados

Pesquisadorbsb
February 18th, 2008, 10:30 PM
Em parte eu concordo, pois o sistema urbano dos EUA é gigantesco, com um centro relativamente verticalizado e a periferida de casas, com imensos condominios horizontais que se perdem no horizonte.

E eu percebo que vai ser o mesmo destino aqui no Brasil, a empresa que criou um sistema similar foi a Alphaville que está sendo copiada por outras construtoras por todo o Brasil.

E aqui no Centro Oeste não vai ser diferente.

Manauense
February 19th, 2008, 03:29 AM
Pois eu não trocaria Higienópolis por nenhum outro bairro de Sampa. Aliás, só se fosse para morar em um dos apartamentos fodásticos da Vila Nova Conceição. Prefiro o Centro Expandido! :lol:

Pedro Paulo Carreira
February 19th, 2008, 09:26 PM
E viva o centro expandido. Jamais trocaria um bairro como Higienópolis, Cerqueira Cesar ou Pinheiros, por esses condomínios de luxo. No centro expandido há vida, há glamour, etc.etc que não existe nesses condomínios que são verdadeiras cidades dormitórios.

Pesquisadorbsb
February 19th, 2008, 10:00 PM
^^ De forma alguma, então todos os condominios de Barueri, seria uma cidade dormitório, e não é isso que acontece. Tanto que muitas empresas estão migrando para essas regiões.

RRC
February 19th, 2008, 11:44 PM
Pois é, e o pessoal ainda acha legal que o centro comercial vá pra cada vez mais longe do Centro da cidade....

Só lembrando que junto com os prédios comerciais vai um monte d egente que não quer viver longe do trabalho, depois não sabem pq o cento fica abandonado.