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Pesquisadorbsb
February 22nd, 2008, 12:30 AM
Lei libera verticalização da orla de Salvador

Augusto Amoedo, presidente da Ademi-BA: "A Nova lei facilitará o investimento em imóveis voltados para a baixa renda“.

Terrenos baldios, borracharias e casas noturnas que hoje tomam conta de parte da orla de Salvador poderão ser substituídos por prédios residenciais, flats e hotéis. O prefeito da cidade, João Henrique Carneiro, sancionou ontem pela manhã o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da cidade.

O projeto abre espaço para novos negócios no ramo imobiliário, pois amplia as áreas de verticalização da capital, permitindo que mais locais comportem obras de maior porte, além de eliminar zonas exclusivamente residenciais e torná-las "predominantemente residenciais."

Houve quem comemorasse as novas normas para a ocupação de Salvador antes mesmo da aprovação final, que levou mais de um ano, uma vez que as discussões sobre o tema foram bastante acaloradas e começaram em meados de 2005.

Ivan Leão, proprietário da Leão Engenharia, é um dos empresários que já se beneficiaram da nova lei. Em fevereiro de 2006 ele deu início à construção de um apart hotel próximo à orla. Na época, pagou cerca de R$ 500 pelo metro quadrado do local. "Hoje já se está vendendo o metro quadrado a R$ 1 mil", conta o empresário.

Quando comprou o terreno onde, em agosto, ficará pronto o Bahia Suítes, tratava-se de "um criadouro de mosquitos, ratos e cobras. Tudo abandonado", diz.

Leão tem mais um terreno na praia do Jardim de Alah, comprado há dois anos. Segundo ele, a possibilidade de um novo plano diretor da cidade não foi crucial para a compra, mas, hoje, admite que o negócio acabou sendo melhor do que o esperado, pois os terrenos estão se valorizando de forma significativa nessa área, região leste da capital baiana. "A idéia é construir outro apart hotel", diz.

Augusto Amoedo, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), diz que o plano era essencial para o bom planejamento da cidade. "A cada dez anos, Salvador ganha 500 mil novos habitantes. Para comportar todo esse pessoal é preciso ter uma diretriz, um projeto de ocupação da cidade", avalia.

Para ele, a mudança na orla é importante, pois abre chance para uma revitalização da área, que está degradada. Amoedo, ressalta, porém, que a grande modificação e oportunidade de negócios está na possibilidade de novas construções na área da avenida Paralela, uma via expressa localizada em uma área da cidade que começou a se expandir há poucos anos e que serve como acesso a cidades do entorno de Salvador.

Novos patamares de construção dos prédios podem desfigurar a região histórica do centro de Salvador

Amoedo está interessado também em uma outra avenida nas proximidades do aeroporto onde, acredita, poderiam ser feitos empreendimentos residências para baixa renda. Antes, a verticalização era proibida nessa avenida. Agora, poderão se construídos prédios de cerca de 15 andares. "Não pode ser tão alto porque por ali passam aviões", explica.

A avaliação de Djean Cruz, diretor de incorporação da Odebrecht Empreendimentos Imobiliários na Bahia, sobre o foco dos novos investimentos é a mesma de Amoedo. "O maior potencial para o setor imobiliário está na classe mais baixa. Salvador ainda é uma cidade pobre, com muitos pobres e é preciso fazer um ambiente agradável para essas pessoas", diz.

Além disso, Cruz diz que o maior interesse da Odebrecht é pelas áreas um pouco mais afastadas da praia, nas quais, segundo o plano diretor, é possível fazer prédios mais altos. De acordo com o diretor, como na orla os preços dos terrenos estão altos, "é preciso ter um projeto muito bom, que traga rentabilidade e compense esse custo".

Para se ter uma idéia, na praia de Patamares, também localizada na área mais abandonada da orla, no lado leste da cidade (que fica distante de praias como Barra e Ondina, circuito onde passa o carnaval), o metro quadrado de um terreno custava, há cerca de dois anos, R$ 150. Hoje ele já vale R$ 600, um aumento de 300%.

"Desde que o PDDU passou a ser discutido o preço começou a subir e agora chegou a esse patamar", explica Amoedo. Ainda é um valor bem menor do que em bairros mais nobres da cidade, como Barra e Itaigara, onde o metro quadrado está na faixa dos R$ 1 mil, mas os números mostram que a região está em franca valorização.

O temor, porém, é que se de um lado a orla pode ficar mais bonita e agradável, o centro da capital baiana poderá ser descaracterizado. No centro antigo, chamado de Comércio, que fica aos pés do Elevador Lacerda e abriga o Mercado Modelo, os prédios poderão ter até 51 metros de altura (13 andares), seis metros acima do permitido hoje. Com isso, a divisão entre a cidade baixa e a cidade alta, tão característica de Salvador, poderá ser menos evidente.

Quem estiver na entrada do Elevador Lacerda, que está a 64 metros de altura, terá uma visão comprometida da Baía de Todos os Santos. E quem chega pelo mar verá menos da cidade alta, onde está o Pelourinho.


Plano gera polêmica na capital baiana

O entusiasmo com a possibilidade de mudanças na paisagem de Salvador, contudo, não é unânime entre os soteropolitanos. O Plano Diretor De Desenvolvimento Urbano (PDDU) gerou polêmica ao longo dos dois anos e meio que foi debatido e continua sendo duramente criticado por arquitetos, vereadores da oposição e até pelo Conselho Estadual de Cultura da Bahia.

A vereadora Olívia Santana, do PCdoB, argumenta que o novo plano descaracterizará a cidade e que ele foi concebido para atender ao interesse das grandes empresas de construção. "Salvador é uma das poucas cidades que ainda tem sua orla horizontalizada. Isso não é um malefício, é uma virtude".

O problema, na avaliação da arquiteta Ana Fernandes, é que o plano que foi redigido ao longo do ano passado não pensa na cidade a médio e longo prazo, pois o que prevalece nesse projeto são os interesses privados e não os públicos. Segundo Ana, que é professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e membro do Conselho Nacional de Cidades, as mudanças adensarão o tráfego de veículos em áreas já estranguladas, além de poderem provocar problemas de drenagem do solo e alterações nas condições climáticas da capital baiana ao longo dos anos.

Hoje, por exemplo, se uma construtora ergue um prédio na orla em uma fachada de 50 metros, é preciso que haja um recuo lateral total de 25 metros. O novo plano diretor sancionado agora pelo prefeito reduz essa exigência para apenas 7,56 metros. "É como se o poder público tivesse desistido de seu papel e deixasse tudo do jeito que os empresários querem", diz Ana.

O PDDU que foi sancionado pelo prefeito João Henrique Carneiro é uma revisão e ampliação do que havia sido feito em 2004. Antes disso, a última mudança nas regras de ocupação de Salvador foi feita em 1983. "Com a explosão do crédito imobiliário nos últimos anos, a prefeitura julgou serem necessárias modificações no plano diretor", explica Ana. Para ela, porém, não teria sido complicado realizar um projeto que contemplasse os interesses públicos sem atrapalhar os dos empresários.

Fonte: Valor Econômico

Pesquisadorbsb
February 22nd, 2008, 12:34 AM
Plano diretor deve acirrar a disputa por terrenos

Empresários do setor imobiliário comemoram sanção

Enquanto vereadores, representantes de movimentos sociais e outros opositores do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) lamentaram a sanção do projeto, empresários e dirigentes do setor imobiliário receberam a novidade com entusiasmo. Eles acreditam que, em curto prazo, Salvador será “redescoberta”, com a abertura de novos terrenos e atração de mais investimentos para a cidade.

Prevendo a disputa acirrada do mercado por espaços na orla de Salvador, o diretor da Cconstrutora Andrade Mendonça, Antônio Andrade Junior, revela que a empresa já começou a prospectar terrenos na região desde a manhã de ontem, assim que o PDDU foi sancionado. “Apostamos muito em novos projetos, vamos procurar esse novo endereço da cidade para empreender lá. Com o PDDU, Salvador mudou de patamar. Tem a orla mais feia do Brasil, só com borracharias, casas de strip-tease, supermercados e restaurantes, que será transformada num lugar utilizável. Considero o plano diretor um dos maiores eventos de Salvador nos últimos cinco séculos”, declara.

Para o empresário, o PDDU poderia ir mais além. “O gabarito da orla poderia ser mais ousado, permitindo prédios com mais de 15 andares. No Recife, por exemplo, prédios de até 15 andares estão sendo derrubados para serem substituídos por mais altos, tanto que a região valorizou”, comenta.

O presidente da Associação de Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário na Bahia (Ademi-Ba), Luiz Augusto Amoedo, destaca que o PDDU vai muito além do gabarito da orla. “O PDDU é altamente benéfico para Salvador, até mesmo para planejar o resto da cidade, que vem crescendo aos trancos e barrancos. O plano orienta em relação à infra-estrutura, comércio e serviços, e prevê uma ocupação ordenada, com qualidade e controle”, avalia.

Amoedo ressalta também que o PDDU vai abrir mais opções de terrenos e produtos para a sociedade. Ele acredita que, dentro de três meses, lançamentos devem começar a surgir na capital baiana. “Com a reorganização e redistribuição das construções, a população vai poder escolher apartamentos em outros bairros, como Pituba, Vitória e Patamares, que não tinham limite de gabarito e eram economicamente inviáveis”, diz.

O diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil na Bahia (Sinduscon-Ba), Marcos Galindo, reforça a opinião, dizendo que o PDDU vai estimular a ocupação de novas áreas e será um fator de geração de emprego e renda. “O plano diretor permite que o mercado imobiliário tenha campos de expansão dentro de Salvador, influenciando positivamente no desenvolvimento da cidade. Quando se estimula a realização de empreendimentos em determinadas áreas, a reboque surgem intervenções em infra-estrutura. Em breve, a cidade vai perceber os efeitos positivos das mudanças”, acredita.

Durante o evento de sanção do PDDU, na manhã de ontem, na Associação Comercial da Bahia, o prefeito João Henrique comentou que, com o PDDU, muitas construtoras que estavam priorizando o litoral norte e a região de Lauro de Freitas por conta da dificuldade de aprovação de projetos na capital baiana, vão voltar a investir na cidade. “Em alguns anos, Salvador vai se tornar competitiva internacionalmente, com cidades como Miami, Punta del Leste e Buenos Aires”, declarou.


Fonte: Correio da Bahia – 21/02/2008

Manauense
February 22nd, 2008, 02:52 AM
Eu acredito que como toda mudança, esta está eivada de prós e contras. Os foristas de Salvador devem ter gostado da nova lei, pois é muito provável que sejam construídos belos prédios ao longo da orla, o que certamente trará um charme adicional à encantadora capital baiana. Contudo, fico pensando no aumento de trânsito nas regiões que passarão a ficar ainda mais densas com novas construções à beira-mar.
Em Manaus o plano diretor é exageradamente rígido, a ponto de não existir lugar algum da capital amazonense onde possam ser erguidas construções com mais de 94 metros de altura. Gostaria que Manaus seguisse o exemplo de Salvador. :)

portoimagem-II
February 22nd, 2008, 03:04 AM
Eu acredito que como toda mudança, esta está eivada de prós e contras. Os foristas de Salvador devem ter gostado da nova lei, pois é muito provável que sejam construídos belos prédios ao longo da orla, o que certamente trará um charme adicional à encantadora capital baiana. Contudo, fico pensando no aumento de trânsito nas regiões que passarão a ficar ainda mais densas com novas construções à beira-mar.
Em Manaus o plano diretor é exageradamente rígido, a ponto de não existir lugar algum da capital amazonense onde possam ser erguidas construções com mais de 94 metros de altura. Gostaria que Manaus seguisse o exemplo de Salvador. :)

Gostaria que Porto Alegre também seguisse algo nesse sentido.

Pesquisadorbsb
February 22nd, 2008, 03:11 AM
Eu acredito que como toda mudança, esta está eivada de prós e contras. Os foristas de Salvador devem ter gostado da nova lei, pois é muito provável que sejam construídos belos prédios ao longo da orla, o que certamente trará um charme adicional à encantadora capital baiana. Contudo, fico pensando no aumento de trânsito nas regiões que passarão a ficar ainda mais densas com novas construções à beira-mar.
Em Manaus o plano diretor é exageradamente rígido, a ponto de não existir lugar algum da capital amazonense onde possam ser erguidas construções com mais de 94 metros de altura. Gostaria que Manaus seguisse o exemplo de Salvador. :)

Eu não acho que eles deveriam ficar temerosos com relação a altura dos prédios, e bem como vc falou do transito, mas nada que um excelente sistema de transporte coletivo (VLT, VLP, Trens Expressos ou Metrô) nao resolvam. Eu acho que o problema maior das grandes capitais não está no centro, mas sim na periferia.

Pois como na periferia o transporte é insuficiente e deficiente, então o único recurso é a utilização do carro.

Roque
February 22nd, 2008, 09:54 PM
Neste tocante , sistema de transporte de massa de Salvador (Metrô e trens) prioriza os bairros periféricos. O Metrosal por exemplo, vai da Lapa (Centrão) a PIrajá, 15 km em pleno suburbio da cidade, e se interliga com o Trem Suburbano que saí de Labato/Paripe até a Calçada (cidade Baixa).

JoPaM
February 23rd, 2008, 03:06 AM
eu sou radicalmente contra a construção de grandes predios na orla
mas,essa lei servirá para melhorar a pessima orla de ssa
por isso,eu acho que nesse caso,foi a melhor solução :yes:

Baianóide
February 23rd, 2008, 07:30 AM
Graças a Deus. E lembremos que não será nenhuma orla cheia de espigões e sim uma charmosa orla de edifícios baixos, como Maceió.