View Full Version : Goiás torce pela renegociação da dívida de Mato Grosso


Cruvinel
February 29th, 2008, 05:09 PM
Continuação da matéria:

Dívida de Goiás em negociação com BB
Reale Palazzo
Editor-executivo

Torcida pelo Mato Grosso

As autoridades políticas e fazendárias de Goiás olham atentamente para uma operação entre o Estado de Mato Grosso e o Banco do Brasil (BB) que prevê o refinanciamento e o alongamento da dívida do vizinho. As bases dessa negociação vão nortear um futuro acerto entre o banco estatal e Goiás. A torcida é grande por parte do governador Alcides Rodrigues, do secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, e do vice-presidente de Governo do BB, o ex-governador Maguito Vilela.
“O caso do Mato Grosso está em diagnóstico para, depois, avançar nas negociações”, acautela-se Maguito. O ex-governador, contudo, deixa escapar que a proposta de acordo já está sendo convertida em projeto de lei para análise da Assembléia Legislativa daquele Estado. Maguito afirma que o Banco do Brasil é o coordenador do refinanciamento, e que a operação deve ter a participação de outros bancos, de recursos externos, de fundos de pensão e de investimentos. Os prazos para pagamento, adianta, seriam de 20 a 25 anos.
Maguito entende que o fator principal para que a operação se efetive, a vontade política, existe por parte dos governos estadual e federal e Banco do Brasil. Se a negociação impõe um acordo político entre os governos Alcides e Lula, o ex-senador despista. E completa, bem ao seu estilo: “A prioridade do BB é Goiás. Por ser goiano, estou dando atenção especial ao meu Estado. O governador Alcides Rodrigues está interessado, e temos a obrigação de ajudá-lo a fazer as obras necessárias ao desenvolvimento de Goiás.”
O otimismo de Maguito, porém, não se reflete entre os técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que vêem na negociação margem para um maior endividamento e precedente para que todos os Estados (Alagoas também tem interesse na operação), alguns em situações menos favoráveis, reivindiquem o mesmo “benefício”. Mas o vice-presidente do Banco do Brasil acredita que, ao final, o órgão será favorável porque, diz, o Tesouro Nacional será beneficiado com a antecipação do pagamento. Maguito até já enxerga um sinal verde (uma luz) ao fim do túnel.
A respeito da resistência da STN, o superintendente do Tesouro da Secretaria Estadual da Fazenda, Célio Campos de Freitas Júnior, é pragmático. Para ele, o passar dos anos revelou que os termos das renegociações das dívidas dos Estados com a União são extremamente nocivos à saúde financeira de boa parte dos entes federados, o que poderá gerar no futuro uma situação de insolvência. “Goiás, por exemplo, precisa começar a abater do montante da dívida, porque as parcelas comprometidas nem sequer alcançam os juros mensais. E isso torna a dívida impagável.”

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