Bruno BHZ
March 6th, 2008, 04:27 PM
www.hojeemdia.com.br
Temperatura varia até 8º graus entre regiões de BH
06/03/08
CELSO MARTINS
REPÓRTER
Estudo inédito realizado por um professor universitário de Belo Horizonte mostra, em números, a importância das áreas verdes nos grandes centros urbanos para amenizar os efeitos do aquecimento global. A pesquisa revela, por exemplo, uma variação de até seis graus na temperatura média de locais bem próximos, como é o caso da Praça 7 e o Parque Municipal. O cinturão verde formado por 280 espécies de árvores e 270 tipos de plantas e ornamentais do parque ameniza a ilha de calor em que se transformou o centro de Belo Horizonte, asfixiado pelos paredões de concreto e a poluição dos carros.
O autor do estudo é o professor do curso de Geografia e Análise Ambiental e Ecologia do Centro Universitário de Belo Horizonte, Wellington Lopes Assis. O trabalho mostra ainda que o Bairro Floresta, na Região Leste, é um dos mais quentes da cidade, ao registrar seis graus a mais que o Hipercentro. A diferença entre os bairros analisados pode ser ainda maior: o Floresta é oito graus mais quente que o Conjunto Estrela Dalva, Oeste da capital.
O calor que se desloca do Centro pelos corredores de prédios e a ausência de árvores são as explicações do especialista para justificar as altas temperaturas no bairro. «A sensação de calor no hipercentro é amenizada por causa das avenidas largas, como a Afonso Pena e a Amazonas, que ajudam a canalizar os ventos para regiões próximas», explicou.
Os efeitos da verticalização também podem ser sentidos no Buritis, Oeste de Belo Horizonte, onde a temperatura subiu um grau entre 2003 e 2007, mesmo o bairro tendo bastante área verde, como um parque ecológico, e estar próximo à Mata da Copasa. Para o professor, o isso pode ser explicado pelo «boom» imobiliário da região.
A aposentada Maria José de Souza, 55 anos, moradora da Rua Célio de Castro, no Bairro Floresta, afirma que só consegue ficar dentro de casa com o ar condicionado ligado. Ela diz que gasta em média R$ 250 com o pagamento da conta de luz. «O ar condicionado fica ligado a noite toda e parte do dia».
O meteorologista Ruibran dos Reis, coordenador do MG Tempo da PUC Minas/Cemig, afirma que a Região da Pampulha tem a temperatura mais baixa de Belo Horizonte, em torno de 25 graus. Com uma média de 29 graus, o Barreiro e o Centro de Belo Horizonte são as regiões da capital que têm que os maiores índices de calor.
Ele afirma que, no final da década de 30, Belo Horizonte registrava uma temperatura máxima de 30 graus. Hoje, está na casa dos 36 graus. Ainda de acordo com Riubran dos Reis, a cada dez anos, Belo Horizonte registra um grau a mais na temperatura. Para ele, o fenômeno se deve ao aumento da verticalização e do desmatamento.
Fenômeno se repete na Região do Barreiro
Um outro estudo, realizado pelo geógrafo e ambientalista Ronaldo Péres do Amaral, gerente regional de Jardins e Áreas Verdes da Regional Barreiro, também destaca a importância dos parques florestais para amenizar os efeitos do aquecimento global. Após análise das medições feitas em quatro pontos com diferentes níveis de vegetação e ocupação urbana, ele constatou variação de seis graus no Barreiro.
Uma das medições foi feita na Avenida Visconde de Ibituruna, que fica no centro da região, é seis graus mais quente que as proximidades do Parque do Rola Moça. Já na Praça José de Almeida Neto, que fica na Via do Minério com Avenida Olinto Meireles, a temperatura fica em média três graus abaixo da registrada no centro do Barreiro.
Segundo Ronaldo Péres, a variação é explicada pela presença de vegetação no local. «Enquanto uma árvore absorve a radiação solar e transfere para o ar até 380 litros de água por dia em forma de vapor, as estruturas de concreto e asfalto retêm o calor, formando as ilhas de ar quente». O geógrafo explica que as variações de temperatura comprovam a importância do plantio de mudas e recuperação de praças para a melhoria do clima, do ar e da qualidade de vida em regiões adensadas.
Temperatura varia até 8º graus entre regiões de BH
06/03/08
CELSO MARTINS
REPÓRTER
Estudo inédito realizado por um professor universitário de Belo Horizonte mostra, em números, a importância das áreas verdes nos grandes centros urbanos para amenizar os efeitos do aquecimento global. A pesquisa revela, por exemplo, uma variação de até seis graus na temperatura média de locais bem próximos, como é o caso da Praça 7 e o Parque Municipal. O cinturão verde formado por 280 espécies de árvores e 270 tipos de plantas e ornamentais do parque ameniza a ilha de calor em que se transformou o centro de Belo Horizonte, asfixiado pelos paredões de concreto e a poluição dos carros.
O autor do estudo é o professor do curso de Geografia e Análise Ambiental e Ecologia do Centro Universitário de Belo Horizonte, Wellington Lopes Assis. O trabalho mostra ainda que o Bairro Floresta, na Região Leste, é um dos mais quentes da cidade, ao registrar seis graus a mais que o Hipercentro. A diferença entre os bairros analisados pode ser ainda maior: o Floresta é oito graus mais quente que o Conjunto Estrela Dalva, Oeste da capital.
O calor que se desloca do Centro pelos corredores de prédios e a ausência de árvores são as explicações do especialista para justificar as altas temperaturas no bairro. «A sensação de calor no hipercentro é amenizada por causa das avenidas largas, como a Afonso Pena e a Amazonas, que ajudam a canalizar os ventos para regiões próximas», explicou.
Os efeitos da verticalização também podem ser sentidos no Buritis, Oeste de Belo Horizonte, onde a temperatura subiu um grau entre 2003 e 2007, mesmo o bairro tendo bastante área verde, como um parque ecológico, e estar próximo à Mata da Copasa. Para o professor, o isso pode ser explicado pelo «boom» imobiliário da região.
A aposentada Maria José de Souza, 55 anos, moradora da Rua Célio de Castro, no Bairro Floresta, afirma que só consegue ficar dentro de casa com o ar condicionado ligado. Ela diz que gasta em média R$ 250 com o pagamento da conta de luz. «O ar condicionado fica ligado a noite toda e parte do dia».
O meteorologista Ruibran dos Reis, coordenador do MG Tempo da PUC Minas/Cemig, afirma que a Região da Pampulha tem a temperatura mais baixa de Belo Horizonte, em torno de 25 graus. Com uma média de 29 graus, o Barreiro e o Centro de Belo Horizonte são as regiões da capital que têm que os maiores índices de calor.
Ele afirma que, no final da década de 30, Belo Horizonte registrava uma temperatura máxima de 30 graus. Hoje, está na casa dos 36 graus. Ainda de acordo com Riubran dos Reis, a cada dez anos, Belo Horizonte registra um grau a mais na temperatura. Para ele, o fenômeno se deve ao aumento da verticalização e do desmatamento.
Fenômeno se repete na Região do Barreiro
Um outro estudo, realizado pelo geógrafo e ambientalista Ronaldo Péres do Amaral, gerente regional de Jardins e Áreas Verdes da Regional Barreiro, também destaca a importância dos parques florestais para amenizar os efeitos do aquecimento global. Após análise das medições feitas em quatro pontos com diferentes níveis de vegetação e ocupação urbana, ele constatou variação de seis graus no Barreiro.
Uma das medições foi feita na Avenida Visconde de Ibituruna, que fica no centro da região, é seis graus mais quente que as proximidades do Parque do Rola Moça. Já na Praça José de Almeida Neto, que fica na Via do Minério com Avenida Olinto Meireles, a temperatura fica em média três graus abaixo da registrada no centro do Barreiro.
Segundo Ronaldo Péres, a variação é explicada pela presença de vegetação no local. «Enquanto uma árvore absorve a radiação solar e transfere para o ar até 380 litros de água por dia em forma de vapor, as estruturas de concreto e asfalto retêm o calor, formando as ilhas de ar quente». O geógrafo explica que as variações de temperatura comprovam a importância do plantio de mudas e recuperação de praças para a melhoria do clima, do ar e da qualidade de vida em regiões adensadas.