Roque
March 16th, 2008, 04:01 PM
Atuando em vários segmentos da economia, empresas não concentram faturamento apenas no Carnaval
Adriana Patrocínio
Engana-se quem pensa que o business da axé music arrecada a maior parte de seu faturamento durante o Carnaval de Salvador. A maratona de shows, micaretas e festas in door, aliada a cachês milionários, que podem chegar a R$500 mil, garante altos lucros ao longo de todo o ano. Somente com shows, os principais nomes ganham acima dos R$40 milhões anualmente. Nesse embalo, empresas criadas inicialmente apenas para gerenciar artistas estão se transformando em verdadeiras holdings, com atuação em vários segmentos. Protagonistas de uma indústria estabilizada e altamente rentável, artistas como Ivete Sangalo, Bell Marques, Durval Lelys e Cláudia Leitte vêm se configurando como os novos milionários da Bahia.
No topo da lista está a cantora Ivete Sangalo, considerada atualmente a maior artista pop brasileira. O cachê dela, em média de R$350 mil, é hoje o segundo mais caro do país, atrás apenas do rei Roberto Carlos (R$500 mil). Ivete faz em torno de dez shows por mês. Mas, a depender do perfil do evento, especula-se que o valor cobrado alcance meio milhão de reais. É o caso de festas de empresas ou marcas, geralmente às quais a imagem da artista está atrelada.
“Temos uma agenda intensa e equilibrada durante todo o ano. Não há diferença de junho para janeiro ou outubro”, assegura o vice-presidente da produtora Caco de Telha, Ricardo Martins. O executivo da empresa que administra a carreira de Ivete Sangalo cita o exemplo das micaretas, que acontecem em meses bastante diversificados por todo o país: Ribeirão Preto em abril, Fortaleza em julho, São Luís em outubro, Pará em novembro e Natal em dezembro. Outra mostra de que o pique de trabalho é acelerado o tempo todo é que as produtoras mantêm o mesmo quadro de funcionários durante o ano inteiro. Em geral, as contratações específicas para o Carnaval são apenas para serviços de entrega de abadás e segurança.
Como o personagem mitológico Midas, Ivete parece ter o poder de transformar tudo que toca em ouro. Ela é responsável, por exemplo, pelo maior faturamento da gravadora Universal no mundo. Somente o DVD Ao Vivo no Maracanã superou a marca de 600 mil cópias vendidas. O sucesso também se estende aos comerciais, para os quais é uma das artistas mais requisitadas e atuantes.
Como reflexo dos bons lucros, o patrimônio de Ivete Sangalo inclui hoje negócios nos mais diversos setores, como agropecuária, construção civil e aviação, além do grupo Caco de Telha que reúne agência de promoções (Nova Promoções), produtora de eventos corporativos (Caco Eventos Corporativos), produtora de artistas (Caco Artistas), agência de formaturas (Caco Formaturas), gravadora (Caco Discos) e empresa de vendas de blocos e camarotes (Axé Mix). Segundo Martins informou à reportagem, o faturamento anual da holding é da ordem de R$40 milhões. No entanto, apenas com os dez shows mensais de Ivete Sangalo, ao custo médio de R$350 mil, são levantados R$42 milhões. O executivo declara ainda que o Carnaval responde por 20% desse montante e que os 80% restantes são relativos aos shows da cantora durante o ano e aos ganhos das outras empresas.
Tanto sucesso musical e econômico garante mimos particulares de Ivete, que incluem um jatinho, um helicóptero e uma residência no edifício Morada dos Cardeais, no Campo Grande, uma bela torre de 33 andares (40 andares - grifo meu), com vista para a Baía de Todos os Santos. A cantora adquiriu dois apartamentos no empreendimento, cada um avaliado em R$3 milhões, e os transformou em um só.
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Claudia Leitte aposta alto na carreira solo
Mais recente no clube dos top da axé music, Claudia Leitte já é cotada com cachês que variam entre R$100 mil e R$120 mil, embora se comente que cheguem a R$200 mil. A loira mantém atualmente uma média mensal de dez a 12 shows. “As micaretas são o lastro da agenda dos artistas do axé. A performance de um cantor e sua banda podem definir o cachê e a quantidade de shows em cada temporada”, afirma o empresário Cal Adam, sócio da produtora Carreira Solo, responsável por Claudia Leitte.
Cal Adam acrescenta que os projetos particulares das bandas realizados pelo país, a exemplo da Trivela, Asa de Águia, Babado Eletric e Babado Novo, estão entre as grandes apostas dos artistas e empresários durante o período pós-Carnaval. “Agora vamos criar uma Trivela ou Babado Elétrico para Claudinha”, garante o empresário, bem-humorado.
Sem revelar números, Cal informa que apenas cerca de 10% do faturamento da banda vem do Carnaval. “O trabalho feito durante o Carnaval atualmente é muito mal remunerado. Os blocos não conseguem vender mais como antes, a concorrência está alta, os serviços ficam superfaturados, os músicos cobram caro, sem falar na crise aérea, que provocou a perda de muitos turistas”, analisa.
Apostando alto na carreira solo, Claudia Leitte acabou de investir nada menos que R$4 milhões na megaprodução do show de gravação do seu primeiro CD e DVD fora da Babado Novo. Realizado na praia de Copacabana, no Rio, no mês passado, a apresentação reuniu um público estimado em 500 mil pessoas.
Com visão empreendedora, a artista já soma mais de uma dezena de imóveis somente em Salvador, sem contar no Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as aquisições, está uma mansão em fase de construção no Condomínio Alphaville, localizado na Avenida Paralela, onde ela pretende morar com o marido. Na lista dos luxos da cantora está também um Audi Q7, avaliado em mais de R$300 mil, e um jatinho fretado exclusivamente para ela, que leva inclusive sua logomarca.
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Líder do Chiclete diversifica investimentos
Voz masculina de maior destaque na axé music, Bell Marques, também não fica atrás quando o assunto é volume de shows – de dez a 12 por mês – e cachês altos. “Não existe período morno para nós. Já entramos o ano com mais de 90% da agenda fechada. Não fazemos uma maior quantidade de shows por questão de opção, para termos uma melhor qualidade de vida. Afinal, já são quase 30 anos de estrada. Mas temos demanda para quase 30 eventos por mês”, ressalta Fausto Franco, produtor executivo da Mazana Empreendimentos Artísticos, empresa de propriedade do Chiclete com Banana.
Ele não revela quanto a banda recebe por show, alegando que os ganhos são provenientes da participação na venda de ingressos (em média 50% do total levantado), mas especula-se que o valor gira em torno dos R$250 mil. Com um dos públicos mais fanáticos dentro da axé music, Bell soma hoje um amplo patrimônio, que engloba uma rádio FM em Salvador e uma importadora de vinhos.
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Asa de Águia se dá ao luxo de tocar menos
“O ano do Asa de Águia vai de Carnaval a Carnaval”. Assim o empresário Marcelo Brasileiro, sócio da Duma Produções junto com Durval Lelys, define o embalo de shows e eventos da banda pelo país. “Nós paramos apenas 20 dias por ano, meio que forçados, para nos obrigarmos a descansar. Também estabelecemos dois shows por fim de semana, nos reservando ao luxo de tocar menos e com mais qualidade”, salienta.
Responsável pela área administrativa, financeira e comercial do Asa de Águia, Brasileiro diz que o cachê da banda hoje custa a partir de R$180 mil, mas o valor é “negociável”. “A depender do nosso interesse e da praça, por exemplo, se for num local em que nunca tenhamos tocado e quisermos conquistar esse público, o preço pode variar bastante. O que importa é que trabalhamos muito, ganhamos bem e estamos satisfeitos e felizes”, declara.
Desde meados de 2007, os negócios além do Carnaval estão especialmente aquecidos para o Asa de Águia, que vem realizando uma série de shows comemorativos aos 20 anos da banda e que resultarão em um DVD. O último evento, que já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Natal, acontece em Salvador, no dia 1º de maio, no Parque de Exposições.
O Asa de Águia também é líder na realização de projetos particulares. Além da Trivela (que já acontece em 14 cidades por ano), responde também pelo Cocobambu Folia (dez cidades/ano) e Asa Beach (dez cidades/ano). Segundo Marcelo Brasileiro, apenas 30% do faturamento da produtora vem do Carnaval. Um dos projetos acalentados pelos sócios fora do ramo artístico é a construção de um ecoresort, em uma ampla e valorizada área adquirida na região de Itacaré. Enquanto isso, o leader band Durval Lelys acaba de adquirir uma nova moto Harley Davidson, avaliada em mais de R$60 mil.
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Bandas menores também faturam
O agenciador de shows Luís Sampaio garante que o ritmo no axé business é sempre acelerado até mesmo para as bandas menores. “Embora os cachês sejam muito mais baixos que os dos artistas top de linha, o volume de shows das pequenas bandas é muito maior, porque elas não podem se dar ao luxo de escolher os eventos e os dias em que querem tocar. Mas é certo que eles não param de faturar”, fala. Sampaio, dono da Caverna Produções, representa e vende shows de bandas baianas como Uns Kamaradas e Guig Guetto, cujos cachês atuais são de R$5 mil e R$15 mil, respectivamente. “O Guig Guetto, por exemplo, faz atualmente três ensaios por semana”, completa.
À frente dos principais carnavais fora de época do país, o empresário Roberto Bezerra, sócio da Destaque Promoções, ressalta que o axé business movimenta a economia e gera emprego e renda em diversos segmentos. “Um evento alavanca desde o negócio de fabricação de camisetas e de ingressos, passando por serviços de som, luz e palco, até passagens aéreas e hotelaria. Somente o último show do Asa de Água realizado recentemente em Natal atraiu mais de seis mil pessoas, incluindo turistas de Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife. Os números são grandiosos. Os cachês de grande parte dos artistas variam em torno de R$60 mil a R$300 mil. Acontecem, em média, três shows ou eventos por semana pelo país, reunindo um público de até 20 mil pessoas”, analisa. “Por mais que digam que o axé está decadente, os shows de artistas do ritmo baiano ainda são os que levantam os maiores públicos pelo país”, frisa o empresário.
Adriana Patrocínio
Engana-se quem pensa que o business da axé music arrecada a maior parte de seu faturamento durante o Carnaval de Salvador. A maratona de shows, micaretas e festas in door, aliada a cachês milionários, que podem chegar a R$500 mil, garante altos lucros ao longo de todo o ano. Somente com shows, os principais nomes ganham acima dos R$40 milhões anualmente. Nesse embalo, empresas criadas inicialmente apenas para gerenciar artistas estão se transformando em verdadeiras holdings, com atuação em vários segmentos. Protagonistas de uma indústria estabilizada e altamente rentável, artistas como Ivete Sangalo, Bell Marques, Durval Lelys e Cláudia Leitte vêm se configurando como os novos milionários da Bahia.
No topo da lista está a cantora Ivete Sangalo, considerada atualmente a maior artista pop brasileira. O cachê dela, em média de R$350 mil, é hoje o segundo mais caro do país, atrás apenas do rei Roberto Carlos (R$500 mil). Ivete faz em torno de dez shows por mês. Mas, a depender do perfil do evento, especula-se que o valor cobrado alcance meio milhão de reais. É o caso de festas de empresas ou marcas, geralmente às quais a imagem da artista está atrelada.
“Temos uma agenda intensa e equilibrada durante todo o ano. Não há diferença de junho para janeiro ou outubro”, assegura o vice-presidente da produtora Caco de Telha, Ricardo Martins. O executivo da empresa que administra a carreira de Ivete Sangalo cita o exemplo das micaretas, que acontecem em meses bastante diversificados por todo o país: Ribeirão Preto em abril, Fortaleza em julho, São Luís em outubro, Pará em novembro e Natal em dezembro. Outra mostra de que o pique de trabalho é acelerado o tempo todo é que as produtoras mantêm o mesmo quadro de funcionários durante o ano inteiro. Em geral, as contratações específicas para o Carnaval são apenas para serviços de entrega de abadás e segurança.
Como o personagem mitológico Midas, Ivete parece ter o poder de transformar tudo que toca em ouro. Ela é responsável, por exemplo, pelo maior faturamento da gravadora Universal no mundo. Somente o DVD Ao Vivo no Maracanã superou a marca de 600 mil cópias vendidas. O sucesso também se estende aos comerciais, para os quais é uma das artistas mais requisitadas e atuantes.
Como reflexo dos bons lucros, o patrimônio de Ivete Sangalo inclui hoje negócios nos mais diversos setores, como agropecuária, construção civil e aviação, além do grupo Caco de Telha que reúne agência de promoções (Nova Promoções), produtora de eventos corporativos (Caco Eventos Corporativos), produtora de artistas (Caco Artistas), agência de formaturas (Caco Formaturas), gravadora (Caco Discos) e empresa de vendas de blocos e camarotes (Axé Mix). Segundo Martins informou à reportagem, o faturamento anual da holding é da ordem de R$40 milhões. No entanto, apenas com os dez shows mensais de Ivete Sangalo, ao custo médio de R$350 mil, são levantados R$42 milhões. O executivo declara ainda que o Carnaval responde por 20% desse montante e que os 80% restantes são relativos aos shows da cantora durante o ano e aos ganhos das outras empresas.
Tanto sucesso musical e econômico garante mimos particulares de Ivete, que incluem um jatinho, um helicóptero e uma residência no edifício Morada dos Cardeais, no Campo Grande, uma bela torre de 33 andares (40 andares - grifo meu), com vista para a Baía de Todos os Santos. A cantora adquiriu dois apartamentos no empreendimento, cada um avaliado em R$3 milhões, e os transformou em um só.
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Claudia Leitte aposta alto na carreira solo
Mais recente no clube dos top da axé music, Claudia Leitte já é cotada com cachês que variam entre R$100 mil e R$120 mil, embora se comente que cheguem a R$200 mil. A loira mantém atualmente uma média mensal de dez a 12 shows. “As micaretas são o lastro da agenda dos artistas do axé. A performance de um cantor e sua banda podem definir o cachê e a quantidade de shows em cada temporada”, afirma o empresário Cal Adam, sócio da produtora Carreira Solo, responsável por Claudia Leitte.
Cal Adam acrescenta que os projetos particulares das bandas realizados pelo país, a exemplo da Trivela, Asa de Águia, Babado Eletric e Babado Novo, estão entre as grandes apostas dos artistas e empresários durante o período pós-Carnaval. “Agora vamos criar uma Trivela ou Babado Elétrico para Claudinha”, garante o empresário, bem-humorado.
Sem revelar números, Cal informa que apenas cerca de 10% do faturamento da banda vem do Carnaval. “O trabalho feito durante o Carnaval atualmente é muito mal remunerado. Os blocos não conseguem vender mais como antes, a concorrência está alta, os serviços ficam superfaturados, os músicos cobram caro, sem falar na crise aérea, que provocou a perda de muitos turistas”, analisa.
Apostando alto na carreira solo, Claudia Leitte acabou de investir nada menos que R$4 milhões na megaprodução do show de gravação do seu primeiro CD e DVD fora da Babado Novo. Realizado na praia de Copacabana, no Rio, no mês passado, a apresentação reuniu um público estimado em 500 mil pessoas.
Com visão empreendedora, a artista já soma mais de uma dezena de imóveis somente em Salvador, sem contar no Rio de Janeiro e São Paulo. Entre as aquisições, está uma mansão em fase de construção no Condomínio Alphaville, localizado na Avenida Paralela, onde ela pretende morar com o marido. Na lista dos luxos da cantora está também um Audi Q7, avaliado em mais de R$300 mil, e um jatinho fretado exclusivamente para ela, que leva inclusive sua logomarca.
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Líder do Chiclete diversifica investimentos
Voz masculina de maior destaque na axé music, Bell Marques, também não fica atrás quando o assunto é volume de shows – de dez a 12 por mês – e cachês altos. “Não existe período morno para nós. Já entramos o ano com mais de 90% da agenda fechada. Não fazemos uma maior quantidade de shows por questão de opção, para termos uma melhor qualidade de vida. Afinal, já são quase 30 anos de estrada. Mas temos demanda para quase 30 eventos por mês”, ressalta Fausto Franco, produtor executivo da Mazana Empreendimentos Artísticos, empresa de propriedade do Chiclete com Banana.
Ele não revela quanto a banda recebe por show, alegando que os ganhos são provenientes da participação na venda de ingressos (em média 50% do total levantado), mas especula-se que o valor gira em torno dos R$250 mil. Com um dos públicos mais fanáticos dentro da axé music, Bell soma hoje um amplo patrimônio, que engloba uma rádio FM em Salvador e uma importadora de vinhos.
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Asa de Águia se dá ao luxo de tocar menos
“O ano do Asa de Águia vai de Carnaval a Carnaval”. Assim o empresário Marcelo Brasileiro, sócio da Duma Produções junto com Durval Lelys, define o embalo de shows e eventos da banda pelo país. “Nós paramos apenas 20 dias por ano, meio que forçados, para nos obrigarmos a descansar. Também estabelecemos dois shows por fim de semana, nos reservando ao luxo de tocar menos e com mais qualidade”, salienta.
Responsável pela área administrativa, financeira e comercial do Asa de Águia, Brasileiro diz que o cachê da banda hoje custa a partir de R$180 mil, mas o valor é “negociável”. “A depender do nosso interesse e da praça, por exemplo, se for num local em que nunca tenhamos tocado e quisermos conquistar esse público, o preço pode variar bastante. O que importa é que trabalhamos muito, ganhamos bem e estamos satisfeitos e felizes”, declara.
Desde meados de 2007, os negócios além do Carnaval estão especialmente aquecidos para o Asa de Águia, que vem realizando uma série de shows comemorativos aos 20 anos da banda e que resultarão em um DVD. O último evento, que já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Natal, acontece em Salvador, no dia 1º de maio, no Parque de Exposições.
O Asa de Águia também é líder na realização de projetos particulares. Além da Trivela (que já acontece em 14 cidades por ano), responde também pelo Cocobambu Folia (dez cidades/ano) e Asa Beach (dez cidades/ano). Segundo Marcelo Brasileiro, apenas 30% do faturamento da produtora vem do Carnaval. Um dos projetos acalentados pelos sócios fora do ramo artístico é a construção de um ecoresort, em uma ampla e valorizada área adquirida na região de Itacaré. Enquanto isso, o leader band Durval Lelys acaba de adquirir uma nova moto Harley Davidson, avaliada em mais de R$60 mil.
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Bandas menores também faturam
O agenciador de shows Luís Sampaio garante que o ritmo no axé business é sempre acelerado até mesmo para as bandas menores. “Embora os cachês sejam muito mais baixos que os dos artistas top de linha, o volume de shows das pequenas bandas é muito maior, porque elas não podem se dar ao luxo de escolher os eventos e os dias em que querem tocar. Mas é certo que eles não param de faturar”, fala. Sampaio, dono da Caverna Produções, representa e vende shows de bandas baianas como Uns Kamaradas e Guig Guetto, cujos cachês atuais são de R$5 mil e R$15 mil, respectivamente. “O Guig Guetto, por exemplo, faz atualmente três ensaios por semana”, completa.
À frente dos principais carnavais fora de época do país, o empresário Roberto Bezerra, sócio da Destaque Promoções, ressalta que o axé business movimenta a economia e gera emprego e renda em diversos segmentos. “Um evento alavanca desde o negócio de fabricação de camisetas e de ingressos, passando por serviços de som, luz e palco, até passagens aéreas e hotelaria. Somente o último show do Asa de Água realizado recentemente em Natal atraiu mais de seis mil pessoas, incluindo turistas de Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife. Os números são grandiosos. Os cachês de grande parte dos artistas variam em torno de R$60 mil a R$300 mil. Acontecem, em média, três shows ou eventos por semana pelo país, reunindo um público de até 20 mil pessoas”, analisa. “Por mais que digam que o axé está decadente, os shows de artistas do ritmo baiano ainda são os que levantam os maiores públicos pelo país”, frisa o empresário.