View Full Version : Investimentos devolvem vida ao centro de BH


Bruno BHZ
March 24th, 2008, 01:48 AM
Investimentos devolvem vida ao Centro

www.hojeemdia.com.br

ANA PAULA LIMA
REPÓRTER

Um novo Centro está se desenhando bem debaixo do nariz dos belo-horizontinos. Impulsionados por mudanças no coração da capital, como a retirada dos camelôs e a requalificação de praças e ruas, empresários retomam as apostas naquela que já foi a área mais charmosa da cidade. Fazem planos para reformar prédios vazios, investem em antigos hotéis e reocupam pontos comerciais que pareciam condenados ao ostracismo. Estão de olho em bons negócios, mas ajudam a trazer de volta para a região gente interessada em viver ali. E, no embalo, mais movimento, lojas, escolas e serviços, deixando no passado a imagem de Centro degradado.

Primeiro, foi a vez do Edifício Chiquito Lopes. A proposta era ousada: reabrir, com fins residenciais, um prédio de 13 andares que durante oito anos ficou lacrado - apesar de fincado em plena Rua São Paulo, quase esquina com Avenida Afonso Pena. Seis meses e 147 apartamentos vendidos depois, o responsável pela reforma já se prepara para três novas empreitadas. Daqui a no máximo 30 dias, espera começar as obras no Edifício Tupis, mais conhecido como Balança Mas Não Cai. E, no início de 2009, quer encher de pedreiros e concreto mais dois espigões da capital.

½O Centro tem um mercado próprio, gente que quer morar lá. Só faltavam as condições”, diz Teodomiro Diniz Camargos. Dono da construtora que reestruturou o Chiquito Lopes e que vai dar vida nova aos corredores do Balança, ele só apostou no filão devido à nova cara do Centro. ½Mesmo assim, quando começamos a mexer no prédio, ainda havia preconceito das pessoas. A mentalidade só começou a mudar quando ele foi lançado”.
Mudou tanto que 88% dos apartamentos do antigo prédio da Vale já foram vendidos, ao preço médio de R$ 70 mil. No Balança Mas Não Cai, a idéia é repetir a fórmula. De símbolo do abandono do Centro, o prédio vai se transformar em um conjunto de 68 apartamentos de dois quartos. A fachada original, de 1945, será mantida, mesmo diante de um ½recheio” moderno, com instalações hidráulicas e elétricas novas e gás encanado.
½A requalificação de prédios acontece no mundo inteiro. Qualquer Centro de cidade é muito valorizado. Veja o caso de Paris. Por fora os prédios parecem não ter mudado nada, mas por dentro são superconfortáveis”, diz o empresário. Sobre os outros dois edifícios que a Construtora Diniz Camargos vai assumir, Teodomiro é econômico nos detalhes. Diz que um é obra parada. O segundo, um arranha-céu que nasceu com finalidade comercial, mas que hoje está praticamente entregue às moscas.
O empresário não comenta valores da transação. Mas afirma que os negócios, feitos em parceria com grupos paulistas, estão prestes a ser fechados. Os contratos devem ser assinados ainda no primeiro semestre de 2008. Para Teodomiro, prédios vazios no Centro de BH estão com os dias contados. ½Considerando o novo valor urbano da área e a falta de espaço para expansão da cidade, essa ocupação é uma tendência natural”, diz, citando como exemplo um imóvel na Rua dos Caetés que já foi a sede da empresa de ônibus da família dele e que, por tempos, ficou fechado. Recentemente, foi alugado.

À beira do Bulevar, mas no centro da disputa
De elefante branco a prédio mais que cobiçado. Esta é a situação do Hotel Beira Rio, na esquina da Rua Rio de Janeiro com Avenida do Contorno. O nome soa incomum. Mas a imagem do arranha-céu azul que nunca foi concluído é mais que conhecida. O edifício de 32 andares foi planejado para ser um hotel de luxo, o único com heliponto na capital. Durante anos, ficou à espera de alguém com cacife financeiro para tocar a obra. Agora, com a valorização do Centro, o depositário fiel do imóvel e os herdeiros do falecido dono traçam, em lados opostos, planos para terminar o projeto. Ao que tudo indica, a briga vai para a Justiça. (:ohno: ai ai, só falta isso se arrastar por anos)

Em um canto do ringue está o comerciante Geraldo Magela Assunção. Arrendatário do prédio por cinco anos e dono do estacionamento que funciona no edifício, ele acaba de assinar contrato de parceria com uma firma paulista, com filial em BH. A idéia é fazer dos primeiros pavimentos um shopping e dividir os andares superiores em um hotel com 200 cômodos e 245 apartamentos residenciais, com 36 metros quadrados cada e preço variando de R$ 58 mil a R$ 62 mil. Outra hipótese é só levantar moradias. O investimento pode chegar a R$ 25 milhões.
½Não tem jeito de dar errado”, diz ele, que se apresenta como depositário fiel do imóvel. A aposta é no interesse de comerciantes dos shoppings populares da região em viver nas unidades habitacionais. ½O prédio tem duas piscinas, sauna, quatro andares de garagem e fica no Centro. São atrativos a mais”. Segundo o comerciante, para a construção deslanchar só falta a Justiça definir quanto será repassado a cada herdeiro de seu antigo sócio, Ferdinando Cardoso, falecido há cerca de dois anos. A previsão é de que as obras comecem em quatro meses.
Já os filhos de Ferdinando têm outros planos para o espigão que soma 44 mil metros quadrados de área construída. Dizem que já venderam o prédio, que será administrado junto a uma incorporadora da capital mineira. Metade do edifício seria um hotel e a outra, pontos comerciais. Uma universidade também poderia ser implantada. Os herdeiros não reconhecem o antigo sócio do pai como alguém com direito sobre a propriedade. Um deles, Paulo Cardoso, afirma que as obras vão começar assim que a Justiça analisar as condições do contrato e a forma de pagamento. A retomada poderia acontecer ainda em 2008.

Morar mais perto de tudo, opção valorizada

Duas horas. Foi quanto o gerente de banco Emídio Marçal Rodrigues Neto, 49 anos, chegou a gastar para sair de casa, no Bairro Caiçaras (Noroeste) , deixar a filha na escola, no Colégio Batista (Leste), e seguir para o trabalho, no Barreiro. Cansado, foi morar no Bairro Floresta (Leste). Viu os transtornos diminuírem, mas ainda enfrentava congestionamentos. Hoje, boa parte da maratona no trânsito faz parte do passado. Há cinco meses, Emídio mudou-se para o primeiro prédio comercial adaptado para residências de BH. E está em lua-de-mel com o Centro.
½Aqui é tudo perto, fácil. Às vezes chego na janela e vejo a cidade borbulhando lá embaixo. E eu aqui, no meu oásis”, diz o gerente, que agora economiza com o transporte, se estressa menos nos deslocamentos e desfruta de facilidades como vários teatros perto de casa, em caminhos que podem ser feitos a pé.
Entusiasmado, Emídio também resolveu investir no coração da cidade. Depois de negar duas propostas para alugar o próprio apartamento por R$ 950 mensais, comprou outro imóvel no mesmo edifício. Vai mobiliá-lo e garantir uma renda extra. E já tem interesse em um terceiro imóvel, também para alugar. O endereço? Avenida Amazonas com Rua Tupis, no Balança Mas Não Cai.
As mordomias do ½miolo” de BH, recém-descobertas pelo gerente de banco, fazem parte da rotina da aposentada Aparecida Lourdes de Veiga Macedo, 70 anos, há duas décadas e meia. Moradora do 16º andar do Edifício Pilar, na esquina das ruas Guajajaras, Alagoas e Avenida Afonso Pena, ela não desistiu no Centro mesmo quando a região foi invadida por marginais, perueiros e camelôs, e ficou com o visual descuidado.
Agora, colhe os louros da escolha. Recebeu - e recusou -uma oferta de R$ 300 mil pelo apartamento da família. ½Foi tentador, mas não compensa sair de perto do supermercado, do comércio, da igreja”, diz a aposentada, que faz do Parque Municipal um invejável ½quintal” de casa - lugar para as caminhadas matinais. ½O Centro melhorou muito. Apartamento vazio, no meu prédio, é alugado na hora. Se é para venda, os próprios moradores dão um jeito de comprar”.
A valorização também bateu à porta do Edifício Nossa Senhora do Carmo, na Rua Rio de Janeiro. Um imóvel reformado com três quartos, que custava R$ 110 mil antes da requalificação da região, teve o preço ½inflacionado” para até R$ 150 mil, diz a aposentada Consolação Lacerda, 59 anos. Ela é uma das 36 mil pessoas que vivem no Hipercentro, de acordo com o Plano de Reabilitação da área, feito pela Prefeitura de BH. ½Antes, as barracas dos camelôs quase impediam os moradores de entrar em casa. Com as mudanças, os endereços foram valorizados.

No rastro dos prédios, escola e mais comércio

A repaginação começou em 2002, com o combate à ação dos perueiros. Em seguida, vieram a retirada dos camelôs das ruas, para cumprir o Código de Posturas, a requalificação das praças 7 e da Estação e das ruas Caetés, Carijós e Rio de Janeiro. No rastro das mudanças, houve a instalação das câmeras de vigilância do Olho Vivo. Numa parceria entre a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Prefeitura e Governo do Estado, 72 equipamentos foram colocados no Centro, Barro Preto e Savassi, diminuindo o índice de crimes em 40%. Em 2004, a PM tinha registrado 9.441 ocorrências na área.
½As lojas então começaram a investir mais nas fachadas, passeios e vitrines”, diz o secretário de Administração da Regional Centro-Sul da PBH, Fernando Cabral. A procura por imóveis comerciais aumentou e, de mil lojas fechadas, o número caiu para cem. A oferta de empregos também cresceu, chegando a 12 mil novas vagas. ½Redes comerciais e empresas de call center se instalaram na região central, devido aos salários menores em relação a Rio e São Paulo e ao menor custo com o transporte de funcionários”, diz.
Com mais gente circulando, a tendência é de que novos serviços sejam instalados no Centro. Desta vez, nos arredores da Rua dos Guaicurus, na mira das autoridades para perder a fama de baixo meretrício. Dona de um imóvel que há meses ainda era alugado e usado para prostituição, a Santa Casa estuda dar nova destinação ao prédio. Uma das possibilidades é instalar uma pousada para acompanhantes de pacientes.
Na Avenida Santos Dumont, a proposta é abrir uma escola pública para Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos bem em frente ao Shopping Caetés. O Secretário municipal de Educação, Hugo Vocurca, visitou o local e está analisando o caso. Já o Centro de Saúde Carlos Chagas, que hoje ocupa um imóvel do Estado na Alameda Ezequiel Dias, também pode ser levado para as imediações da Guaicurus. (A.P.L.)

Perfis diferenciados, sem formação de guetos

Centro como endereço residencial para a classe média, mas também para trabalhadores de menor poder aquisitivo, com renda entre três e seis salários mínimos. Assim a consultora técnica da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, Maria Caldas, vê o futuro do coração da cidade. A transformação de prédios comerciais em residenciais abriu caminho para que estudantes, profissionais liberais, solteiros e recém-casados se interessem pelas novas moradias. Mas o ideal, sustenta a arquiteta Maria Caldas, é que espaços sejam garantidos também para outras camadas sociais -sem formação de guetos.
½São pessoas que têm o direito de morar perto do trabalho e de desfrutar dessa requalificação, que foi feita com dinheiro público”, diz. A habitação social é prevista no Plano de Requalificação do Hipercentro mas, por enquanto, a prioridade está em reassentar famílias nos bairros.
Na opinião do vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Jackson Câmara, a iniciativa privada não vai deixar o filão escapar. ½Há carência de imóveis de média e baixa renda em BH e essa população é deslocada para fora da cidade. Existe demanda para a recuperação de prédios”. Levantamento da PBH mostra que, em 2006, 59 edifícios comerciais ou residenciais estavam vazios ou subutilizados no Centro. O número já diminuiu, mas nova coleta de dados ainda está em andamento.
O arquiteto e urbanista Carlos Noronha também vê o Centro como ponto de interação social. Destaca o grande número de equipamentos culturais instalados na região e lembra a reforma do Cine Brasil, mas alerta para a necessidade de reocupação mais rápida de edifícios vazios e para a urgência em diminuir o trânsito de veículos na região. ½A pressa da vida cotidiana impede as pessoas de usufruir do espaço de uma forma mais prazerosa. BH é uma cidade bonita. Se você permitir às pessoas ir ao Centro de forma mais tranqüila, elas vão deixar de andar olhando só para o chão”, diz Noronha, também pesquisador da Fundação João Pinheiro.

Comércio fica otimista com as ruas cheias

Presidente da Associação dos Comerciantes do Hipercentro, Pedro Bacha só vê vantagens na conquista de novos moradores para o Centro. Diz que a queda na violência e a requalificação do espaço ajudou a devolver para as ruas o público das classes A e B - que está redescobrindo pontos de venda fora dos shoppings centers. Dono de uma loja de colchões na Rua dos Goitacazes, Marcos Inneco Corrêa, diretor do Fórum CDL/ Hipercentro, afirma que o faturamento do negócio quadruplicou em uma década.
O mercado enxergou o cenário. O Hotel Financial, na Avenida Afonso Pena, passa por uma reforma completa, que pode chegar a R$ 6,5 milhões - um investimento impensável, tempos atrás. ½Não queríamos perder o bonde da história. Se o Centro se recupera, a cidade fica de olho no Centro”, resume o gerente-geral, César Viana. No Hotel Itatiaia, na Praça da Estação, quartos estão sendo restaurados para aluguel mensal. Algumas unidades já estão ocupadas, depois de o prédio ficar fechado por quase dez anos.
Já o Internacional Plaza Hotel, na Rua Rio de Janeiro, entre Avenida do Contorno e Rua dos Guaicurus, reabriu a garagem como estacionamento rotativo na última semana. Um dos donos, Paulo Cardoso, filho do empresário Ferdinando, diz que o interesse é vender o edifício, mas não descarta a reinauguração se conseguir um parceiro.

Rcrd
March 24th, 2008, 04:18 AM
Estou a cada dia mais interessados em "centros". :crazy: Inclusive abri um thread sobre os assunto...
Os centros nunca deveriam ter passado por crises.
Eu morei ate ha pouco tempo no centrao de Manhattan... E achei otimo. Eh tudo "na mao" e se acostuma com o movimento.

nando02
March 24th, 2008, 06:59 PM
alguns lancamentos mais modernos no centro tambem seriam otimos!
tem muita coisa feia no cento que pode ser demolida! mas isso ainda deve demorar uns 10 anos!! :D

dfbm
March 25th, 2008, 06:21 PM
Reportagem bem interessante, só que ela ficou meio escondida aqui.

O pesquisador colocou uma reportagem sobre o mesmo assunto, mas bem menos completa, no Arquitetura e Discussões Urbanas e ganhou 6 comentários. :D Acho que esse tópico ficaria melhor lá também.

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Estou pensando aqui mas não consigo lembrar de algum outro arranha-céu abandonado construído com finalidade comercial (o que o Teodomiro falou) que não seja o próprio hotel Beira Rio (mesmo assim ele ainda pode considerar o hotel não como abandonado, mas como obra parada).

dfbm
March 25th, 2008, 08:56 PM
^^

Ah, lembrei do Hotel Dayrrel Del Rey, pode ser ele:

http://bp0.blogger.com/_3hMg8P_Ngt0/Rmx9PexFONI/AAAAAAAAAuM/t6fLZq4K1yg/s1600/C%C3%B3pia%2Bde%2BARQBH-2007-06-07%2B(50).JPG

E na reportagem do pesquisador citam um outro na Augusto de Lima, perto da Praça Raul Soares, que foi adiquirido pela Concreto. Tomara que seja o Randrade:

http://bp3.blogger.com/_3hMg8P_Ngt0/Rmmas-xFNYI/AAAAAAAAAnk/HPSiXiPEr7g/s1600/C%C3%B3pia%2Bde%2BARQBH-2007-06-07%2B(289).JPG

^^

Gosto bastante deles, o Del Rey tem um paredão cheio de janelinha meio feio, e bem aparente, mas o Randrade é muito foda! :D

Seria lindo ver os dois em bom estado e ocupados. :D

observador_bh
May 1st, 2008, 05:35 AM
Fico imaginando como seria o Centro de BH se empresas como CEMIG, Usiminas, Telemig(Oi), Vale, Fiat do Brasil, entre outras, tivessem optado por construir suas sedes por lá. A região seria disputadíssima. Muitas empresas iriam querer ter seus escritórios no "lugar onde as coisas acontecem". Como é no Rio.

Hoje BH não tem um centro financeiro definido. O Centro esvaziou-se mas não houve concentração em outra região. Ficou tudo pulverizado: Funcionários/Savassi, alto da Afonso Pena, Região da Assembléia, Raja, mas nenhum desses lugares com uma alta concentração de grandes escritórios.

Alguém sabe o que aconteceu com um projeto que a prefeitura chegou a anunciar de um plano de incentivo para a região da Av. Santos Dumont??
Estamos no momento de lançamentos comerciais e se esse plano demorar, a PBH vai perder o bonde.
Eu preferiria mil vezes mais ver o Icon, Century Tower, Centenário, Atrium e outros formando um núcleo no Centro do que na região do Vila da Serra. Sem contar que o Vila da Serra é Nova Lima e BH perde.

Por enquanto estou vendo uma recuperação do Centro mais voltada para habitação de classe média e atrativos cultutrais do que para voltar a ser "centro nervoso" da cidade.

dfbm
May 1st, 2008, 05:42 AM
Concordo totalmente. E ainda tem o Boulevar Arrudas novinho, bonitinho e todo estruturado (tem até metrô perto! :eek:) com aquele monte de lote vago (a maioria da RFFSA) dando sopa.

observador_bh
May 1st, 2008, 05:56 AM
Concordo totalmente. E ainda tem o Boulevar Arrudas novinho, bonitinho e todo estruturado (tem até metrô perto! :eek:) com aquele monte de lote vago (a maioria da RFFSA) dando sopa.

Não só esses terrenos ao longo da RFFSA, mas também diversas construões baixas, velhas e super mal conservadas que estão praticamente abandonadas na Santos Dumont, Guaicurus e Transversais.
Seriam várias as possibilidades de terrenos de mais de 1.200m2 ( no Centro, se a área do terreno for maior que 1.200 m2, o gabarito não tem restrição, só mesmo o coeficiente de área construída)

FredBH
May 1st, 2008, 08:32 AM
Eu preferiria mil vezes mais ver o Icon, Century Tower, Centenário, Atrium e outros formando um núcleo no Centro do que na região do Vila da Serra. Sem contar que o Vila da Serra é Nova Lima e BH perde.


concordo totalmente! seria ótimo! sempre que passo por ali eu penso que poderiam derrubar quarteirões inteiros e fazer vários bons prédios comercias..

nando02
May 1st, 2008, 04:22 PM
Sonhar nao custa neh!! :D

marinagarcialeite
November 4th, 2011, 05:00 PM
Muito legal o vídeo da subida no heliponto do Hotel Beira Rio..

http://youtu.be/VioCmKc4pyo

O prédio foi abandonado já na fase de acabamento. Nos andares de quartos estão centenas de peças de piso, louças de banheiro e outros materiais de construção intactos..

Abs

GIM
November 4th, 2011, 09:25 PM
Muito "legal" o vídeo ...pelo jeito voce é novata aqui, bem vinda.
Legal não, espetacular: subir aquela passarela em espiral meio "caidassa" ( só de ver o vídeo me deu tonteira), e chegar no top do heliponto e a vista de BH em 360º...um show!

Catrumano
November 4th, 2011, 09:45 PM
Gosto muito do centro de BH. Para que a região fique melhor espero que o processo de revitalização continue e que torres corporativas sejam construídas por ali.

GIM
November 6th, 2011, 05:12 PM
Abandono.

Processo de degradação iniciado nos anos 80 poderia ser resolvido com reocupação

Sem incentivo, revitalização do hipercentro de BH empaca

Empresas reclamam de falta de estímulo para construir e reformar edifícios na região


Publicado no Jornal OTEMPO em 06/11/2011
JOELMIR TAVARES
FOTO: CRISTIANO TRAD
http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20111106/foto_05112011203419.jpg
Apaixonado. Jorge Pôssa, que mora em frente à praça da Estação, vive bem com as vantagens e problemas do centro
Galeria de fotos

http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20111106/foto_galeria_05112011203628.jpg
Passado. Em 1927, a praça Sete tinha mais locais para encontros e passagem de pedestres
http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20111106/foto_galeria_05112011203649.jpg
Presente. Verticalização toma conta do cenário e carros têm prioridade sobre transeuntes

O retorno de moradores ao hipercentro de Belo Horizonte, uma das apostas da prefeitura para alavancar a revitalização da região, iniciada há nove anos, esbarra agora na falta de incentivo da própria administração municipal. Empresas interessadas em construir ou reformar imóveis na área não recebem qualquer estímulo como redução de impostos durante o período das obras. Com os investimentos freados, o cenário na região se divide entre duas realidades: lugares onde o poder público voltou a marcar presença e aqueles onde permanece o ciclo de degradação iniciado principalmente a partir dos anos 80.

Problemas como criminalidade e esvaziamento das ruas à noite poderiam ser resolvidos com o incentivo à habitação. Na capital, porém, a iniciativa ainda não trouxe efeitos práticos, conforme apontam urbanistas. "A região é subutilizada porque atende prioritariamente os setores de comércio e serviços. Se a área fosse mais povoada, o poder público passaria a prestar mais atenção", defende a presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais (IAB-MG), Cláudia Pires.

De acordo com a Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano, havia 92 prédios vazios no hipercentro em 2007, mas hoje não há cálculos de quantos permanecem desativados. Enquanto isso, as poucas tentativas de reocupação tropeçam na falta de apoio. O empresário Teodomiro Diniz, dono da construtora responsável pela reforma do lendário prédio Balança, mas Não Cai, diz que a iniciativa privada se sente desamparada. "Se houvesse incentivo fiscal, mais gente poderia investir". A venda de apartamentos no edifício, prevista para este ano, foi adiada para 2012.

A prefeitura declarou não ter planos para facilitar empreendimentos de habitação no centro. Em agosto, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) vetou um projeto da Câmara Municipal que propunha conceder 50% de desconto em impostos a quem reformasse prédios.

Enquanto isso, as opiniões sobre o coração da cidade oscilam. Para o jornalista Jorge Pôssa, 55, que mora em frente à praça da Estação há 40 anos, benefícios como proximidade do trabalho e comércio variado superam desvantagens como violência e barulho. "Sou apaixonado pelo centro".

Por outro lado, a cobradora Luana Lúcia, 22, que passa diariamente pela praça da Estação para pegar ônibus, diz se sentir insegura. "É muito raro ver policiamento. Se eu vejo algo estranho, tento passar longe", conta.

Peso dos anos

Alterações. Em sua tese de doutorado, o pesquisador Cláudio Roberto de Jesus relata que, desde a fundação da capital até por volta dos anos 50, o hipercentro de Belo Horizonte era frequentado tanto por elites quanto por camadas populares. Depois disso, o processo de verticalização iniciado na região e o crescimento acelerado da cidade eliminaram muitas áreas de convívio social, dando prioridade ao trânsito.

HISTÓRICO
Saída das classes altas provocou deterioração
A degradação do hipercentro de Belo Horizonte, intensificada nas décadas de 80 e 90, foi provocada pela saída das elites da região e, não, o contrário. A ideia foi defendida pelo pesquisador Cláudio Roberto de Jesus, em sua tese de doutorado, apresentada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em agosto.

"Quando as classes mais abastadas começaram a se mudar para outros locais, o poder público deixou de investir na região", explica Jesus. Com o início da chamada "popularização" do centro, o governo passou a direcionar as melhorias de infraestrutura e segurança para os novos bairros ocupados, como Savassi e Funcionários, ambos na região Centro-Sul, conforme o especialista.

Para o arquiteto Guilherme Leiva, que pesquisou em 2006 as possibilidades de reocupação do centro da cidade, a revalorização dos espaços de convivência coletiva e a busca de alternativas para privilegiar o pedestre e reduzir o trânsito de automóveis são fundamentais para o sucesso do plano de revitalização.

"Não adianta incentivar a política de moradias se não for criado também um ambiente saudável de habitação, que compreende a existência de praças e outros locais de convivência. Isso é decisivo para que a região se torne atrativa", afirma Leiva. (JT)

FOTO: ALISSON GONTIJO
http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20111106/foto2_05112011204334.jpg
Segurança. Policiais fazem revista em homens no entorno da praça da Estação, revitalizada pela prefeitura em 2004

DOIS LADOS
Região alia atrativos e perigos de dia e à noite
Mapa da diversão volta a convergir para o centro, com abertura de pontos culturais e casas noturnas
Joelmir Tavares
Viver perto de bancos, lojas e espaços culturais é o sonho de muita gente. Quem mora no hipercentro de Belo Horizonte pode contar com essas "mordomias". Mas o movimento de pessoas e carros atraídos por essa concentração de comércios e serviços tem também seu lado perverso: criminalidade, poluição, barulho e ruas vazias à noite.

Morador do edifício JK, nas proximidades da praça Raul Soares – revitalizada em 2008 pela prefeitura –, o policial aposentado Paulo César de Souza, 55, não se intimida com a presença de moradores de rua na região e usa o local para fazer caminhadas no início da noite. "Logo após a reforma, os mendigos sumiram. Mas agora todos voltaram. Parece que o número é cada dia maior. Alguns usam drogas e fazem arruaça, mas isso nunca me incomodou", relata.

A economista Miriam Glória Martins Ferreira, 61, que vive no centro há 46 anos, acompanhou as transformações sociais ocorridas na vizinhança. Uma delas, segundo estudiosos, foi a mudança no perfil dos moradores. Até meados dos anos 80, eram as famílias tradicionais, com pais e filhos. Hoje, a área é mais procurada por estudantes, trabalhadores solteiros e casais jovens.

Quando tinha 15 anos, Miriam se mudou com a família do bairro Carlos Prates, na região Noroeste, para um apartamento na avenida Afonso Pena. "O centro da cidade era outro. Parece que as pessoas viviam com mais tranquilidade. Sem contar que a Afonso Pena era linda, toda arborizada", relembra. Há 38 anos morando na rua dos Guajajaras, a economista diz que não trocaria o conforto do centro por nada. "Posso ir ao cinema, ao teatro e ao banco a pé".

A Polícia Militar foi procurada pela reportagem por dois dias para falar sobre o policiamento na região, mas os indicados pela assessoria de imprensa da corporação não foram encontrados. A Guarda Municipal, que cuida exclusivamente da segurança patrimonial em prédios e unidades da prefeitura, tem 295 agentes na área, que usam oito veículos e 17 motos para rondas.

Diversão. Na contramão do enfraquecimento habitacional, o centro vem se ganhando importância no mapa cultural da capital. Nos últimos dois anos, com a abertura de espaços culturais e casas noturnas, aumentou o número de pessoas em busca de opções de entretenimento na área.

As opções são variadas. O recém-inaugurado Sesc Palladium, na avenida Augusto de Lima, tem teatro, cinema, galeria de arte e café. O histórico edifício Maletta, além de ter bares famosos, se tornou um reduto de galerias de arte e design.

Mas não só a iniciativa privada e o poder público têm movimentado o hipercentro. A região também é ocupada espontaneamente como no caso do Duelo de MCs, que acontece no viaduto Santa Tereza, e do Quarteirão do Soul, que se firmou na praça Sete.

SOLUÇÕES
Para prefeitura, área não passa por degradação
Para a secretária adjunta municipal de Planejamento Urbano, Gina Rende, o hipercentro não está degradado. "Algumas áreas merecem atenção maior. Mas a região é frequentada por todas as classes sociais", afirma a representante da prefeitura.

O arquiteto Guilherme Leiva discorda da secretária. Para ele, é fato que a região tem problemas sérios a serem resolvidos. "Entendo a dificuldade em se executar isso, mas a primeira atitude deveria ser travar uma guerra contra o trânsito para reconquistar os espaços de convivência que a cidade perdeu", sugere.

Segundo Gina Rende, as soluções para o centro da capital passam pelo equilíbrio entre as dinâmicas residenciais e comerciais. "É essencial que todas as atividades estejam presentes em todos os horários", diz. (JT)

http://www.otempo.com.br/otempo/fotos/20111106/foto4_05112011204334.jpg