Cruvinel
April 5th, 2008, 01:47 PM
Cidades
Invasão sobre duas rodas
Marina Dutra
marinadutra@dm.com.br
da Editoria de Cidades
As motos invadiram Goiânia. Com base nos dados do Detran-GO, cerca de 57 motos entraram por dia em apenas um ano na cidade. Para se ter uma idéia da proporção, em 2007, existiam 154.551 mil motociclistas. Hoje, o número de motos licenciadas já superou os 175 mil. A cidade é campeã na proporção de motos por habitante no Brasil e só perde em números absolutos para São Paulo. Em audiência pública que aconteceu na Câmara Municipal, quinta-feira (3), especialistas em trânsito e transporte afirmaram que, se os números continuarem nessa proporção, os engarrafamentos vão parar Goiânia.
Para o diretor técnico do Detran-GO, Horácio Santos, esse índice se deve às facilidades em adquirir o veículo nas lojas, além da economia. O presidente das Concessionárias Honda do Brasil em Goiás, Nilson Limongi, diz que a média mensal de motos vendidas é de 2,6 mil, e isso se deve à melhoria da renda per capita do brasileiro.
Outra questão levantada por Nilson é a falta de melhorias no transporte público em Goiânia, o que leva a população a comprar uma moto através de um financiamento ou consórcio. Os planos de pagamento podem chegar até 72 meses. “No Japão, o governo aumentou a qualidade e o número dos ônibus e metrôs. Hoje, a frota de motos em Tókio não chega a mais de 1 milhão, como há dez anos.”
Horácio afirma que os dados podem piorar daqui a dez anos e alerta que para evitar acidentes envolvendo motociclistas é preciso haver mais campanhas educativas e que os condutores sigam o exemplo dos mototaxistas, com os quais os acidentes quase não acontecem. “Além de campanhas e cursos, é necessário que o condutor tenha noção de cidadania. Todos deveriam seguir o exemplo dos mototaxistas. Eles não colocam em risco a própria vida e a do cliente.” Segundo Horácio, acontecem duas mortes por ano envolvendo mototaxistas.
Nilson Limongi segue a mesma linha de pensamento do diretor do Detran. “Educação é primordial para haver respeito no trânsito.” Além de campanhas educativas, acredita que fiscalização mais rígida nos locais de maior movimento resolveria os problemas de trânsito na cidade. Sobre a implantação de corredores especiais para motociclistas, o presidente das concessionárias é enfático: “Até corredores como o da Avenida Anhangüera os motoristas não respeitam; essa medida também não adiantaria.”
Apesar da facilidade e economia que uma pessoa encontra ao comprar uma moto, ela deve ficar atenta aos acidentes constantes que acontecem na Capital. De janeiro a dezembro de 2007 foram registrados 7.552 acidentes envolvendo motociclistas, cerca de 20 por dia. Do total, 119 vítimas foram a óbito. De acordo com Horácio, as leis relacionadas à punição do condutor são suficientes, mas é preciso que sejam cumpridas. “Não adianta só punir; acima de tudo, tem que haver conscientização.”
O custo baixo, a economia com combustível e a possibilidade de usar a moto para passeios e viagens pesaram na escolha de Guilherme Leandro, 23, funcionário de uma concessionária de motos em Goiânia. “Apesar de ser mais perigoso, a economia vem em primeiro lugar.” Outro motivo que aponta é a praticidade nas ruas.
http://www.dm.com.br/materias.php?id=32972
Invasão sobre duas rodas
Marina Dutra
marinadutra@dm.com.br
da Editoria de Cidades
As motos invadiram Goiânia. Com base nos dados do Detran-GO, cerca de 57 motos entraram por dia em apenas um ano na cidade. Para se ter uma idéia da proporção, em 2007, existiam 154.551 mil motociclistas. Hoje, o número de motos licenciadas já superou os 175 mil. A cidade é campeã na proporção de motos por habitante no Brasil e só perde em números absolutos para São Paulo. Em audiência pública que aconteceu na Câmara Municipal, quinta-feira (3), especialistas em trânsito e transporte afirmaram que, se os números continuarem nessa proporção, os engarrafamentos vão parar Goiânia.
Para o diretor técnico do Detran-GO, Horácio Santos, esse índice se deve às facilidades em adquirir o veículo nas lojas, além da economia. O presidente das Concessionárias Honda do Brasil em Goiás, Nilson Limongi, diz que a média mensal de motos vendidas é de 2,6 mil, e isso se deve à melhoria da renda per capita do brasileiro.
Outra questão levantada por Nilson é a falta de melhorias no transporte público em Goiânia, o que leva a população a comprar uma moto através de um financiamento ou consórcio. Os planos de pagamento podem chegar até 72 meses. “No Japão, o governo aumentou a qualidade e o número dos ônibus e metrôs. Hoje, a frota de motos em Tókio não chega a mais de 1 milhão, como há dez anos.”
Horácio afirma que os dados podem piorar daqui a dez anos e alerta que para evitar acidentes envolvendo motociclistas é preciso haver mais campanhas educativas e que os condutores sigam o exemplo dos mototaxistas, com os quais os acidentes quase não acontecem. “Além de campanhas e cursos, é necessário que o condutor tenha noção de cidadania. Todos deveriam seguir o exemplo dos mototaxistas. Eles não colocam em risco a própria vida e a do cliente.” Segundo Horácio, acontecem duas mortes por ano envolvendo mototaxistas.
Nilson Limongi segue a mesma linha de pensamento do diretor do Detran. “Educação é primordial para haver respeito no trânsito.” Além de campanhas educativas, acredita que fiscalização mais rígida nos locais de maior movimento resolveria os problemas de trânsito na cidade. Sobre a implantação de corredores especiais para motociclistas, o presidente das concessionárias é enfático: “Até corredores como o da Avenida Anhangüera os motoristas não respeitam; essa medida também não adiantaria.”
Apesar da facilidade e economia que uma pessoa encontra ao comprar uma moto, ela deve ficar atenta aos acidentes constantes que acontecem na Capital. De janeiro a dezembro de 2007 foram registrados 7.552 acidentes envolvendo motociclistas, cerca de 20 por dia. Do total, 119 vítimas foram a óbito. De acordo com Horácio, as leis relacionadas à punição do condutor são suficientes, mas é preciso que sejam cumpridas. “Não adianta só punir; acima de tudo, tem que haver conscientização.”
O custo baixo, a economia com combustível e a possibilidade de usar a moto para passeios e viagens pesaram na escolha de Guilherme Leandro, 23, funcionário de uma concessionária de motos em Goiânia. “Apesar de ser mais perigoso, a economia vem em primeiro lugar.” Outro motivo que aponta é a praticidade nas ruas.
http://www.dm.com.br/materias.php?id=32972