View Full Version : Uma cidade em ebulição


dricobel
April 7th, 2008, 09:09 PM
Marabá

A orla do rio Tocantins é hoje o principal cartão postal da cidade, que cresce para todos os lados e recebe a todos de braços abertos

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Orla do Rio Tocantins em Marabá

Antônio da Rocha Maia nasceu a 13 de junho de 1878, em Carolina/MA. Conforme informa Leônidas Duarte, Antônio Maia era trineto ilegítimo de D. Pedro I: sua avó paterna, Alzira, seria filha de D. José de Assis Mascarenhas, 5.º Governador da Província de Goiás e filho bastardo de D. Pedro I com Margarida Ernestina da Gama Souto.
Aos 18 anos, órfão de pai e mãe, Antonio Maia encontra-se em Baião, trabalhando com o comerciante Vítor Maravilha. Antonio acaba casando-se com D. Antonia Maravilha, filha do patrão.
Em 1900 o casal muda-se para Marabá e Antonio passa a comercializar o caucho, com sucesso.
A partir de 1907, Antônio – já o “Coronel” (de patente comprada) Antonio Maia passa a empenhar-se pela autonomia da região de Marabá, juntamente com outros homens, como Antonio Braga e Chaves, Antonio de Araújo Sampaio, Messias José de Souza, Melchiades Fontenelle e Sérvulo Brito.
Surge João Parsondas de Carvalho
Em 1908, o movimento emancipatório desenvolvido em Marabá levou o advogado provisionado João Parsondas de Carvalho a levar ao governo de Goiás a proposta do povo de Marabá e Conceição do Araguaia, de vincular-se àquele Estado. Marabá pertencia a Baião, que nenhuma assistência podia dar a região.
O governo goiano enviou nomeação a Norberto de Melo, para arrecadar tributos. O governo do Pará reagiu, criando o município de São João do Araguaia pela Lei nº. 1.069 de 05/11/1908, e estabeleceu seus limites (Decreto 1588 de 04/02/1909). A mesma Lei 1.069 criou o Distrito Judiciário e Comarca do Araguaia. A sede foi instalada em São João. Marabá passou a pertencer ao novo município como Distrito Judiciário, contrariando o desejo de seus habitantes.
Mas a luta prosseguia
Em Marabá a mobilização continuou, iniciou-se a impressão de um jornal, o “Itacaiúnas” - dirigido por Alfredo Rodrigues de Monção, Manoel Domingues e Libório Gonçalves de Castro.
Uma comissão, presidida por Antônio Maia, formou-se para preparar um ante-projeto de lei de criação do município de Marabá. Em 1912, o ante-projeto estava pronto, mas achou-se conveniente aguardar o ano seguinte, após a eleição para governador.
Afinal, a vitória
Em 1913, a comissão encarregou Pedro Peres Fontenelle de levar o projeto a Belém; apresentado pelo deputado Antônio Martins Pinheiro, o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados, sendo a Lei sancionada pelo governador Enéas Martins com o nº. 1.278, e datada de 27 de fevereiro de 1913.
A “boa nova” chegou a Marabá, via Imperatriz (onde já havia telégrafo), a bordo da “Lancha Grande”, sob o comando de Salatiel Queiroz.
Recebendo o telegrama, o Cel. Antônio Maia divulgou a notícia a todos e disse que deveriam aguardar a chegada de Pedro Peres Fontenelle, nomeado representante do governador, e que traria as credenciais para a instalação do município. É claro que, nesse dia, houve festa na cidade, com a animação da orquestra do maestro Mathias de Oliveira.
Pedro Peres Fontenelle chegou no dia 4 de abril e, no dia seguinte, 5 de abril, uma sessão solene instalava o novo município: Marabá. O original da Ata de Instalação existe até hoje sob guarda da Casa da Cultura e é assinado por 70 testemunhas, várias delas personalidades que fizeram história à época.
Antônio Maia foi nomeado, pelo governador, presidente da Comissão Administrativa do novo município. Um ano depois, em 1914, Maia foi eleito intendente Municipal (cargo correspondente ao de prefeito).
LEI N.º 1.278
A Lei n. 1.278 de 27 de fevereiro de 1913, cria o município de Marabá e dá outras providências:
O Congresso Legislativo do Estado do Pará, decretou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1.º - É criado o município de Marabá, com sede no povoado deste nome, que fica elevado à categoria de vila.
Art. 2.º - O município de Marabá, fica elevado, sob a mesma designação, à categoria de Distrito Judiciário e Comarca da 1.ª Entrância.
Art. 3.º - Revogam-se as disposições em contrário. O secretário de Estado do Interior e Justiça e Instrução Pública assim o faça executar. Palácio do Governo do Estado do Pará, 27 de fevereiro de 1913) – Enéas Martins.
A) – Antonio Martins Pinheiro. (DIÁRIO OFICIAL N.º 6.255 – 4.ª FEIRA, 05 DE MARÇO DE 1913)

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Av Trasamazônica no núcleo urbano da Cidade Nova, pricipal via de ligação entre os núcloes urbanos de Marabá

Arquivo Público será transferido
A inauguração do Arquivo Público Municipal, prevista ainda para esta quinzena, integra a programação alusiva ao aniversário de Marabá. Construído ao lado do Centro Administrativo da Prefeitura, na Folha 32, o novo espaço abrigará inicialmente as pastas do arquivo funcional da Semad.
O secretário de Administração Nilton Medeiros adiantou, ainda, que aos poucos será arquivado todo o material das demais secretarias municipais. “A Semad possui um banco de dados com informações sobre cada funcionário, mas guardamos os papéis bem acondicionados para comprovação quando necessário, por exemplo, junto ao INSS no período de aposentadoria”.
De acordo com a Ascom, não há preocupação quanto a mofo ou incêndio, pois o espaço é arejado e com boa iluminação natural. O espaço é de 50m x 20m, alto e coberto com telha a base de amianto. O arquivo é muito importante para que se tenha informações precisas sobre os funcionários e a própria estrutura de cada secretaria.
Cemitérios
A secretaria municipal de Administração está fazendo um banco de dados dos cemitérios de Marabá, com uma ficha sobre os falecidos incluindo localização e família. Há cerca de oito meses, o Chefe de Divisão/Semad Francisco de Sales está trabalhando na compilação destes dados.
O secretário José Nilton disse que este banco de dados é muito importante, pois oferece a exata localização de cada um dos falecidos, facilitando inclusive a procura por parte dos parentes e amigos.

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Praia do Tucunaré

CRONOLOGIA DE MARABÁ
1892 – Lutas sangrentas em Boa Vista do Tocantins (GO) levam várias famílias a buscarem outros locais para viver.
1894 – Carlos Leitão, com um grupo de seguidores, vem para as proximidades do rio Itacaiúnas, onde pretende instalar um “Burgo Agrícola.”
1895 – O “Burgo Agrícola” é instalado (05 de agosto de 1895).
1896 – Uma expedição parte do Burgo em busca dos campos gerais (campos naturais para a criação de gado) e descobre por acaso a presença do caucho (Castilloa ulei) na região do Tocantins-Araguaia-Itacaiúnas. Esta foi a primeira riqueza de Marabá.
1897 – Na esteira da intensa migração nordestina para a região dos cauchais, Francisco Coelho da Silva chegou, de Grajaú (MA), ao Burgo.
1898– Em 07 de junho, Francisco Coelho da Silva deixa o Burgo e se estabelece na junção do Tocantins/Itacaiúnas, com um pequeno comércio, (Casa Marabá) para negociar com extratores do caucho que subiam e desciam os rios.
1903 – A morte de Carlos Leitão, a 03 de abril, assinala o fim do Burgo.
1904 – A sub-prefeitura do “Burgo do Itacaiúnas”, é transferida para o povoado Pontal, na época com 1500 habitantes, com o nome de Marabá. É a primeira vez que esta denominação aparece em documento oficial.
1908 – Políticos locais fazem representação ao presidente do Estado de Goiás, pedindo a anexação de Marabá àquele estado. O Governo do Pará ao saber do fato expediu contingente policial ao local para garantir seus direitos, neste mesmo período, via Conceição do Araguaia, chega oriundo de Goiás a nomeação de agente fiscal de Marabá, para o tenente-coronel Norberto da Silva Mello, então ausente. O portador da nomeação, Sérgio Prado, intimado pelo Dr. Francisco de Carvalho Nobre, que comandava o contigente policial, foi obrigado a entregar-lhe a nomeação. Através da lei de nº 1.069, de 05 de novembro deste ano, foi instalada a Comarca do Araguaia, ficando Marabá um Distrito Judiciário.
1913 – Atendendo reivindicação da comunidade marabaense o Governador do Pará, Dr. Enéas Martins, criou o município de Marabá, através da Lei nº 1.278, de 27 de fevereiro de 1913. No dia 05 de abril, foi instalado o município, sendo nomeado o Cap. Pedro Peres Fontenelle, como representante legal do Governador e serviram de secretários Ten. Raymundo Nonnato Gaspar, prefeito em comissão e Manoel Gonçalves de Castro. A Comissão administrativa composta pelo presidente Ten-Cel. Antônio da Rocha Maia, e os seguintes membros; Major Quirino Franco de Castro, Cap. Afro Sampaio, Cândido Raposo, Melchiades Peres Fontenelle e João Anastácio de Queiroz (como representante do Major Quirino Franco).
1914 – Marabá torna-se Sede de Comarca (Decreto n.º 3.057, de 27.02.1914);
- Em 27 de março, instalação da Sede pelo seu primeiro juiz: Dr. José Elias Monteiro Lopes;
- O primeiro Intendente eleito, Cel. Antonio da Rocha Maia, toma posse em 15 de novembro.
1916 – Em 24 de junho, aporta em Marabá o primeiro barco a motor “Pedrina”, do Sr. Alfredo Monção.
1920 – Este ano marca o início da exploração da castanha em grande escala, coincidindo com a desvalorização do caucho.
1921 – Eleito Intendente João Anastácio de Queiroz.
1922 – Pela Lei 2.116, de 3 de novembro foi declarado extinto o município de S. J. do Araguaia.
1923 – Através da Lei 2.207, de 27 de outubro, Marabá eleva-se à categoria de cidade;
- O Decreto 3.947, de 29 de Dezembro incorpora o território de S. J. do Araguaia ao município de Marabá.
1925 – Em 21 de abril funda-se a Associação Marabaense de Letras, da qual participaram: Dr. Ignácio de Souza Moitta, Dr. Francisco de Souza Ramos, Lauro Paredes, Arthur Guerra Guimarães, Antonio Bastos Morbach, Arthur de Miranda Bastos, Dr. João Pontes de Carvalho, Manuel Domingues, Antonio de Araújo Sampaio, Afro Sampaio, Maria Salomé de Carvalho, João Montano Pires, Alfredo Rodrigues de Monção e outros.
1926 – Registra-se a primeira grande cheia. A cidade é toda destruída. Durante cerca de quatro meses, o povoado de Lago Vermelho (hoje Itupiranga) asilou a maioria da população, acossada pelo flagelo, tendo servido provisoriamente de Sede da Comarca, por determinação do Juiz de Direito Dr. Souza Moitta, com aprovação do governo;
- No ribeirão Cametaú, defronte ao povoado de Lago Vermelho, foi descoberto diamante, tendo sido a primeira pedra encontrada adquirida por 100$000 (Cem mil réis) pelo chefe político daquela povoação, Homero dos Santos e Souza, que a levou para Marabá e mais tarde a ofereceu ao Dr. Deodoro de Mendonça.
1927 – Marabá passa a ser o maior produtor de castanha da região tocantina.
1929 – A cidade recebe iluminação, através de uma usina a lenha.
1931 – É inaugurado o Mercado Municipal.
1935 – Em 17 de novembro é inaugurado o aeroporto de Marabá com a chegada do primeiro avião pilotado por Lysias Augusto Rodrigues. Neste ano a cidade tinha apenas 460 casas e 1.500 habitantes fixos.
1947 – É criado o município de Itupiranga, desmembrando-se de Marabá as áreas dos distritos de Itupiranga e Jacundá.
1949 – Funda-se o Colégio Santa Terezinha, das irmãs Dominicanas.
1960 – A construção da rodovia Belém-Brasília traz novas possibilidades comerciais para Marabá.
1961 – São criados os municípios de São João do Araguaia e de Jacundá pela lei 2.460, de 29 de dezembro. Ambos foram desmembrados de Marabá.
1966 – Iniciam-se as explorações de minérios da Serra dos Carajás.
1969 – É aberta a rodovia PA-70, que liga Marabá à Belém-Brasília.
1970 – Marabá passa a ser “Área de Segurança Nacional” até 1985.
1971 – Fica pronto o 1.º trecho da Rodovia Transamazônica. O governo federal estabelece o Projeto Integrado de Colonização (PIC) do Incra, em Marabá.
1972 – Inicia-se na região o conflito armado conhecido como Guerrilha do Araguaia.
1973 – A construção da Hidrelétrica de Tucuruí tem início, formando um lago de 2.460 km².
1980 – Marabá é atingida pela maior enchente de sua história: o rio Tocantins sobe 17,42 metros.
- Descoberto o Garimpo de Serra Pelada.
1981 – Inaugurada a ponte sobre o rio Itacaiúnas – 13/11.
1984 – É criada a Casa da Cultura de Marabá – 15/11.
- Entra em funcionamento a Estrada de Ferro Carajás.
1985 - começa a circular o trem de passageiros da Companhia Vale do Rio Doce..
1986 - Inicia-se a instalação de indústrias siderúrgicas em Marabá, para produção de ferro-gusa.
1988 – São criados os municípios de Curionópolis e Parauapebas.
1990 – A Lei Orgânica do município de Marabá é promulgada a 5 de abril.
1994 – O município de Marabá ocupa uma área de 11.243 km² e tem uma população de 140.000 habitantes (Fonte IBGE).
1998 – A partir desta data o município firma-se como sede de grandes eventos de repercussão.
1999 – A população de Marabá é de 157.884 habitantes (Fonte SICOM – D.S.E.M.M. Jul.98; p.3. nacional: FECAM, FICAM, Maraluar e EXPOAMA..
2000 – A CMM a prova nova redação da Lei Orgânica do município (LOM).
- Acontece em Marabá o III Jogos dos Povos Indígenas na praia do Tucunaré-15 a 21/10.
- O Prefeito Geraldo M. de Castro Veloso é reeleito com 27.253 votos (45.28%).
2001 – É realizado o FECAM das Artes no período de 22 a 27/07.
2002 – Morre o Prefeito Geraldo M. de Castro Veloso – 02/02.
- O Vice-Prefeito Sebastião Miranda Filho (PTB) é empossado Prefeito de Marabá - 06/02.
- É inaugurada a “Aldeia da Cultura” – 07/09.
2003 – Inaugurada a Orla do rio Tocantins - 31/12
2004 - O prefeito Tião Miranda é eleito com 37.625 votos.
- CMM reduz o seu quadro de parlamentares de 17 para 12 vereadores
- Novo Fórum de Marabá é inaugurado – 05/11;
- Casa da Cultura completa 20 anos – 15/11;
- O Distrito Industrial de Marabá–DIM chega a marca de 1.674.720t de ferro gusa.
2005 - Devido a impedimentos do prefeito Sebastião Miranda Filho, assume a prefeitura de Marabá o Presidente da CMM Maurino Magalhães de Lima – 20/04;
- O prefeito Sebastião Miranda Filho é reempossado – 07/10.
2006 – Votada proposta de lei do Plano Diretor Participativo de Marabá – PDP -16/09.
2007 - O Município de Marabá comemora seu 94º aniversário –05/04;
-Prefeito Tião Miranda inauguara a Praça da criança – 14/04;
- CMM promove 1º Seminário de Desenvolvimento Sustentável do Pólo Carajás-25 a 29/04;
- A população de Marabá é de 196.468 habitantes – IBGE/2007.

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Rio Tocantins

Marabá é fruto de namoro proibido

Na cultura indígena, anterior ao período de colonização, cheia de mitos e lendas, Marabá era ninfa responsável por proteger os animais. Sempre que se preparavam para uma caçada, os indígenas esperavam que o pajé pedisse licença à entidade, que só autorizava a caçada após a garantia de que os animais que seriam abatidos não sofreriam dores, não estavam prenhes ou amamentando filhotes.
Com o advento da colonização, os missionários, através das missões catequistas, fizeram com que os costumes fossem se modificando. Então os silvícolas passaram a chamar de Marabá os filhos de índia com branco ou com índio de tribo inimiga. Eles diziam que Marabá é filho de Kunhãmembyra, entidade do mal na crença indígena. Segundo conta a lenda, os prisioneiros feitos pelos guerreiros eram levados às aldeias para serem entregues aos cuidados de uma índia, filha de um chefe da tribo ou de um grande guerreiro. Às vezes, a índia se apaixonava pelo prisioneiro e eles fugiam para a mata. O filho desse relacionamento era denominado Marabá, que depois de ser levado para tribo, onde ficava até determinado tamanho, era sacrificado no centro da aldeia.
O poeta Gonçalves Dias retratou de forma primorosa, na descrição de uma solitária mestiça, que apesar de não ter sido sacrificada, foi rejeitada pela tribo. Acompanhe a seguir o poema do maranhense que descreveu a figura de uma criança Marabá com arabesco de sonoridade. A poesia representa de fato o que é o povo de Marabá, formado por gente de todo o país, numa grande mestiçagem da raça.
O emprego
O fundador de Ma-rabá, Francisco Coelho da Silva era admirador do poeta Gonçalves Dias e usara já a palavra, em seu estabelecimento comercial em Grajaú, no seu estado natal, o Maranhão. Juntamente com seus sonhos de uma nova vida, trouxe para cá a palavra e com ela denominou o entreposto que abrira na confluência dos rios Tocantins e Itacaiúnas.

MARABÁ
(Gonçalves Dias)

Eu vivo sozinha: ninguém me procura!
Acaso feitura não sou de Tupã?

Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
- “Tu és”, me responde,
“Tu és, Marabá!”

Meus olhos são garços, são cor das Safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
- “Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!

É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
Da cor das areias batidas do mar;
As aves mais brancas, as conchas mais puras
Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.
Se ainda me escuta meus agros delírios:
- “És alva de lírios”,

Sorrindo responde, “mas és Marabá”:
“Quero antes um rosto de jambo corado,
“Um rosto crestado
“Do sol do deserto, não flor de cajá”.

Meu colo de leve se encurva engraçado,
Como hástea pendente do cactus em flor;
Mimosa, indolente, resvalo no prado,
Como um soluçado suspiro de amor!
“Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira”,

Então me respondem: “tu es Marabá;”
“Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
Que as flóreas campinas governa, onde está”.

Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
O oiro mas puro não tem seu fulgor;
As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem: “Teus longos cabelos,
São loiros, são belos,
Mas são anelados; tu és Marabá:
Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
Cabelos compridos,
Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá.”

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem has direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arasóia*
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!

*arasóia: Ornamento usado na cinta, como uma fralda de penas, usado pelas donzelas

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Praça do Pescador na orla do Tocantins

95º Aniversário de Marabá
PROGRAMAÇÃO

DIA 03/04/08 (quinta-feira)
Cine Teatro Marrocos a partir das 20:00 horas
• Show Faço Parte Desta História
• Projeto Vertigem
• Marcelo Morhy
• Jorginho
• Álvaro José
• Swing Moleque

DIA 04/04/08 (sexta-feira)

Praça Duque de Caxias a partir das 17:00 horas
• Apresentação dos Grupos Folclóricos Mayrabá, Cia. de Dança Yaguara, ABADÁ Capoeira e Street Boys.
• Tecnoshow
• Projeto Dançando e Educando
• Coral Casa da Cultura
• Banda de Música de Marabá
• Fundação de Assistência à Criança e ao Adolescente (Bairro Amapá)

DIA 05/04/08 (sábado)

Bairro Francisco Coelho (Cabelo Seco), Velha Marabá, a apartir das 7:30 horas.
• Missa Campal
• Café da Manhã
• Banda Marcial (SEMED)
Praça Osório Pinheiro (em frente a PMM) a partir das 10:00 horas.
• Parada Militar (Exército Brasileiro, Polícia Militar, Corpo de Bombeiro Militar e DMTU)
• Inauguração das Escola Manoel Cordeiro Neto, no Km 2 - São Félix e Escola Maria das Graças Ribeiro de Sousa - Jardim Bela Vista (SEMED).
Orla do Tocantins a partir das 21:00 horas
• Show
• Artistas da Terra
• Banda Amazonas (Belém)
• Banda Louca Tentação
• Pagode
• Dj.

DIA 06/04/08 (domingo)

Orla do Tocantins a partir das 8:00 horas
• Pesque e Solte no Cais (SEMMA)
A partir das 19:00 horas (Orla do Tocantins)
• Parada Gay
Ginásio Folha 16 a partir das 8:00 horas
• Torneio de Sinuca
• Torneio de Skate
• Torneio de Judô
• Moto Show

HINO DE MARABÁ

I
Deslumbrante é o marulhar do Tocantins
No soberbo e majestoso curso de beleza
Que as vistas cobiçosas do mundo desconhecem
Pois Deus o fez assim disfarçado em singeleza.

ESTRIBILHO

És cidade relicária graciosa
Imponente na história que palpita
Nos corações de teus filhos
Que cantam sem cessar
MARABÁ! MARABÁ! Terra Bendita.
II
Deu-nos berço de bonança e de alegria
Por ter vivido aqui os nossos velhos ancestrais
Deu enfim ao seu povo a terra hospitaleira
Com os lauréis da glória - os vastos castanhais
III
Como precioso presente imerso ao leito
Várias blendas como prêmio deu a natureza
Deu-lhe o Ouro, o Cristal, em profusão o Diamante
Na mais pura e vicejante seara de riqueza.

Letra: Pedro Valle e Moisés da Providência Araújo
Música: Moisés da Providência Araújo
Hino elaborado em 05/04/1963, por ocasião do
cinquentenário de Marabá.

A cinco anos do centenário
Omunicípio de Marabá completa neste dia 5 de Abril de 2008 os seus 95 anos de emancipação político administrativa, e décadas de uma história permeada de ciclos econômicos, políticos e migratórios que lhe tornaram uma cidade peculiar, líder na sua região, pólo para os demais municípios. A cinco anos da marca do seu primeiro centenário, a cidade se mostra em dilema, entre o futuro – discutido com investimentos e elaboração de um Plano Diretor – e o passado, do qual as marcas históricas vêm se apagando com o tempo.
Marabá tem hoje, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 196.468 habitantes, distribuídos em área territorial de 15 mil km². A população é flutuante e formada em boa parte por migrantes de outros estados da federação, a maioria profissionais em busca de mercado de trabalho ou retirantes a procura de uma nova vida.
Esse panorama faz com que Marabá viva demandas emergenciais quanto à segurança pública, saúde, habitação e expansão urbana. Bairros oriundos de invasões são hoje alvo freqüente das cheias dos rios Tocantins e Itacaiúnas.
Por outro lado, o transporte exige também planejamento para criação de novas linhas de coletivos e novas empresas explorando o serviço. Defendido por boa parcela da população, o mototaxi – nova modalidade - ainda exige regulamentação hábil, debate sobre a segurança dos passageiros, enquanto a frota de motocicletas cresce em escala assustadora, já superando a de automóveis em mais de 3.500 unidades. Segundo dados do Detran, a frota local é de mais de 36 mil veículos, a terceira maior do Pará.
Mas Marabá não tem apenas problemas a administrar. As conquistas têm se dado também a olhos vistos. No campo econômico, o crescimento do Distrito Industrial, com as guseiras, aumentou a circulação de dinheiro na praça através de salários e contratação de serviços.
Esse potencial atraiu empresas do porte da Aço Cearense, uma das grandes do setor no plano nacional e que aqui está montando a maior aciaria do Norte do País. A Vale, na carona do crescimento das suas exportações, anuncia para o Pará uma siderúrgica e Marabá é o destino mais provável para o investimento.
O município é sede ainda para vários serviços, instituições, autarquias e decisões políticas. Aqui estão baseadas várias políticas públicas de amplitude regional como no turismo, segurança pública, saúde e estradas. Uma rede bancária plural, sedes do poder judiciário estadual e federal, as assistência social, dos Correios, entre outros, garantem a importância estratégica.
Esses e outros aspectos desta jovem senhora de 95 anos são levantados nesta edição especial, que traz imagens memoráveis, reconta trajetórias e fala do amor a Marabá, também traduzido em mensagens especiais.

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Ponte sobre o Rio Tocantins

Disputa política iniciou povoamento em Marabá
Você deve se lembrar desse episódio da História do Brasil. Em 1889 o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e, em 1891, foi eleito presidente, tendo como vice o candidato da chapa oposicionista, Floriano Peixoto. Mas em fins de 1891, Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo, assumindo a presidência Floriano Peixoto, que tratou logo de destituir os governadores de Estado que eram fiéis a Deodoro, causando, com essa medida, grande agitação política em todo o Brasil. Mas como essa política afetou a história de Marabá, uma cidade que nem existia ainda?
No Estado do Goiás, os seguidores de Floriano Peixoto eram liderados pelo político Leopoldo de Bulhões. Seus opositores reuniram-se em torno de um partido católico, fundado pelo cônego Inácio Xavier da Silva. Bem ao norte de Goiás (na parte que hoje forma o Estado do Tocantins) localiza-se a cidade de Tocantinópolis, então denominada Boa Vista do Tocantins. Nesta cidade, quem dominava era o “coronel” Carlos Gomes Leitão, florianista, que tinha o apoio de Leopoldo Bulhões. Mas a oposição ao coronel Leitão também era forte, reunindo-se em torno do prefeito (chamado de intendente na época) Francisco Maciel Perna.
As hostilidades entre os grupos de coronel Leitão e Maciel Perna aumentaram a partir de 1892, resultando em sérios confrontos armados. O padre dominicano Frei Gil de Vila Nova, que residia na cidade de Porto Nacional, foi chamado para intermediar a paz. Por infelicidade, no momento das negociações, um seguidor de Maciel Perna, exaltado, matou Alexandre Leitão, irmão do coronel Carlos Leitão. A situação tornou-se mais grave com lutas e mortes em toda a região.
Conseguindo o apoio de forças federais vindas do Maranhão, o coronel Leitão tomou o poder, em 1893. Mas grande parte da população juntou-se a Maciel Perna, que cercou a cidade e conseguiu um tratado de paz lavrado com autoridade policial. Leitão discordou, conseguiu a substituição da autoridade policial e retomou ao controle de Boa Vista. Novas lutas ocorreram em 1894, quando os opositores do coronel cercaram, então, a cidade, durante um mês; a fome obrigou finalmente o grupo de Leitão a capitular, em setembro de 1894.
Todas essas lutas ocorridas a partir de 1892 provocaram o êxodo de muitas famílias, que buscavam lugares mais calmos para viver e produzir, sem riscos de sofrer ataques de bandos armados. Essas famílias mudaram-se para cidades próximas, como Imperatriz e Grajaú, ou seguiram para regiões ainda pouco habitadas, nas margens do rio Tocantins, ou do Araguaia. Dessa forma, surgiu Conceição do Araguaia, em 1897, e Itupiranga, fundada por Lúcio Antônio dos Santos, em 1892.
Após a capitulação, em 1894, o coronel Leitão seguiu para Belém, conseguindo apoio financeiro do governador Lauro Sodré para se fixar, com cerca de 100 companheiros, nas proximidades do rio Itacaiúnas, onde planejava instalar uma colônia agrícola.
Muitos dos seguidores do coronel Leitão já se encontravam nas proximidades do rio Itacaiúnas, onde tentaram se estabelecer no local denominado de “Quindangues”. Mas como ali muitas pessoas adoeceram com febres (provavelmente devido a malária), o grupo resolveu mudar-se para as margens do rio Tocantins, num lugar distante 18 quilômetros da atual cidade de Marabá. Instalou-se ali o “Burgo Agrícola do Itacaiúnas”, no dia 5 de agosto de 1895. O coronel Carlos Leitão faleceu no Burgo, a 13 de abril de 1903, em situação de grande penúria. Esse fato possivelmente assinalou o fim do Burgo e a mudança dos últimos moradores para o pontal do Itacaiúnas, onde o maranhense Francisco Coelho já havia instalado uma espécie de mercearia, denominada “Casa Marabá”.
Burgo agrícola é uma denominação mais usada em Portugal, para designar as povoações destinadas especialmente à agricultura. No final do século, além do Burgo Agrícola do Itacaiúnas, algumas outras experiências do mesmo tipo foram feitas no Pará. Na zona bragantina, foram criados burgos agrícolas com imigrantes italianos, franceses e espanhóis, mas todos sem resultados. Mais recentemente, nos anos 70, com a abertura da rodovia Transamazônica, foram criadas as “agrovilas”, experiência muito semelhante à dos burgos agrícolas do século XIX. (Fonte: livro “História de Marabá”, de Maria Virgínia de Mattos)

Fonte: Correio do Tocantins

JaMBa
April 7th, 2008, 11:39 PM
Já atravessei andando pelo meio dos trilhos essa ponte \o/

E o trem passou na hora \o/

Meu pai e minha mãe nem sonham com um negocio desses :D

dricobel
April 7th, 2008, 11:45 PM
^^


eu sempre fazia isso, mais no km 7 da PA 150, tinha um colega que tinha uma chácara as margens da ferrovia, iamos pra lá e ficavamos vendo o trem, ficava fascinado com aquilo :)

JaMBa
April 7th, 2008, 11:53 PM
O problema foi o desespero pra pular de volta pra ponte .. ja que tem um vão entre os trilhos e a ponte .. e o trem apitando ...

JaMBa
April 7th, 2008, 11:59 PM
Eu não consegui pular .. e fiquei nessas "entradinhas" que tem ai que aparece na foto.

JaMBa
April 8th, 2008, 12:10 AM
Alguem sabe sobre a construção da segunda ponte sobre o rio Itacaiunas Esse engarrafamento ai que aparece na foto é por causa da ponte. Na hora do almoço é um inferno passar de uma cidade pra outra.

dricobel
April 8th, 2008, 03:26 AM
^^

Marabé enfrenta um problema grave no seu trânsito, pra se ter idéia são kms de congestionamentos nas vias que dão acesso ao núcleos urbanos da cidade, eu já tinh escutado falar dessa construção de uma segunda ponte sobre o rio Itacaiunas. Vou ver alguma informação referente a isso!

Seria interessante uma foto do GE!

JaMBa
April 8th, 2008, 04:01 AM
http://i63.photobucket.com/albums/h137/joaobbb/marab.jpg

Esse é o gargalo. O encontro das 3 cidades.

Gabriel Brasil
April 8th, 2008, 04:16 AM
Qual a população dessa cidade?

JaMBa
April 8th, 2008, 04:28 AM
Se eu não me engano 200 mil.

dricobel
April 8th, 2008, 02:10 PM
http://i63.photobucket.com/albums/h137/joaobbb/marab.jpg

Esse é o gargalo. O encontro das 3 cidades.

Bem que nesse gargalo poderiam construir um viaduto :)

Existe um projeto para duplicação no trecho urbano da BR 230 "Av Transamazônica, cerca de 15 km do perímetro urbano de Marabá.
Apesar do traçado urbano com via largas, a cidade sofre problemas no trânsito. :ohno: