Cruvinel
April 8th, 2008, 04:52 AM
Opinião
Goiânia: metrô é desafio inadiável
http://www.dm.com.br/materias.php?id=33141
A matéria especial intitulada Invasão sobre duas rodas, de autoria da repórter Marina Dutra, publicada na edição de 04.04.08 do Diário da Manhã, escancara a situação caótica do trânsito em nossa Capital e merece uma reflexão profunda por parte das autoridades e da sociedade como um todo.
Duas realidades evidenciam um flagrante contraste na cena viária goianiense. Quem circula pelas ruas de Goiânia durante os feriados prolongados tem a sensação de estar vivendo numa cidade do interior. As ruas ficam quase desertas e o condutor de veículo transita com facilidade pelas vias urbanas.
Entretanto, quando a cidade retoma a sua normalidade, vê-se que aquela calmaria desaparece como um oásis no deserto das Arábias. A paz é substituída pela batalha diária do cidadão nas ruas para conseguir chegar à sua residência, escola ou local de trabalho.
O que está acontecendo com o trânsito de Goiânia? Ele vem piorando a cada ano. Hoje, temos vários trechos onde o trânsito é caótico e insustentável nos horários de pico. Os congestionamentos não estão mais segregados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Goiânia também já enfrenta diariamente gigantescos congestionamentos.
E qual é a tendência a continuar esse estado de coisas? Infelizmente, a situação tende a piorar. O nosso sistema viário não agüenta mais sete ou oito anos nesse ritmo de crescimento da frota de veículos. Goiânia vai parar. Carros, motos, caminhonetes, caminhões e ônibus disputam os 5,7 mil quilômetros das 15 mil ruas de Goiânia. O caos e os congestionamentos se multiplicam. Caminhamos para um colapso total num futuro bem próximo.
Goiânia é a primeira cidade com o maior número de carros por habitante no Brasil, cerca de 1 carro a cada 1,7 habitante. Tem também a maior frota de motos per capita no País e a segunda em número absoluto, perdendo apenas para a cidade de São Paulo. Por dia, mais de 140 veículos em média são incorporados à frota da Capital.
Minutos e até horas preciosas são perdidas pelos cidadãos no trânsito. Usuários do transporte coletivo sentem, por sua vez, a piora gradativa do trânsito, com as viagens ficando cada vez mais longas.
Ônibus disputam espaço com carros de passeio em circulação ou estacionados indevidamente. Inclusive, muitos ônibus estão circulando na Região Metropolitana de Goiânia sem condições adequadas para oferecer segurança aos usuários do sistema, com os seus pneus em situação de extremo desgaste. A idade média da frota de ônibus de Goiânia é de 10 anos, enquanto a média desejável, segundo especialistas em transporte, é de cinco anos.
Até quando o trânsito em nossa Capital continuará sendo administrado na base da improvisação e da falta de planejamento? Quebra-se o termômetro, em vez de curar a febre. Parece que os gestores do sistema preferem a arrecadação fácil, multando quem deixa de respeitar as regras de circulação do que investir em soluções duradouras e profundas. Mas será que uma cidade que almeja tornar-se uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 pode continuar tratando o seu trânsito com paliativos?
Goiânia precisa ter mais ousadia na busca de solução para o seu trânsito caótico. Recentemente, o renomado engenheiro civil ferroviário Sérgio Missi, do Espírito Santo, considerado um dos maiores especialistas em metrô no País, especializado em Transportes pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, disse que Goiânia é uma das cidades brasileiras que reúne as melhores condições para se implantar um projeto de metrô de superfície ou Trem Leve de Superfície. Goiânia é hoje a capital mais preparada no Brasil para receber o metrô.
Esse transporte de massa pode desafogar o trânsito da Região Metropolitana de Goiânia e oferecer à população uma alternativa segura, rápida, de custo competitivo e baixo impacto ambiental. A segurança da circulação dos trens é garantida por modernos e eficientes sistemas. Choques de trens e outros acidentes com as composições do metrô são praticamente impossíveis.
Com o metrô, o transporte coletivo ganha projeção em contraposição ao transporte individual. Em São Paulo e no Rio, por exemplo, muita gente prefere andar de metrô que de carro. Além de ser um sistema rápido de transporte, é barato e não há preocupação com o estacionamento.
Não adianta construirmos pontes e um viaduto atrás do outro. Isso não vai necessariamente desafogar o nosso trânsito. A reformulação do sistema de transporte como o previsto na licitação dará um grande salto na melhoria do sistema. Mas, terá influência apenas limitada sobre o cidadão que possui o seu próprio meio de transporte. A solução passa pelo metrô de superfície, que deve ser analisado como conseqüência de um Plano Diretor de Transporte.
Mas como Goiânia pode vencer o desafio de viabilizar o metrô? Esse projeto não é exclusivo para um único município. É um projeto para toda a região metropolitana. Assim, é necessário que haja uma cooperação entre os municípios envolvidos, o governo do Estado e o governo federal. Sem essa cooperação, o projeto se torna inviável.
A idéia da implantação do metrô em Goiânia é antiga e já se arrasta há quase 25 anos. A primeira proposta concreta para a introdução do transporte metroviário na Região Metropolitana de Goiânia veio a público em decorrência dos estudos que foram desenvolvidos pela equipe do Plano Diretor do Transporte Urbano, iniciado em 1984. A proposta do metrô de superfície foi pessoalmente feita pelos técnicos responsáveis ao então candidato ao governo do Estado, o falecido dr. Henrique Santillo. Ele abraçou a idéia e o metrô de superfície se tornou um dos carros-chefes de sua campanha ao governo de Goiás em 1986. Marconi Perillo tentou sem sucesso retomar o projeto do metrô em seu segundo governo.
Infelizmente, as coisas até hoje não deslancharam por falta de condições políticas favoráveis. Agora, porém, o momento político é diferente, é bem mais favorável. Temos na Prefeitura de Goiânia e no governo do Estado dois gestores públicos que são parceiros e amigos do presidente Lula. PMDB e PP fazem parte da base de apoio do presidente. Hoje se fala muito em PPP (Parceria Público-Privada) e esse é um projeto típico para se fazer em parceria com a iniciativa privada.
O valor da implantação do metrô em Goiânia, de aproximadamente 800 milhões de reais, é elevado. Porém, não é nada absurdo se considerarmos que o custo para a população hoje é bem maior do que isso. A diferença é que nós pagamos o custo e não cobramos de ninguém. É a poluição causada pelos congestionamentos, os transtornos urbanos, os acidentes com morte, etc. O lucro do administrador público tem de estar focado no bem-estar da sua população. Não importa quanto ele gastou com o projeto, desde que ele contrate direito, execute corretamente. Se projetos como esse dessem dinheiro, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Inglaterra, seriam todos privados, e não públicos.
Já temos em Goiânia um projeto de metrô pronto para ser executado. Esse projeto visa reestruturar o sistema de transporte coletivo de Goiânia. O metrô terá 15 quilômetros de comprimento, na linha Norte–Sul, com trechos elevados e subterrâneos.
No último dia 13, o governador Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, anunciou em entrevista que Maceió, a capital alagoana, vai ganhar um metrô de superfície. Segundo Teotônio, os recursos já foram assegurados pelo governo federal. Para ele, o investimento será uma grande conquista para Alagoas, em virtude de sua contribuição inclusive para o turismo da capital.
Há sete anos entrava em funcionamento o metrô do Distrito Federal. Uma obra tão ousada quanto o próprio plano piloto da capital federal. Na verdade, a história do metrô do Distrito Federal teve início durante a própria construção da cidade. O presidente Juscelino Kubitschek já pensava em dotar a cidade de um sistema metroviário. A sua intenção era facilitar ainda mais a vida do brasiliense.
Muitas capitais do País já conseguiram ou estão conseguindo viabilizar o sistema metroviário. Goiânia não pode mais continuar estagnada neste sentido.
Rusembergue Barbosa
é vice- presidente da Câmara Municipal de Goiânia e presidente do Diretório Metropolitano do PRB
Goiânia: metrô é desafio inadiável
http://www.dm.com.br/materias.php?id=33141
A matéria especial intitulada Invasão sobre duas rodas, de autoria da repórter Marina Dutra, publicada na edição de 04.04.08 do Diário da Manhã, escancara a situação caótica do trânsito em nossa Capital e merece uma reflexão profunda por parte das autoridades e da sociedade como um todo.
Duas realidades evidenciam um flagrante contraste na cena viária goianiense. Quem circula pelas ruas de Goiânia durante os feriados prolongados tem a sensação de estar vivendo numa cidade do interior. As ruas ficam quase desertas e o condutor de veículo transita com facilidade pelas vias urbanas.
Entretanto, quando a cidade retoma a sua normalidade, vê-se que aquela calmaria desaparece como um oásis no deserto das Arábias. A paz é substituída pela batalha diária do cidadão nas ruas para conseguir chegar à sua residência, escola ou local de trabalho.
O que está acontecendo com o trânsito de Goiânia? Ele vem piorando a cada ano. Hoje, temos vários trechos onde o trânsito é caótico e insustentável nos horários de pico. Os congestionamentos não estão mais segregados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Goiânia também já enfrenta diariamente gigantescos congestionamentos.
E qual é a tendência a continuar esse estado de coisas? Infelizmente, a situação tende a piorar. O nosso sistema viário não agüenta mais sete ou oito anos nesse ritmo de crescimento da frota de veículos. Goiânia vai parar. Carros, motos, caminhonetes, caminhões e ônibus disputam os 5,7 mil quilômetros das 15 mil ruas de Goiânia. O caos e os congestionamentos se multiplicam. Caminhamos para um colapso total num futuro bem próximo.
Goiânia é a primeira cidade com o maior número de carros por habitante no Brasil, cerca de 1 carro a cada 1,7 habitante. Tem também a maior frota de motos per capita no País e a segunda em número absoluto, perdendo apenas para a cidade de São Paulo. Por dia, mais de 140 veículos em média são incorporados à frota da Capital.
Minutos e até horas preciosas são perdidas pelos cidadãos no trânsito. Usuários do transporte coletivo sentem, por sua vez, a piora gradativa do trânsito, com as viagens ficando cada vez mais longas.
Ônibus disputam espaço com carros de passeio em circulação ou estacionados indevidamente. Inclusive, muitos ônibus estão circulando na Região Metropolitana de Goiânia sem condições adequadas para oferecer segurança aos usuários do sistema, com os seus pneus em situação de extremo desgaste. A idade média da frota de ônibus de Goiânia é de 10 anos, enquanto a média desejável, segundo especialistas em transporte, é de cinco anos.
Até quando o trânsito em nossa Capital continuará sendo administrado na base da improvisação e da falta de planejamento? Quebra-se o termômetro, em vez de curar a febre. Parece que os gestores do sistema preferem a arrecadação fácil, multando quem deixa de respeitar as regras de circulação do que investir em soluções duradouras e profundas. Mas será que uma cidade que almeja tornar-se uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 pode continuar tratando o seu trânsito com paliativos?
Goiânia precisa ter mais ousadia na busca de solução para o seu trânsito caótico. Recentemente, o renomado engenheiro civil ferroviário Sérgio Missi, do Espírito Santo, considerado um dos maiores especialistas em metrô no País, especializado em Transportes pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, disse que Goiânia é uma das cidades brasileiras que reúne as melhores condições para se implantar um projeto de metrô de superfície ou Trem Leve de Superfície. Goiânia é hoje a capital mais preparada no Brasil para receber o metrô.
Esse transporte de massa pode desafogar o trânsito da Região Metropolitana de Goiânia e oferecer à população uma alternativa segura, rápida, de custo competitivo e baixo impacto ambiental. A segurança da circulação dos trens é garantida por modernos e eficientes sistemas. Choques de trens e outros acidentes com as composições do metrô são praticamente impossíveis.
Com o metrô, o transporte coletivo ganha projeção em contraposição ao transporte individual. Em São Paulo e no Rio, por exemplo, muita gente prefere andar de metrô que de carro. Além de ser um sistema rápido de transporte, é barato e não há preocupação com o estacionamento.
Não adianta construirmos pontes e um viaduto atrás do outro. Isso não vai necessariamente desafogar o nosso trânsito. A reformulação do sistema de transporte como o previsto na licitação dará um grande salto na melhoria do sistema. Mas, terá influência apenas limitada sobre o cidadão que possui o seu próprio meio de transporte. A solução passa pelo metrô de superfície, que deve ser analisado como conseqüência de um Plano Diretor de Transporte.
Mas como Goiânia pode vencer o desafio de viabilizar o metrô? Esse projeto não é exclusivo para um único município. É um projeto para toda a região metropolitana. Assim, é necessário que haja uma cooperação entre os municípios envolvidos, o governo do Estado e o governo federal. Sem essa cooperação, o projeto se torna inviável.
A idéia da implantação do metrô em Goiânia é antiga e já se arrasta há quase 25 anos. A primeira proposta concreta para a introdução do transporte metroviário na Região Metropolitana de Goiânia veio a público em decorrência dos estudos que foram desenvolvidos pela equipe do Plano Diretor do Transporte Urbano, iniciado em 1984. A proposta do metrô de superfície foi pessoalmente feita pelos técnicos responsáveis ao então candidato ao governo do Estado, o falecido dr. Henrique Santillo. Ele abraçou a idéia e o metrô de superfície se tornou um dos carros-chefes de sua campanha ao governo de Goiás em 1986. Marconi Perillo tentou sem sucesso retomar o projeto do metrô em seu segundo governo.
Infelizmente, as coisas até hoje não deslancharam por falta de condições políticas favoráveis. Agora, porém, o momento político é diferente, é bem mais favorável. Temos na Prefeitura de Goiânia e no governo do Estado dois gestores públicos que são parceiros e amigos do presidente Lula. PMDB e PP fazem parte da base de apoio do presidente. Hoje se fala muito em PPP (Parceria Público-Privada) e esse é um projeto típico para se fazer em parceria com a iniciativa privada.
O valor da implantação do metrô em Goiânia, de aproximadamente 800 milhões de reais, é elevado. Porém, não é nada absurdo se considerarmos que o custo para a população hoje é bem maior do que isso. A diferença é que nós pagamos o custo e não cobramos de ninguém. É a poluição causada pelos congestionamentos, os transtornos urbanos, os acidentes com morte, etc. O lucro do administrador público tem de estar focado no bem-estar da sua população. Não importa quanto ele gastou com o projeto, desde que ele contrate direito, execute corretamente. Se projetos como esse dessem dinheiro, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Inglaterra, seriam todos privados, e não públicos.
Já temos em Goiânia um projeto de metrô pronto para ser executado. Esse projeto visa reestruturar o sistema de transporte coletivo de Goiânia. O metrô terá 15 quilômetros de comprimento, na linha Norte–Sul, com trechos elevados e subterrâneos.
No último dia 13, o governador Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, anunciou em entrevista que Maceió, a capital alagoana, vai ganhar um metrô de superfície. Segundo Teotônio, os recursos já foram assegurados pelo governo federal. Para ele, o investimento será uma grande conquista para Alagoas, em virtude de sua contribuição inclusive para o turismo da capital.
Há sete anos entrava em funcionamento o metrô do Distrito Federal. Uma obra tão ousada quanto o próprio plano piloto da capital federal. Na verdade, a história do metrô do Distrito Federal teve início durante a própria construção da cidade. O presidente Juscelino Kubitschek já pensava em dotar a cidade de um sistema metroviário. A sua intenção era facilitar ainda mais a vida do brasiliense.
Muitas capitais do País já conseguiram ou estão conseguindo viabilizar o sistema metroviário. Goiânia não pode mais continuar estagnada neste sentido.
Rusembergue Barbosa
é vice- presidente da Câmara Municipal de Goiânia e presidente do Diretório Metropolitano do PRB