View Full Version : Gargalo da economia é a infra-estrutura


dricobel
April 14th, 2008, 06:52 PM
Paraenses aguardam estradas e portos para crescer. Governo vai investir R$ 3,6 bilhões.

Um dos gargalos da economia mais urgentes a serem resolvidos no Pará é a infra-estrutura precária para escoamento da produção. O governo federal anuncia para 2010 a conclusão de obras reclamadas há décadas. Rodovias Transamazônica, a BR-230, a Santarém-Cuiabá, a BR-316 e a hidrovia Araguaia-Tocantins estão prestes a sair do discurso e se tornar uma realidade. Enquanto o sonho não vem, o setor industrial e empresarial se vira como pode. Principalmente, quando o assunto é infra-estrutura portuária. Por falta de portos adequados à demanda paraense, insumos para as indústrias e mesmo bens de consumo estrangeiros aportam em terminais como o de Santos, em São Paulo, do Ceará, de Recife e até do vizinho Maranhão. Há investimentos anunciados para ampliar o Porto de Vila do Conde, em Barcarena, e a esperança de construir o mega Porto do Espadarte, em Curuçá, região do Salgado, no Estado. Mas os empresários paraenses estão descontentes e as reclamações não cessam.

Um dos que lamentam a falta de estrutura e serviços portuários no Estado com vantagens aos usuários do serviço é o presidente a Indústria Mariza Alimentos, Pedro Flávio Costa Azevedo. Comparado ao volume de cargas das comodities paraenses, a quantidade importada pela indústria do ramo alimentício pode ser considerada pequena. Dos insumos usados para manter a fabricação de alimentos, cerca de 30% vêm de países estrangeiros. O gasto médio do empresário com as mercadorias importadas chega a ser de R$ 1 milhão, com a chegada de 30 contêineres de 20 pés, descendo no porto pernambucano de Soape, em Recife.


Compensação


O caminho de Recife a Belém é longo, mas trazer as mercadorias por lá compensa, diz Pedro Flávio. Além da capacidade de carga do porto, existe outra, em Pernambuco: o desconto de 49% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O presidente da Mariza diz que não é tanto a estrutura portuária, que precisa ser melhorada ainda assim, mas o que define são os serviços oferecidos pelos portos de outros Estados, como também do Ceará e Bahia.

Como o fluxo de importação e exportação nesses locais já está consolidado, existe um leque diverso de serviços para quem usa os portos. A defesa de Flávio inclui um argumento importante para que o poder público invista nos portos: além de aumentar a arrecadação e equilibrar a balança comercial, hoje quase toda tombada para o lado das exportações, a melhoria na estrutura portuária geraria mais emprego com as empresas que se instalam ao redor da área portuária. Outra vantagem, segundo ele, seria o barateamento de custo na alimentação, sobretudo a de produtos industrializados e mercadorias nobres, como o bacalhau e o azeite de oliva.


Promessa


O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará, José Conrado, também defende a melhoria da estrutura portuária e a transformação de Belém em um corredor de importação. Segundo ele, aumentaria a arrecadação do Estado e facilitaria o incremento das empresas paraenses com a entrada de insumos pelos portos. Ele reconhece o empenho da governadora Ana Júlia Carepa para resolver a questão, inclusive captando os investimentos para o Estado, como os recursos anunciados no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Porém, o industrial comenta que, em outros tempos, como o Plano Avança Brasil, do governo FHC, as mesmas garantias foram dadas, mas não foram cumpridas ao longo do tempo. O setor, garante ele, aguarda a consolidação da proposta de exoneração para os investimentos em ativos fixos, ou seja, a compra de equipamentos importados para incrementar a produção no Estado.

Estado garante que haverá recursos
suficientes para montar o futuro

O secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro, garante que está acompanhando as obras pessoalmente na Casa Civil da Presidência da República. Segundo ele, R$ 110 milhões devem concluir a hidrovia Araguaia-Tocantins. Outros R$ 300 milhões serão investidos na melhoria da infra-estrutura do Porto de Vila do Conde. Mais R$ 950 milhões vão servir para concluir as rodovias Santarém-Cuiabá e Transamazônica. Tudo previsto para conclusão em 2010.

Para viabilizar a hidrovia, devem ser dinamitadas rochas e implantada sinalização ao longo dos rios para dar condições de navegação. A obra vai possibilitar o transporte de minérios até o pólo industrial de Barcarena. Com a nova via, o Estado ganha capacidade de mais 70 milhões de toneladas, o que deve facilitar não apenas os investimentos no setor mineral, mas também em relação ao escoamento da produção agrícola, por exemplo.

Está previsto ainda a melhoria do Porto de Barcarena, com a dragagem e ativação de mais um dos beiços, além dos três terminais já existentes. Outro terminal deve ser construído também, com pelo menos dois beiços, quase que duplicando a capacidade atual. Além das rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá, ainda sem pavimentação, o Estado deve investir mais de R$ 2,2 bilhões, recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Tesouro Estadual, nas rodovias do Estado. Maurílio diz ainda que convênios com prefeituras darão condições de melhorar as vicinais nas cidades paraenses, também um gargalo, principalmente, para os pequenos produtores.

O Estado vai precisar ainda investir na Ferrovia Norte-Sul, entre Açailândia, no Maranhão, e Barcarena, no nordeste paraense. Maurílio diz que os estudos para a estrada de ferro só começaram depois de 2010 e custarão mais de R$ 8 milhões. O novo corredor de escoamento deve ter 500 quilômetros de extensão, uma capacidade para transportar mais de 100 milhões de toneladas e um custo de R$ 1,3 bilhão para ser concluído.

Outra esperança, aguardada por todos, para melhorar as condições de escoamento da produção paraense é o Porto do Espadarte, na ponta da Tijoca, na ilha de Romana, no município de Curuçá, região do Salgado. O terminall off-shore deve ser um dos cinco maiores portos do mundo e agüentar navios de mais de 75 mil toneladas de carga, cinco mil a mais do que o Porto de Barcarena. Mas, a possibilidade só deve começar a se concretizar depois de 2010, com os estudos de viabilidade técnica. (A. L. A.)

Fonte: Portal ORM

Pesquisadorbsb
April 15th, 2008, 02:09 AM
^^ É um mau secular, e olha que não estamos crescendo sequer 50% do nosso real potencial.

dricobel
April 15th, 2008, 03:25 AM
^^

é uma pena que isso esteja acontecendo :ohno:

Alexandre Lima
April 17th, 2008, 04:45 PM
Tomara que nossos atuais e próximos governantes abram os olhos e enxerguem essa realidade.

Li em uma reportagem da Exame de que a infra-estrutura é o principal inimigo das altas taxas em que o Brasil, como um todo possa crescer!!!