dricobel
April 17th, 2008, 04:19 PM
Amanhã completam-se 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, onde 19 trabalhadores sem-terra foram mortos em confronto com a Polícia Militar do estado. Para marcar a data, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) havia prometido um "abril vermelho" que inclui ações em Parauapebas, com ameaças de invadir as instalações da ferrovia, que é usada pela Vale para transportar minério de ferro, combustíveis e passageiros. Em contrapartida, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT) se prepara para lançar o programa "Pará terra de direitos", com ações que beneficiam 39 municípios diretamente e que garantem a sustentabilidade socioeconômica da região.
"Em vez de mais um massacre, teremos uma série de políticas públicas para garantir que Pará seja um estado de direito, por exemplo, do direito de produzir com clareza na legislação", disse em entrevista ao DCI.
O convívio com os movimentos sociais e os interesses econômicos fazem parte do dia-a-dia de Ana Júlia, que avisa que trabalha com diálogo entre as partes e com o cumprimento da lei. "Dizer que o estado não está fazendo a parte dele para cumprir a lei é mentira da companhia", diz Ana Júlia que considera equivocada a postura da Vale de entrar na Justiça contra o estado mesmo diante de todo o esforço feito pelo governo para estancar os problemas. "Na semana passada, transferi o secretário de Segurança Pública, o comandante-geral da Polícia Militar e o delegado-geral da Polícia Civil ficaram 2 dias em Parauapebas. Tem 500 policiais na região mobilizados", contou.
Em nota, a Vale explica que o governo agiu apenas depois de notificado. "Desde 28 de fevereiro de 2008, uma decisão da Justiça Federal de Marabá, que permanece em vigor, determina que integrantes do MST e do MTM não promovam a invasão ou ameaças ao funcionamento regular da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Em 31 de março, foi requerida à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará e à governadora do Estado que providenciassem a manutenção da garantia da ordem pública no local, de acordo com a decisão judicial. Por não ter recebido qualquer resposta ao seu requerimento, a Vale ingressou com uma Ação de Obrigação de Fazer no dia 7 de abril. (....) No dia 10, o Estado do Pará recebeu a notificação da Justiça e, somente então, adotou medidas para a manutenção da ordem pública e segurança da população, com o envio de forças policiais".
A governadora rebate e afirma que a Vale reclama muito e deixa muito pouco em contrapartida. "Temos responsabilidade e sabemos que faz parte dessa responsabilidade dialogar de forma clara e objetiva com a Vale, sem bravatas, mas também sem nos submetermos", afirmou. Ana Júlia explica ainda que mantém diálogo equilibrado com os movimentos sociais. "Não vou criminalizar os movimentos e tanto a nossa postura é correta que o relatório da comissão da Pastoral da Terra sobre a violência no campo, diz que foi justamente no Estado do Pará, que mais diminui a morte no campo. Então nossa política está no caminho certo", contou.
Ana Júlia diz que trabalha para construir um novo modelo de desenvolvimento econômico no estado, baseado na inclusão social, na sustentabilidade econômica e especialmente na sustentabilidade ambiental e que nessa missão contado com a compreensão do setor empresarial. Segundo ela, há o entendimento de que as medidas adotadas pelo governo são em defesa da economia paraense. "Porque existe a possibilidade de boicote a compra de qualquer produto por denúncia de crime ambiental ou crime de trabalho escravo", explicou. "Como é que vou defender a indústria do meu estado? Exigindo que as empresas estejam legalizadas, que comprovem que a madeira utilizada tenham origem legal. Só assim eu posso combater o boicote", disse.
Ana Júlia reivindica ainda o pagamento de compensação financeiras mais justas. "Não estamos falando de commodities agrícolas, estamos falando de commodities minerais. O minério não se reproduz na natureza é um bem não renovável. É justo que esse bem não renovável vá gerar emprego no exterior e tenha como compensação da exploração do minério o menor royalty do mundo?", afirmou. Para a governadora, o estado sofre conseqüências ao exportar minério, contribuir para a balança comercial do Brasil - o saldo do Pará é responsável por 10% de todo o saldo da balança e ter em retorno "um royalty ínfimo, enquanto as empresas lucram bilhões e fica para nós o impacto ambiental e social muito grande e não fica nem imposto para garantir investimentos em qualidade de vida, infra-estrutura, segurança pública".
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, afirma que não vai criminalizar os movimentos sociais que ameaçam invadir instalações de ferrovia usada pela Vale para transportar minério.
Fonte: DCI
Publicado em: 16/04/2008 - 07:46
"Em vez de mais um massacre, teremos uma série de políticas públicas para garantir que Pará seja um estado de direito, por exemplo, do direito de produzir com clareza na legislação", disse em entrevista ao DCI.
O convívio com os movimentos sociais e os interesses econômicos fazem parte do dia-a-dia de Ana Júlia, que avisa que trabalha com diálogo entre as partes e com o cumprimento da lei. "Dizer que o estado não está fazendo a parte dele para cumprir a lei é mentira da companhia", diz Ana Júlia que considera equivocada a postura da Vale de entrar na Justiça contra o estado mesmo diante de todo o esforço feito pelo governo para estancar os problemas. "Na semana passada, transferi o secretário de Segurança Pública, o comandante-geral da Polícia Militar e o delegado-geral da Polícia Civil ficaram 2 dias em Parauapebas. Tem 500 policiais na região mobilizados", contou.
Em nota, a Vale explica que o governo agiu apenas depois de notificado. "Desde 28 de fevereiro de 2008, uma decisão da Justiça Federal de Marabá, que permanece em vigor, determina que integrantes do MST e do MTM não promovam a invasão ou ameaças ao funcionamento regular da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Em 31 de março, foi requerida à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Pará e à governadora do Estado que providenciassem a manutenção da garantia da ordem pública no local, de acordo com a decisão judicial. Por não ter recebido qualquer resposta ao seu requerimento, a Vale ingressou com uma Ação de Obrigação de Fazer no dia 7 de abril. (....) No dia 10, o Estado do Pará recebeu a notificação da Justiça e, somente então, adotou medidas para a manutenção da ordem pública e segurança da população, com o envio de forças policiais".
A governadora rebate e afirma que a Vale reclama muito e deixa muito pouco em contrapartida. "Temos responsabilidade e sabemos que faz parte dessa responsabilidade dialogar de forma clara e objetiva com a Vale, sem bravatas, mas também sem nos submetermos", afirmou. Ana Júlia explica ainda que mantém diálogo equilibrado com os movimentos sociais. "Não vou criminalizar os movimentos e tanto a nossa postura é correta que o relatório da comissão da Pastoral da Terra sobre a violência no campo, diz que foi justamente no Estado do Pará, que mais diminui a morte no campo. Então nossa política está no caminho certo", contou.
Ana Júlia diz que trabalha para construir um novo modelo de desenvolvimento econômico no estado, baseado na inclusão social, na sustentabilidade econômica e especialmente na sustentabilidade ambiental e que nessa missão contado com a compreensão do setor empresarial. Segundo ela, há o entendimento de que as medidas adotadas pelo governo são em defesa da economia paraense. "Porque existe a possibilidade de boicote a compra de qualquer produto por denúncia de crime ambiental ou crime de trabalho escravo", explicou. "Como é que vou defender a indústria do meu estado? Exigindo que as empresas estejam legalizadas, que comprovem que a madeira utilizada tenham origem legal. Só assim eu posso combater o boicote", disse.
Ana Júlia reivindica ainda o pagamento de compensação financeiras mais justas. "Não estamos falando de commodities agrícolas, estamos falando de commodities minerais. O minério não se reproduz na natureza é um bem não renovável. É justo que esse bem não renovável vá gerar emprego no exterior e tenha como compensação da exploração do minério o menor royalty do mundo?", afirmou. Para a governadora, o estado sofre conseqüências ao exportar minério, contribuir para a balança comercial do Brasil - o saldo do Pará é responsável por 10% de todo o saldo da balança e ter em retorno "um royalty ínfimo, enquanto as empresas lucram bilhões e fica para nós o impacto ambiental e social muito grande e não fica nem imposto para garantir investimentos em qualidade de vida, infra-estrutura, segurança pública".
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, afirma que não vai criminalizar os movimentos sociais que ameaçam invadir instalações de ferrovia usada pela Vale para transportar minério.
Fonte: DCI
Publicado em: 16/04/2008 - 07:46